MIOLÃO • HQ
 

All posts tagged HQ

Valente para Sempre, Vitor Cafaggi

“Valente para Sempre” é um daqueles livros que a gente lê numa única “sentada”, não apenas pelas suas poucas páginas, mas porque é tão simpático que largá-lo pela metade é algo difícil de acontecer.

Caso você nunca tenha ouvido falar dele, a gente introduz: criada pelo desenhista brasileiro Vitor Cafaggi, é composto por tirinhas originalmente publicadas no jornal O Globo, de 2010 a 2011. Em novembro passado, todas elas foram compiladas no volume único em questão. A estratégia é bem pensada: juntos, os acontecimentos na vida do personagem título ganham mais fluidez e criam um envolvimento muito maior com seu leitor.

Falando sobre amores juvenis, desapontamentos e a descoberta de paixões, Cafaggi opta por personagens um tanto inusitados, mas com emoções que conhecemos bem. Valente é um cão adolescente, que se apaixona por uma gata que encontra num ponto de ônibus. (!) Ingenuamente passional e ainda sem grandes vivências, o jovem se lança em relacionamentos repletos de sinais confusos e que marcarão uma fase de seu crescimento.

Continue lendo →

Os Melhores Livros de 2011

Os Melhores Livros de 2011

A lista de Melhores Livros de 2011 do Miolão é um pouco mais abrangente que as outras: nesse caso, ignoramos o ano em que as obras selecionadas foram publicadas e nos permitimos considerar todas aquelas que lemos nos últimos meses como concorrentes.

A seguir, mostramos quais narrativas literárias nos surpreenderam, acompanharam e foram boas companhias em certas fases do ano. Se essa votação não teve critérios rígidos quando às características dos livros, os títulos escolhidos passaram os méritos que os tornam ótimas obras e criaram ligações pessoais com todos nós – como a literatura relevante sempre faz. E por isso merecem figurar aqui.

Veja o que selecionamos.

Continue lendo →

Daytripper, Fábio Moon e Gabriel Bá

Eu tenho um amigo que é ávido leitor de quadrinhos, do tipo que vibra com títulos diversos, mas de quem eu nunca tinha ouvido um relato mais “comovido” quanto a HQs. Isso mudou quando ele chegou até mim dizendo que havia lido “Daytripper”, obra dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, e que ela o havia feito chorar em seu decorrer.

Não o vejo como alguém que se emociona dessa forma com muita freqüência; então, fiquei curioso pela tal carga emotiva que a criação prometia ter. Pra aumentar esse interesse, recebi indicações positivas também de outros amigos, sendo que um deles me emprestou o exemplar que havia adquirido pra que eu pudesse ler – e eu o fiz.

Lançada originalmente nos EUA em 10 volumes pela Vertigo (selo da DC Comics) e com edição única recém-chegada as lojas brasileiras, “Daytripper” traz no centro de sua trama Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários. Eu deveria te apresentar, nesse ponto, algumas peculiaridades sobre a vida do rapaz, mas acho que diante de uma trama tão completinha, seria bobagem colocar a existência do personagem em apenas uma categoria.

Continue lendo →

Cowboys & Aliens

Hoje mais cedo coloquei a mão no bolso do meu casaco. Vi que lá tinha um papel. Peguei para olhá-lo mais de perto e constatei que era um ingresso. Um ingresso de cinema.

“Ah, é… Ontem eu fui ver filme!”

Se não fosse a prova física de meu passeio, dificilmente eu lembraria que assisti Cowboys e Aliens. Porque o filme, meus amigos, é tão descartável que você o esquece entre o percurso da sala de cinema à lancheteria.

E olha que, teoricamente, as coisas não eram para ser assim… Quero dizer, a ideia de cowboys e aliens interagirem é tão tão tão bacana e tem taaanto potencial que eu realmente botei fé de que o resultado seria, no mínimo, estrondosamente divertido. Mas não é. E o culpado disso é Jon Favreau, o diretor, que levou as telas um fiapo de roteiro. Adaptando a HQ homônima de Scott Mitchel Rosenberg, o enorme time de roteiristas composto por Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Mark Fergus e Hawk Ostby, esqueceu de que um bom filme não se faz apenas com uma boa ideia. É preciso substância.

Continue lendo →

Hoje é aniversário de Quino, pai da Mafalda!

Nascido em Mendoza, Argentina, em 1932, Joaquín Salvador Lavado – ou Quino, como ficou mundialmente conhecido -, demonstrou aptidão pelas artes desde cedo. Tendo cursado (e desistido) a Faculdade de Belas Artes, ele só teve seu primeiro trabalho publicado em 1954. Mas ele ganhou o país onde nasceu – e o mundo! – alguns anos depois, em 1964, quando criou Mafalda, sua mais famosa e encantadora personagem.

Continue lendo →

Trilha de Cinema: Jaan Pehechaan Ho, Mohammad Rafi

“Ghost World” é um dos longas sobre a transição da juventude para a vida adulta mais legais já feitos – e, hoje, dez anos depois de seu lançamento e ainda pouco conhecido pelo grande público, assumiu um status de cult contemporâneo. Adaptação dos quadrinhos homônimos de Daniel Clowes, é daquelas surpresas que, quando vemos pela primeira vez, pensamos, “caramba, como nunca tinha visto esse filme antes?”

Continue lendo →

Os Leões de Bagdá, Brian K. Vaughan & Niko Henrichon

Quando li “Os Leões de Bagdá” há algumas semanas, não imaginava que uma hora depois eu estaria nocauteado por aquela HQ que superou minhas expectativas e se mostrou bastante atordoante. Eu tentei encontrar outra forma mais apropriada para definir a experiência breve, porém intensa, que é ler essa criação de Brian K. Vaughan e Niko Henrichon, mas não encontrei: realmente te desnorteia como um soco.

Muitas obras atuais retratam conflitos políticos, étnicos, territoriais e de diversos outros tipos de forma crítica, mordaz, ágil e bem sacada, na maioria das vezes utilizando como plano de fundo acontecimentos reais. “Os Leões de Bagdá” é mais uma dessas, e se destaca por um fator especial: não se trata de uma autobiografia, ou de uma história narrada e esmiuçada por um personagem humano, com as características cabíveis a sua espécie. Os protagonistas da trama, como sugere o título, são quatro felinos arredios e condicionados a viverem suas vidas num zoológico em Bagdá.

A questão maior é que, num lugar que vive à mercê de confrontos gigantescos, esperar uma vida tranqüila não faz muito sentido – nem se você for um animal enjaulado. Num dia aparentemente normal, o local é bombardeado pelas frotas norte-americanas e o quarteto, antes ironicamente protegido pelos limites que lhes eram impostos, se depara com o caos de uma cidade destruída e os impasses que surgem dali em diante.

A história, inspirada num caso real de 2003, quando leões fugiram de um zoo após uma série de bombardeios no auge da ocupação do Iraque pelo exército dos EUA, simplesmente vai acontecendo e te deixa vidrado: você não sabe o que poderá acontecer aos personagens principais quando vira a página. Brian K. Vaughan, roteirista de quadrinhos que já trabalhou para a Marvel e colaborou para criar as diversas reviravoltas da série LOST, consegue transmitir com muita facilidade a sensação de inconstância, paranóia e perigo presenciada pelos “heróis”.

Através da ótica de seres não-humanos, Vaughan consegue discutir diversos conceitos procurados em nossas vidas e nem sempre alcançados, mostrando o quanto eles são essenciais à existência: a liberdade é uma delas. Mesmo quando pensam estar livres de verdade, os leões confrontam diversas regras que surgem com o cotidiano novo e brutal que surge diante deles. Para os mesmos, pouco importa o cerne de todos esses combates do homem; eles possuem seus próprios embates. Porém, são semelhantes aos nossos. Dá pra comparar e imaginar que o homem também vive em sua própria selva, sendo constantemente devorado e aprendendo a se alimentar de coisas inusitadas quando lhes falta comida – situação que remete a uma das passagens da graphic novel, quando o bando questiona se deve comer a carne de um humano encontrado pelo caminho ou não. Em maior ou menor escala, somos iguais a esses animais, e buscamos seguir adiante em meios insalubres.

Não dá pra não comentar dos desenhos criados por Niko Henrichon, que já desenhou, entre várias obras de peso, historietas da antologia Sandman, de Neil Gaiman: são a primeira coisa que salta aos olhos. Tudo tão bem desenhado que, durante a leitura, você pára diversas vezes e fica olhando pra aquilo tudo, quase como criança mesmo, mas reparando em outros pontos: “olha essas cores!  uau, que expressões fantásticas! olha essa paisagem, PQP” e afins. Meio bobo dizer isso, mas você vai ler e ver que é desse jeito mesmo. E assim como Vaughan, Niko consegue transitar da beleza ao choque em um segundo, só que com os seus traços.

“Os Leões de Bagdá” é uma reflexão sobre como o homem pode obedecer aos seus instintos mais animalescos de forma quase imperceptível e como algumas coisas, como as guerras que vemos nos noticiários, não possuem sentido algum se comparado à algumas questões e necessidades que carregamos dentro de nós mesmos, mas que condizem ao coletivo. Te enche de adrenalina e te faz parar por pelo menos um cinco minutos depois de ler, pensando: “uaaaau…”.  Vai ser uma porrada, mas irá gostar. Recomendamos.

OS LEÕES DE BAGDÁ – Pride of Baghdad

Autor: Vaughan, Brian K; Henrichon, Niko.
Tradutor: Trindade, Levi.
Editora: Panini Comics
Ano de lançamento: 2003 (EUA) – 2008 (Brasil)

(Leitura indicada pelo fidiquenga do @blackwill, sempre com uma ótima dica de graphic novel pra animar o dia. ;) )

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259