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Meryl Streep será… Clarice Lispector?


Antes de falar qualquer coisa, preciso avisar: não se animem muito não…

A história é a seguinte: o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, que assina a coluna Gente Boa no jornal O Globo, publicou hoje que Meryl Melhor-Atriz-Do-Mundo Streep teria aceitado o papel principal de Clarice, a adaptação da biografia de Clarice Lispector, escrita por Benjamin Moser. O livro de Moser, que dará base para o suposto roteiro, é considerado a melhor e mais completa biografia já escrita sobre a autora.

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Lançamentos em DVD: Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, Mary e Max e Direito de Amar

Contrariando todas as expectativas, o dia aqui em São Paulo amanheceu ensolarado. Se você planejou ficar em casa e ver uns filminhos, é bem provável que tenha mudado de ideia ao ver esse solão. Mesmo assim, para aqueles que resistiram – ou para todos aqueles que moram em outras cidades maravilhosas e que por coincidência esteja frio -, seguem abaixo algumas informações sobre os lançamentos em DVD dessa semana!

Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos

Já falamos aqui antes sobre Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos. Na época, o filme ainda não tinha estreado, mas a expectativa pela história que prometia ser um belo romance já era grande.

Tendo como protagonista um Caio Blat que mais parece uma personagem num filme noir, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos é o tipo de filme que dá prazer em assistir. Com um texto afiado e uma direção pra lá de criativa, a produção nos apresenta a Zeca, um escritor de 30 anos que não consegue escrever, que acha que sua esposa (Maria Ribeiro) está lhe traindo com uma amiga (Luz Cipriota). A situação se complica, quando Zeca se vê completamente apaixonado pela amiga (namorada?) de sua mulher.

Transitando entre gêneros, o resultado do trabalho é uma obra sarcástica, ácida e adorável sobre uma geração que, talvez, tenha muito em comum com a sua. Vale conferir! Ah! Destaque especial para o ótimo Daniel Dantas e suas tiradas no melhor estilo “tolerância zero”. ;]

Mary e Max – Uma Amizade Diferente

Não se deixe enganar com a animação meticulosamente bem cuidada de Mary e Max. Vendido como um filme infantil, a película de Adam Elliot foi uma das melhores surpresas dos últimos anos. Sensível, bem elaborado e extremamente forte e engraçado, Mary e Max transcende o gênero infantil e nos apresenta a dupla de protagonistas exótica e excluída.

Mary (dublada pela admirável Toni Collette), uma garotinha estranha e solitária, vive na Austrália com sua mãe maluca enquanto Max (Philip Seymour Hoffman), um homem “nervoso” de 44 anos, obeso e judeu, se esconde no caos de Nova York. Por causa do destino, esses 2 personagens trocam correspondências por mais de 20 anos e provam que relações à distância podem sim dar certo. Esse aqui vale MUITO assistir. O único risco que você corre, além de se apaixonar por esses 2 estranhos, é que ele (o filme) se transforme em uma das obras da sua vida.

Direito de Amar

Direito de Amar é tão impressionante que assombra. O cuidado e esmero com que foi construído chama a atenção logo de cara ainda na abertura. Cada plano é filmado com tamanha maestria que não dá para conter o deleite estético que é assisti-lo. A arte, a fotografia e a direção (palmas ao estreante Tom Ford, por favor!) se equiparam em qualidade com a sensível trama de George (Colin Firth na melhor interpretação de sua carreira), um professor inglês que tenta viver após a morte de seu esposo (Matthew Goode). Sincero e bonito, em todos os sentidos, o filme propõe uma reflexão a cerca de temas delicados como suicídio, preconceito, amizade, amor romântico e, acima de tudo, amor a vida. Como se não bastassem tantas qualidades, de quebra, temos uma divertida e intensa Julianne Moore no papel de melhor amiga. Obrigatório.

Além desses, há o pretencioso Um Homem Sério (interessante e decepcionante na mesma medida), o péssimo Fúria de Titãs (péssimo MESMO!) e a adaptação do livro Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (que eu ainda não vi então nem comento nada).

Escolha o seu e… bom filme! ;]

Inception

De Christopher Nolan, diretor do ótimo The Dark Knight, Inception chegou ontem às salas de cinema do Brasil com muito menos glamour que seu irmão morcego. Um título misterioso – A Origem –, um pôster nada extravagante e um dos trailers mais instigantes do sec. XXI: essa foi a composição para a estreia do que pode vir a ser – e, por que não, já é – o melhor filme de ação/sci-fi norte-americano desse século.

Imagem de Amostra do You Tube

Só a lista do elenco já é um motivo mais do que suficiente para ir até a telona: Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Cillian Murphy… O enredo, no mínimo, desperta curiosidade. Quer dizer, é sobre um mundo – o nosso mundo, aliás – onde a tecnologia é usada para invadir sonhos alheios e roubar segredos. Se isso não for o suficiente, bom, Inception tem, simplesmente, algumas das cenas mais incríveis que a tecnologia de set pode nos proporcionar – isso porque o diretor quase não usou efeitos digitais. A cena da batalha com gravidade zero foi produzida em um cenário giratório.

A história é longa para os padrões atuais, mas prende o espectador a cada segundo, sem ser chata ou repetitiva. As peças do suspense bem construído, inicialmente com muitas questões confusas, vão se encaixando ao longo do filme, sem deixar brechas nem falhas. Às vezes a informação cai na tela meio mastigada demais – um close-up desnecessário ou um personagem formulando respostas em voz alta – mas esses detalhes não conseguem prejudicar o ótimo andamento do filme.

DiCaprio não está tão piegas como é o comum, a Ellen Page é uma Linda e Miss. Piaf está FA-BU-LO-SA. Aliás, as referências e os trocadilhos de Nolan discretamente inseridos entre um plano e outro chegam a criar mais um suspense para o espectador, um mistério minimalista da mente do diretor a ser desvendado pela plateia mais atenta; ou ninguém sentiu que já conhecia a música usada como sedativo? As “inspirações” de Nolan estão todas ali, nos cenários, nos personagens: M.C. Escher, os irmãos Wachowski… Por que vocês sabem, meus lindos, no cinema é como na física: nada se cria, tudo se copia. Hehe.

Além da ótima história, de todas as cenas incríveis, dos atores espetaculares e de uma direção de mestre, Inception ainda conta com uma trilha musical de Hans Zimmer, vestindo a cascata de imagens com o som perfeito. Christopher Nolan não fez somente uma obra-prima: com Inception, provou que, quando Hollywood quer, sabe fazer um grande filme – em todos os sentidos.


E, se alguém tiver interesse, agora eu tenho uma nova cena preferida. Quem deixar um comentário adivinhando qual é ganha um doce.

Inception, Christopher Nolan, 2010

A Origem. Com: Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ken Watanabe, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt e Cillian Murphy.  

Vem Aí: The Kids Are All Right

O enredo:

Filha de um casal de lésbicas decide conhecer o pai biológico logo após ter completado 18 anos. O que ela não sabe é que o pai é um verdadeiro “fanfarrão” e que a rotina de sua vida – e de toda sua família – mudará drasticamente…

O elenco:

Julianne Moore (As Horas) e Annette Bening (Beleza Americana) viverão as mães. Mia Wasikowska (a Alice, de Alice No País das Maravilhas) e Josh Hutcherson (Zathura) serão seus filhos e Mark Ruffalo (A Ilha do Medo) será o pai.

Com um elenco estrelar e um plot promissor, The Kids Are All Right fez bonito quando foi exibido no último Festival de Sundance. Também pudera a comédia com ares dramáticos tem todos os ingredientes que os críticos adoram: bons atores, história pouco convencional e um tema corriqueiro do cinema contemporâneo; famílias e suas desfuncionalidades.

Quem comanda este que promete ser um dos melhores filmes do ano é Lisa Cholodenko, a mesma mulher que realizou Lauren Canyon – Rua das Tentações. O roteiro foi escrito por Stuart Blumberg (do fofo Tenha Fé e de um filme que eu particularmente adoro: Um Show de Vizinha) em parceria com a própria Lisa.

A julgar pelo trailer, o filme tem potencial para ser grande. Assiste aí:

Nos EUA o filme estreou no último dia 07/07/2010. Por aqui ele só chega em 20 de agosto. Até o momento o título nacional não foi definido.

Top 5: Casais do Cinema

Ahhhhh! O Dia dos Namorados! Uma data linda que representa o amor, a união e cumplicidade de duas pessoas e o carinho que se dá e recebe.

Ou simplesmente uma data criada para incentivar o consumo e que serve apenas para casais bonitinhos se exibirem como felizes para os amigos e dar presentes esperando receber coisas extraordinárias em troca.

Seja qual for sua relação com o Dias dos Namorados, recomendamos que relaxe e aprecie o Top 5 que está por vir. Tanto faz se você está namorando ou então se acha que isso de “feliz pra sempre” é coisa de cinema… Se inspire, suspire e pense a respeito; afinal, casais assim, reais ou não, merecem um pouquinho de atenção!

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#VemAí: “The Runaways”, com Kristen Stewart e Dakota Fanning

Em 1975, surgia uma banda feminina que iria marcar o cenário musical daquela década: estamos falando de “The Runaways”, grupo que possuiu algumas formações diferentes durante seus anos de existência e contou com a presença da lenda do rock Joan Jett em uma delas – artista que, na fase adulta, lançaria hinos da música como I Love Rock’n Roll e Bad Reputation, mas que na época era apenas uma adolescente que engatinhava nesse meio, como suas parceiras de banda.

Sua trajetória gerou grandes polêmicas no cenário artístico durante aquela época, assim como diversos grupos compostos por mulheres com atitudes radicais que surgiram antes e depois da The Runaways. A mistura de sensualidade exacerbada, feroz presença de palco e o som pesado chocou os mais conservadores e arrebatou fãs ao redor do mundo até 1979, quando a banda acabou oficialmente e cada integrante partiu para um lado, assumindo outros projetos dentro e fora do mundo da música.

A agitada história da banda poderá, em breve, ser vista nas salas de cinema:  a diretora italiana Floria Sigismondi irá adaptar a trajetória da banda na sua primeira empreitada em Hollywood – antes, ela só havia dirigido videoclipes de artistas como White Stripes, Fiona Apple, Björk, Christina Aguilera, Incubus e The Cure. Nada mais apropriado do que começar com um projeto, de certa forma, relacionado ao que ela costumava fazer.

O elenco do filme possui dois nomes de peso da nova geração de atrizes: Kristen Stewart (a Melinda, de O Silêncio de Melinda ou…ok, ok, a Bella de Crepúsculo) e Dakota Fanning, a garotinha de O Amigo Oculto e Grande Menina Pequena Mulher, que está com quinze anos de idade agora e já possui um currículo extenso – merecidamente – de fazer inveja à muito ator veterano. Stewart interpretará Joan Jett, enquanto Dakota será Cherrie Currie, a primeira vocalista das The Runaways.

Um ponto interessante sobre a produção é que algumas integrantes originais estão envolvidas no processo de filmagem: Jett é produtora executiva, enquanto Currie visita os sets de filmagens e tem encontros freqüentes com sua intérprete nas telonas. Outras, por sua vez, não se manifestaram ou não aprovaram plenamento o projeto, como Lita Ford, uma das ex-guitarristas que compuseram a banda. Inicialmente ela, que agora trabalha em projetos solo, deixava claro que queria que as pessoas soubessem que não tem nada a ver com o filme. Essa postura mudou depois que ela conheceu Scout Taylor-Compton, atriz e aspirante a cantora que a interpretará no filme, mas ainda existem algumas ressalvas…

O longa, mesmo antes da estréia, já tem gerado um certo alvoroço: muito tem sido comentado sobre uma suposta cena onde as duas atrizes citadas trocam um beijo caloroso. Floria, a diretora, ainda afirmou em declarações que um topless de Dakota Fanning seria incluído no filme se ela tivesse a idade legal para que isso acontecesse. Tenso!

Polêmicas banais? O fato é que, pelo que parece, se o filme seguir à risca tudo o que é dito sobre o grupo, nem mesmo a censura será muito branda. Nós poderemos conferir em breve: a estréia está prevista para 17 de Março nos EUA, e ainda não há previsão de chegada aqui no Brasil. Assista abaixo um promo que mostra Cherrie (Dakota) e Joan Jett (Kristen) se encontrando pela primeira vez:

#DicadoDia: “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore

“Cinema Paradiso” é um daqueles filmes que a cada segundo de exibição nos faz entender a razão pelo qual é considerado um clássico, que dispõe todos os atributos que fazem jus a um dos filmes mais cultuados do cinema moderno. Essa adoração não é injusta: dirigido por Giuseppe Tornatore e lançado em 1989, o filme conta uma história permeada de homenagens à sétima arte e retrata de forma extremamente tocante os caminhos diversos e inesperados que uma pessoa pode percorrer em sua vida.

O protagonista da película é Salvatore, apelidado de Totó, um homem que retorna a sua cidade natal para o velório de um grande amigo, Alfredo – projetista do primeiro cinema do lugar, que apresentou o ofício para nosso herói quando ele ainda era muito jovem. A infância de Totó não foi sempre as mil maravilhas: criado pela mãe, uma mulher ressentida pelo desaparecimento do marido durante a primeira guerra e pela suposta “doença” que sua outra filha carrega, encontrou no cinema o escape perfeito para o meio opressor em que vivia e, quando retorna anos depois ao lugar em que nasceu, revisita – tanto em sua memória quanto em películas antigas feitas por ele e conservadas pelo seu mentor falecido – memórias que aconteceram naquele local.

“Cinema Paradiso” oferece ao público uma viagem pelas recordações de Salvatore, que são mostradas, desde o início, de forma incrivelmente cativante. Giuseppe, o diretor, prova que não precisa de mais que uma história sincera e – quase – comum como essa para emocionar: o mais legal do filme é que seu encanto reside nas coisas simples que são mostradas, como as passagens da vida de Toto que poderiam ser de qualquer pessoa. O primeiro amor, a convivência com seus vizinhos e colegas de escola, a vida em família, as ambições que se mostram maiores do que a pequena vila em que ele mora pode comportar…

Tudo seria emocionante por si só, e a presença de alguns elementos transformadores na história contribuem mais ainda: a amizade, a nostalgia e a paixão pelo cinema que muda a existência dos personagens da trama. A relação entre Toto e Alfredo – os embates iniciais que vão dando lugar a diálogos fraternais conquistam o público logo nos primeiros 30 minutos. É impossível controlar os sorrisos com as desajeitadas demonstrações de carinho do projetista e com a insolência pueril de Toto – interpretados magistralmente por Philippe Noiret e por um dos artistas mirins – que hoje não é mais mirim (?) – mais carismáticos já vistos, Salvatore Cascio.

Cenas do filme "Cinema Paradiso"/ foto do diretor Giuseppe Tornatore (abaixo, à direita).

As cenas que narram a vida de Salvatore mais velho contrastam com aquelas que mostram sua juventude. Seu período de adulto, apesar de todas as facilidades cabíveis a ele, parece despido de grande parte da vivacidade que seu cotidiano possuía quando ainda era um jovem sonhador e apaixonado. De certa forma, a morte de Alfredo é o que lhe traz de volta aos dias em que os sentimentos, as descobertas e sensações eram mais intensas e ele mesmo não sabia. De volta a sua cidade, percebe o quanto aquele simpático senhor que lhe guardava pedaços de rolos de filmes antigos e em outro momento jurava não querer vê-lo mais foi importante para seu crescimento – e o quanto ele mantém de seu amigo dentro de si próprio.

Outra coisa que constata é que nada mais naquele lugar é igual ao que era antes. Tudo é apenas um resquício do que foi um dia, até mesmo o célebre “Cinema Paradiso” – que agora, encontra-se prestes a ser demolido. A essência das coisas, porém, permanece inalterada e, para Toto, ainda resta uma última chance de visitar aquele velho prédio que foi tão importante a ele. Vivos, de verdade, só as suas experiências de vida e o cinema, que surge mais uma vez para ele como um consolo para a perda de coisas que não voltam mais.

Além do retrato de uma vida, “Cinema Paradiso” fala sobre o poder transformador das produções cinematográficas, sobre o cinema de outrora e sobre a magia dessa arte, que atravessa gerações e, aqui, recebe a atenção e importância que lhe cabe. Giuseppe Tornatore homenageia cineastas, produtores, estúdios, atores e atrizes que aprecia, fascinando o novo público que entende a importância dos tempos áureos do cinema e seu poder envolvente e também os cinéfilos clássicos, que vivenciaram essa época. Quem nunca desejou, no fim das contas, que sua vida fosse – ao menos um pouco – semelhante a ficção? O diretor italiano fez, nesse filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1990 e de diversos outros prêmios, entre eles o Globo de Ouro no mesmo ano, uma das celebrações definitivas a felicidade e a imortalidade do cinema.

 

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