“Todo dia era dia de índio. Todo dia era dia de índio. Curumim, Cunhatã. Cunhatã, Curumim.
Antes que o homem aqui chegasse, as terras brasileiras eram habitadas e amadas por mais de 3 milhões de índios. Proprietários felizes, da Terra Brasilis. Pois todo dia era dia de índio. Todo dia era dia de índio. Mas agora eles só tem… O dia 19 de abril.”
Jorge Ben Jor.
Há cerca de quase 70 anos , para ser mais preciso, em 1943, o dia 19 de abril virou oficialmente o Dia do Índio.
A escolha da data foi baseada no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano: o primeiro grande evento voltado a entender e valorizar a cultura e contribuição indígena para a sociedade. O evento realizado no México em 1940 estava predestinado a ser um desastre. Nos primeiros dias do congresso nenhum índio apareceu. Quando questionados pelo motivo, os índios admitiram terem ficado temerosos e preocupados em relação ao evento. Não era para menos. Séculos e séculos de perseguições, agressões e dizimações não seriam simplesmente deixados para trás. Depois de recusas e recusas da parte dos índios, finalmente eles resolveram participar das reuniões de uma forma mais efetiva. E o dia de tão importante encontro foi em 19 de abril.
Hoje em dia pouco se ouve falar deles. O último caso de grande repercussão que envolveu um índio foi quando em 1997, cinco jovens de classe média queimaram vivo o pataxó Galdino Jesus dos Santos, enquanto ele dormia em um ponto de ônibus. Quatro anos depois do atentado, os rapazes foram condenados a 14 anos de reclusão em regime fechado. Pelo menos 3 deles, visto que um, na época, era menor de idade e ficaria de 1 a 3 anos preso. O que se viu foi que o tal garoto menor cumpriu apenas 3 meses de pena e saiu em liberdade naquele mesmo ano. Os outros, desde agosto de 2004, já estavam livres.
Isso é Brasil. Hoje é dia de índio. Amanhã também.
















