A ideia de fazer um filme dividido em 20 segmentos diferentes onde cada trecho representasse um dia do ano da vida de dois personagens era, no mínimo, promissora. A equipe convidada para cumprir tal feito era, no mínimo, sensacional. Contando com um material de divulgação que era, no mínimo, deslumbrante, Um Dia, o filme, prometia ser, no mínimo, uma das melhores produções da safra de 2011.
Prometia.
Dirigido por Lone Scherfig, a mulher por trás de Educação, Um Dia nos conta a história de Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess), dois jovens que se conheceram no dia de suas formaturas. Contrariando toda e qualquer expectativa, os protagonistas, cujo único fato que tem em comum é o de terem personalidades totalmente opostas, se tornam melhores amigos e dividem segredos e momentos durante 20 anos.
“Você pode passar a vida inteira sem perceber que aquilo que procura está bem na sua frente”.
Esqueça esse trechinho que consta na contracapa de “Um Dia”, livro escrito por David Nicholls e sobre o qual iremos falar hoje. Melhor dizendo, não pense que ele define muito as motivações dessa história, que superam – bastante – os clichês de comédia romântica que a frase parece promover. Até porque a obra está longe de ser um conto de paixão redondinho ou uma história polida e inofensiva.
Sua trama central sugere que poderá enfileirar todos os elementos necessários pra que um dramalhão daqueles aconteça em seu decorrer: lançada em 2009, a obra conta a história de Emma Morley e Dexter Mayhew, um casal bastante díspare que se conhece (intimamente) na noite de formatura da universidade e, a partir daí, desenvolve uma amizade que se estende por anos adiante. A história trata de mostrar o que acontece com a dupla nos vinte anos que procedem aquele encontro, sempre na mesma data: 15 de julho.
Ben Folds, ex-integrante da banda Ben Folds Five, lançou seu primeiro disco solo em 2001 e desde então experimenta e compõem um “piano rock” divertido e dançante. Nick Hornby, o conceituado escritor inglês autor de, entre outros, “Alta Fidelidade” e “Educação”, tem a música como um dos temas recorrentes em sua obra. Foi após Ben Folds ler uma referência a uma de suas músicas no livro de Hornby que surgiu o desejo de montar uma parceria. Assim surgiu “Lonely Avenue”: com as letras escritas por Hornby e a melodia composta por Folds, o álbum já chega gerando expectativa e prometendo ser um sucesso. A premissa é que as músicas são uma série de curtas historias abordando temas desde relacionamentos bizarros até o próprio processo de escrita.
“From Above“, o primeiro single, pode ser escutado por 30 segundos no site amazon.com e “Levi Johnstons-Blue” foi apresentado ao vivo em alguns shows de Ben Folds e pode ser conferido no youtube com uma qualidade meio duvidosa. A estreia do áblum está prevista para 28 de setembro.
Quando comecei a ler as críticas sobre o filme “Educação”, não me espantei com a quantidade de resenhas que classificaram o filme como sendo somente “morno”: nunca li nenhum romance de Nick Hornby, e, por isso, não tinha grandes expectativas em ver o resultado de seu primeiro roteiro criado para as telonas. Havia me atraído de certo modo, mas não me motivou a assisti-lo em tela grande.
Em 1982, um filme de ficção científica revolucionou esse gênero cinematográfico: estamos falando de “Tron”, clássico sci-fi lançado pelos estúdios Disney e dirigido por Steven Lisberger. Sua trama gira ao redor de Kevin Flynn, especialista em computadores, que é tragado para dentro de um deles e enfrenta junto com outros parceiros cibernéticos as armadilhas de um programa tirano que quer destruí-los.
Trazendo Jeff Bridges como protagonista, a película adquiriu status cult com o passar dos anos não só pelo enredo, na época bastante inventivo, mas principalmente pelos efeitos especiais elaboradíssimos, à frente de tudo que era lançado nos cinemas naquele momento: um misto de imagens comuns redesenhadas através da técnica de rotoscopia com animação digital das mais avançadas. Hoje, numa época onde o 3D parece dominar a maioria das produções (algumas sem a menor necessidade) tudo mostrado no filme de Lisberger se assemelha a um jogo de video-game mal feito, mas seu valor no longo caminho que nos trouxe ao que é produzido hoje é inegável.
TRON marcou, e não foi esquecido pelos seus adoradores, mesmo depois de quase trinta anos. E aparentemente, nem pelos produtores de Hollywood: as notícias de uma continuação já eram mais do que concretas, e seu primeiro trailer oficial já vinha sendo divulgado nas salas de cinema, inclusive em nosso país. Durante a última edição da Comic-Con – evento de ficção científica e cultura pop que acontece anualmente em San Diego e chegou ontem ao fim – 8 minutos da produção foram exibidos para os seletos participantes, deixando todos agitados pelo que está por vir e aumentando o borburinho ao redor da mesma.
“Tron: O Legado” será produzido pelos estúdios Disney como o antecessor e dará continuidade ao enredo original, mas sob outro ponto de vista: Sam Flynn (interpretado por Garrett Hedlund, de “Eragon” e “Ela é a Poderosa”) é filho do personagem de Bridges e investiga o misterioso desaparecimento do pai. Durante o processo acaba sendo levado para o mesmo universo high-tech que seu pai havia adentrado anos antes. E dá-lhe batalhas, confrontos “épicos” e intensos combates para ver quem sairá vivo.
Tron (1982)
A tecnologia empregada anteriormente para dar vida a esse mundo digital, será substituída, por exemplo, pelo novo 3D IMAX, cujos limites (ou ausência deles?) tem sido explorados à exaustão recentemente e por uma fidelíssima captação de imagens originais feitas à laser, que irá transformar o elenco original em personagens virtuais cuja idade e aparência poderão se facilmente alterados com alguns cliques. Outra novidade na sequência é que a trilha sonora, antes assinada por Wendy Carlos será criada agora pela dupla de DJ’s e produtores Daft Punk; o resultado, que foi disponibilizado no site oficial de Tron em pequenos trechos para serem ouvidos, é contemporâneo e arrepiante. Transmite toda a apreensão encontrada no incerto mundo retratado no filme.
Além de Hedlund e Bridges, o elenco conta também com Olivia Wilde de “Educação” e da série “House” e Michael Sheen, o coelho branco de “Alice no País das Maravilhas”. Fora isso, sai o diretor original e entra o estreante Joseph Kosinski, que terá em suas mãos a chance de projetar seu nome na indústria cinematográfica com um filme que pode (ou não) virar referência como aquele que o originou… ao menos esteticamente. Em tempos onde as pessoas tornam-se mais habituadas a ver de tudo nas telas do cinema, “Tron” traz um ar clássico para uma produção que só poderia ser feita nos dias de hoje. Se vai render? Saberemos no dia 17 de dezembro, quando “Tron: O Legado” estréia mundialmente.
Confira abaixo o seu trailer e um teaser especial aqui. Eletrizante!
Belo. Esse é o melhor adjetivo que posso usar para descrever o trailer de Never Let Me Go. A excepcional trilha sonora combinada com imagens extremamente bem fotografadas faz com que o filme seja desde já um dos mais aguardados do ano.
O longa, dirigido pelo visionário Mark Romanek, que tem no currículo o menosprezado Retratos de Uma Obsessão, é uma das apostas da FOX para o Oscar do ano que vem.
Escrito por Alex Garland, que tem em seu currículo ótimas colaborações com Danny Boyle (para citar alguns exemplos, o cara escreveu os roteiros de A Praia, Extermínio 2 e Sunshine – Alerta Solar), a história de Never Let Me Go é baseada no livro homônimo de Kazuo Ishiguro e narra o reencontro de 3 amigos que são confrontados a lidar com segredos e lembranças esquecidas no passado.
Com toques de ficção, o drama trás no elenco a talentosa Carey Mulligan (que foi indicada ao Oscar desse ano de Melhor Atriz por Educação), Keira Knightley (Elizabeth, de Piratas do Caribe), Andrew Garfield (Leões e Cordeiros), Charlotte Rampling (Swimming Pool) e Sally Hawkins (uma moça que outrora já foi Simplesmente Feliz).
O filme, que ainda não tem título em português, só chega nas telas de cinema (dos Estados Unidos!) em outubro. Pra variar, por aqui ainda não há previsão.
Há mais ou menos 10 anos, Nelly Furtado, compositora de origem luso-canadense, chamou a atenção da crítica e do público com o lançamento de Whoa, Nelly!, seu primeiro álbum.
Numa época em que a música pop era uma fabrica de loiras adolescentes (hi, Britney! hi, Christina! hi, Jessica!) e rapazes apaixonados (hi, *N’sync! hi, Backstreet Boys!), Nelly surgiu como um “antídoto” a mesmice. Nelly era, naquele cenário, uma verdadeira Cinderela da música pop.
Fato é que a música pop quase nunca foi levada a sério. Excetuando raras exceções (hi, Madonna! hi, Michael! hi, GaGa?) o gênero desperta preconceito de quem tem, cof cof, bom gosto e apuro musical. No entanto, Nelly Furtado, avessa a fórmulas, conseguiu com seu debut uma boa recepção da crítica e do público.
Até Nick Hornby, roteirista indicado ao Oscar deste ano por seu trabalho em “Educação” e autor dos maravilhosos livros “Uma Longa Queda”, “Um Grande Garoto” e “Como Ser Legal”, se rendeu aos encantos da moça em seu livro “31 Canções” (Editora Rocco, 2005).Leia abaixo o capítulo sobre I’m Like a Bird, a música que levou Nelly ao estrelato:
“É claro que eu entendo as pessoas que desprezam a música pop. Sei que muita coisa do mundo pop, a maior parte até, é lixo, sem imaginação, realizada porcamente, produzida nas coxas, repetitiva e infantilóide (embora pelo menos quatro dos adjetivos acima possam ser usados para descrever os incessantes ataques ao pop que você pode achar em importantes jornais e revistas).
E sei também, acredite, que Cole Porter foi “melhor” que Madonna ou Travis. Que a maioria das canções pop são cinicamente direcionadas para um público-alvo três décadas mais jovens que eu. Que tudo de bom no pop foi feito a 35, 25, 15 anos atrás. E que pouca coisa de valor na pop music foi feita, desde então.
Mas é que de repente tem essa canção que eu ouvi na rádio, e que depois eu comprei o CD, e agora eu tenho de ouvi-la dez ou 15 vezes por dia…
É isso que me intriga sobre os de vocês que acham que o pop atual é uma coisa abaixo de você, atrás de você ou além de você (uso pop aqui para englobar soul, reggae, country, rock… qualquer coisa que você possa achar que é lixo).
Será que você nunca ouviu ou pelo menos nunca se viu atraído por canções novas? Será que tudo o que você cantarola no chuveiro foi feito anos, décadas, séculos atrás?
Você realmente se priva do prazer de se entregar a uma boa nova canção pop porque isso pode manchar sua fama de conhecedor de Foucault?
Então. A canção que tem me enchido de prazer recentemente é “I’m Like a Bird”, da Nelly Furtado. Só a história vai dizer se ela irá se transformar em uma cantora famosa. E, embora eu suspeite que ela não vá mudar o jeito de as pessoas olharem o mundo, não posso dizer que eu esteja muito preocupado com isso.
O fato é que eu sempre serei grato a Nelly Furtado por criar em mim esse narcótico efeito de me fazer ouvir sua canção again e again. Não quero criar um caso com essa música, “I’m Like a Bird”, nem compará-la com qualquer outra _embora aconteça de eu pensar que ela é uma canção pop muito boa, que transmite uma sensação gostosa de sonho, vem marcada por um certo otimismo que, quando tocada em rádio, por exemplo, a diferencia imediatamente das músicas anêmicas que possam vir antes ou depois.
O ponto é que há poucos meses a canção não existia e agora ela está aí. E que ela, em um mundo delimitado, é um pequeno milagre. Algumas vezes no ano, eu gravo uma fita para tocar no carro. Uma fita cheia com essas novas canções que eu fui amando nos meses que antecederam a gravação. Toda vez que eu terminava uma fita, nunca acreditei que fosse gravar uma outra. Mas sempre vai existir a próxima, e mal posso esperar por ela. Um punhado de canções novas como “I’m Like a Bird” e você terá uma vida que valha a pena ser vivida.”
Não dá pra dizer nada. Nick disse tudo. Cabe a nós assistir na próxima semana a Cinderela da Música Pop Nelly Furtado em seus shows no Brasil. Se liga nas datas:
Porto Alegre: 25/03/2010
Onde: Teatro do Bourbon Country – Av. Túlio de Rose, 80.
Quanto? de R$ 75,00 a R$ 300,00;
www.teatrodobourboncountry.com.br
São Paulo: 27/03/2010
Onde? Via Funchal – Rua Funchal, 65.
Quanto? de R$ 90, 00 a R$ 300,00; www.viafunchal.com.br
Rio de Janeiro: 28/03/2010
Onde? HSBC Arena – Embaixador Abelardo Bueno, 3.401.
Quanto? de R$ 80, 00 a R$ 290,00; www.hsbcarena.com.br
E para fechar com chave de ouro, assista Más, último clipe da cantora. A faixa faz parte de Mi Plan, disco gravado em espanhol e lançado ano passado.