MIOLÃO • #DeveLer
 

All posts tagged #DeveLer

O Estranho Caso do Cachorro Morto, Mark Haddon

Era uma vez um menino. E era uma vez um cachorro. Um dia o tal menino encontrou o tal cachorro. Morto. Com uma espécie de pá presa em seu corpo. A dona do animal, que era vizinha do menino, acha que foi o guri quem matou o bichinho e chama a polícia. O garoto, encurralado, bate num policial e vai preso. Na prisão ele decide investigar o estranho caso do cachorro morto.

A premissa é simples. Quase banal. Mas a complexidade que se esconde por entre os desdobramentos de O Estranho Caso do Cachorro Morto o torna raro.

Christopher Boone, o protagonista do livro, é um garoto de 15 anos que ama matemática, adora listas, detesta coisas de cor amarela e marrom, nunca mente, odeia ser tocado e carrega consigo traços da Síndrome de Asperger (uma forma de autismo).

Continue lendo →

Queria Que Você Estivesse Aqui, Francesc Miralles

Quando esse meu amigo me contou sobre a história de Queria Que Você Estivesse Aqui eu fiquei bastante impressionado.

Ele me disse que o livro falava sobre um arquiteto que era deixado por sua noiva no dia de seu aniversário de trinta anos. Coincidentemente, no mesmo dia, ele tinha ganhado de uma amiga um disco chamado “Flores na Névoa”, de uma cantora desconhecida chamada Eva Winter. Foi só ele dar play no cd para ouvir suas memórias de infância e adolescência narradas pela voz da moça. À princípio ele se sentiu que suas lembranças, que pareciam tão particulares, eram banais e partilhadas por outras pessoas.  Só que conforme o disco avançava ele começou a achar que aquilo não era coincidência. Não podia ser. A última faixa, por exemplo, falava sobre um arquiteto que depois de ser chutado ia para Paris encontrar a cantora. Ele começou a achar que havia algo ali. E, num roupante quase que juvenil, largou tudo que tinha na cidade e foi à Paris.

Acho que comecei a gostar do livro nesse momento, antes mesmo de lê-lo. A história do arquiteto que tinha uma vida perfeita e largava tudo por causa de uma “coincidência” era, no mínimo, intrigante.  A premissa era tão fantástica e potencialmente promissora que eu, mesmo sem saber muito a respeito, comprei o livro na semana seguinte. E se querem saber, eu não me arrependi.

Continue lendo →

Slam, Nick Hornby

No mundo do skate a palavra slam significa algo mais ou menos como queda. Mas não qualquer queda. É “A” queda. Aquela que te arrebenta.

Lançado em 2008, o quinto romance do fantástico Nick Hornby (autor do cultuado Alta Fidelidade), conta a história de Sam, um garoto de 16 anos que, aparentemente, não tem nada de diferente dos outros garotos de sua idade: está na escola (mas não pensa muito no futuro), vive com sua mãe (que tem apenas 32 anos!), joga vídeo-game e anda de skate (seu ídolo maior e grande exemplo de vida é Tony Hawk, o skatista).

Sam não é muito inteligente, nem bonito, nem interessante nem mesmo muito esperto… Mas ele tenta ser um bom garoto, seguindo sua rotina numa boa, sem incomodar ninguém. Basicamente é isso aí. Sam é comum. Tão comum que irrita. Só que aconteceu uma coisa interessante com Sam. E essa coisa justifica um livro inteiro.

Narrado em primeira pessoa por seu protagonista, Slam se desdobra entre um diário falado e um conto fantástico. A enorme quantidade de gírias e o tom meio displicente (que se aproxima muito de uma conversa) caracterizam a voz da personagem principal como um discurso crível e, se não rico em sua forma (o vocabulário de Sam não é bom e os recursos utilizados por ele são pífios), impressionante por seu conteúdo. Sam tem algo a dizer. Uma história incrível para contar. E basta ler as primeiras páginas para querer ouvir. O mais legal no livro é que lê-lo é mais ou menos como ouvir a voz do garoto. É fácil.

Continue lendo →

Trilogia de Nova York, Paul Auster

Reunindo três contos longos e, aparentemente independentes, a Trilogia de Nova York, de Paul Auster, tem como tema central a solidão humana e a perda de identidade dos sujeitos inseridos em uma metrópole.

No romance, Nova York vai se apresentar como uma espécie de labirinto para os protagonistas das três histórias. No entanto, é antes um labirinto mental, na medida em que os limites entre realidade e imaginação vão se dissolvendo e a cidade exerce um papel fundamental nesse processo. Situado entre o romance clássico de detetive e questionamentos, um tanto metalingüísticos, acerca de identidade, A Trilogia de Nova York se apresenta para o leitor como um exercício de estilo e substância.

Continue lendo →

A Mulher Que Não Queria Acreditar, Fernanda Takai

Nos últimos dias, Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, lançou por intermédio da editora Panda Books A Mulher Que Não Queria Acreditar, seu segundo livro. Assim como aconteceu em Nunca Subestime Uma Mulherzinha, sua primeira incursão no mundo editorial, A Mulher Que Não Queria Acreditar é uma compilação de contos e crônicas publicados no jornal O Estado de Minas.

Para quem desconhece seu trabalho enquanto escritora, o início do livro pode parecer bobo, talvez até sem graça. No entanto, essa impressão é dissipada conto a conto, linha a linha, palavra por palavra. Em historinhas que não duram mais do que 3 páginas, Takai narra cenas cotidianas que arrancam sorrisos, reflexões, risadas e, às vezes, lágrimas.

Continue lendo →

Pequena Abelha, Chris Cleave

Eu tenho uma certa “bronca” com best-sellers. Sem tirar o mérito de alguns deles – pois existem livros que justificam o sucesso editorial – a rasgação de seda promovida pelas suas campanhas de publicidade me fazem torcer o nariz mesmo antes de lê-los. Elogios demais, muita puxação de saco que, por vezes, escondem apenas romances com doses enfadonhas de auto ajuda ou thrillers super eletrizantZzZzzz…

Foi com essa resistência que tive o primeiro contato com “Pequena Abelha”, do jornalista Chris Cleave. De início, torci o nariz já pelo título, que dá ao livro aquele tom instantâneo de ser pura sacarina, ou qualquer coisa similar; mas a ilustração de capa era tão bonita – a silhueta de uma mulher anônima, num fundo laranja bastante vivo – que acabei pegando-o para ler a sinopse.

Continue lendo →

O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias, Kelly Link

Ok, a ilustração da capa é linda. Mas o título e as referências exageradas (citam Alice, Tim Burton, Sandman e muitos outros) dão a ideia errada de que Kelly Link tenta emular – ou mesmo copiar – o estilo dos realizadores citados.

Não é o caso. O livro, que originalmente se chama Magic For Beginners, tem personalidade própria e potencial suficiente para se sustentar sozinho. Uma pena que a editora não acredite nisso – apesar da crítica ter reconhecido O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias como um dos livros do ano. Continue lendo →

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259