MIOLÃO • #DeveLer - Part 2
 

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Pequena Abelha, Chris Cleave

Eu tenho uma certa “bronca” com best-sellers. Sem tirar o mérito de alguns deles – pois existem livros que justificam o sucesso editorial – a rasgação de seda promovida pelas suas campanhas de publicidade me fazem torcer o nariz mesmo antes de lê-los. Elogios demais, muita puxação de saco que, por vezes, escondem apenas romances com doses enfadonhas de auto ajuda ou thrillers super eletrizantZzZzzz…

Foi com essa resistência que tive o primeiro contato com “Pequena Abelha”, do jornalista Chris Cleave. De início, torci o nariz já pelo título, que dá ao livro aquele tom instantâneo de ser pura sacarina, ou qualquer coisa similar; mas a ilustração de capa era tão bonita – a silhueta de uma mulher anônima, num fundo laranja bastante vivo – que acabei pegando-o para ler a sinopse.

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O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias, Kelly Link

Ok, a ilustração da capa é linda. Mas o título e as referências exageradas (citam Alice, Tim Burton, Sandman e muitos outros) dão a ideia errada de que Kelly Link tenta emular – ou mesmo copiar – o estilo dos realizadores citados.

Não é o caso. O livro, que originalmente se chama Magic For Beginners, tem personalidade própria e potencial suficiente para se sustentar sozinho. Uma pena que a editora não acredite nisso – apesar da crítica ter reconhecido O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias como um dos livros do ano. Continue lendo →

PS: Beijei, Adriana Falcão e Mariana Veríssimo

Os preparativos para o Ano Novo estavam a todo o vapor, acontecendo ali, pertinho de mim, na cozinha. Mas eu não estava envolvido. Nunca estou, acho. A preguiça não deixa. Pensei em dormir antes da festa propriamente dita, mas antes disso peguei um livrinho que eu tinha comprado esses dias.

PS: Beijei, de Adriana Falcão e Mariana Veríssimo.

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Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley

Acho que era sábado. Ou domingo. Pra ser sincero não lembro. Nesse dia, parte do MIOLÃOTEAM estava online no Messenger para decidir a pauta da semana. Não tinha ideia sobre o que falar, até que minha namorada sugeriu que eu abordasse Bonequinha de Luxo, o livrinho que deu origem ao (melhor) filme (do mundo). Comprei a ideia na hora, super animado. E pronto. Estava decidido: o Deve Ler da semana seria sobre a personagem mais adorável de Truman Capote. Mas aí me mandaram essa imagem. E decidi mudar tudo.

Admirável Mundo Novo foi escrito em 1931 por Aldous Huxley e vendido como um tenebroso retrato do futuro. No mundo distópico pregado por Huxley não haveria guerras, caos, tristeza ou depressão. Todas as pessoas entenderiam seu papel na sociedade e trabalhariam para o bem comum.

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A Solidão dos Números Primos, Paolo Giordano

O primeiro livro de Paolo Giordano é uma obra diferente, a começar pelo próprio escritor: italiano, 25 anos, doutorando em física, estreia no meio literário com esse romance extremamente incomum. Já na contracapa nos é dada uma pequena informação matemática, com um toque de poesia: “(…) entre os números primos existem alguns ainda mais especiais. Os matemáticos os chamam de primos gêmeos: são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase vizinhos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente.” E é assim, de um jeito nada convencional, que somos apresentados aos protagonsitas da história.

Alice e Mattia são dois jovens diferentes, até, de certo modo, anormais. Dividido em partes, o livro nos conta vida desses dois jovens, revelando aos poucos seus segredos, desejos, medos e frustrações. A premissa pode soar dramática demais: Mattia tem uma irmã gêmea que sofre com problemas psicológicos e da qual sente vergonha. Alice é pressionada pelo pai para ser uma grande atleta, custe o que custar.  E então, ao decorrer dos capítulos, entramos lentamente na infância desses personagens e assistimos de uma distância incômoda sua vida encaminhando-se para situações irreversíveis. Ao mesmo tempo que estamos perto o bastante para sentir os temores e anseios deles, estamos longe demais para interferir na história. E é assim que, logo nas primeiras 20 páginas, somos cativados por Alice e Mattia de um jeito tão intenso que sentimos simpatia, carinho, medo e nojo por esses personagens, tudo ao mesmo tempo.

Se o temor de que a história caia para o lado do drama apelativo existe, ele é logo dissipado. Giordano conduz a vida e os sentimentos dos personagens por uma linha frágil e ao mesmo tempo cheia de vida que consegue abordar temas difíceis com um olhar que de tão franco chega a ser desumano. Passamos por temas como homossexualidade, bullying, violência, anorexia, impossibilidade de comunicação e, principalmente, a falta de compreensão entre filhos e pais. Tudo isso sem jamais ser piegas ou moralista.

Conforme o livro cresce, os personagens crescem juntos. Acompanhamos sua adolescência e sua vida adulta em um mergulho cada vez mais profundo, decifrando cada pedaço deles e, de um jeito espantoso, nos identificando pelo menos um pouquinho com seus sentimentos e atitudes. Encontramos outros personagens no meio do caminho. Todos eles muito sinceros e bem construídos, por mais coadjuvantes que possam parecer. Nenhuma história é sem importância.

“A Solidão dos Números Primos”, embora fácil de ler, é difícil de digerir. É um soco no estômago com aquela força que só as palavras intercaladas por vírgulas conseguem carregar. Alice e Mattia são intensos, são difíceis e problemáticos, inseridos em uma sociedade que, como a nossa, não tem tempo de compreender pessoas diferentes. São, contudo, tão universais como cada um de nós e – mesmo que no início seja difícil de admitir – acabamos por sentir uma empatia enlouquecedora com essas duas personalidades. A história, de algum modo, flui além das páginas e quanto mais queremos ficar longe desses dois jovens, mais próximos ficamos. Ficamos tão próximos que quase nos tocamos.

Então, como se já tivéssemos sido avisados no princípio, sempre haverá um número par. Não é somente Alice e Mattia que são primos gêmeos. Nós, leitores, também somos. E por essa sensação “La Solitudine dei Numeri Primi” vale a pena ser lida.

E MIOLÃO informa: os direitos autorais já foram comprados e em breve sairá nos cinemas a adaptação dirigida pelo também italiano Saverio Costanzo.

A SOLIDÃO DOS NÚMEROS PRIMOS

Autor: Giordano, Paolo.
Tradutor: Y. A. Figueiredo.
Editora: Rocco.
Ano de lançamento: 2009

Retalhos, Craig Thompson

“Retalhos”, nossa dica de leitura de hoje, é a obra mais pessoal do “currículo” de Craig Thompson e também aquela que tornou o quadrinista americano (com mais de dez anos de carreira) famoso no mundo das graphic novels. Com ela, o autor encontrou a forma perfeita de liquidar os demônios de seu passado, compartilhando com o mundo os aspectos sombrios de sua vivência.

“Blankets” (título original) é a autobiografia em quadrinhos de Thompson e enfoca um período específico de sua vida, que vai da infância até o final da adolescência. O moço cresceu cercado por péssimos acontecimentos e influências, no estilo daqueles filmes que vemos no cinema: pais fanáticos, “amigos” e professores intolerantes que o perseguiam na escola, abusos sexuais, violência física e extrema confusão sobre o papel que fé, amor, compaixão e até ele próprio exerciam em sua vida. Com o agravante de que estamos falando de vida real, claro.

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Bordados, de Marjane Satrapi

Se você viu a capa desse livro e imediatamente lembrou de um outro, que inclusive já falamos aqui, você está absolutamente certo: Bordados foi escrito e ilustrado por Marjane Satrapi, mesma autora do incrível Persépolis.

Em Bordados, Marjane – que além de autora é personagem – participa de uma roda de chá formada por mulheres de sua família e por amigas, jogando conversa fora de uma maneira casual, cotidiana e interessante. O assunto, quase sempre, é o relacionamento romântico – ou nem tanto – e todos seus desdobramentos – inclusive sexo.

Através dos relatos daquelas mulheres, nós, como espectadores, conseguimos entender um pouco mais de uma cultura que aos olhos do Ocidente parece ser repressora e, porque não dizer, opressiva.

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