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Gaga B’Day

Quem daria muita importância para o aniversário de Stefani Germanotta há três ou quatro anos?

Que a ascensão da moça, num período de tempo curto foi algo impressionante é fato conhecido. Difícil é tentar levantar teorias sobre o que a moça reserva para sua carreira nos períodos que estão por vir.

Gaga é presente, e cabe falar, portanto, sobre o que ela tem compartilhado conosco: méritos que ultrapassam os conhecidos recordes de vendas, sucesso nas paradas, views no YouTube e seguidores no Twitter. Lady Gaga parece ter trazido de volta uma energia que estava adormecida nos artistas atuais, tanto no palco quanto fora dele: uma capacidade de comoção e incitar discussões que poucos nomes da nova geração possuem.

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#Top 5: Filmes com Jornalistas

Em comemoração ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que desde 1993 comemora-se em 03/05, o MIOLÃO elege alguns jornalistas da ficção que mostraram caracteristicas interessantes e colocaram, de alguma maneira, a questão ética em pauta.

5º William Miller (Patrick Fugit) em Quase Famosos


Em plenos anos 70, William Miller (Patrick Fugit de Galera do Mal) ainda está no colégio quando tem a chance de acompanhar sua banda preferida em uma turnê nos Estados Unidos enquanto escreve para a então super conceituada revista Rolling Stone. O emprego dos sonhos quase vira pesadelo quando William se envolve mais do que deveria com a banda e com o universo que a cerca…

Essa pequena pérola dos anos 2000, que em termos é tida como uma autobiografia de Cameron Crowe (Vanilla Sky), fala sobre crescer e mostra que jornalistas são, acima de tudo, humanos.

Feel good movie dos bons!

4º Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal) em Zodíaco


Baseado numa história real, o excelente filme de David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Bunton) é um exercício de cinema. Retratando a curiosa história de Robert Graysmith, um jornalista que de repente se vê obcecado pela investigação de alguns assassinados, o filme fala basicamente sobre a obstinação de um homem em encontrar uma resposta para crimes que até hoje não foram solucionados. A co-relação entre o jornalista, que não é levado a sério por sua atuação – ele trabalha como cartunista -, com os policiais (Robert Downey Jr. e Mark Ruffalo) é um dos trunfos do filme. E o final… simplesmente surpreendente.

3º Bitsy Bloom (Kate Winslet) em A Vida de David Gale


A história é a seguinte: um homem (Kevin Spacey) está no corredor da morte. Este homem já foi acusado de estupro e agora espera sua execução depois de ser acusado de matar sua melhor amiga (Laura Linney). Antes de morrer ele concederá uma entrevista para Elizabeth Bloom (Kate Winslet). Tomada por repulsa e por, de alguma forma, um senso de justiça quase cego, ela aceita o desafio de falar com o homem certa que encontrará nele a personificação da maldade humana. Mas a medida que o homem que dá título ao filme conta os fatos, ela percebe que as coisas não são bem assim…

A Vida de David Gale discute temas sociais super atuais e conta com interpretações magníficas. Destaque especial para Kate Winslet, que entrega um desempenho impecável cheia de nuances e subtextos assombrosos. Sua Bitsy entende que seu papel como jornalista é lutar por uma sociedade mais justa, sendo sempre forte, ética, humana e idealista… como todo jornalista deveria ser.

2º Suzanne Stone (Nicole Kidman) em Um Sonho Sem Limite


Se em A Vida de David Gale a jornalista de Kate Winslet é uma jornalista consciente e atuante, em Um Sonho Possível Suzanne Stone (interpretada por Nicole Kidman, que, inclusive, foi indicada ao Globo de Ouro pelo papel) é exatamente o oposto do que todo jornalista deveria ser. Ambiciosa, maliciosa e deliciosamente malvada ela não mede escrúpulos para chegar onde deseja.
Essa fábula do diretor Gus Van Sant é um clássico irretocável e mostra um lado pouco atrativo da profissão. A história, que é contada sobre a ótica da própria Suzanne, diverte e assusta ao mesmo tempo e serve como exemplo perfeito de como NÃO ser. Falta caráter, falta ética, falta respeito e sobra ambição. Cinismo na medida, uma pérola que merece ser vista (ou, se você já viu, revista)!

1º Jedediah Leland (Joseph Cotten) em Cidadão Kane

Tido pela crítica especializada como o melhor filme já feito até hoje, Cidadão Kane tem sua premissa baseada na vida do milionário William Randolph Hearst, que foi um dos precursores da imprensa marrom (aquele tipo de imprensa sensacionalista que não mede esforços para causar). Ou não. No filme, um jovem jornalista investiga o que poderia significar a palavra “rosebud“, escrita por Charles Foster Kane (interpretado pelo diretor do filme Orson Welles) em seu leito de morte. Teoria da conspiração, inovação no jeito de filmar e  10 indicações ao Oscar faz com que esse filme seja de consumo obrigatório. Aliás, é bem interessante dizer que ele foi, inclusive, banido do Brasil… mas isso já é outra história.

Na verdade, não é outra história. É pela liberdade de informação, liberdade de imprensa e liberdade de expressão que o dia de hoje é comemorado.

Por mais retrógrado que pareça, ainda hoje jornalistas sofrem ameaças e alguns até são mortos por conta de seu trabalho. Segundo o radialista Jonathan Irlan Tavares Torres o número de profissionais perseguidos e executados em 2009 foi de 122. Em homenagem a estes profissionais que fazem um trabalho pertinente e por vezes tem suas vidas sacrificadas pela transparência e o desejo de transmitir informações pertinentes, o MIOLÃO deixa aqui este singelo post.

Clarice Lispector

Clarice Lispector

“Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim.”

Clarice Lispector.

Dizem que é difícil definir alguém com palavras. Mais do que difícil: é perigoso. E a missão se torna ainda mais arriscada quando esse alguém é Clarice Lispector.

Tida por muitos como a maior escritora brasileira de todos os tempos (o curioso é que ela nasceu na Ucrânia e veio pra cá ainda neném), Clarice Lispector foi uma mulher à frente de seu tempo. Corajosa, dona de um espírito único e vívido, Clarice conseguiu imprimir em seus livros sua personalidade como poucos foram capazes. Dona de um estilo singular, ela não teve medo de se mostrar. Suas linhas mais pareciam uma extensão de si. Toda palavra, toda vírgula, todo ponto, iam de encontro aos questionamentos mais íntimos e sinceros que todos passam ao menos uma vez na vida, mas que a maioria não sabe como exprimir.

A descrição do cotidiano e de toda sua banalidade ganhava contornos únicos em suas mãos. Ela não descrevia apenas cenas concretas. Ela conseguia colocar no papel sensações e sentimentos que aconteciam por dentro. Ir a feira, passear pelo jardim, se arrumar para o esposo, andar de ônibus, ler uma notícia chocante no jornal. Talvez o mais impressionante em sua obra é a sensação de que qualquer coisa possa ser o estopim para uma revolução. Uma revolução interna e devastadora que só a solidão poderia construir.

Essa introspecção e esse domínio da linguagem (há quem diga que Clarice consegue escrever poesia em prosa), fizeram com que seu acervo fosse descoberto e redescoberto pelas gerações posteriores a sua. Mesmo após 32 anos de sua morte, os questionamentos e certezas que ela colocava no papel ainda fazem sentido. E foi essa intensidade toda que fez com que Clarice, mesmo após tanto tempo, continuasse relevante não só no que se refere a literatura, mas também ao que se refere à vida.

Leia aqui Uma Galinha, conto presente no belíssimo Laços de Família, da Editora Rocco.

É, Clarice se foi há exatos 32 anos. E ler seus textos só traz saudade. Porque como diria a própria…

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda.”

Clarice Lispector.

10/12/1920 – 09/12/1977

#DeveLer: A Hora da Estrela, O Primeiro Beijo, Laços de Família e A Paixão Segundo G.H. ;)

 

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