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3 Momentos: Garbage

Reza a lenda que o trio de produtores Butch Vig, Steve Marker e Duke Erikson, em 1994, estavam num estúdio remixando uma faixa do Nine Inch Nails. Um amigo dos caras adentrou ao recinto e disse: “that sounds like garbage”. A simples frase foi o bastante para que a sonoridade suja, marcada guitarras distorcidas e agudas, se transformasse num outro projeto, batizado como Garbage, em homenagem a frase que o inspirou. Tudo o que faltava era alguém que compartilhasse do mesmo gosto que os caras para assumir os vocais.

Nessa mesma época, uma certa escocesa de cabelos vermelhos estava para lá de infeliz na sua banda, o Angelfish. Ela achava que os demais membros não levavam aquilo à sério. Então, quando Butch e cia entraram em contato, convidando-a para fazer parte do Garbage, Shirley Manson não pensou duas vezes.

E assim teve início uma das maiores bandas dos anos 90. E das mais originais. Porque apesar de ter nascido da costela do Nine Inch Nails, o Garbage não se assemelha em nada a eles, tamanha a peculiaridade de suas letras e melodias. Ao ouvirmos uma música do quarteto, temos a certeza que ela só poderia ter sido escrita, produzida e cantada por eles. Ora soando ferozes, ora melancólicos e, no meio disso, encontrando uma maneira de se mostrar vulneráveis, eles fizeram o suficiente para, mesmo nunca entrando em estúdio para produzir algo novo, sempre serem lembrados, queridos e, acima de tudo, esperados.

E é por tudo isso que o 3 Momentos de hoje é dedicado a eles. Bora conferir?

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The Pretty Reckless – Light Me Up

Lançado oficialmente no dia 30 de agosto no Reino Unido, Light Me Up é o aguardado álbum de estréia de Jenny Humphrey, oops!, digo, de Taylor Momsen e sua gangue de amigos mais velhos e mais barbudos.

Taylor ainda estava em Gossip Girl quando começou a se apresentar com a banda no ano passado. O visual da artista foi ficando cada vez mais sujo, as entrevistas mais polêmicas e, mais do que tudo, as performances cada vez mais poderosas. Tudo isso sugeria que The Pretty Reckless fosse uma alternativa sincera, quase um tributo, ao bom e velho rock’n'roll.

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#Mioladinhas

Nem parece verdade, mas além de Born Free, da M.I.A., outras coisas aconteceram no mundo da música na última semana.

Primeiro foi Jack White, VV e cia promovendo Gasoline, o segundo single do aguardadíssimo Sea Of Cowards, novo álbum do The Dead Weather, que está previsto para sair no próximo dia 11 de maio.

A faixa é mais suja que as músicas do primeiro disco e conta com os sempre ótimos vocais de Alison VV Mosshart. Alguém ainda duvida que vem coisa boa por aí?

Indo do rock ao pop, o Alphabeat lançou ontem o terceiro single de The Spell. DJ (I Could Be Dancing) mantém a tradição da banda em realizar clipes fofos. Divertido, despretensioso e totalmente oitentista, as imagens casaram muito bem com a música:

E por último, mas não menos importante, temos Courtney Love causando casualmente em Skinny Little Bitch, do seu Nobody’s Daughter. O novo disco do Hole, que oficialmente só chegou as lojas gringas ontem, é tal como o clipe: descompromissado e meio “artesanal”.

O vídeo foi divulgado hoje no canal oficial da moça no youtube e mais parece uma brincadeira do que um clipe “sério”…

It’s Courtney, bitch!

A Volta do Hole

Parece que os anos 90 voltaram de vez! Depois de Alicia Silverstone, Smashing Pumpkins e Slash anunciarem novos trabalhos -?- chegou a vez de Courtney Love apresentar a nova formação do Hole.

Quando a cantora falou sobre voltar a tocar na banda que a lançou ao estrelato em julho do ano passado ninguém botou muita fé, mas para surpresa de todos os planos finalmente saíram do papel.

Na última sexta-feira Courtney se apresentou com a nova formação da banda – que possui quase todos os integrantes originais, excetuando Eric Erlandson, co- fundador da banda e Melissa Auf de Maur, ex-baixista, que agora alça vôos solos – no programa de Jonathan Ross, na BBC. O curioso é que além de apresentar a “nova” banda, Courtney fez questão de tocar Samantha, uma canção inédita. Assista a baixo:

Só eu que não sabia que Courtney era brasileira? Porque assim, ela não desiste MESMO, né?

Ainda bem! Porque a música, mesmo sendo farofa, é ótima!

UPDATE: Leitores, fui informado por Lipe nos comentários que o Hole voltou, mas Courtney é a única integrante da banda original. Confundi total as bolas e peço desculpas por isso! Na verdade, os planos da banda retornar com os membros originais foi feito ano passado, mas algo aconteceu no meio tempo… O que é uma pena!

Outro ponto que Lipe apontou é que na foto não é a Courtney. Mas essa parte eu já sabia, hahaha!

Era uma vez o bonde… o Bonde do Rolê!

No longínquo ano de 2005 o Brasil descobria a funkeira Tati Quebra Barraco. Depois de ter Boladona incluída na trilha da novela América, Tati conseguiu o feito de sair do nicho baile-funk-nas-favelas-do-Rio e “conquistou o Brasil” com suas letras diretas e extremamente sexuais.

Conquistou o Brasil entre aspas. À medida que sua música foi sendo descoberta as críticas cresceram ao redor de seu nome. Ao mesmo tempo em que Tati proclamava que a mulher também poderia sentir tesão e prazer, a sociedade via em seu discurso palavras que destruíam anos da luta feminista. Nesse clima de desaprovação e marginalização do funk, surgiu em Curitiba o Bonde do Rolê, um dos trios mais divertidos e irreverentes da última década. Com o aval do jornalista Lúcio Ribeiro, espécie de “bússola” dos moderninhos e cults da época, o Bonde ganhou rapidamente notoriedade e fãs ao redor do Brasil e do mundo, chamando atenção até de Diplo, o produtor e então namorado de M.I.A., que bombava na época com Bucky Gone Gun, música feita sob o Funk da Injeção de Deize Tigrona.

As letras extremamente sujas e bem humoradas encontravam na batida do funk carioca a combinação perfeita: a música do Bonde soava explosiva, bagunçada e ultra-divertida.  O sucesso parecia mesmo inevitável. Também pudera, o cenário controverso do país na época, versos no estilo de “minha florzinha você fuma/meu tabaco você rega/o que nunca vai fazer é tocar em minhas prega” (Melô do Tabaco) e mash-ups competentes do DJ Rodrigo Gorky era quase impossível passar despercebido.

Curiosamente as mesmas pessoas que abominavam o funk se renderam ao charme pornográfico e sem vergonha do Bonde, lotando suas apresentações. Pareceu mesmo que o problema com o funk não eram as letras e sim seus expoentes pobres. As performances ao vivo eram um show a parte: Pedro D’Eyrot, Rodrigo Gorky e Marina eram tão debochados e extremistas que tudo mais parecia um show de hard-core do que um baile funk.

Quase 2 anos depois de sua aparição, o Bonde do Rolê gravou seu primeiro disco, intitulado With Lasers. Com a produção assinada por Diplo e pelos supercools Radioclit, o disco fez tanto barulho que rendeu ao Bonde menção nas principais publicações internacionais e até um convite para tocar no famoso Coachella Music Festival.

No mesmo ano do lançamento do disco a banda anunciou que a vocalista Marina deixaria o projeto. Sem nenhuma justificativa oficial, o motivo da saída, de acordo com o que diziam na época, foi uma treta com os outros 2 membros. A saída de Marina pareceu não abalar o duo, que seguiu firme e forte se apresentando pelo mundo. Após uma bem sucedida parceria com a MTV Brasil eles elegeram Ana Bernardino e Laura Taylor como novas vocalistas.

O tempo provou que ficar no lugar de Marina era uma tarefa impossível.  Marina Ribatski, ou simplesmente Marina, foi a cara do Bonde do Rolê de 2005 até 2007. A garota, que na época cursava Letras na Universidade Federal do Paraná, teve coragem de gritar versos obscenos e duvidosos enquanto geral repudiava -e curiosamente adoravam M.I.A. e seu maravilhoso debut-. Quando Laura e Ana subiam no palco encaravam o estigma de cantar no lugar de uma das mais carismáticas e explosivas performers da cena underground. As críticas negativas em relação as apresentações permearam o grupo. Com o passar dos tempo o público foi perdendo o interesse e acabou saindo dos holofotes da grande mídia. A banda promete retomar seu lugar ao Sol ainda esse ano, com o lançamento de um novo disco, ainda sem título.  Mesmo sem Marina e com todos os desvios, o nome da banda ainda é forte o suficiente para despertar interesse.

Marina, por outro lado, caiu quase no anonimato. Seu perfil no Orkut, que em outrora já teve quase mil amigos, hoje sequer faz alusão ao Bonde.

Vivendo em Londres com Louis Hautemulle, seu esposo e produtor da Diesel:U:Music, a garota prepara um novo álbum a ser lançado ainda esse ano. Depois de ter contribuído com o Radioclit em uma das faixas de seu último disco, os caras vão “retribuir o favor” e assinar a produção de seu primeiro álbum solo. Marina, que já era parceira deles desde as sessões de gravação do With Lasers, promete um álbum pulsante e voltado ao rock, com influências noventistas como Smashing Pumpkins, Hole, L7, Pixies e Pavement.

Enquanto o disco não sai, vale ver Big Foots, última colaboração de Marina com a banda alemã Acidkids:

É, meus amigos, 2010 promete. Que venha o novo do Bonde e que Marina recupere seu reinado, provando de uma vez por todas que ela era mesmo a alma do grupo.

 

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