De Repente É Amor (A Lot Like Love) é um filminho bem vagabundo. Lançada em 2005, a produção protagonizada por Ashton Kutcher parece ter sido despejada nos cinemas com o único intuito de pegar o dinheiro de casais apaixonadinhos e de adolescentes que sonhavam com o príncipe encantado. Se De Repente É Amor não contribuiu em nada para o cinema, o mesmo não se pode dizer de sua trilha, que até que fez bastante para a música… Contando com canções do The Cure, Hooverphonic, Anna Nalick, Groove Armada e Travis, o disquinho fez sucesso e alçou um desconhecido Aqualung para a “fama”.
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Cover: Eu Amo Você, CéU
Era uma vez um moço chamado Tim Maia. Ele gostava de cantar e cantava bem. Antes mesmo de gravar seu primeiro álbum, ele já havia contribuído com uma tal de Elis Regina e feito parceria com unzinho chamado Roberto Carlos. Um dia ele chamou a atenção de Nelson Motta (o mesmo que anos mais tarde “lançaria” Marisa Monte) e com o apoio do bamba e de uma bandinha chamada Os Mutantes, em 1970, finalmente, conseguiu gravar seu primeiro disco. O título, admito, não foi lá muito criativo (Tim Maia), mas o conteúdo, meus amigos… Ahhh! Que conteúdo!
Sem se preocupar com coesão, ele investiu pesado em baião, forró, jazz e soul, tudo assim, junto e misturado. E, bem no meio disso tudo, ele incluiu uma faixa bem “particular”.
Eu Amo Você, composta por Cassiano e Silvio Rochael, quebrava a animação do álbum no meio. O grave do cantor combinado com a triste melodia fazia com que a canção se impusesse em relação às outras e se destacasse- coisa bastante estranha, visto que a letra era… tão simples.
Avançando cerca de trinta e poucos anos pro futuro, conhecemos a CéU. Uma mocinha filha de artistas que cresceu ouvindo música boa e que, assim como Tim, gostava de cantar. Com um timbre bem diferente de suas contemporâneas, os vocais se CéU não chamavam atenção pela potência ou pelos gritos. Ela ganhava pelo sussurro. Pela sensualidade. E pela simplicidade.
E foi essa simplicidade que a cantora evidenciou em sua versão para Eu Amo Você. Sem tentar emular o jeito que Tim cantava, ela só cantou. Do jeito dela. Com a voz dela. Os artifícios grandiosos da música original foram substituídos por um instrumental despido de qualquer exagero. Restou apenas uma declaração de amor.
Music Monday: Novos Paulistas
Se você olhar atentamente para a foto acima provavelmente vai reconhecer um, dois, três ou mais rostos. Isso porque a banda do Music Monday de hoje não é bem uma banda de verdade… é outra coisa.
Tiê, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit, Dudu Tsuda e Tatá Aeroplano, todos donos de projetos solos interessantes e com público já estabelecidos, se juntaram ano passado a convite da produtora Ana Garcia para um concerto no Sesc Vila Mariana em São Paulo. Novos Paulistas foi o nome dado ao show protagonizado pelos representantes mais hipsters da música paulistana contemporânea.
Se o nome do show, que nomeia o coletivo, soa pretencioso – afinal, quem não se lembra dos Novos Baianos ao ouvir o título? – a ideia de que a turma quer propor um novo movimento cai por terra quando a gente os observa em ação no palco.
Como se pode ver no vídeo aí do alto (eu sei que o audio e a imagem não são das melhores, mas pra quem quiser conferir vale ver no Terra eles no Festival Planeta Terra), as apresentações do grupo são uma verdadeira farra. Super descontraídos, os Novos Paulistas só querem se divertir. Sem nenhuma pretensão maior do que tocar as próprias músicas, eles cantam em duplas, trios ou grupos e dão uma nova roupagem as músicas de seu repertório. É totalmente inusitado ouvir canções como Dois e Chá Verde de Tiê com coros, palmas, bateria e guitarras – elementos ausentes nas minimalistas versões originais. As versões fluem naturalmente do rock ao jazz e do folk ao tango, soando afetuosas e, em alguns momentos, apoteóticas. Assim como é bem diferente – e agradável – perceber que as músicas de Thiago Pethit e Tulipa Ruiz ganharam novo fôlego quando tocadas e cantadas pelo grupo.
Como eu disse lá em cima, eles não são bem uma banda… São mais que isso. Amigos de fé e irmãos camaradas, essa turma, infelizmente, não tem nenhum projeto de gravar juntos (apesar de você encontrar participações de uns nos discos dos outros). Eles querem mesmo é fazer bagunça.
… E gente, enquanto espectador, só quer ter a chance de ver e fazer, de alguma maneira, parte de toda essa brincadeira.
Cover: Why Try To Change Me Now, Fiona Apple
Quando iniciamos nossa sessão de covers no Miolão há um tempo, escolhemos inaugurá-la com uma versão de “Across The Universe”, dos Beatles, cantada por Fiona Apple. Melhor do que a original, a releitura da moça é uma peça comovente que fez jus à “abertura” da série. Hoje, traremos um novo registro seu, igualmente belo.
Tudo o que a artista grava é de uma sensibilidade gigante, e não seria diferente aqui. “Why Try to Change Me Now?” canção originalmente interpretada pelo gênio do jazz Cy Coleman, foi revisitada por Apple e inserida num tributo ao músico, que faleceu em 2004: o EP “The Best Is Yet to Come” conta também com participações de Madeleine Peyroux, Patty Griffin, Missy Higgins, entre outras.
A faixa em questão ganha novo significado na voz de Fiona, parecendo mais verdadeira do que nunca. Ela se joga nos arranjos jazzísticos e, em tom crescente, proclama que não se importa com o que as pessoas pensam sobre sua estranheza, suas vontades e sonhos e que irá continuar agindo da forma que quiser. “Por que tentar me mudar agora?”, ela indaga. Para quem conhece a firmeza existente nas composições originais de Fiona, isso não soa nada estranho…
A dramaticidade em sua voz é um deslumbre. Mais uma vez, a gente arrisca dizer que Apple superou a original. O que vocês acham?
Ah, vale lembrar que Fiona participa em outra faixa do tributo à CY, a dolorida “I Walk a Little Faster”, que também merece ser ouvida.
Cover: Use Somebody, VV Brown
Outro dia minha namorada comentou que estava virando moda artistas fodões fazerem covers de músicas-pop-toscas. Embora eu adore o resultado final de grande parte dessas investidas, não posso deixar de concordar: esse tipo de atitude virou uma constante. Tanto que a gente até se surpreende quando alguém super cool faz cover de alguém super cool.
É o caso da inglesinha VV Brown que causou na internet ano passado com seu disco de estreia, o super bom Travelling Like the Light. A moça, que normalmente investe em um som mais pop (com toques de soul, música sessentista e jazz), mostrou segurança e versatilidade a entoar uma das canções mais legais do ano retrasado – ou passado se você ouviu pela primeira vez na trilha de Caminho das Índias – e para isso não precisou mais do que sua (bela) voz e um violão:
Cover: Don’t Stop the Music, Jamie Cullum
Eu sou fã de Jamie Cullum desde que ouvi pela primeira vez. A música era também um cover, só que aquela vez do divino Jeff Buckley. Pra quem não conhece o Cullum, ele ficou famoso por ser um adolescente, com a cabeça grande demais pro resto do corpo, que usa all-star e destrói Yamahas – os pianos,ok. Além desse estilo todo, o guri toca piano fodasticamente bem. Coleciona uma lista de maravilhosas canções compostas por ele mesmo e outra de covers que é de dar inveja nos próprios autores. Nessa segunda está o cover de hoje.
“Don’t Stop the Music”, baladinha pop, dançante e provocadora na voz (e no corpo) da diva das pistas de dança, Rihanna, ganha um outro tom quando tocada pelo Jamie. É a faixa “do meio” do último álbum do cabeçudo, o “The Pursuit”. A capa do álbum: um piano – de cauda – no momento da sua explosão. Praticamente um signo pro que o guri vai fazer nas faixas do CD, “explodir” com a música, no melhor sentido da palavra.
Quando a faixa n 6 começa, com uma batida tranquila e um tom de voz entre suspiros e gemidos, você fica com aquela sensação “hm, mas eu já ouvi isso antes”. E aí tem o piano, a voz dele vai ficando mais alta, chega no refrão e tipo “OHMYGOD, eu não acredito que ele fez isso!”. A música é tão cheia de emoção que faz você sentir como se estivesse numa festa, dançando com aquela pessoa e implorando pro DJ não parar de tocar aquela música. Mais uma prova de que o adolescente rebelde sabe o que está fazendo. E os fãs da Rihanna musa que me perdoem, mas ele conseguiu elevar pra outro patamar o que era só mais uma musiquinha dançante e aguda.
Sobre o clipe, vou resguardar comentários. Foda, simples assim.

























