MIOLÃO • Jim Sturgess
 

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Miolão Mixtape n.24

Nem toda segunda-feira precisa ser terrível. Nem toda quarta tem que ser modorrenta. E, infelizmente, nem toda sexta-feira é incrível. Mas, mesmo nos dias ruins, ou nos inesperados dias bons, é possível melhorar tudo… Com música.

Pensando nisso, que há dias e há dias, fizemos uma seleção com algumas canções que versam, direta ou indiretamente, sobre os acasos e os estados de espírito que os dias da semana costumam evocar. Talvez nossa seleção soe um tanto esquisita – principalmente porque, aparentemente, não há nenhuma coerência entre as gravações. Todavia, mesmo com toda falta de unidade (Christina Aguilera e Beatles num mesmo disco?), ela ainda consegue fazer sentido.

Duvida? Veja abaixo a seleção e faça o download.

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One Day

A ideia de fazer um filme dividido em 20 segmentos diferentes onde cada trecho representasse um dia do ano da vida de dois personagens era, no mínimo, promissora. A equipe convidada para cumprir tal feito era, no mínimo, sensacional. Contando com um material de divulgação que era, no mínimo, deslumbrante, Um Dia, o filme, prometia ser, no mínimo, uma das melhores produções da safra de 2011.

Prometia.

Dirigido por Lone Scherfig, a mulher por trás de Educação, Um Dia nos conta a história de Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess), dois jovens que se conheceram no dia de suas formaturas. Contrariando toda e qualquer expectativa, os protagonistas, cujo único fato que tem em comum é o de terem personalidades totalmente opostas, se tornam melhores amigos e dividem segredos e momentos durante 20 anos.

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Um Dia, David Nicholls

“Você pode passar a vida inteira sem perceber que aquilo que procura está bem na sua frente”.

Esqueça esse trechinho que consta na contracapa de “Um Dia”, livro escrito por David Nicholls e sobre o qual iremos falar hoje. Melhor dizendo, não pense que ele define muito as motivações dessa história, que superam – bastante – os clichês de comédia romântica que a frase parece promover. Até porque a obra está longe de ser um conto de paixão redondinho ou uma história polida e inofensiva.

Sua trama central sugere que poderá enfileirar todos os elementos necessários pra que um dramalhão daqueles aconteça em seu decorrer: lançada em 2009, a obra conta a história de Emma Morley e Dexter Mayhew, um casal bastante díspare que se conhece (intimamente) na noite de formatura da universidade e, a partir daí, desenvolve uma amizade que se estende por anos adiante. A história trata de mostrar o que acontece com a dupla nos vinte anos que procedem aquele encontro, sempre na mesma data: 15 de julho.

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Trilha Sonora: “All You Need Is Love” – Jim Sturgess & Dana Fuchs

Beatles é, provavelmente, a banda que mais deixou material “reciclável” no universo lindo da música – e dos filmes.

Quando Across the Universe (o filme) foi lançado em 2008, a primeira coisa que pensei foi: GE-NI-AL! E, logo em seguida, pensei: COMO NINGUÉM TEVE ESSA IDEIA ANTES? Os próprios Beatles, em seus tempos áureos, haviam estrelado alguns filmes e um musical. Como demorou tanto tempo para que alguém gastasse muito dinheiro e fizesse uma mega produção com esse tema? Talvez  burocracias autorais. A questão é que, quando Julie Taymor resolve contar uma história usando as letras da banda pop (pop!) mais famosa ever, e faz isso bem feito, temos um filme lindo e a difícil tarefa de escolher somente uma música do repertório espetacular.

A tentação já vem desde a primeira cena, quando um Jude interpretado pelo (lindinho) Jim Sturgess nos recepciona recitando um verso de “Girl”, a voz cheia de sofrimento e é fundido à Dana Fuchs destruindo o vocal na que eu considero a melhor interpretação do filme: “Helter Skelter”. Ela vai voltar depois, em um “bis” e cantando, entre outras, “Don’t Let Me Down”.

Imagem de Amostra do You Tube

Se alguém disser que não ficou com uma vontade imensa de sair dançando e estalando os dedos quando Evan Rachel Wood começa a cantar e pular freneticamente ao som de “It Won’t Be Long” e, logo em seguida, “I’ve Just Seen A Face”, dessa vez com o apaixonado Jim Sturgess que canta, dança e joga boliche tudoaomesmotempo!

Entrando no lado negro do filme as dancinhas super divertidas e cantarolantes vão se esvaindo aos poucos, dando lugar para guitarras pesadas, percussão grave e vocais raivosos. Conforme as canções vão ficando mais tensas, o mesmo vai acontecendo com os personagens e com o cenário. Estamos em 1960, no meio de uma odiosa Guerra do Vietnã, acompanhados por “Come Together” e “I Want You (She’s So Heavy)”, essa última com imagens que dão um significado completamente único e assombroso aos versos de Lennon/McCartney.

As guitarras e a voz gritante de Dana Fuchs voltam ao decorrer do filme – desculpem-me os outros, mas ela é perfeita. “Oh! Darling” vira um dueto – que é, na verdade, um duelo – com acordes distorcidos e fora de compasso. McCoy, uma espécie de Jimi Hendrix de Across The Universe, faz mágica com “While My Guitar Gently Weeps, tocando com tanto sentimento que chega a doer em nós.

De bolachinha-brinde ainda temos o sempre carismático (q?) Sr. Bono Vox! Agraciando todos nós com seu talento para usar óculos escuros, interpreta as psicodélicas “I Am The Walrus” e, já nos créditos finais, “Lucy In The Sky With Diamonds”. Como não sou uma pessoa muito narcisista, abri mão de eleger para esse post a música que leva meu nome, restringindo qualquer comentário pessoal.

Imagem de Amostra do You Tube

A versão mais incrível, tem-se que admitir, é “Let It Be”. No início, cantada à capela por um garoto em meio à guerra e, em seguida, interpretada por todo um coral de igreja, no melhor estilo do blues norte-americano, é de arrepiar qualquer um.

Acontece, minha gente, que eu sou uma pessoa clichê. Sendo assim, não poderia escolher outra música para fechar o post que não fosse “All You Need Is Love”. Provavelmente a canção dos Beatles mais tocada e regravada, um mito dos comerciais com apelo emocional. Mesmo assim é a mais perfeita. O cenário, a performance, a sinceridade. Tudo está na medida certa! Ela é inacreditável, mas ao mesmo tempo tão crível que chegar a dar vontade de ter estado lá, de pé, em frente à sede da Apple Records.

 Imagem de Amostra do You Tube

Across The Universe é o panorama de uma banda e de uma geração e “All You Need Is Love” é a melhor mensagem que poderiam ter deixado pra esse hoje.

 

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