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Rachael Yamagata – Chesapeake

Em seu terceiro álbum, Chesapeake, Rachael Yamagata explora contornos de felicidade e otimismo – por mais estranha que essa frase soe para quem conhece o trabalho da moça. Se você pertence a esse grupo e ao ler isso um ponto de interrogação se formou em sua cabeça, eu explico: não significa que para esse disco ela abandonou por completo a aspereza e melancolia ostentada em momentos anteriores ou mesmo as baladas marcadas por piano. Elas ainda estão lá. Porém, Chesapeake parece permeado por positividade.

Quando se pára para pensar nos álbuns anteriores de Rachael, notamos que não é como se ela nunca tivesse demonstrado seu otimismo. Um exemplo claro disso é a fofa 1963, de Happenstance (2004), que no meio de tantas canções tristes, surge como um momento de alívio e esperança. Então, de certa forma, a luz sempre esteve ali, expressa em pequenos detalhes. Nós é que não prestamos a devida atenção. E é exatamente daí que vem o susto quando começamos a audição de seu novo trabalho.

Segundo essa entrevista aqui, a vontade de explorar esse lado mais ensolarado de sua personalidade estava ali há um bom tempo. Rachael disse que a natureza de suas canções do passado fez com que ela acabasse parecendo algo que não é e que os temas que explorou em seus dois primeiros álbuns – amargura, corações partidos e outras coisas que podem fazer um relacionamento, terminado ou não, doer tanto – não são exatamente partes de sua vida, apenas temas que a fascinavam. Então, ela escrevia sobre eles para tentar compreender e porque considerava que o tipo de melodia que gostava de produzir acomodaria melhor letras tristes. Porém, quando estava compondo as canções que integrariam Chesapeake , ela disse ter encontrado uma maneira de escrever músicas sobre temas menos sombrios, com melodias menos melancólicas e ainda soar como ela mesma e, então, resolveu se arriscar.

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Disco Essencial: Joni Mitchell, Blue

Meu primeiro contato com Joni Mitchell foi há muito tempo, pelos idos de 2000, através do filme Da Magia À Sedução. Em uma das cenas do longa, a personagem de Nicole Kidman canta, por cima da gravação original, um pedacinho de A Case Of You. Lembro de ter ficado completamente fascinada com a melodia e a voz de Joni. Acho desnecessário comentar que, na época, ainda não era tão fácil encontrar coisas na internet. Então, fiquei com a música na cabeça durante um tempo e, eventualmente, me esqueci dela.

Anos mais tarde, outro filme me fez reencontrar Joni Mitchell. Both Sides Now é tocada em uma das cenas mais bonitas de Simplesmente Amor e, como se podia esperar, me encantou também. Corri para a loja de CDs mais próxima e comprei a trilha sonora do filme. A poesia e a simplicidade presentes na letra de Both Sides Now, aliadas a sua melodia sombria, nunca perdiam o frescor para mim. Em cada vez que ouvia, parecia descobrir algo novo na música e isso me fazia querer saber mais a respeito da dona daquela voz tão profunda e tão triste. Então, voltei novamente à loja de CDs à procura de algum disco da Joni. Desnecessário dizer que não encontrei, já que pouquíssimos foram lançados no Brasil.

Só algum tempo depois, com o “boom” da Internet, fui conhecer mais da discografia de Mitchell. Descobri o nome de A Case Of You e dos dois discos que continham as faixas que eu já conhecia, que eram Blue e Both Sides Now (na verdade, a gravação original de Both Sides está no disco Clouds, mas a versão tocada em Simplesmente Amor está no supramencionado Both Sides Now).

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Cover: Last Nite, Adele

Adele tem um dom. Ela transforma mágoas em músicas bonitas. Dona de um delicioso repertório autoral que tende ao blues, ela lançou no início do ano 21, um dos melhores álbuns dos últimos tempos. Mas isso, com certeza, você já sabe.

O que talvez você não saiba é que além de gostar de jazz, blues e soul, a mocinha também é vidrada no bom e velho rock’n'roll.

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Joss Stone – LP1

Na última semana li um artigo muito interessante de Alexandre Matias a respeito do futuro do álbum. Em linhas gerais, o jornalista defendia que o cd, como conhecemos, ficou obsoleto por causa da revolução que o formato digital causou na forma em que consumimos música. Segundo o autor, o futuro do disco enquanto uma coletânea de canções que se convergem em um certo ponto – seja estético, temático ou sonoro – ficou no passado porque hoje em dia o que movimenta o mercado são canções avulsas. As evidências apresentadas por Alexandre soam bastante convincentes, mas não podem ser tomadas como verdades absolutas por um motivo bastante simples: alguns artistas – como ele mesmo reconhece – ainda focam seus esforços (e pessoalmente acredito que vão continuar focando) em combinar em 12 ou 15 faixas toda uma ideia de conceito para contar histórias. E esse é o caso de LP1, o quinto álbum de estúdio da inglesinha Joss Stone.

Para entender melhor o que o LP1 significa na discografica de Joss, é necessário fazer uma retrospectiva em sua obra.

A cantora, que de certa forma fez com que o mundo prestasse mais atenção no gênero soul, que há era tido como inexpressivo – comercialmente falando -, lançou seu debut há exatos oito anos. The Soul Sessions, como foi intitulado, era um conjunto com 10 belíssimas regravações de clássicos de blues e soul (com exceção da ousada – e deliciosa – versão de Fell in Love With a Girl dos White Stripes). A maturidade e segurança que transparecia em cada uma das faixas fez com que o disco arrancasse elogios e suspiros, consolidando o nome de Joss, que na época tinha 16 anos, como uma das grandes promessas para o futuro.

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Music Monday: Blubell

Você pode até não conhecer, mas eu aposto que você já ouviu  a música de Bel Garcia, ou melhor, de Blubell, por aí. Ou pelo menos um refrão.

A mocinha que é paulista e paulistana emprestou sua voz e seu “Chalala” para a abertura do seriado Aline, aquele mesmo, baseado nas tirinhas do Adão Iturrusgarai, em 2009. E no começo desse ano ela lançou, finalmente, seu primeiro cd. Eu Sou do Tempo Em Que a Gente Se Telefonava é, como o próprio título sugere, um mergulho nostálgico em uma época que ainda não passou.

Apostando em um repertório autoral que passeia entre o pop e o jazz, ela nos conta em 11 faixas – 12, se contarmos a versão elétrica de Chalala – uma história cheia de charme sobre acasos e certezas. A música tema do seriado, aliás, é bem mais do que um refrão feito de “uh uh cha-la-lá”. Com uma letra divertidíssima e uma interpretação não menos faceira, Blubell dá seu recado em versos aparentemente desconexos que revelam – muitas – coisas sobre si (ela se amarra no rei – Michael Jackson? – e tem uma guitarra verde limão). No clipe da música, que você confere aí embaixo, ela brinca de Bob Dylan e, no Parque da Luz, em São Paulo, recria uma outra época…

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Cover: Brighter Than Sunshine, Katie Waissel

De Repente É Amor (A Lot Like Love) é um filminho bem vagabundo. Lançada em 2005, a produção protagonizada por Ashton Kutcher parece ter sido despejada nos cinemas com o único intuito de pegar o dinheiro de casais apaixonadinhos e de adolescentes que sonhavam com o príncipe encantado. Se De Repente É Amor não contribuiu em nada para o cinema, o mesmo não se pode dizer de sua trilha, que até que fez bastante para a música… Contando com canções do The Cure, Hooverphonic, Anna Nalick, Groove Armada e Travis, o disquinho fez sucesso e alçou um desconhecido Aqualung para a “fama”.

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Cover: Eu Amo Você, CéU

Era uma vez um moço chamado Tim Maia. Ele gostava de cantar e cantava bem. Antes mesmo de gravar seu primeiro álbum, ele já havia contribuído com uma tal de Elis Regina e feito parceria com unzinho chamado Roberto Carlos. Um dia ele chamou a atenção de Nelson Motta (o mesmo que anos mais tarde “lançaria” Marisa Monte) e com o apoio do bamba e de uma bandinha chamada Os Mutantes,  em 1970, finalmente, conseguiu gravar seu primeiro disco. O título, admito, não foi lá muito criativo (Tim Maia), mas o conteúdo, meus amigos… Ahhh! Que conteúdo!

Sem se preocupar com coesão, ele investiu pesado em baião, forró, jazz e soul, tudo assim, junto e misturado. E, bem no meio disso tudo, ele incluiu uma faixa bem “particular”.

Eu Amo Você, composta por Cassiano e Silvio Rochael, quebrava a animação do álbum no meio. O grave do cantor combinado com a triste melodia fazia com que a canção se impusesse em relação às outras e se destacasse- coisa bastante estranha, visto que a letra era… tão simples.

Avançando cerca de trinta e poucos anos pro futuro, conhecemos a CéU. Uma mocinha filha de artistas que cresceu ouvindo música boa e que, assim como Tim, gostava de cantar. Com um timbre bem diferente de suas contemporâneas, os vocais se CéU não chamavam atenção pela potência ou pelos gritos. Ela ganhava pelo sussurro. Pela sensualidade. E pela simplicidade.

E foi essa simplicidade que a cantora evidenciou em sua versão para Eu Amo Você. Sem tentar emular o jeito que Tim cantava, ela só cantou. Do jeito dela. Com a voz dela. Os artifícios grandiosos da música original foram substituídos por um instrumental despido de qualquer exagero.  Restou apenas uma declaração de amor.

 

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