MIOLÃO • HQ - Part 2
 

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Retalhos, Craig Thompson

“Retalhos”, nossa dica de leitura de hoje, é a obra mais pessoal do “currículo” de Craig Thompson e também aquela que tornou o quadrinista americano (com mais de dez anos de carreira) famoso no mundo das graphic novels. Com ela, o autor encontrou a forma perfeita de liquidar os demônios de seu passado, compartilhando com o mundo os aspectos sombrios de sua vivência.

“Blankets” (título original) é a autobiografia em quadrinhos de Thompson e enfoca um período específico de sua vida, que vai da infância até o final da adolescência. O moço cresceu cercado por péssimos acontecimentos e influências, no estilo daqueles filmes que vemos no cinema: pais fanáticos, “amigos” e professores intolerantes que o perseguiam na escola, abusos sexuais, violência física e extrema confusão sobre o papel que fé, amor, compaixão e até ele próprio exerciam em sua vida. Com o agravante de que estamos falando de vida real, claro.

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Bordados, de Marjane Satrapi

Se você viu a capa desse livro e imediatamente lembrou de um outro, que inclusive já falamos aqui, você está absolutamente certo: Bordados foi escrito e ilustrado por Marjane Satrapi, mesma autora do incrível Persépolis.

Em Bordados, Marjane – que além de autora é personagem – participa de uma roda de chá formada por mulheres de sua família e por amigas, jogando conversa fora de uma maneira casual, cotidiana e interessante. O assunto, quase sempre, é o relacionamento romântico – ou nem tanto – e todos seus desdobramentos – inclusive sexo.

Através dos relatos daquelas mulheres, nós, como espectadores, conseguimos entender um pouco mais de uma cultura que aos olhos do Ocidente parece ser repressora e, porque não dizer, opressiva.

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Kick-Ass

Se você, assim como eu, não tem saco para ver um ogro verde fazendo humor Zorra Total ou ver um filminho numa sala repleta de adolescentes que gritam toda vez que um cara aparece sem camisa (sem falar em vampiros que brilham mais que a Vera Verão), não se preocupe: como diria Michael Jackson, you’re not alone!

Um dos filmes mais divertidos e inusitados da safra de 2010 estreou nos cinemas há cerca de 2 semanas e agradou em cheio quem se arriscou em assistir. Digo “arriscou” porque ir ver um filme com divulgação quase nula, de um diretor quase desconhecido (Matthew Vaughn, de Stardust – O Mistério da Estrela) e sem nenhum grande nome no elenco (ok, o filme conta com Nicolas Cage. Mas será que alguém realmente acha isso atrativo?) é quase sempre um negócio arriscado. Mas é um risco que ultimamente tem valido muito a pena.
Baseado na HQ homônima de Mark Miller, Kick-Ass conta com uma premissa bastante simples: um garoto compra uma fantasia de super-herói e sai por aí pra chutar uns traseiros dos criminosos da cidade. Paralelo a isso, um tal de Big Daddy treina sua filha, Hit-Girl, uma menina de, sei lá, 8 anos de idade, para ser a maior exterminadora de malfeitores do planeta.

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O Ambicioso Robert Rodriguez

Um dos sujeitos mais polivalentes do cinema norte-americano está com a corda toda: às vésperas de lançar
Predadores, filme do qual é produtor, Robert já se pronunciou sobre uma possível sequência: quando questionado se o filme abriria uma nova franquia:

Existem diversas ótimas ideias. Uma das possibilidades seria seguir o personagem de (Laurence) Fishburne, Noland, em um prequel. As história que ele conta durante o filme já são interessantes, quero experienciá-las agora.

No Brasil o filme ainda vai demorar um pouquinho pra chegar: com data de estréia definida só para 23/07/2010, o trailer conta a história de um grupo de criminosos que são capturados e enviados a um planeta distante, cheio de… PREDADORES! Dirigido pelo competente Nimrod Antal, do bom Assalto À 13ª DP, Predadores trás um elenco de peso para combater os monstrinhos: encabeçando o time temos Adrian Brody (O Pianista); o já citado Laurence Fishburne (Matrix), Topher Grace (Em Boa Companhia) e a brasileira Alice Braga (Cidade Baixa).

Enquanto o filme não chega aos cinemas dá uma olhada no trailer:

Imagem de Amostra do You Tube

Além de Predadores, Rodriguez está super animado com a retomada da série Pequenos Espiões. De acordo com o próprio em entrevista ao site MovieWeb, Pequenos Espiões 4 – Armagedom será um reboot e já tem data de estréia definida: 19 de agosto de 2011. Já sobre a aguardada segunda parte de Sin City, Robert diz que ainda está trabalhando no roteiro e que no momento o foco é mesmo o novo Pequenos Espiões

Falando nisso, Mickey Rourke, que interpretou Marv no filme original, disse que tem interesse em reprisar o papel (com a condição de que a esposa de Rodriguez não atue como produtora). Alexis Bledel e Rosário Dawson também se colocaram a disposição e já declararam publicamente sua vontade de trabalhar com Rodriguez de novo, assim como Frank Miller, o autor da HQ que deu origem aos filmes. Por baixo dos panos, dizem ainda que Angelina Jolie também pode fazer parte do elenco, mas isso já não é oficial (o que é uma pena!)…

Enquanto nada de concreto surge sobre a continuação de Sin City, o lance é se divertir com a grande bobagem dos Predadores e continuar esperando o aguardadíssimo Machete. Se liga no trailer divulgado há um tempinho:

Imagem de Amostra do You Tube

Coisa trash boa, né?

“Persépolis”, de Marjane Satrapi

Escolhemos uma obra um pouco diferente para a indicação de leitura da vez: a primeira HQ que o Miolão apresenta é um dos maiores sucessos desse mercado nos últimos anos e prova que atualmente, quadrinhos podem ser não somente deslumbrantes aos olhos ou um bom passatempo, mas também registros eficazes sobre nossa realidade. Tão emocionantes e essenciais quanto qualquer obra literária.

“Persépolis” foi lançado originalmente na França, em 2000. Escrito e lindamente ilustrado por Marjane Satrapi, o livro - publicado em quatro volumes e também edição completa aqui e lá fora – é uma autobiografia em quadrinhos; portanto, para começar a falar sobre a obra, comentaremos antes sobre a criadora. Nascida no Irã, a autora teve contato com o contexto político e ideológico de seu país desde muito nova: bisneta de um imperador, amadureceu sob a influência de pais liberais e politicamente engajados, tornando-se uma garota rebelde e contestadora.

Desde cedo, presenciou também a carnificina promovida durante os confrontos pelo poder que aconteciam no território. Foi enviada para a Europa pelos pais aos 14 anos, que acreditavam que essa era a atitude mais sensata se quisessem que sua filha tivesse uma educação mais “liberta” de dogmas e tabus e do risco dos confrontos entre Irã e Iraque. Lá, presenciou choques culturais, embarcou numa viagem de conhecimento próprio e exterior, até que retornou já mais velha para sua terra natal, onde cursaria belas-artes.

Uma trajetória tão atribulada dessas parece mesmo acontecer para ser posteriormente contada. A saga real de Marjane apresenta elementos da história de qualquer pessoa que reside no Oriente Médio, e que são conhecidos por diversas pessoas ao redor do mundo. Se o contexto político – tido por alguns como enfadonho – fez com que você virasse o nariz para a trama, pode pensar de novo.

“Persépolis” é uma obra contestadora: ela esmiúça o fanatismo religioso, o poder cego que os povos almejam e outros fatores pela ótica da escritora, que descreve tudo com detalhes que só alguém que já esteve no “olho do furacão” poderia contar. Tudo está retratado lá: sua infância, quando a revolução xiita estava no ápice, a opressão sofrida pelas classes, a tensão – violência constante e a incerteza de que você – ou as pessoas que ama – acordarão vivas no dia seguinte. É escancarado e direto, mas ainda assim sutil.

Satrapi, porém, sabe como dosar a forma como conta sobre os dois universos: aquele ao seu redor e outro, particular, dentro dela própria, que foi sendo moldado conforme vivenciava essas experiências, boas ou ruins. Além da guerra eminente, a escritora também narra seus dilemas particulares, que tornam sua realidade ainda mais familiar à todos. “Persépolis” possui também o “aroma” de memórias particulares e doces, como quando ela narra os reencontros familiares, suas paixões juvenis, conquistas ideológicas e gritos de liberdade, por menores que sejam – mesmo que se trate somente de um “transgressor” botton do Michael Jackson.

Dificil não torcer pela vida dos protagonistas e dos diversos personagens que vêm e vão – e não se emocionar ao constatar que aquilo todo foi (e é) real, e quantas Marjanes com menos sorte existem por aí…

Uma leitura que, quando chega ao fim, abre nossos olhos não somente para entender mais sobre uma parcela da história mundial que chega até nos como “flashes” nos telejornais – e que muitas vezes não damos tanta importância – mas que também conta como a determinação e a ânsia pela liberdade podem nos levar mais longe.  Tão cheia de calor humano que é uma pena chegar na última página.

E ah, como concluir esse texto sem citar a adaptação para os cinemas, lançada em 2007? Sim! “Persépolis” virou um longa animado sensacional há alguns anos, adaptação fiel do que é mostrado na versão impressa, indicada ao Oscar de Melhor Longa Metragem de Animação em 2008 e vencedora do Prémio do Juri no Festival de Cannes. Recomendamos muito que você também procure pelo DVD e “devore” ambos: tanto a HQ quanto a película.

Que tal conferir o trailer?

Imagem de Amostra do You Tube

PERSÉPOLIS.
Autora: Satrapi, Marjane.
Tradutor: Werneck, Paulo.
Editora: Companhia das Letras.
Ano de lançamento: 2004.

 

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