Quando Jay-Z e Kanye West anunciaram que lançariam um EP em conjunto todo mundo ficou curioso pra saber o que eles seriam capazes de produzir. Não era pra menos, afinal, Kanye West tinha encontrado a redenção no fantástico My Beautiful Dark Twisted Fantasy e Jay-Z tinha em suas costas o bem sucedido The Blueprint III.
A expectativa cresceu quando eles disseram que o tal EP tinha se transformado em disco. E quando eles soltaram na rede Otis, o segundo single de Watch The Throne, o aguardado álbum, não se falou em outra coisa. A faixa era indefectível.
Quando os franceses do Daft Punk lançaram o disco Discovery, em 2001, eles modificaram a cara da música contemporânea. Do pop ao rock, do mainstream ao underground, ninguém saiu ileso dos efeitos do disquinho.
O electro com embalagem plástica e brilhante era perfeitinho e corrosivo. Totalmente sintético, os vocais robotizados e os instrumentos metálicos soavam como sendo de um futuro – um futuro imaginado há décadas atrás.
Lançada como single em 2001, Harder, Better, Faster, Stronger usava imagens de Interstella 5555: The 5tory Of The 5ecret 5tar 5ystem, o “filme” do duo, para ilustrar a letra. O trecho da animação dirigida por Kazuhisa Takenouchi mostrava seres intergalácticos se “transformando” em humanos. A letra, que mais parecia um mantra, repetia exaustivas vezes o seu título. Um clássico instantâneo.
Não, não tô falando daquele tipo de funk que rola nos bailes cariocas e que quando sampleado faz sucesso em músicas de M.I.A..
Tô falando daquele funk que é calcado em instrumentos de sopro e que teve a lenda James Brown como principal expoente. Tô falando daquele funk que faz com que mexamos os pés – quase que involuntariamente. Tô falando daquele funk swingado. Eu tô falando sobre o funk de raiz. E se você gosta de boa música e de música pop (quem disse que elas não podem andar juntas?), vai adorar o sample de hoje.
Quem conhece ou já escutou com um pouco mais de atenção o repertório de Jennifer Lopez, sabe que a gata curte incorporar em suas músicas trechos e bases de outras canções. On The Floor, seu último hit, aliás, causou certo furor por ter como sample Chorando se Foi, a clássica lambada do Kaoma. Mergulhando em gravações que passam longe da obviedade, como a supramencionada Chorando de Foi, ela resgata faixas que vão do jazz ao hip-hop gangsta e as transforma em musiquinhas pop super radio friendly de efeito efêmero que a gente curte e depois, puft, esquece.
Fallin‘, o single que apresentou Alicia Keys ao mundo em 2001 (sim, você está velho: a música já tem uma década!), é daquele tipo de canção emblemática, que te pega de jeito e fica contigo por dias a fio. Vencedora do Grammy em 3 categorias – Melhor Canção do Ano, Canção de R&B e Melhor Performance Feminina – Fallin‘ talvez seja a faixa mais conhecida de Keys até hoje.
Narrando um confuso relacionamento, a letra, escrita por ela, é um movimento circular que desenha no ar os altos e baixos de um sentimento que de tão intenso machuca e convida, de novo e de novo, a se apaixonar. Indo e voltando, acompanhada por seu piano e por violinos, Alicia cria elipses sinceras e desesperadas sem rodeios.
O que acontece quando uma das marcas mais classudas do mundo convida um dos diretores de cinema mais hypados do momento e uma atriz lindíssima para gravarem um filmete promocional para um de seus produtos?
Se você respondeu “ué, acontece um comercial” reveja seus conceitos. O ambicioso projeto de divulgação do perfume Coco Mademoiselle, de Coco Chanel, é mais do que um mero comercial. É puro deleite.
Filmado com maestria por Joe Wright, diretor de Desejo e Reparação e Hanna, a propaganda estrelada por Keira Knightley tem como trilha sonora a já clássica It’s A Man’s Man’s Man’s World, de James Brown, numa versão sexy e provocante cantada por Joss Stone. Gravada para o álbum The Soul Sessions, It’s A Man’s Man’s Man’s World acabou não sendo aproveitada na versão final do disco. Mas graças a esse curta, a música ganhou a projeção que merecia.
Quantos comerciais você já não assistiu que mostravam um belo carro andando lindamente por um cenário vazio e bucólico?
Se você ligar sua televisão agora é bem provável que logo nos primeiros minutos você seja bombardeado por 1, 2, 3 ou 4 propagandas de carros desse jeito. Assim como acontece com a maioria dos comerciais de cerveja, os filmetes feitos para divulgar automóveis raramente fogem do modelo descrito acima e de tão comuns parecem ter sido produzidos pelas mesmas mentes (nada) criativas.
Mas, como em toda a regra, temos também exceções, como no caso do comercial acima. Produzido pela agência argentina Agulla y Bacetti, o filmete que mostra um garoto meio bobo repetindo incontáveis vezes a palavra “geropa” foi o grande vencedor do Festival de Cannes de 1999. Inusitado e divertido, o filme foi encomendado para divulgar o lançamento do Renault Clio MTV. Adaptada pela Lowe e exibida no Brasil entre 2001 e 2002, por aqui a propaganda ficou conhecida como “o comercial do ‘gerooopa!’ e levou em 2002 o Prêmio Multishow de melhor comercial do mês.
“Geropa!”, que na verdade é “Get On Up“, é o refrão de Sex Machine, um dos grandes clássicos da lenda chamada James Brown – indiscutivelmente uma das figuras mais fantásticas e importantes da história da música mundial. Cheia de gingado, Sex Machine foi gravada pela primeira vez em 1970 para o disco homônimo e regravada em 1975 para o álbum Sex Machine Today.
Mesmo após 40 anos do lançamento, Sex Machine conversa sua essência funk e faz bonito nas pistas e festinhas por onde passa. O mesmo ocorre com a propaganda, que mesmo já tendo mais de 10 anos, não envelheceu nada e ainda consegue arrancar sorrisos.