Tantos discos vazaram no último mês que alguns deles podem ter simplesmente passado por você sem que notasse. O Miolão indica três álbuns que foram lançados/caíram na rede há pouco tempo e que ninguém deu tanta atenção, mas deveriam. Vem com a gente? :]
Yael Naim – She Was a Boy

Em 2007, os canais de música foram invadidos pelo simpático clipe e a cintilante melodia de “New Soul”, carro-chefe do segundo álbum da cantora Yael Naim. A moça, nascida em Paris e criada em Israel, já possuía um trabalho anterior – “In a Man’s Womb”, que a própria já declarou não gostar – mas ganhou projeção verdadeira graças ao sucesso da faixa em questão – otimista, ingênua e com um pianinho característico na introdução -, inserida no disco de mesmo nome.
A questão é que depois disso, ela sumiu. Nos últimos anos, até passou por nosso país, num show de pequena repercussão, mas memorável – e pouco foi ouvido a seu respeito.
O jejum, porém, está oficialmente rompido: o seu terceiro disco, “She was a Boy”, chegou às lojas gringas no último dia 15. O álbum não é um projeto solo: junto ao nome da cantora, está o de David Donatien, musicista indiano e amigo de longa data, que já havia dado uma mãozinha em trabalhos anteriores.
Naim declarou ter misturado todas as influências que mais aprecia em seu recente lançamento. Há arranjos que remetem à música clássica, referências a sonoridade indiana, folk e pop music. O tom do disco ainda é leve, só que mais “pé no chão” do que “New Soul” (o CD): aqui, Yael confronta seus parceiros amorosos, seus próprios sonhos e, apesar da doçura com que faz isso tudo, não aparenta fragilidade alguma. Sua voz está límpida como antes e a moça canta apenas em inglês – uma pena, pois ouvi-la cantando faixas em hebraico, como no antecessor, era muito interessante. Apesar de não entender nada, a forma com que as palavras fluíam era muito linda. haha. :]
Faixas de “She Was a Boy” que a gente destaca? A alegre “Come Home”, “I Try Hard”, “Puppet”, “Man of Another Woman”, com suas vocalizações impecáveis e a faixa título, que fala de uma mulher obstinada e incompreendida pelo seu caráter livre. Quando consideramos a mensagem em questão, a homenagem à Frida Kahlo na capa do álbum faz todo o sentido…
O primeiro single, a também ótima “Go To The River”, ganhou um clipe de mensagem válida e com ar meio flower power. Veja.
Nouvelle Vague – Couleurs Sur Paris

Sempre considerei o som da banda Nouvelle Vague gostoso, mas agradavelzinho (no diminutivo mesmo), e sem grandes atrativos. O grupo francês, especialista em releituras de canções clássicas do rock, punk-rock e algumas farofas da década de 80, coloca seu toque de “bossa-nova moderna” e música latina em quase tudo, soando meio repetitivo várias vezes.
Quando vi a lista de feats que faziam parte de seu novo álbum, contando com nomes que eu adoro (Yelle, Coralie Clement, Camille) fiquei instigado a ouvi-lo por inteiro. Baixei e tive uma grande surpresa ao ver que o álbum superou – e muito – minhas expectativas!
O disco apresenta, além das participações que eu citei, canções com os vocais de Coeur de Pirate, Vanessa Paradis e artistas menos conhecidos, como Olivia Ruiz, Hugh Coltman e a fofa Soko, que nós já apresentamos por aqui. Eles e outros são responsáveis por bons momentos, mais cativantes do que outros diversos da discografia do Nouvelle até então.
Outro destaque em “Couleurs Sur Paris” é o repertório, que coveriza canções menos conhecidas pela grande maioria. Se antes o grupo já regravou sucessos de Billy Idol, Talking Heads, The Police e Blondie, agora revitaliza um repertório quase obscuro saído da década de 80. Quem aí conhece Lio? Ou o grupo Kas Product? Ou Stephan Eicher, por exemplo? Pois é!
“Coeleurs…” é uma delícia de disco, que conta com interpretes talentosos, é bem arranjado e serve como ponte para conhecer muitos nomes interessantes da música de agora e também de outrora. E mais importante: não soa como “música de elevador”, como algumas gravações feitas por artistas que se aventuram a misturar os ritmos com que a Nouvelle Vague também brinca – pretensamente refinadas e um tédio.
Jazmine Sullivan – Love Me Back

Quando apareceu para o público, em meados de 2008, Jazmine Sullivan fez barulho com “Fearless”, seu disco de estréia, e entrou naquela categoria de artistas que salvam R&B radiofônico da banalidade, ao lado de nomes como Alicia Keys, Mary J. Blidge e Chrissette Michelle.
O álbum em questão, um apanhado de canções surgidas durante o fim de um relacionamento, possuem uma boa dose de rancor. Algumas delas foram muito bem nas paradas, como “Bust Your Windows” – que o elenco de Glee chegaria a interpretar em um dos episódios da série. Talentosa, com uma voz sensacional e sentimentos abertos em suas faixas, a moça foi indicada, inclusive, ao Grammy de Best New Artist, que não levou.
Mais de dois anos depois, ela ressurge com “Love Me Black”, que tem previsão de chegar às lojas no próximo dia 30 – mas caiu na rede há dias, sem fazer nenhum barulho.
Mais leve do que seu antecessor, o disco mostra a moça com as mesmas interpretações vigorosas, tratando de assuntos variados sem perder a intensidade de antes. Jazmine reflete agora sobre questões da fama, arrisca doces confissões românticas e quando fala de problemas em relacionamentos, vai direto ao ponto, sem meias palavras, como se quisesse expurgar o que a incomoda de uma vez só.
Ela flerta com a sonoridade anos 80 em “Don’t Make Me Wait”, canta ao lado de Ne-Yo em “U Get On My Nerves”, emociona na linda balada “Good Enough” e entrega um disco que se equipara ao anterior.