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#MusicMonday: as misturas sonoras irresistíveis de Esser

08/02/2010 às 18:46 em No Som

A cena musical britânica tem oferecido ao público nos últimos anos revelações que chamam a atenção pela inovação sonora e pela consistência nos trabalhos que são lançados por eles. Hoje, o #MusicMonday traz um artista saído desse meio e que promete colocar muito mais ritmo na sua Segunda-Feira: caso nunca tenha ouvido, agora é o momento de saber que é Esser!

Nascido em Essex, Ben Esser é ex-baterista da banda indie Ladyfuzz e lançou seu primeiro CD solo, “Braveface”, no ano passado. Desde então, colheu elogios da mídia especializada, que o chamou de “Prince contemporâneo” e abriu shows da última turnê da banda Kaiser Chiefs. O rapaz, que, em entrevistas concedidas a publicações inglesas defende as “experimentações na música pop”, gravou um apanhado de canções sofisticadas, acessíveis e contagiantes.

Esser mistura diversos instrumentos de percussão, sopro e cordas e é influenciado por estilos variados, como o funk, o rap e o rock, sempre com um certeiro toque electropop, que lembra, de forma moderada, algo que o Hot Chip faria. Apesar de muito bem produzido, seu disco possui uma energia crua, que, é, possivelmente, oriunda de todas essas vertentes reunidas – um dos fatores que tornam o trabalho do rapaz interessante do jeito que é.

Pra conhecê-lo mais, o Miolaoteam apresenta duas canções de seu disco debut…

Imagem de Amostra do You Tube

A grudenta “Headlock”…

Imagem de Amostra do You Tube

…e a sexy e balançante “Satisfied”, uma das melhores faixas de “Braveface”.

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Era uma vez o bonde… o Bonde do Rolê!

23/01/2010 às 20:55 em No Som

No longínquo ano de 2005 o Brasil descobria a funkeira Tati Quebra Barraco. Depois de ter Boladona incluída na trilha da novela América, Tati conseguiu o feito de sair do nicho baile-funk-nas-favelas-do-Rio e “conquistou o Brasil” com suas letras diretas e extremamente sexuais.

Conquistou o Brasil entre aspas. À medida que sua música foi sendo descoberta as críticas cresceram ao redor de seu nome. Ao mesmo tempo em que Tati proclamava que a mulher também poderia sentir tesão e prazer, a sociedade via em seu discurso palavras que destruíam anos da luta feminista. Nesse clima de desaprovação e marginalização do funk, surgiu em Curitiba o Bonde do Rolê, um dos trios mais divertidos e irreverentes da última década. Com o aval do jornalista Lúcio Ribeiro, espécie de “bússola” dos moderninhos e cults da época, o Bonde ganhou rapidamente notoriedade e fãs ao redor do Brasil e do mundo, chamando atenção até de Diplo, o produtor e então namorado de M.I.A., que bombava na época com Bucky Gone Gun, música feita sob o Funk da Injeção de Deize Tigrona.

As letras extremamente sujas e bem humoradas encontravam na batida do funk carioca a combinação perfeita: a música do Bonde soava explosiva, bagunçada e ultra-divertida.  O sucesso parecia mesmo inevitável. Também pudera, o cenário controverso do país na época, versos no estilo de “minha florzinha você fuma/meu tabaco você rega/o que nunca vai fazer é tocar em minhas prega” (Melô do Tabaco) e mash-ups competentes do DJ Rodrigo Gorky era quase impossível passar despercebido.

Curiosamente as mesmas pessoas que abominavam o funk se renderam ao charme pornográfico e sem vergonha do Bonde, lotando suas apresentações. Pareceu mesmo que o problema com o funk não eram as letras e sim seus expoentes pobres. As performances ao vivo eram um show a parte: Pedro D’Eyrot, Rodrigo Gorky e Marina eram tão debochados e extremistas que tudo mais parecia um show de hard-core do que um baile funk.

Quase 2 anos depois de sua aparição, o Bonde do Rolê gravou seu primeiro disco, intitulado With Lasers. Com a produção assinada por Diplo e pelos supercools Radioclit, o disco fez tanto barulho que rendeu ao Bonde menção nas principais publicações internacionais e até um convite para tocar no famoso Coachella Music Festival.

No mesmo ano do lançamento do disco a banda anunciou que a vocalista Marina deixaria o projeto. Sem nenhuma justificativa oficial, o motivo da saída, de acordo com o que diziam na época, foi uma treta com os outros 2 membros. A saída de Marina pareceu não abalar o duo, que seguiu firme e forte se apresentando pelo mundo. Após uma bem sucedida parceria com a MTV Brasil eles elegeram Ana Bernardino e Laura Taylor como novas vocalistas.

O tempo provou que ficar no lugar de Marina era uma tarefa impossível.  Marina Ribatski, ou simplesmente Marina, foi a cara do Bonde do Rolê de 2005 até 2007. A garota, que na época cursava Letras na Universidade Federal do Paraná, teve coragem de gritar versos obscenos e duvidosos enquanto geral repudiava -e curiosamente adoravam M.I.A. e seu maravilhoso debut-. Quando Laura e Ana subiam no palco encaravam o estigma de cantar no lugar de uma das mais carismáticas e explosivas performers da cena underground. As críticas negativas em relação as apresentações permearam o grupo. Com o passar dos tempo o público foi perdendo o interesse e acabou saindo dos holofotes da grande mídia. A banda promete retomar seu lugar ao Sol ainda esse ano, com o lançamento de um novo disco, ainda sem título.  Mesmo sem Marina e com todos os desvios, o nome da banda ainda é forte o suficiente para despertar interesse.

Marina, por outro lado, caiu quase no anonimato. Seu perfil no Orkut, que em outrora já teve quase mil amigos, hoje sequer faz alusão ao Bonde.

Vivendo em Londres com Louis Hautemulle, seu esposo e produtor da Diesel:U:Music, a garota prepara um novo álbum a ser lançado ainda esse ano. Depois de ter contribuído com o Radioclit em uma das faixas de seu último disco, os caras vão “retribuir o favor” e assinar a produção de seu primeiro álbum solo. Marina, que já era parceira deles desde as sessões de gravação do With Lasers, promete um álbum pulsante e voltado ao rock, com influências noventistas como Smashing Pumpkins, Hole, L7, Pixies e Pavement.

Enquanto o disco não sai, vale ver Big Foots, última colaboração de Marina com a banda alemã Acidkids:

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É, meus amigos, 2010 promete. Que venha o novo do Bonde e que Marina recupere seu reinado, provando de uma vez por todas que ela era mesmo a alma do grupo.

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Relembrando: Motown

20/11/2009 às 18:28 em No Som

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, é importante relembrar o selo que mais impulsionou a música negra em toda sua trajetória até hoje. A Motown, criada em 1959, é um patrimônio da música mundial.

Motown_West Grand Boulevard

Tudo começou com um projeto modesto do empresário, músico e compositor Berry Gordy Jr, que queria apenas um pequeno espaço para criar sua própria gravadora.  Ao comprar a casa nº 2648 na West Grand Boulevard em Detroit, ele não esperava que seu plano iria atingir dimensões tão grandes. Mesmo batizando o lugar de Hitsville U.S.A. – ou “Vila de Hits dos Estados Unidos”, em tradução livre – era difícil acreditar, naquela época, que as coisas podiam dar tão certo.

A Motown Records, gravadora que ele estabeleceu no endereço, chamava-se, no início, “Tamla” e era administrada por Berry, seus pais, irmãos e esposa – mudando posteriormente seu nome para aquele que se tornaria tão conhecido por todos. O produtor lançou, com o passar dos anos e numa época onde a segregação era gigantesca, alguns dos artistas mais influentes na história essencial da música negra americana e a Motown estabeleceu-se também como um “selo” bastante forte: não apenas os cantores e bandas lançados por ele ganhavam prestígio e reconhecimento, mas seu nome era associado a uma nova identidade nas vertentes da black music, cheia de qualidade e bastante consistente.

Os artistas que faziam parte do selo criaram o padrão do “Som da Motown”, com sua música e estética. Depois que a primeira banda produzida pela gravadora foi lançada, a “The Miracles”, a gravadora foi responsável por lançar artistas que estouraram mundialmente, como Stevie Wonder, Marvin Gaye, James Brown, Diana Ross, The Temptations, The Supremes e o Jackson Five, com o ainda inexperiente – mas já talentoso – jovem Michael Jackson.

Confira algumas performances de artistas da Motown: nesses vídeos, está presente um pouco da essência que renovou a música mundial e está marcada na história.

http://www.youtube.com/watch?v=z6xkT7FMyTc – Barret Strong – Money (That’s What I Want)

http://www.youtube.com/watch?v=-nuEY6fQgzk  – The Marvelettes – Please Mr. Postman

http://www.youtube.com/watch?v=ltRwmgYEUr8  - The Temptations – “My Girl”

http://www.youtube.com/watch?v=uznukXk4eEc – The Supremes – “Where did our love go”

http://www.youtube.com/watch?v=MYx3BR2aJA4 – Jackson 5 – “ABC”

http://www.youtube.com/watch?v=jzPA-FrVu3I – Marvin Gaye – “What’s Going On”

O endereço na West Grand Boulevard, é, hoje em dia, um museu aberto para visitações, essencial para os apaixonados pelo rico legado da gravadora. Não é incomum ouvir comentários dizendo que o trabalho de alguns bons artistas da soul music, do blues, jazz e funk contemporâneo relembra os tempos áureos da Motown. É, inquestionávelmente, um selo que influenciou e forneceu a “cartilha” para que muitos artistas posteriores aquela época aprendessem com aqueles que foram visionários em sua arte.

Capa de coletânea lançada esse ano com os maiores sucessos da Motown. Na imagem, alguns dos artistas que foram lançados pelo selo, como Stevie Wonder e The Supremes.

Capa de coletânea lançada esse ano com os maiores sucessos da Motown. Na imagem, alguns dos artistas que foram lançados pelo selo, como Stevie Wonder e The Supremes.

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