MIOLÃO • Escritora
 

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3 Momentos: Miranda July

Quando o Miolão ainda estava no comecinho, fizemos um post apresentando Miranda July, uma artista que não se limita somente a uma área de atuação: como dito anteriormente, ela escreve, atua, dança e cria performances multimídias – tudo com uma sensibilidade diferente do habitual. Miranda fascina contando histórias agridoces e incisivas sobre nosso cotidiano, apresentando personagens e tramas densas e realistas, além de mostrar seu ponto de vista sobre diversas facetas do comportamento humano. Na ocasião, citamos dois de seus trabalhos – talvez os mais conhecidos: o longa “Eu, Você e Todos Nós”, filme roteirizado pela própria e “É Claro que Você Sabe do Que Estou Falando”, sensacional livro de contos de sua autoria que traz seu estilo por vezes sarcástico e cruel, mas sempre terno de narrar as experiências que podem acontecer à qualquer um.

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Vem Aí: Whip It, com Ellen Page e Drew Barrymore

Drew Barrymore é uma das atrizes mais conhecidas da atualidade, mas, no ano passado, ela se arriscou como diretora em “Whip It”, filme baseado num livro da escritora Shauna Cross. A película, lançada em outubro no exterior, tem sua estréia nacional adiada constantemente. Espera-se que ele chegue por aqui em 14 de Maio – provavelmente, com o título de… er… “Garota Fantástica” – pois é!

“Whip It” narra a trajetória de Bliss Cavendar,  garota que não se encaixa no ambiente em que vive e sente-se frustrada com as pessoas de seu convívio: contrariando as ambições de sua mãe, que tem sérios planos de que ela participe de concursos de beleza, a personagem prefere envolver-se com o mundo do “roller derby”, a modalidade de patinação retratada no filme – e das competições do gênero, que lhe mostram novas perspectivas e a chance de finalmente descobrir mais sobre o que deseja para sua própria vida e seu futuro. Uma curiosidade: o título original da produção faz referência a uma das manobras do esporte.

A atriz que vive Bliss Cavendar nas telonas é Ellen Page – a mesma de “Juno” e MeninaMá.com, e o elenco ainda conta com  Jimmy Fallon, a atriz e cantora Juliette Lewis, Marcia Gay Harden e a própria Drew Barrymore, diretora do longa. Shauna Cross, a autora da trama, diz que a adaptação feita para o cinema superou suas próprias expectativas e que a história retratada é universal, assim como os característicos “ritos de passagem” que existem na vida. A trilha sonora do filme, que traz nomes como Ramones, The Strokes, The Raveonettes e Jens Lekman, além da banda de Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti, Little Joy , traz também Ladytron, Kaiser Chiefs, MGMT, The White Stripes, Peaches e até “Domingo no Parque”, clássico da música nacional interpretado por Gilberto Gil e os Mutantes. Pena que alguns dos grupos citados aqui não estão na tracklist da trilha sonora, apesar de tocarem em algum momento do longa-metragem.

O livro que originou o filme, “Derby Girl”, já está à venda no Brasil, pela editora Galera Record.

Abaixo, você vê o trailer do filme:

Imagem de Amostra do You Tube

Clarice Lispector

Clarice Lispector

“Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim.”

Clarice Lispector.

Dizem que é difícil definir alguém com palavras. Mais do que difícil: é perigoso. E a missão se torna ainda mais arriscada quando esse alguém é Clarice Lispector.

Tida por muitos como a maior escritora brasileira de todos os tempos (o curioso é que ela nasceu na Ucrânia e veio pra cá ainda neném), Clarice Lispector foi uma mulher à frente de seu tempo. Corajosa, dona de um espírito único e vívido, Clarice conseguiu imprimir em seus livros sua personalidade como poucos foram capazes. Dona de um estilo singular, ela não teve medo de se mostrar. Suas linhas mais pareciam uma extensão de si. Toda palavra, toda vírgula, todo ponto, iam de encontro aos questionamentos mais íntimos e sinceros que todos passam ao menos uma vez na vida, mas que a maioria não sabe como exprimir.

A descrição do cotidiano e de toda sua banalidade ganhava contornos únicos em suas mãos. Ela não descrevia apenas cenas concretas. Ela conseguia colocar no papel sensações e sentimentos que aconteciam por dentro. Ir a feira, passear pelo jardim, se arrumar para o esposo, andar de ônibus, ler uma notícia chocante no jornal. Talvez o mais impressionante em sua obra é a sensação de que qualquer coisa possa ser o estopim para uma revolução. Uma revolução interna e devastadora que só a solidão poderia construir.

Essa introspecção e esse domínio da linguagem (há quem diga que Clarice consegue escrever poesia em prosa), fizeram com que seu acervo fosse descoberto e redescoberto pelas gerações posteriores a sua. Mesmo após 32 anos de sua morte, os questionamentos e certezas que ela colocava no papel ainda fazem sentido. E foi essa intensidade toda que fez com que Clarice, mesmo após tanto tempo, continuasse relevante não só no que se refere a literatura, mas também ao que se refere à vida.

Leia aqui Uma Galinha, conto presente no belíssimo Laços de Família, da Editora Rocco.

É, Clarice se foi há exatos 32 anos. E ler seus textos só traz saudade. Porque como diria a própria…

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda.”

Clarice Lispector.

10/12/1920 – 09/12/1977

#DeveLer: A Hora da Estrela, O Primeiro Beijo, Laços de Família e A Paixão Segundo G.H. ;)

A Redoma de Vidro, Sylvia Plath

Caso você já tenha assistido ao filme “10 Coisas que eu Odeio em Você“, deve ter reparado que a protagonista, Katerina (vivida por Julia Stiles), têm, entre suas preferências culturais o livro “A Redoma de Vidro”, da escritora americana Sylvia Plath. Na última semana, comecei a ler o mesmo título que a personagem adora, e devo concordar que é realmente muito bom – e minha dica de leitura dessa vez. =)

“A Redoma de Vidro” foi lançado em 1963 e é o único livro narrativo da autora Sylvia Plath, que publicou diversas coletâneas de poemas durante sua vida. É, sem dúvida, uma obra bastante autobiográfica – compreendê-la  é, também, entender um pouco do universo interior de Plath, uma mulher intrigante e que expunha conflitos pessoais que, muitas mulheres naquela época sentiam-se obrigadas a conter.

Sylvia Plath nasceu em Massachusetts e sempre foi uma pessoa intrigante. Desde jovem, possuia uma personalidade incrivelmente inconstante, com crises nervosas freqüentes, que não cessariam até seu suicídio, aos trinta anos. Por outro lado, sempre teve um enorme talento para a escrita. Ganhou inúmeros prêmios estudantis devido aos seus dotes precoces e aprendeu a canalizar as diversas agruras que passava em sua vida na literatura. Vários elementos de seu cotidiano, como a morte prematura do pai, a repressão imposta pela sociedade na década de 50/60, a frustração com o modelo do “homem padrão” da época, com o trabalho, com sua própria pessoa e diversas outras inquietações.

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