Arquivo da Tag Gangues de Nova York

#Top5: Diretores e Seus Queridinhos

15/02/2010 às 23:58 em Aleatoriedades, Telinha & Telão

De vez em quando algumas parcerias entre diretores e atores dão tão certo que eles repetem a dose. E mais de vez em quando ainda o repeteco se estende por mais filmes e mais filmes, como se o diretor esquecesse que há outros atores no mundo.

Se você duvida, dá uma olhada em nosso Top 5:

5º Ewan McGregor e Danny Boyle.

Quando começou?

O ano era 1994. Nessa época Danny Boyle era um diretor estreante oriundo da tv e lançava seu debut, o sensacional Cova Rasa.Bastante elogiado pela crítica, o longa fez bonito e foi responsável por apresentar ao mundo um dos mais talentosos atores em atividade e o visionário Boyle, que anos mais tarde receberia o Oscar por Quem Quer Ser Um Milionário?. Embora Cova Rasa fosse o terceiro filme de Ewan McGregor, pode-se dizer que sua carreira só começou mesmo a partir daí. Nos anos seguintes o ator fez alguns filmes de pouca repercussão e uma ponta em Emma, película baseada na obra de Jane Austen. Somente em 1996 Danny e Ewan se encontraram novamente no emblemático Trainspotting. O filme, baseado na obra de Irvine Welsh, apresentava uma visão totalmente diferente do mundo das drogas. Original e perspicaz, Trainspotting marcou a década de 90 e firmou Ewan como um dos mais promissores atores do mundo. Apenas um ano depois a parceria se repetiu no interessante Por Uma Vida Menos Ordinária. O filme que tinha a estrelinha da vez Cameron Diaz acabou dividindo a crítica e foi um verdadeiro fracasso de público. O destino dos dois parecia incerto: Boyle tinha decepcionado seu estúdio com a pouca arrecadação e Ewan, embora elogiado por sua atuação, ainda não tinha nenhum blockbuster em seu currículo. Mas tudo mudaria com A Praia, de 2000…

Acabou?

A Praia foi concebido como um projeto ambicioso e seria, teoricamente, o primeiro grande trabalho de Danny nos States. E foi nessa época que Ewan e Danny se desentenderam. O estúdio queria que Boyle usasse um rosto “mais conhecido” do grande público. O diretor acabou cedendo a pressão e no lugar de Ewan entrou ninguém menos que Leonardo DiCaprio, que vinha do sucesso Titanic. Massacrado pela crítica e pelo público o longa foi uma verdadeira decepção. Até a direção de Boyle, elogiada até então, foi alvo de críticas. No fim das contas, Ewan saiu ganhando em não participar. De lá pra cá os dois nunca mais trabalharam juntos. Embora vira e mexe algum fofoqueiro levante a hipótese de uma nova reunião, nada de concreto foi dito. Pena!

Deu certo?

Mesmo com o fim “trágico” da parceria, a parceria dos dois deu tão certo que hoje ambos são reconhecidos e aplaudidos de pé por seus trabalhos. Fora que possuir em sua filmografia um dos filmes mais amados da década de 90 não é pra qualquer um, né?

4º Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese.

Quando começou?

Em Gangues de Nova York, de 2002. Na época Scorsese já tinha status de lenda e todo mundo estranhou a escolha de DiCaprio como protagonista. O ator, que até então tinha tido êxito somente em Titanic, após algumas decisões equivocadas estava perdido em sua carreira. Na estréia do filme todos aqueles que maldiziam o ator tiveram que engolir cada palavra. O garoto deu um show de interpretação e mesmo estando ao lado do grande Daniel Day Lewis não deixou nada a desejar. O Aviador, o projeto seguinte de Scorsese, foi recebido com empolgação pela crítica e rendeu a Leonardo sua segunda indicação ao Oscar. Impecável na pele do milionário excêntrico Howard Hughes, DiCaprio mostrou de uma vez por todas que sabia atuar. E sabia muito bem. Em 2006 a parceria foi refeita no aclamado Os Infiltrados. O filme abocanhou o Oscar de melhor direção para Scorcese e tirou a chance do cultuado diretor de se igualar a mestres como Chaplin e Hitchcock (por nunca levar a estatueta dourada para casa). O reconhecimento foi tão grande que além dos críticos e a Academia se renderem ao filme, Os Infiltrados foi a maior bilheteria de Scorsese.

Acabou?

Que nada! A Ilha do Medo, próximo lançamento da dupla, é um dos filmes mais aguardados do ano. Exibido em alguns círculos fechados, o filme vem recebendo grandes elogios – tanto para DiCaprio quanto para Scorsese -. É aguardar pra ver.

Deu certo?

Tão certo que rendeu a Martin seu primeiro Oscar e a Leonardo reconhecimento de público e crítica. Aliás, Marty foi só elogios para Leonardo em entrevista recente à revista New York. Saca só:

“O diferencial de Leo é seu rosto extraordinariamente cinematográfico. Ele poderia ter sido um grande ator do cinema mudo porque tanta coisa acontece nos seus olhos, pode-se ler tanta coisa em seu rosto.”

É, o cara tá podendo.

3º Robert De Niro e Martin Scorsese.

Quando começou?

Se Leonardo é a bola da vez para Scorsese hoje em dia, na década de 70 só dava Robert De Niro. Tudo começou em 1973 quando eles filmaram Caminhos Perigosos. De lá para cá foram ao todo 8 filmes: Taxi Driver, New York, New York, Touro Indomável, O Rei da Comédia, Os Bons Companheiros, Cabo do Medo e Cassino.  Alguns deles, como Touro Indomável, Taxi Driver e Cassino, são considerados verdadeiras obras-prima do cinema.

Acabou?

Que nada! Recentemente, Scorsese disse a Vanity Fair que quer De Niro em seu próximo filme: I Heard You Paint Houses. O longa, que terá seu roteiro adaptado do livro homônimo de Charles Brandt, terá como pano de fundo a máfia irlandesa. Alguém aí duvida que os dois vão detonar?

Deu certo?

Mas que pergunta! Foram 8 filmes ao todo e o nono tá quase aí. Martin realizou alguns de seus melhores trabalhos ao lado de De Niro, e foi dirigido por Scorsese que Robert levou seu segundo Oscar para casa por Touro Indomável.

… Duas lendas do cinema que “cresceram” juntas. Mais certo impossível.

2º Penélope Cruz e Pedro Almodóvar.

Quando começou?

Na década de 90, com Carne Trêmula. Naquela época Pedro já tinha construído uma bela carreira e seus filmes tinham repercussão mundial. Com Carne Trêmula não foi diferente: o longa foi um sucesso e, aos olhos mais atentos, estava ali uma atriz experiente mas que nunca havia sido explorad. Seu nome era Penélope Cruz. Mesmo com pouco tempo em cena, era notável a volúpia com que Almodóvar filmava a moça. No entanto, a consagração dos dois só viria em seu próximo filme; o belíssimo Tudo Sobre Minha Mãe, de 1999. Mesmo não sendo protagonista, Penélope mais uma vez estava lá. Foi graças a sua participação em Tudo Sobre Minha Mãe que a garota ganhou o mundo. Atuando em produções hollywoodianas a atriz foi bastante criticada. Houve quem dissesse que ela só atuava bem nas mãos de seu mentor. Verdade ou não, foi em 2006 com Volver que Penélope teve seu trabalho mais consistente. Encarando pela primeira vez uma protagonista num filme de Pedro, Penélope fez bonito e levou sua primeira indicação ao Oscar. Depois de conquistar de uma vez por todas o respeito da crítica e o coração de Almodóvar, Penélope assumiu o status de musa. Ano passado Pedro e Penélope fizeram seu quarto filme juntos. Abraços Partidos mostrou os dois em grandes momentos e embora tenha dividido a crítica agradou a maioria dos fãs com todos os elementos já característicos de Almodóvar.

Acabou?

Dê uma olhada na declaração dele para o jornal espanhol El Mundo e responda por si mesmo a pergunta:

“De todas as atrizes com quem trabalhei, ela é a única que me despertou um desejo que vai além da sensualidade que algumas cenas exigiam.”

Deu certo?

Se deu! Pedro já era considerado um grande diretor, mas foi graças a Tudo Sobre Minha Mãe que seu nome passou a figurar no primeiro time de realizadores. Com este filme Pedro recebeu a Palma de Ouro em Cannes e além do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Penélope teve seus melhores momentos nas mãos do diretor e até hoje colhe frutos de seu trabalho com ele. Arrisco dizer que ela não estaria na posição que se encontra hoje se não fosse tivesse sido moldada nas mãos de Pedro. Volver e Abraços Partidos só confirmam isso.

1º Johnny Depp e Tim Burton.

Quando começou?

A parceria não podia ter começado melhor: Edward Mãos de Tesoura foi o primeiro de uma série que dura até hoje. O filme, de 1990, possui todos os ingredientes que consagraram Deep e Burton como estrelas: personagens estranhos, sensibilidade à flor da pele e um visual gótico-pop. O resultado excepcional fez do filme um marco na carreira de ambos e todas as características vistas na história foram reprisadas nos trabalhos seguintes da dupla. Em Ed Wood, Depp encarnou toda loucura do pior diretor de todos os tempos, n’A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça Burton comandou a cena totalmente à vontade num mundo que dominava, enquanto n’A Fantástica Fábrica de Chocolates eles tiveram uma experiência bem sucedida ao se aventurarem num novo gênero, a coisa deu tão certo que foi repetida no fofo A Noiva Cadáver e mais recentemente em Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.

Acabou?

Claro que não! Ambos trabalharam juntos no aguardado Alice No País das Maravilhas, que estréia em março por aqui.

Deu certo?

Muito certo! Tim encontrou em Depp o protagonista perfeito para emular suas loucuras. E Depp foi carregado ao estrelato nas mãos do diretor. Todo mundo saiu ganhando, inclusive, no último trabalho lançado por eles, ambos foram indicados ao Globo de Ouro.

Há quem diga que a parceria já apresenta desgaste… Pessoalmente acho que os dois podem render muuuuito ainda. Aquela coisa: em time que se está ganhando não se mexe.

Menções honrosas: Pedro Almodóvar e Carmen Maura por fazerem juntos nada mais nada menos que 9 filmes, Nicole Kidman e Baz Luhrmann por se arriscarem juntos em projetos improváveis – quem apostaria em um musical quando o gênero estava morto e quem teria tanta ambição para produzir um novo “E O Vento Levou…“? -, Quentin Tarantino e Uma Thruman por levarem 9 anos para finalizarem um argumento (Kill Bill, baby!), Roman Polanski e Emmanuelle Seigner porque afinal não é qualquer um que se casa com sua musa.

8 Comentários