
Pronto. O filme mais aguardado dos últimos meses finalmente chegou ao cinema, depois de muito hype e de muito ser dito a seu respeito. É quase estranho ver o resultado de tanto tempo de produção (e de falatório!) nas telonas – aqui no Brasil com um inexplicável atraso de mais de um mês em comparação com os EUA, onde o filme já circula pelas salas desde o comecinho de março.
O @miolão, que já havia mostrado suas expectativas sobre o projeto com uma série de posts especiais que comentavam sobre uma das adaptações mais pop dos últimos tempos, agora pôde dar seu veredito final.
Para começar a comentar, é necessário ter uma idéia em mente: a palavra “adaptação” faz todo o sentido nesse contexto e se refere mais do que apenas ao óbvio – transpor uma obra literária para as telonas. Eu explico: o longa-metragem de Alice no País das Maravilhas busca somente inspiração e algumas referências no universo de Lewis Carroll, e não necessariamente ser fiel a ele. Saber disso pode evitar algumas futuras frustrações. Ou não.
Tim Burton seria, sem dúvidas, uma das melhores escolhas para dirigir a produção, e foi. Seu talento para fazer o estranho tornar-se algo cativante, já mostrado anteriormente em diversas produções realizadas por ele, com certeza trabalhariam a favor de “Alice”, que, mesmo tratada como história infantil, esconde muitos questionamentos e um lado fortemente sombrio que é constantemente abafado na maioria das vezes em que alguma produção é feita tomando a obra de Carroll como base.
Ele escolheu narrar a história da garota que segue o coelho branco e acaba entrando de cabeça (literalmente) num mundo onírico usando moderna tecnologia 3D, criando cenários deslumbrantes e uma estética linda, super colorida. Trouxe a personagem para outra época, preferindo contar a saga de Alice aos 19 anos, com a cabeça mais “sólida” de alguém que já não é mais criança, mas que enfrenta dificuldades inerentes a sua idade – relacionadas ao mundo exterior e também a sua própria forma de ver as coisas. Manteve diversos personagens e situações da obra criada pelo escritor britânico e… juntou tudo numa película muito menos misteriosa do que deveria ser.
De certo modo, você irá reencontrar os clássicos personagens, e é agradável vê-los na tela. O elenco é excelente: Burton convidou seu parceiro de sempre e sua própria esposa (estamos falando de Burton, não de Depp!) para participarem do filme – Johnny Depp e Helena Bonham Carter, que rouba a cena o tempo todo como a divertidíssima Rainha Vermelha (detalhe que nos dois livros de Alice de L. Carroll, a Rainha Vermelha não é a Rainha de Copas, embora a segunda seja retratada no filme com o nome da primeira e… que confusão!), além das adoráveis Anne Hathaway, Mia Wasikowska, e de um ótimo time de coadjuvantes que conta, por exemplo, com (a voz de) Alan Rickman. Todos muito bem nos papéis que lhes cabem.
O problema é que a adaptação tinha tudo pra dar muito certo, mas por um motivo inexplicável, não engrena. Agrada, mas não marca. O diretor recriou uma adorável fábula, agora numa versão mais fácil de ser digerida, para toda família ver junta. Mas “Alice” poderia estar acima da adaptação juvenil. Não chega a ser um filme sem alma, como alguns críticos disseram, mas parece, de fato, mais “belo” do que instigante. A profundidade contida na obra foi quase totalmente subestimada, e, Tim, na idéia de alterar a história do modo que quisesse para construir uma homenagem, fez sua magia se perder.
Por vezes esquecemos do universo que originou a adaptação enquanto a assistimos. Parece ser qualquer outro, menos aquele criado por Lewis, que se faz notar somente em escassos momentos. A própria protagonista parece subestimada em diversos deles, enquanto outros ganham um destaque muito maior do que o necessário.
A intenção de homenagear o clássico livro Alice no Pais das Maravilhas do diretor é bacana, mas a produção peca mesmo como tributo – mais vazio do que deveria – à obra original. Não considere essa resenha como sendo negativa por sinal. Pelo contrário: eu recomendo que você veja o filme e divirta-se por quase duas horas. Só não espere Alice no País das Maravilhas de verdade. Seria mais fácil se o título fizesse referência à segunda parte da saga da personagem, escrita por Lewis Carroll anos depois da primeira: Alice Através do Espelho, pois, no caso, o que vemos é somente um reflexo daquilo que poderia ter sido.
Assisti Alice no País das Maravilhas numa sala de cinema comum, sem os comentados efeitos IMAX de várias produções recentes. Acredito que se tivesse visto diversas imagens saltando aos meus olhos, minha empolgação não aumentaria em nada. O que falta em Alice no País das Maravilhas não é nada relacionado a forma: tem mais a ver com sua essência, que, dessa vez, não foi captada com muita maestria. O filme é “pop” sim, mas pelos motivos errados. Uma pena.
Alice In Wonderland, Tim Burton, 2010.
Alice no País das Maravilhas. Com Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Allan Rickman, Stephen Fry, Michael Sheen e Timothy Spall.

















"Thiago, 21 anos, ama cinema e queria que sua vida fosse um filme. Não vive sem música, é viciado em internet e acredita na magia e sedução das SMS's. Ama falsidade, é filho do Ozzy Osbourne e seus exemplos na vida são John Lennon, Paris Hilton e Stefhany. Aliás, ele é lindo e absoluto. Rere."
"Mario, 21 anos, louco por
"Sanny, 22 anos, é louca pela fama, sucesso e glamour. Já buscou status tornando-se circense, bailarina, cantora e universitária, mas acredita firmemente que vai DAR certo na vida quando se tornar atriz ou encontrar um milionário disposto a casar. Além de toda essa ambição, é uma ótima companhia para sair e beber cerveja discutindo todos os tipos de assunto. Fiz o requisito?"
"Renato, 19 anos, ama palcos, escrever e está no 2º ano de jornalismo. Imita cenas de filmes famosos em público, tem tendências naturais ao drama e é o 'desmancha festinha' na sua turma de amigos. Canta, dança, representa e tá aí com uns projetos. Mantém seus surtos de Becky Bloom sob controle por falta de dinheiro. É apaixonado por música. Sonha montar num touro mecânico, dominar o planeta e fazer as pessoas se identificarem com o mundo na sua cabeça."