MIOLÃO • Gus Van Sant
 

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Restless

Entre o público de cinema, há um nicho bastante curioso: jovens de 15 a 25 anos que se julgam espertinhos e “diferentes” da maioria por se interessarem por arte e terem algum hobbies pouco comum. Esse filão costuma cultuar obras que sejam visualmente interessantes e também dizer que tal filme é o melhor do mundo apenas porque o nome de um determinado diretor ou ator está ali (“Oh, eu amo Tim Burton! Os filmes dele são tão estranhos!“).

Esse grupinho tão especial de espectadores sente uma necessidade quase patológica de se verem representados na tela por figuras estranhas e, felizmente, possuem a sorte de terem à sua disposição todos os anos uns dez ou doze títulos formulaicos que preencham os quesitos necessários para serem considerados “seus preferidos”.

Antes que o texto pareça um ataque gratuito aos possíveis fãs de Inquietos, devo deixar claro que não, não é. Essas linhas que você lê agora, nada mais são do que uma tentativa de teorizar as intenções por trás do filme e também entender se há um porquê dele existir.

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3 Momentos: Julianne Moore

Talento, versatilidade e beleza (acima da média). Acho que esses três adjetivos são a melhor maneira de começar a falar a respeito de Julianne Moore, já que são as três coisas que fizeram com que se destacasse ao longo dos anos. Mesmo em produções meia boca, a ruiva desenvolve tão bem as suas personagens que torna filmes como Identidade Paranormal (Shelter) e Os Esquecidos (The Forgotten), algo possível de assistir.

Dona de uma carreira consistente e bonita (deixando claro: estamos ignorando que Julianne atuou em Evolução e Hannibal), Julie nunca desaponta e demonstra inteligência ao escolher os projetos dos quais participa. Quer alguns exemplos? Da década de 90 para cá, a moça esteve em filmes de Paul Thomas Anderson, Ethan e Joel Coen, Todd Haynes, Stephen Daldry e Gus Van Sant.

As personagens às quais deu vida são as mais variadas possíveis: da atriz pornô Amber Waves (Boogie Nights) à dona de casa Cathy (Far From Heaven), Julianne conseguiu imprimir a todas elas verossimilhança. E o mais importante: conseguiu emocionar e cativar o público, com atuações tão viscerais que quase acreditamos que ela, Julianne, sabe exatamente o que aquelas mulheres estão sentindo, seja em filmes mais artísticos ou em blockbusters, como o supramencionado Os Esquecidos (filme que, aliás, pode ser resumido à atuação dela). Isso faz da moça uma atriz como poucas.

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Top 5: Cinebiografias

lavieenrose

Não sei quanto a vocês, mas, como sou curiosa, tenho um apego especial por biografias. E quando decidem transpô-las para o cinema, a curiosidade aumenta exponencialmente graças a uma série de detalhes, como quem será o ator escolhido para o papel principal, qual será o enfoque dado pelo diretor, de qual período da vida será tratado…

Enfim, detalhes que podem construir a minha expectativa em torno do filme, de modo que a espera para que ele seja finalizado se torna quase dolorosa, ou me fazem não ter tanta curiosidade assim de vê-lo.Dessa maneira, a intenção desse top 5 é homenagear aquelas cinebiografias que atenderam e superaram quaisquer expectativas que possam ter sido criadas, fato que é endossado pelas inúmeras indicações a prêmios recebidas por todos os filmes citados nessa lista. Além disso, todos os protagonistas (e alguns coadjuvantes) receberam indicações ao Oscar.

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Vem Aí: Restless

Até pouco tempo o talento do diretor Gus Van Sant foi bastante questionado. Dono de uma filmografia desprendida de gêneros, o cara já fez de tudo um pouco: filmes sobre tragédias juvenis  (Elephant e Paranoid Park), refilmagem quadro a quadro de uma obra clássica (Psicose), um misto entre comédia-drama-suspense-mamãe-o-que-é-isso? (Um Sonho Sem Limites) e até dramas de caráter documental (como Last Days e super premiado Milk).

O desapego por narrativas convencionais somados ao notável desejo de transmitir sensações – por mais incomodas que elas possam ser – fazem com que o cinema de Gus tenha SEMPRE como foco a história que ele conta, de modo que todos os outros elementos (som-ausência-de-som-música-closes-movimentos-de-câmera-cores-fotografia-figurino-arte-etc-etc-etc)se tornem apenas ingredientes menores que só fazem sentido quando orquestrados em prol do roteiro.

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#Top 5: Filmes com Jornalistas

Em comemoração ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que desde 1993 comemora-se em 03/05, o MIOLÃO elege alguns jornalistas da ficção que mostraram caracteristicas interessantes e colocaram, de alguma maneira, a questão ética em pauta.

5º William Miller (Patrick Fugit) em Quase Famosos


Em plenos anos 70, William Miller (Patrick Fugit de Galera do Mal) ainda está no colégio quando tem a chance de acompanhar sua banda preferida em uma turnê nos Estados Unidos enquanto escreve para a então super conceituada revista Rolling Stone. O emprego dos sonhos quase vira pesadelo quando William se envolve mais do que deveria com a banda e com o universo que a cerca…

Essa pequena pérola dos anos 2000, que em termos é tida como uma autobiografia de Cameron Crowe (Vanilla Sky), fala sobre crescer e mostra que jornalistas são, acima de tudo, humanos.

Feel good movie dos bons!

4º Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal) em Zodíaco


Baseado numa história real, o excelente filme de David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Bunton) é um exercício de cinema. Retratando a curiosa história de Robert Graysmith, um jornalista que de repente se vê obcecado pela investigação de alguns assassinados, o filme fala basicamente sobre a obstinação de um homem em encontrar uma resposta para crimes que até hoje não foram solucionados. A co-relação entre o jornalista, que não é levado a sério por sua atuação – ele trabalha como cartunista -, com os policiais (Robert Downey Jr. e Mark Ruffalo) é um dos trunfos do filme. E o final… simplesmente surpreendente.

3º Bitsy Bloom (Kate Winslet) em A Vida de David Gale


A história é a seguinte: um homem (Kevin Spacey) está no corredor da morte. Este homem já foi acusado de estupro e agora espera sua execução depois de ser acusado de matar sua melhor amiga (Laura Linney). Antes de morrer ele concederá uma entrevista para Elizabeth Bloom (Kate Winslet). Tomada por repulsa e por, de alguma forma, um senso de justiça quase cego, ela aceita o desafio de falar com o homem certa que encontrará nele a personificação da maldade humana. Mas a medida que o homem que dá título ao filme conta os fatos, ela percebe que as coisas não são bem assim…

A Vida de David Gale discute temas sociais super atuais e conta com interpretações magníficas. Destaque especial para Kate Winslet, que entrega um desempenho impecável cheia de nuances e subtextos assombrosos. Sua Bitsy entende que seu papel como jornalista é lutar por uma sociedade mais justa, sendo sempre forte, ética, humana e idealista… como todo jornalista deveria ser.

2º Suzanne Stone (Nicole Kidman) em Um Sonho Sem Limite


Se em A Vida de David Gale a jornalista de Kate Winslet é uma jornalista consciente e atuante, em Um Sonho Possível Suzanne Stone (interpretada por Nicole Kidman, que, inclusive, foi indicada ao Globo de Ouro pelo papel) é exatamente o oposto do que todo jornalista deveria ser. Ambiciosa, maliciosa e deliciosamente malvada ela não mede escrúpulos para chegar onde deseja.
Essa fábula do diretor Gus Van Sant é um clássico irretocável e mostra um lado pouco atrativo da profissão. A história, que é contada sobre a ótica da própria Suzanne, diverte e assusta ao mesmo tempo e serve como exemplo perfeito de como NÃO ser. Falta caráter, falta ética, falta respeito e sobra ambição. Cinismo na medida, uma pérola que merece ser vista (ou, se você já viu, revista)!

1º Jedediah Leland (Joseph Cotten) em Cidadão Kane

Tido pela crítica especializada como o melhor filme já feito até hoje, Cidadão Kane tem sua premissa baseada na vida do milionário William Randolph Hearst, que foi um dos precursores da imprensa marrom (aquele tipo de imprensa sensacionalista que não mede esforços para causar). Ou não. No filme, um jovem jornalista investiga o que poderia significar a palavra “rosebud“, escrita por Charles Foster Kane (interpretado pelo diretor do filme Orson Welles) em seu leito de morte. Teoria da conspiração, inovação no jeito de filmar e  10 indicações ao Oscar faz com que esse filme seja de consumo obrigatório. Aliás, é bem interessante dizer que ele foi, inclusive, banido do Brasil… mas isso já é outra história.

Na verdade, não é outra história. É pela liberdade de informação, liberdade de imprensa e liberdade de expressão que o dia de hoje é comemorado.

Por mais retrógrado que pareça, ainda hoje jornalistas sofrem ameaças e alguns até são mortos por conta de seu trabalho. Segundo o radialista Jonathan Irlan Tavares Torres o número de profissionais perseguidos e executados em 2009 foi de 122. Em homenagem a estes profissionais que fazem um trabalho pertinente e por vezes tem suas vidas sacrificadas pela transparência e o desejo de transmitir informações pertinentes, o MIOLÃO deixa aqui este singelo post.

 

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