MIOLÃO • Emilie Simon
 

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Cover: Bloodbuzz Ohio, Oh Land

A dinamarquesa Nanna Øland – que você pode chamar de Oh Land, seu nome artístico – parece ter saído de um universo onírico paralelo. Na capa de seu primeiro álbum, “Fauna”, a loira aparece abraçada a um homem-peixe (!), e em suas faixas arrisca experimentalismos eletrônicos minimalistas, que remetem aos bons momentos de Emilie Simon.

Aparando algumas arestas e mais ambiciosa, Oh Land retornou em 2010 com um disco homônimo que traz, entre suas dez ótimas canções, o mini-hit “Son of a Gun” e a deliciosa “White Nights”. Assista o clipe dessa última e irá entender o que queriamos dizer quando comentamos que a moça possui um mundo bem seu: a idéia é reforçada pelas imagens mega fofas, cheias de cores e brincadeiras mostradas no vídeo, que parecem definir também a essência de seu repertório.

Porém, em nosso cover de hoje, ela abriu mão de sua habitual doçura para interpretar uma canção do grupo The National, que reacendeu a atenção de público e crítica no ano passado com seu quinto disco de estúdio, “High Violet”. A gravação escolhida, “Bloodbuzz Ohio” é o carro chefe do CD, e torna-se, aos cuidados da moça, bem diferente de sua versão original.

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Music Monday: Caroline

O som de Caroline Lufkin – ou, se preferir, só Caroline – é um tanto agridoce e parece ter saído do sonho de um personagem de animação. Ou podia ser a trilha sonora perfeita pra carregar no seu player se, por ventura, você acabasse caindo direto no Pais das Maravilhas, da Alice, e descobrisse que ele é mais melancólico do que parecia. Viajei? Talvez, mas essa explicação pode definir, de um jeito meio louco, o que você pode esperar das canções da moça.

Nascida em Okinawa, no Japão e criada em Nova York, a cantora mantém suas raízes musicais focadas na delicadeza da música oriental, mas explora outras fontes para compor as mesmas. Fazendo um pop ingênuo e relaxante, que remete de leve ao debut de Emilie Simon, também flerta com a música ambiente e a eletrônica, de forma muito minimalista, discreta, e cria essas pequenas pérolas etéreas que fazem o pensamento voar longe.

Caroline lançou, até o momento, dois discos: “Murmurs”, de 2006, e “Verdugo Hills”, que chegou às lojas no mês passado. O primeiro, com belos momentos orquestrados, é mais dramático, denso, e difere um tanto de seu sucessor. Nele, a gente encontra gravações como “Bicycle” e “I’ll Leave My Heart Behind” – todas com uma atmosfera mais acinzentada do que colorida.

Já o segundo é de uma pureza tão contagiante que se torna difícil não querer fechar os olhos e ficar quietinho, com um fone de ouvido, escutando a voz suave da moça e identificando uma porção de barulhos bem encaixados que aparecem em seu decorrer. Dele, saíram as ótimas “Swimmer”, “Pink Gloom” e “Lullabye” – pra citar algumas, já que todo o disco é bom e também coerente, como se contasse uma história com começo e fim.

Caroline, irmã da cantora de J-Pop Olívia Lufkin, já se apresentou ao lado da banda Blonde Redhead e é contratada pelo selo independente Temporary Residence, que, entre outros, também lança os discos da excêntrica dupla experimental  The Books. Qualquer um dos dois discos da garota já são encontrados facilmente na net, fora algumas B-Sides, que também são bem bacanas.

A gente sabe que ainda é segunda e a semana ta só começando, mas separe uns minutinhos para doçura de Caroline e permita-se ser envolvido por ela. Vai fazer muito bem pro seu dia, vai por mim. ;]

Cover: I Wanna Be Your Dog, Émilie Simon

Émile Simon é uma artista de extremos. Nota-se em seus álbuns uma certa dualidade nas interpretações, como se houvesse duas cantoras diferentes dentro dela: uma cheia de vida que canta sob profusões de cores e efeitos e outra delicada, segura e, como o Édipo muito bem definiu, gélida.

Todas essas características ficam evidentes no cover abaixo. Nessa performance de I Wanna Be Your Dog, clássico absoluto dos Stooges, Émilie desfigura o arrombo da música original e empresta sua habitual (e estranha) doçura. Não obstante em impressionar e surpreender com essa suavidade, logo após a introdução, ela empunha sua guitarra e grita com vontade os versos que tornaram Iggy Pop uma lenda em 1969.

Émile gosta tanto da música (quem não gosta?) que regravou em seu primeiro disco, Émilie Simon, de 2003. Menos rock’n'roll que a versão apresentada acima, a música de produção caprichada, é mais eletrônica e mostra uma interprete sussurante e sexy. Confere aí:

Pessoalmente, prefiro a versão ao vivo. Mas confesso que a coisa é tão fina que é até difícil elegar a melhor…

Miolão Mixtape n.8

Morcegos, ratazanas, baratinha e companhia… está na hora da… Miolão Mixtape n.8 – Especial Halloween!

Aproveitando a sugestão de nossa leitora Dayane Cabral, colocamos no ar hoje a seleção dessa semana. Em teoria, as músicas deveriam causar calafrios e arrepios, mas, na prática, embora a temática das faixas seja mais obscuras, tudo não passa de uma grande brincadeira.

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Emilie Simon faz show… em seu apartamento!?

Imagina só se a sua vizinha fosse uma cantora famosa que, por alguma razão, resolvesse fazer um pequeno show em sua própria casa? A francesinha Emilie Simon, que lançou no ano passado o incrível The Big Machine não pára de explorar sonoridades – nem em seu apartamento!

A cantora tem colocado no Youtube uma série de vídeos com performances intimistas e divertidas das canções do novo álbum, filmadas em seu apartamento no Brooklyn, intitulada “Bedford Avenue Sessions”. Nela, Emilie cuida de todos os apetrechos sonoros – inclusive o inusitado tenori-on, aquele simpático quadradinho brilhante ao fundo – tocando diversos instrumentos e, claro, cantando, com sua voz mais do que característica.

O primeiro vídeo disponibilizado é a apresentação da histérica (em sua versão original) e ótima Rainbow…

…e, há poucas horas, caiu na rede a segunda faixa executada em seu show particular: “Dreamland”.

Essas são apenas duas das 11 faixas que compõem o seu mais recente disco – sobre o qual o Miolão já comentou. Bastante diferente dos anteriores – que também são excelentes – ele é um dos melhores CD’s que chegaram as lojas no ano passado e, como visto aqui, continua rendendo bons frutos. A “Big Machine” de Emilie Simon é mesmo irresistível!

#ÁlbunsRecentes: Emilie Simon – “The Big Machine”

Emilie Simon - The Big Machine

Emilie Simon é conhecida pelo seu pop eletrônico e experimental e por possuir em seu currículo artístico a trilha sonora do documentário “A Marcha do Imperador”, de 2003. Sua música é delicada, sonoramente bastante rica e seus trabalhos são quase sempre conceituais, como o seu terceiro disco de inéditas, “Vegetal”, que tem, como tema, o “mundo das plantas”. Ela constrói “universos” sólidos em seus discos, que parecem bastante estranhos para alguns ouvintes iniciantes, mas que são, na realidade, adoráveis. É como se fosse a trilha sonora de um sonho um pouco sem nexo que você pode ter, ou uma coleção de canções que se encaixaria muito bem num filme do Tim Burton.

Esse ano, ela lançou seu quarto álbum, “The Big Machine”, que, de certa forma, também segue um tema. Emilie, nascida na França, mudou-se para NY depois de uma breve viagem para lá, período em que se apaixonou pela agitação, pela diversidade cultural e pelos ares da cidade. Esse ambiente completamente novo para a artista originaria seu recente disco, que, transmite as variadas sensações ao qual Simon esteve exposta no seu período de adaptação. A “grande máquina” do título, podemos concluir então, se trata da própria cidade de Nova Iorque, novo lar da cantora.

De cara, podemos dizer que o CD é bem diferente dos anteriores. Emilie arrisca novas sonoridades e sua música nunca pareceu tão chamativa. A cantora se aventura por texturas e estilos diferentes e o resultado é surpreendente. Em segundo, as canções em francês ficaram de lado. Exceto em pequenos trechos de algumas delas, você não ouvirá os sussurros de Emilie em seu idioma natal (uma pena!). Alias, você não ouvirá quase nada “sussurrado” em The Big Machine: podemos dizer que a voz da francesinha mudou. Ou que, ao menos, ela está tentando brincar com seus vocais de diversas formas e o resultado, que pode espantar no início, é bastante positivo.

Os instrumentos musicais inusitados, diferente do francês, não foram deixados de lado: cada canção é uma viagem por sons diferentes e inesperados. Instrumentos de sopro, elementos da música oriental e afins se fazem notar sem dificuldades e contribuem para a atmosfera urgente e plural do disco.

 “Rainbow”, a primeira faixa, começa como a anunciação de algo grande que está por vir. Parece nos apresentar à um mundo novo e deve corresponder ao deslumbramento que Emilie sentiu ao conhecer NY, na realidade. A canção é barulhenta e o disco não poderia iniciar de forma melhor. Ela, por sinal, é o segundo single de “The Big Machine” e já possui um videoclipe.

“Dreamland” – primeira música de trabalho lançada – é obscura e ganhou um clipe à altura: dirigido por Asif Mian, nele, a cantora passa por experiências esquisitas dentro de uma casa assombrada. É uma ótima faixa de apresentação do álbum.

emilie simon

Algumas das novas músicas de Emilie Simon foram comparadas à aquelas da cantora inglesa Kate Bush, a criativa e extravagante artista que fez bastante sucesso no início dos anos 90 com canções como a clássica “Babooshka”. “Nothing To Do With You” é a faixa onde a semelhança mais se faz notar. Diferente do restante do disco, ela parece uma gravação genuinamente antiga. Emilie salva a canção, que poderia ser bastante repetitiva se não fosse por seus divertidos graves e agudos, que a tornam dramática e ao mesmo tempo contagiante.

“Chinatown” foi feita em “homenagem” ao bairro onde Emilie estabeleceu-se primeiramente ao chegar em NY, e uma das primeiras músicas do disco que ela apresentou ao público em prévias e performances ao vivo. É um pouco desesperadora, mas possui um clima oriental e bases eletrônicas irresistíveis. É uma mistura que tem a cara de Emilie. Uma das melhores faixas do disco.

 “Ballad of The Big Machine” é outra um tanto quanto “katebushiana” (!) e também uma das mais simples do disco, sem grandes firulas – e isso não a desmerece. É uma ode muito bem executada à um amor surreal que acontece na “grande máquina”– poderia porém, ser um pouco mais curta. Em “The Cycle”, elementos da música oriental aparecem novamente de forma “turbinada”, e a voz de Emilie ecoa – literalmente – pelo insistente refrão. É  ”claustrofóbica” e ótima pra ser ouvida bem alto. “Closer” parece tema de algum desenho animado e é cativante. Em “The Devil At My Door”, a cantora bate papo com o diabo (?) num ritmo pontuado por instrumentos de sopro que ganham cada vez mais força até seu ápice descontrolado, no final da canção.  Pequenos ruídos de fundo tornam a faixa incondível.

Outra das melhores de “The Big Machine”, “Rocket to The Moon” aparece pouco depois e remete à um musical da Broadway – é impossível não se sentir contagiado por ela e não estalar os dedos seguindo o ritmo. “Fools Like Us” e “The Way I See You” que vem logo em seguida, sãos aquelas que estariam mais perto de se encaixar em um dos álbuns anteriores da cantora – mas apesar de boas, parecem fazer o “fôlego” do álbum se perder um pouco. “This Is Your World”, a última faixa, não consegue encerrar o disco com o mesmo impacto do início. Ela termina exatamente quando está ficando melhor. O coro no final (já presente em outras faixas) aqui está mais em destaque ainda: um pouco opressor, ele entoa que não adianta tentar fugir, pois seu lugar é na grande máquina. Duvido muito que a própria Emilie queira sair de sua real “big machine”…

“The Big Machine” é o CD mais ousado de Emilie Simon, e ele, com certeza, divide opiniões. Não é um disco pra ser digerido facilmente – é preciso muita atenção para perceber todas as diversas nuances que ele possui. Como dito, a cantora consegue criar “mundos” bastante próprios em seus álbuns e esse é mais um deles, totalmente novo, oferecido por ela – empolgante, inspirado, exagerado, sombrio.  Os novos ares com os quais a cantora tem tido contato, inegavelmente, estão lhe fazendo muito bem!

Pra completar, confira abaixo os dois clipes de “The Big Machine” lançados até o momento:

 ”Dreamland”

Imagem de Amostra do You Tube

“Rainbow”

Imagem de Amostra do You Tube

 

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