A corrida para melhor música pop do ano ganha uma nova favorita: Beat Of My Drum, primeiro single da girl-aloud Nicola Roberts.
Totalmente diferente do que poderiamos esperar da ruiva, a música tem ecos de electro da melhor qualidade e é deliciosamente viciante e frenética – não lembrando nem de longe o pop que a mocinha fazia nos discos das Girls Aloud.
Muito tem se falado sobre Run The World (Girls), o single novo da Beyoncé que tem sample de Pon The Floor, do Major Lazer (ou, se você preferir, da ‘banda do Diplo’). Toda trabalhada nas batidinhas aceleradas, nossa Honey Bee pinta e borda criando um hit pegajoso e selvagem pronto pra agitar qualquer pista. Mas isso, meus amigos, aposto que vocês já sabem. O que nem todo mundo sabe é que não é de hoje que Bey busca referências em outras canções para compor seu trabalho.
Lançada em 2003 para divulgar Dangerously in Love, seu disco de estreia, a bombástica Crazy In Love também contou com uma “ajudinha” de outra música… E é isso que a gente vê por aqui hoje.
Os recentes lançamentos da cantora Robyn devem estar deixando seus fãs muito felizes, por alguns motivos em especial. Primeiro, a sueca realmente está cumprindo o prometido: lançar seu novo projeto “Body Talk”, composto por três álbuns diferentes, em curtos intervalos. A cantora, andava meio afastada concentrando suas energias no novo trabalho, mas está sempre trazendo alguma novidade em 2010 – mesmo que somente uma apresentação ao vivo em algum programa, o que é excelente. Segundo e indiscutível: suas novas faixas são algumas das peças de dance-pop mais consistentes lançadas esse ano, e não se encaixam somente nessa categoria. Robyn explora ritmos, sonoridades, nuances e tem brincado com a liberdade que possui num selo independente. O terceiro motivo é quase egoísta, mas não deixa de ser bacana para os seus adoradores: seu discos sempre vazam antes da hora, fazendo a alegria do pessoal que não agüenta esperar por faixas fresquinhas.
Nos últimos dias, caiu na rede “Body Talk PT 2”, pouco mais de dois meses depois do lançamento oficial da primeira parte. Na anterior, Robyn encarna uma robô feminina, brincando com conceitos futurísticos: em oito faixas, ela alterna entre canções minimalistas e angustiadas, e outras despretensiosas e contagiantes. Para o sucessor, a moça injetou uma urgência ainda maior à forma como as músicas são conectadas: o disco, que possui a mesma quantidade de faixas do seu “irmão” não é nem “melhor ou pior” que ele: é diferente, apesar de parecido. Uma baita confusão, mas você vai entender! :)
Abrindo o disco, temos “In Your Eyes”; Robyn troca o desabafo frenético que iniciava “Body Talk PT 1” por um discurso mais otimista e barulhento, pregando que “o sol irá brilhar para todos”. É uma daquelas que possuem maior presença na tracklist e cumpre a função de abrir o álbum. “Include Me Out” é uma música de essência doce, quase melosa (“And if your world should fall apart/ I still got room inside my heart) e que possui um rap aceleradinho próximo do final; estranhamente, precisa de um algo mais para empolgar de verdade, que não aparece.
“Hang With Me”, o primeiro single do disco, foi apresentada ao público numa versão acústica no “Body Talk PT 1”. Ganhou nova roupagem, mais agitada, mas não o suficiente pra te fazer dançar loucamente: graciosa, resume um relacionamento que deve permanecer somente na amizade e não algo mais. Em seu clipe oficial, vemos bastidores da lotada agenda de shows da loira. Clipes nesse estilo geralmente são bem enfadonhos, mas o de Robyn, bastante simpático e até alto astral não se encaixa nessa categoria. Veja abaixo:
“Love Kills” é uma faixa que nasceu nos anos 90, vagou pelo tempo e caiu nos dias de hoje. “We Dance to The Beat”, cheia de quebras, invade sua mente quando você menos espera. Precisa ser ouvida mais de uma vez para que perceba o quanto ela é envolvente e grudenta: enumera uma porção de situações que parecem fazer o ser humano andar em retrocesso, como a falta de evolução de nossas mentes e falhas de comunicação.
Na sequência, vem “Criminal Intent”, a melhor faixa do álbum: Robyn está sendo julgada por agir de forma ofensiva na pista de dança, e defende-se dizendo que “um pouco de sujeira não machuca ninguém”. Sirenes e a voz de um homem num estilo quase “rádio-patrulha” juntam-se ao vocal acelerado da moça e resultam numa faixa perfeitinha e viciante. Podia ser single e ganhar um ótimo clipe, como muitos que a sueca tem em sua videografia.
Se em “Body Talk PT1” Robyn realiza parcerias com Diplo e o duo Royksopp, o destaque aqui é o prometido dueto com o rapper Snoop Dogg, “U Should Know Better”. É um duelo veloz, onde parece que nem ele nem a moça almejam perder. Na letra, ambos contam histórias sobre feitos mirabolantes que mostram o quanto são “durões”, no melhor estilo “histórias de pescador”: desafiam o Vaticano, a CIA, os russos e até o diabo. (?) A notícia da parceria entre a cantora e Dogg foi recebida com receio, mas o resultado provou que ele não era necessário – superou as expectativas.
Robyn opta por uma faixa despida de sons eletrônicos para finalizar o álbum: com um belo arranjo de cordas, a acústica “Indestructible” é um panorama sobre o amor na ótica da cantora: ela confessa sobre os enganos sofridos em relacionamentos passados e diz que está pronta para, agora, amar com todas as forças. Sua voz aparece também mais pura sem os arranjos “carregados” das outras faixas. O disco, que começa muito bem, também tem um final à altura.
No início do texto, quando eu disse que as duas partes lançadas por Robyn até o momento são “parecidas, mas diferentes” quis dizer que elas são semelhantes por se tratarem de gravações da mesma artista – essa, que consegue por sinal estampar em suas gravações uma identidade só sua – mas distintas pela impressão de que trafegam por ares completamente diferentes: cada parte do projeto “Body Talk” lançada até agora parece mesmo diretamente ligada uma a outra, mas sem que sua dona tenha que se repetir por causa disso. Pra mim, “PT 2” não supera o anterior, mas ele é excelente ainda assim. Escute, tire suas conclusões e faça como os fãs: fique ansioso novamente, agora pela terceira parte da tríade.
No começo do ano, a sueca Robyn anunciou que, em parceria de alguns produtores de peso lançaria três discos de inéditas só em 2010. A cantora, apesar de estar na estrada desde 1995, emplacar um hit ou outro nas paradas de vez em quando e ter sido atração de abertura em alguns shows da Sticky & Sweet de Madonna, não é muito conhecida (uma pena); nem eu próprio sabia que sua trajetória já era tão longa quando ouvi algumas canções do disco anterior, lançado em 2007: dele saiu o hit “With Every Heartbeat”, “Handle Me”, além da hilária e nonsense “Konichiwa Biches”.
Muitos acharam que seria, para ela, uma empreitada arriscada lançar três CDs num espaço tão curto de tempo. Não seria mais simples compactar tudo num disco – pelo menos – duplo? O material gravado é assim tão bom que gerou tantos álbuns assim? O fato é que a primeira amostra da “tríade”, “Body Talk Pt 1”, caiu na rede há um bom tempo, apesar de nem ter chegado às lojas. Com o seu lançamento oficial em poucos dias, vale a pena comentar sobre o primeiro da série que Robyn lançará ao longo do ano. Antes de comentar, vale dizer: se os próximos seguirem o mesmo nível do primeiro, teremos um dos trabalhos mais interessantes lançados por um artista durante o ano.
O CD – que mais parece um EP, com somente oito faixas – é delicioso: as novas canções da artista são muito bem aparadas e consistentes. Robyn mistura pop, electro, dance e até influências dub numa fusão que soa exatamente como suas canções anteriores, mas gravadas com mais cuidado. E contagiantes, mas não excessivamente comerciais.
A primeira faixa, “Don’t Fucking Tell Me What To Do” é um insistente desabafo contra todas as coisas que oprimem a cantora: o ritmo obsessivo e envolvente prepara o ouvinte para as faixas que vem logo em seguida. “Fembot” – que eu imploro que seja single – já vinha sendo apresentada pela cantora em programas de TV e recebendo homenagens pela Internet. Nessa canção, Robyn encarna uma “robô-feminina” com sua pane de sistema, causada por um coração partido. Na minha opinião, essa é uma das grandes canções pop do ano – viciante, feita pra ser ouvida bem alto.
“Dancing On My Own”, primeiro single oficial do disco é outra pérola: com um ar levemente retro, é uma música agridoce sobre um amor não correspondido, pra sofrer na pista de dança. (?) Por si só já é ótima, e ainda ganhou um clipe muito bem realizado, que você confere abaixo. Provavelmente você já se sentiu como Robyn no vídeo…
“Cry When You Get Older” tem seu brilho, traz a inocência típica de algumas grandes gravações dance e é bastante pegajosa. “Dancehall Queen”, faixa produzida por Diplo – responsável por inspiradas parcerias com a cantora M.I.A. é um reggaezinho sacolejante e redondinho que cativa, apesar de não ser o melhor momento do disco. “None of Them”, que possui colaboração da dupla Royksopp é uma música minimalista, mas que aparece com uma energia surpreendente em certos momentos, como em seu ótimo refrão.
As duas últimas faixas restantes são um tanto tristonhas e mostram outra veia de Robyn: na acústica Hang With Me, a moça canta sobre um relacionamento acabado e uma amizade que ainda pode dar certo depois do fim (com algumas condições duras de serem seguidas) e na última faixa, Jag Vet En Dejlig Rosa, ela aparece pueril numa curta gravação cantada em seu idioma oficial, que encerra o breve disquinho.
A impressão que fica é que o disco ofereceria outras várias boas canções se não tivesse chegado ao fim. Robyn criou a expectativa para o próximo, lançando essa primeira parte que soa fresca e surpreendente. Que ele seja tão divertido quanto Body Talk Part 1.
A sueca que lançou seu primeiro disco em 1995, estourou com a faixa “With Every Heartbeat” e abriu algumas apresentações da turnê Sticky and Sweet de Madonna, está preparando seu novo álbum. Na verdade, segundo notícia do Pitchfork.com, a cantora disse que está planejando lançar três (!!) discos ainda em 2010.
Entre as informações divulgadas, ela reforçou que muitas das canções serão produzidas por nomes famosos, como o duo Royksopp – para quem já havia colaborado na dançante “The Girl and The Robot” – e Diplo, e uma delas trará vocais compartilhados com o rapper Snoop Dogg. Até agora, somente uma canção produzida por Diplo – que já trabalhou com CSS e M.I.A. – vazou, e você confere o resultado aqui.
…Moby
O DJ e cantor que teve shows no Brasil confirmados essa semana, lançou um novo clipe de seu último disco, “Wait for Me”. A faixa homônima é ótima, assim como a maior parte das faixas do disco, que são sombrias, angustiantes e belas – bem diferente do seu penúltimo lançamento, o fraco “Last Night”. Dirigido por Jessica Dimmock, o vídeo retrata as alucinações sofridas pela protagonista sob um possível estado alterado de consciência. Todos os adjetivos que cabem ao CD também se encaixam perfeitamente ao clipe.
E ah, sobre as datas das apresentações, a Time4Fun, empresa responsável pelo show, já divulgou as datas, locais e preços: Moby toca em Porto Alegre (20/04), Curitiba (21/04), São Paulo (23/04) e Rio de Janeiro (24/04), e os preços variam de R$70,00 à R$400,00.
…Natalie Imbruglia
A cantora anunciou que vem clipe novo por aí em sua página pessoal do Twitter. O vídeo de “Scars”, mais recente single do ótimo e injustiçado “Come to Life” foi filmado essa semana e a única coisa a qual os fãs tiveram acesso até agora é essa foto, postada pela própria no Twittpic há poucas horas. O clipe ainda não tem data de estréia confirmada.
ps. Se ao falar de Natalie Imbruglia você só pensa em “Torn”, esqueça: vale muito a pena ouvir seu último disco e também todos os outros de sua consistente discografia. “Aquela” musiquinha não é nada quando comparada a outras pérolas que a australiana lança. O Miolaoteam indica.
…Jennifer Lopez
Mesmo depois de ter sido demitida pela sua gravadora, a Sony Music – e com um disco pronto em mãos – Jennifer Lopez pareceu não se abalar: ela, que foi a apresentadora do Saturday Night Live no último sábado, cantou ao vivo e divertiu-se encarnando Rihanna numa paródia hilária de “We Are The World”. O clipe ainda tem a participação de Lady GaGa, Gwen Stefani, Eddie Vedder do Pearl Jam e muitos outros famosos… Ou quase isso. É impagável. Veja abaixo:
No longínquo ano de 2005 o Brasil descobria a funkeira Tati Quebra Barraco. Depois de ter Boladona incluída na trilha da novela América, Tati conseguiu o feito de sair do nicho baile-funk-nas-favelas-do-Rio e “conquistou o Brasil” com suas letras diretas e extremamente sexuais.
Conquistou o Brasil entre aspas. À medida que sua música foi sendo descoberta as críticas cresceram ao redor de seu nome. Ao mesmo tempo em que Tati proclamava que a mulher também poderia sentir tesão e prazer, a sociedade via em seu discurso palavras que destruíam anos da luta feminista. Nesse clima de desaprovação e marginalização do funk, surgiu em Curitiba o Bonde do Rolê, um dos trios mais divertidos e irreverentes da última década. Com o aval do jornalista Lúcio Ribeiro, espécie de “bússola” dos moderninhos e cults da época, o Bonde ganhou rapidamente notoriedade e fãs ao redor do Brasil e do mundo, chamando atenção até de Diplo, o produtor e então namorado de M.I.A., que bombava na época com Bucky Gone Gun, música feita sob o Funk da Injeção de Deize Tigrona.
As letras extremamente sujas e bem humoradas encontravam na batida do funk carioca a combinação perfeita: a música do Bonde soava explosiva, bagunçada e ultra-divertida. O sucesso parecia mesmo inevitável. Também pudera, o cenário controverso do país na época, versos no estilo de “minha florzinha você fuma/meu tabaco você rega/o que nunca vai fazer é tocar em minhas prega” (Melô do Tabaco) e mash-ups competentes do DJ Rodrigo Gorky era quase impossível passar despercebido.
Curiosamente as mesmas pessoas que abominavam o funk se renderam ao charme pornográfico e sem vergonha do Bonde, lotando suas apresentações. Pareceu mesmo que o problema com o funk não eram as letras e sim seus expoentes pobres. As performances ao vivo eram um show a parte: Pedro D’Eyrot, Rodrigo Gorky e Marina eram tão debochados e extremistas que tudo mais parecia um show de hard-core do que um baile funk.
Quase 2 anos depois de sua aparição, o Bonde do Rolê gravou seu primeiro disco, intitulado With Lasers. Com a produção assinada por Diplo e pelos supercools Radioclit, o disco fez tanto barulho que rendeu ao Bonde menção nas principais publicações internacionais e até um convite para tocar no famoso Coachella Music Festival.
No mesmo ano do lançamento do disco a banda anunciou que a vocalista Marina deixaria o projeto. Sem nenhuma justificativa oficial, o motivo da saída, de acordo com o que diziam na época, foi uma treta com os outros 2 membros. A saída de Marina pareceu não abalar o duo, que seguiu firme e forte se apresentando pelo mundo. Após uma bem sucedida parceria com a MTV Brasil eles elegeram Ana Bernardino e Laura Taylor como novas vocalistas.
O tempo provou que ficar no lugar de Marina era uma tarefa impossível. Marina Ribatski, ou simplesmente Marina, foi a cara do Bonde do Rolê de 2005 até 2007. A garota, que na época cursava Letras na Universidade Federal do Paraná, teve coragem de gritar versos obscenos e duvidosos enquanto geral repudiava -e curiosamente adoravam M.I.A. e seu maravilhoso debut-. Quando Laura e Ana subiam no palco encaravam o estigma de cantar no lugar de uma das mais carismáticas e explosivas performers da cena underground. As críticas negativas em relação as apresentações permearam o grupo. Com o passar dos tempo o público foi perdendo o interesse e acabou saindo dos holofotes da grande mídia. A banda promete retomar seu lugar ao Sol ainda esse ano, com o lançamento de um novo disco, ainda sem título. Mesmo sem Marina e com todos os desvios, o nome da banda ainda é forte o suficiente para despertar interesse.
Marina, por outro lado, caiu quase no anonimato. Seu perfil no Orkut, que em outrora já teve quase mil amigos, hoje sequer faz alusão ao Bonde.
Vivendo em Londres com Louis Hautemulle, seu esposo e produtor da Diesel:U:Music, a garota prepara um novo álbum a ser lançado ainda esse ano. Depois de ter contribuído com o Radioclit em uma das faixas de seu último disco, os caras vão “retribuir o favor” e assinar a produção de seu primeiro álbum solo. Marina, que já era parceira deles desde as sessões de gravação do With Lasers, promete um álbum pulsante e voltado ao rock, com influências noventistas como Smashing Pumpkins, Hole, L7, Pixies e Pavement.
Enquanto o disco não sai, vale ver Big Foots, última colaboração de Marina com a banda alemã Acidkids:
É, meus amigos, 2010 promete. Que venha o novo do Bonde e que Marina recupere seu reinado, provando de uma vez por todas que ela era mesmo a alma do grupo.
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