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#Miolão ESPECIAL: Dia Internacional da Mulher

Hoje, em comemoração a esta data mais que especial, tudo publicado no Miolão terá como objetivo homenagear, de alguma forma, a mulher e sua importância na história e na sociedade. Aguarde. Durante o dia alguns textos especiais abordarão o assunto mulher. Vale lembrar que por aqui já falamos de algumas grandes mulheres como Clarice Lispector, Sylvia Plath, Jane Austen e tantas outras.
E nós, do MIOLÃOTEAM, desejamos a todas as mulheres, toda felicidade do mundo! (:

Parabéns!

A Volta dos Que Não Foram

Se você nasceu na última década talvez não entenda o que Alicia Silverstone significou para os anos 90.

Revelada em 1993 no interessante Paixão Sem Limites, Alicia logo chamou a atenção do público por sua beleza e por seu talento. A boquinha torta, o charme natural e seu jeitinho de eterna adolescente a fizeram participar de alguns dos clipes mais emblemáticos do Aerosmith (Crazy, Cryin e Amazing) e de alguns filmes divertidos e outras porcariazinhas.

Mas só foi em seu quarto trabalho para o cinema que Alicia recebeu – com todo o mérito – o status de estrela. As Patrícinhas de Beverly Hills foi um divisor de águas, tanto na carreira de Alicia quanto na de Amy Heckerling, diretora do filme. Sucesso de crítica e amado por toda uma geração, o longa foi livremente inspirado em Emma, de Jane Austen, e responsável por revelar outros nomes ao grande público como a saudosa Brittany Murphy e o carismático Paul Rudd.

Depois do filme, Alicia protagonizou um ou dois trabalhos interessantes e após algumas escolhas erradas (Batman & Robin, dizem oi!) praticamente caiu no ostracismo.

A diretora Amy Heckerling por outro lado conseguiu realizar mais 2 filmes: O Otário, que quase passou desapercebido no mundo e foi lançado diretamente em vídeo aqui no Brasil, e o simpático – e irregular – Nunca é Tarde Para Amar, que marcou a volta de Michelle Pfeiffer as telas em 2007. De lá pra cá ela estave reclusa até essa última semana, quando seu nome voltou a gerar buzz.

O novo projeto de Amy se chamará Vamps e tem sua estréia prevista para 2011. Ainda em pré-produção, pouco se sabe da história, mas pelas informações divulgadas até agora, o filme retratará vampiras – sério? – que se apaixonam por mortais e que terão que fazer escolhas sérias, colocando sua imortalidade em jogo.

Ah! Mas a melhor notícia nem é o novo tema ou o filme em si… O mais legal disso tudo é que Vamps tem presença confirmada de Alicia Silverstone encabeçando o elenco.

Talvez o clima de romance, vampiros e dilemas façam algumas pessoas pensarem na febre de Crepúsculo. E talvez a produção de Vamps não passe de uma jogada para elevar o nome de Amy Heckerling e Alicia Silverstone novamente ao topo.

Tanto faz os motivos. Eu quero mesmo é assistir o filme e tirar minhas próprias conclusões. Se for tão divertido quanto o “clássico” de 1995, de antemão digo que aí vem um dos melhores guilty pleasures do ano! Quem viver verá. :D

Deve Ler: Orgulho e Preconceito, Jane Austen

Jane Austen

Você provavelmente já deve ter tido contato com a história de “Orgulho e Preconceito”, da escritora britânica Jane Austen. Pode ter lido o livro, ou até assistido uma das adaptações da história que já foram filmadas. É difícil dizer qual obra da escritora é a mais famosa, mas é provável que “O&P” preencha essa vaga – ele, é um ótimo exemplo da literatura à frente do seu tempo que Jane produzia na época.

No centro da história está Elizabeth Bennet, segunda mais velha numa família de cinco irmãs, que vive com seus pais e um relativo conforto no ano de 1797, na Inglaterra. A heroína do livro não se encaixa nos padrões que as moças da época deveriam seguir e recusa-se a correr atrás de pretendentes, como desejava a matriarca da família, a Sra. Bennet, que queria à todo custo, ver suas filhas casadas e de preferência, com um marido de alto poder aquisitivo. Os acontecimentos centrais do livro começam quando Liz conhece Mr. Darcy, cidadão influente que acompanha seu amigo, Mr. Bingsley, em sua estadia pelo condado onde habitam os Bennet. Devido a algumas situações constrangedoras, ele desperta a antipatia de Lizzy, que começa a odiá-lo quase imediatamente. Mas nada garante que esse sentimento não possa mudar…

Orgulho e Preconceito”, dito assim, parece ser um romance comum, no melhor (melhor?) estilo “Sabrina”, mas engana-se quem pensa assim! Jane Austen criou uma fórmula que muitos autores posteriores tentariam seguir. A maioria deles não teve êxito, pois, talvez não captaram a essência do livro: além do embate amoroso central, existe também uma forte crítica aos costumes da época, coisa que pouquíssimos escritores desenvolviam naquele tempo. A personagem Elizabeth não é uma versão “fictícia” da autora, como em “A Redoma de Vidro” de Sylvia Plath – comentado anteriormente aqui no Miolão – mas possui muito em comum com ela. As duas, na vida e na ficção, buscavam lutar contra a realidade “acomodada” que vivenciavam, reclamando das futilidades que eram tão freqüentes e dos hábitos opressores.

Cena de "Orgulho e Preconceito" (2005)

Cena da adaptação para o cinema de "Orgulho e Preconceito" (2005), com Keira Knightley e Matthew MacFadyen.

Jane sabia bem do que estava falando: nascida numa família consideravelmente influente na época, cresceu numa fase em que a sociedade britânica correspondia à aquela que mostrava em seus livros. Produzia textos desde pequena e, embora vanguardista, destacava-se apenas pelo seu dom fascinante com a escrita. Foi a forma mais eficaz que encontrou para expressar, do seu jeito, suas indignações, frustrações, divertimentos e vontades – esses, limitados pelo meio em que vivia. Possuiu uma vida frutífera no campo das artes, mas despida de muitos encantos no âmbito pessoal. “Orgulho e Preconceito” foi publicado enquanto ainda estava viva: Jane faleceria em 1817, deixando diversas obras que seriam lançadas postumamente. Sua vida foi adaptada às telonas com “Amor e Inocência”, estrelado por Anne Hathaway e James McAvoy – filme agradável, mas que como muitas adaptações, conta apenas metade da realidade, exagerando em muitas outras.

A leitura do livro é bastante lenta, e a narrativa é cheia de detalhes: cenários, emoções e pensamentos são esmiuçados de forma incisiva e também espirituosa. Jane Austen é irônica, firme mas sensível e é difícil não adorar a protagonista do livro e não torcer pelo casal. Dá dó quando acaba: você sente que conhece aqueles personagens tão bem que gostaria de acompanhar o que acontece na vida deles depois daquele último ponto final. “Orgulho e Preconceito” já teve diversas adaptações, sendo as mais famosas o especial de TV produzido pela BBC em 1995, que trazia Colin Firth como Mr. Darcy e, mais recentemente, em 2005, o filme estrelado por Keira Knightley, que concorreu ao Oscar de melhor atriz pela sua interpretação como Elizabeth. Embora mais focado no romance do que nos diversos outros aspectos que a história oferece para reflexão, o filme é ótimo e possui a essência do universo que Jane criou – ou apenas reproduziu com fidelidade, quem sabe?

Ah, uma curiosidade: sabia que “O Diário de Bridget Jones” é uma versão contemporânea do clássico de Austen? A autora do livro, Helen Fielding comentou, na época que o filme foi lançado: “As tramas de Jane Austen são muito boas e têm sido exploradas durante os séculos. Então, eu decidi simplesmente roubar uma delas.” Tanto é que até o par romântico de Bridget possui o mesmo nome do herói original (Mr. Darcy) e é interpretado por Colin Firth, exatamente pelo fascínio da autora na interpretação do ator realizada no especial da BBC que comentei. Sim, de fato muitos se inspiraram no humor e nas criações de Jane Austen e é por esse motivo e outros que sua obra deve ser sempre redescoberta. Siga a dica do post e leia “Orgulho e Preconceito”, mas não limite-se apenas à ele, toda obra de Jane vale a pena ser descoberta. Vai ver que o conselho é válido!

Capa de uma das diversas edições nacionais de "Orgulho e Preconceito".

Capa de uma das diversas edições nacionais de "Orgulho e Preconceito".

 

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