Tento ter a cabeça aberta quando o assunto é música, juro que tento. Mas há coisas que, mesmo com toda a boa vontade, não me descem. A onda de Disney-Celebrities, por exemplo, é um bom exemplo (perdoe-me pela repetição) de tudo que não suporto: adolescentes que mais parecem bonecos de plástico produzindo produtos mais plásticos ainda. É tudo tão chato e homogêneo que irrita.
No entanto, essa ideia que eu tinha a respeito caiu por terra ontem quando eu vi, por acaso, o clipe de Love You Like a Love Song na TV. O último single de Selena Gomez and The Scene, lançado no último dia 17 de junho, presente no disco When The Sun Goes Down, é tão divertido e espertinho que, confesso, me rendi. A música, que para falar a verdade não tem nada demais, é um eletro gostosinho que com muito bom humor abraça os clichês dos anos 80 e sem pragmatismo algum ela se amarra ao fútil e ao supérfluo em nome da diversão.
Se nessa semana futebolisticamente atribulada você não conseguiu acompanhar as notícias do mundo do entretenimento, a gente faz um resuminho:
1- Lady Gaga entrou pela 1º vez na lista da Forbes, que mede o ganho de celebridades. Gaga ficou em 4º lugar, atrás de Oprah Winfrey, Beyonce e James Cameron. Em outra lista, a de fãs do facebook: Lady Gaga tomou o 1º lugar do presidente norte-americano Barack Obama na corrida para se tornar a primeira pessoa no mundo com 10 milhões de fãs no site de relacionamentos.
2 -Glee, a série queridinha do momento, terá um reality show para mostrar os testes de elenco dos possíveis novos integrantes da atração. O reality está previsto para julho de 2011.
3 - Britney Spears faz careta para fotógrafos.
4 - Steve Carell anunciou que deixará a série The Office ao final da próxima temporada, em maio de 2011.
Parece que essa foi “A” semana pros lançamentos de clipes. Teve Avril, teve Corinne, teve Timbaland com o Justin… E muitos outros. Assista abaixo os principais lançamentos!
#1.Erykah Badu
Às vésperas de lançar seu novo álbum, o aguardado New Amerykah Part II: Return Of The Ankh, agendado para 30/03/2010, Erykah divulga Jump Up In The Air And Stay There. A deliciosa faixa conta com a participação (desnecessária) do Lil’ Wayne e uma batida muito boa. Aliás, a música é tão boa que fica até difícil entender como Erykah decidiu não colocá-la na versão oficial do álbum… muita moral, né? Se as outras forem tão boas ou melhores que essas, alguém aí duvida que o disco será perfeito?
#2. Vampire Weekend
Giving Up The Gun é outro clipe que agitou a internet essa semana. Reunindo no mesmo vídeo Jake Gyllenhaal, Joe Jonas (dos Jonas Brothers) e os rappers RZA e Lil Jon, o Vampire Weekend produziu algo bem humorado, divertido e que agradável para os apreciadores de pop (que digam as fãs do Joe Jonas), de cinema (pelo Jack e pelo roteiro) e do bom e velho rock (moderninho)…
#3. White Stripes
Isso na verdade não é bem um clipe… é um trailer! Sem lançar nada inédito desde Icky Thump, de 2007, os White Stripes se preparam para lançar mês que vem um box com seu primeiro CD ao vivo e 2 DVDs. Um deles será o documentário Under Great White Nothern Lights que mostrará o registro da turnê realizada pela banda quando eles passaram pelo Canadá em 2007. O outro DVD se chamará “The White Stripes Under Nova Scotian Lights” e mostrará um show mega especial: o show realizado em comemoração aos 10 anos da banda. Imperdível, hein? Pra gente ficar com mais vontade, segue abaixo um trecho que foi divulgado há alguns dias do segundo DVD, com eles tocando a maravilhosa Dead Leaves And The Dirty Ground:
#4. Taylor Swift
Outra fofucha que divulgou vídeo novo foi a Taylor Swift. O clipe de Fearless, que mescla cenas ao vivo da cantora com takes dos bastidores, é como quase todo vídeo ao vivo: chatinho. Mas Taylor é tão fofinha e bonitinha e menininha que dá vontade de ver, igual quando aquela sua prima de 6 anos resolve cantar pra você as musiquinhas que aprendeu na escola… Óun!
#5. Janet Jackson
HeartBeatLove não é um clipe, mas é novidade. A música caiu na rede ontem e foi produzida por Darkchild, mesmo produtor de Overprotected (Darkchild Remix) de Britney Spears. A batida da música é super fresh e divertida e trás uma Janet em boa forma, que lembra bemmm de longe algo do último trabalho das Pussycat Dolls. Na música, ainda há a participação de Pitbull, o rapper que parece adorar uma parceria com cantoras flopadas… Que o diga J.Lo., né? Neste caso, parece que ele funcionou melhor com Janet.
Ah! Sobre a música, não se sabe se ela estará ou não presente no novo disco da cantora. Segundo uma pessoa da família de Janet, HeartBeatLove não será lançada como single: Janet liberou a música pra seus fãs “por diversão”. Gente boa, hãn?
A cena britânica tem surpreendido de verdade nos últimos anos. Uma porção de cantoras que eu gosto saíram desse cenário (Kate Nash, Norah Jones, Lily Allen, etc) e ele continua apresentando ao mundo novas e talentosas mulheres. A nova aposta da vez ainda está na puberdade (?) e mostra que, com metade da idade de muitas outras, tem potencial suficiente para competir com grandes nomes com o passar do tempo. Ela se chama Dionne Bromfield, citada na mídia como “a afilhada prodígio de Amy Winehouse”.
A cantora tem feito declarações públicas elogiando a garota e tem sido vista com ela com frequência, inclusive servindo de backing vocal para a mesma numa performance sua no reality show “Strictly Come Dancing”. Toda essa propaganda, é justificada, talvez, por mais do que apenas carinho e admiração familiar: seu primeiro CD, “Introducing Dionne Bromfield”, nas lojas desde o último dia 12, foi lançado pelo selo da Lioness Record, gravadora criada pela madrinha. Dionne é talentosa de verdade, mas devemos admitir que sua entrada profissional no mundo da música deve muito a cantora. Essa divulgação, independente das intenções porém, é merecida. Agradecemos a Amy por ter incentivado o lançamento de seu disco, que é uma boa surpresa – mas Dionne merece que sua carreira cresça cada vez mais independente de sua madrinha. Vamos aos fatos.
Performance de Dione e Amy no Strictly Come Dancing 2009
A voz da garota é incrível. Quem escuta pela primeira vez não diz que se trata de alguém com apenas treze anos de idade. De fato, recorda um pouco a de sua mentora, mas o “conjunto” não soa como se fosse uma “versão mais jovem” de Amy Winehouse. Seria até bizarro uma cantora de treze anos possuir uma postura tão “junkie” quanto a Sra. Wino. Pelo contrário, Dionne é coerente com sua fase atual. Seu repertório, inteiramente de covers, é correto e por vezes bem inocente. O que surpreende é que, assim como a sua parente famosa, Dionne também tem uma queda pela música black. Ela regrava clássicos da Motown (gravadora de discos especializada em vertentes da música negra fundada em 1959), entre outras diversas canções clássicas .
Na faixa de abertura, a semelhança vocal com Amy Winehouse em “Tell Him” é um pouco mais evidente, mas se torna menos frequente no decorrer do álbum. “My Boy Lollipop”, gravada por Millie Small em meados de 1950 e entoada pelas Spice Girls em cena do filme “Spice World” (oi?) ganha uma versão tão meiga quanto a original. “Two Can Have a Party” é contagiante. Aquela sensação de “não pode ser uma garota de treze anos de idade cantando!” volta a surgir com a faixa “With a Child’s Heart”, elegante e uma das mais “retrô” do álbum. “Ain’t No Mountain High Enough”, que compete com “Amor Perfeito” de Roberto Carlos na categoria “Música mais regravada da história” (brinks!), ganha mais uma, vigorosa e que não decepciona. Além do restante das doze faixas, estão os singles “Mama Said” e a que te faz cantarolar o dia todo, “Foolish Little Girl”.
Em entrevista publicada no site oficial de Amy Winehouse, Dionne diz ser fã de Lady Gaga e Jonas Brothers (alegando, inclusive, estar ficando “um pouco cansada” do som dos irmãos virgens da Disney). É surpreendente (e ótimo) que tenha enveredado por um caminho tão diferente daqueles que as celebridades teen da sua idade optam – ou talvez sejam forçadas a seguirem. Essa atitude pode até levantar um questionamento pertinente: Dionne transita por esse estilo por vontade própria ou por influência familiar? O fato de não ter apostado em composições inéditas pode ser um expoente de que, como o título sugere, esse álbum é apenas uma amostra do que ela pode – e poderá oferecer. Ainda é cedo pra dizer o que Dionne pode se tornar no cenário musical. Pode ser que enverede por um caminho mais pop como Beyoncé (da qual também já se declarou fã) ou que continue com as “raízes” exploradas em seu primeiro CD. Pode ser que também acabe na rehab. Dionne precisa de tempo para se consolidar como uma voz realmente conhecida, mas já tem os créditos inicias necessários para que mereça nossa atenção. :)
Ok, esqueçam o título sensacionalista. Apesar de eu realmente sentir medo das gengivas fofas da Miley, aka Hannah Montana, quero falar de outra coisa…
Especialmente para você que esteve fora do planeta Terra nos últimos 3 anos, ou você que é alienado e não sabe nada sobre os novos ídolos adolescentes ou simplesmente você que teve sorte, muita sorte de nunca passar perto dessazinha, farei um resumo sobre os principais pontos da carreira dessa que é, sem dúvida, um dos produtos mais interessantes da indústria do entretenimento.
Miley Cyrus é uma cantora/atriz de 16 anos que teve seu nome projetado quando interpretou a personagem Hannah Montana, no seriado homônimo do Disney Chanel em 2006.
A premissa da novelinha era bastante simples: uma adolescente virava uma cantora famosa da noite pro dia e escondia sua verdadeira identidade. Até aí nada demais, certo? Quero dizer, há inúmeras séries extremamente babacas preenchendo a grade dos canais por aí. Mas nenhuma como essa. O sucesso de “Hannah Montana” foi tão grande que em 2008 a série atingiu uma audiência global de 200 milhões de espectadores. Você tem noção do que é isso? Equivale mais ou menos a população de nosso país, o quinto maior do mundo.
O produto Hannah Montana deu tão certo que a Disney não perdeu tempo e garantiu meios de tirar o máximo de $$$proveito$$$ da coisa, lançando bonecas, discos, DVDs, grife de roupas e até filmes no cinema.
Até que um dia tiveram a grande idéia: “se Miley dá tão certo como Hannah, por que não lançá-la como Miley?”
O processo de emancipação da atriz-personagem culminou com o lançamento do filme “Hannah Montana & Miley Cyrus: Best of Both Worlds”, em 2008, filme este que explorava o repertório da estrelinha da ficção e também mostrava músicas próprias de Miley. O filme foi um sucesso e arrecadou cerca de 65 milhões de dólares, mas seu maior mérito foi apresentar ao mundo Miley: a pessoa.
É meio inexplicável o fascínio que ela exerce entre crianças e adolescentes. O que acaba criando um paradoxo, visto que justificar seu sucesso é até que bem fácil. Enquanto os ídolos de outrora eram bonitos, polêmicos e pseudo-revolucionários (bom dia Madonna, Britney Spears e Avril Lavigne), Miley é uma garota como eles. Apesar de gostosinha, ela é feia, imperfeita, exagerada, tosca e forçada. Muito forçada. Gostando ou não gostando, necessitamos admitir uma coisa: a garota não tem vergonha de ser ela mesma. E novamente, gostando ou desgostando, precisamos admitir: era melhor que tivesse.
Tudo nela é calculado. As músicas seguem uma fórmula besta, do tipo catch e descartável, feitas para agradar grandes audiências. Não, não condeno isso. Até porque não há nada de errado em ser pop (e confessando, algumas músicas dela são ÓTIMAS). Mas o que incomoda é que tudo parece não ser natural. Quando vemos Miley com uma guitarra na mão fazendo caras e bocas, tudo que queremos é rir. Quando a vemos em trajes sumários fazendo música de festa, até esquecemos que é ela. Quando ela emula a revolta e o amor, plagiando idéias de um filme de 10 anos atrás, vemos que ali não tem nada. Não há personalidade. É tudo completamente oco.
Até atos de bondade soam fakes. Quer um exemplo? Quem não se lembra quando Beyoncé cantou “Halo” em um show para uma garotinha chamada Chelsea, que tinha câncer? O vídeo foi disseminado aos 4 cantos do mundo e emocionou muitos marmanjos. Domingo passado Miley sentiu-se “inspirada” e fez algo parecido: chamou uma menininha doente para cantar “The Climb” com ela. A diferença óbvia é que, ao contrário de Beyoncé, Miley não canta para a menina. Ela canta para ser vista com a menina.
Chega a ser repulsivo e repugnante coisas assim. Se promover à custa de crianças doentes? Ah, Miley. Até agora podíamos culpar a ganância de executivos e sua pouca idade para isso, mas agora nem isso nos resta. Porque com 16 anos já dá pra saber o que é certo e o que é errado. E por mais que em teoria seja lindo e correto abraçar uma criança careca com sonda no nariz e expô-la a centenas -e virtualmente a milhares- de pessoas, a gente sabe que não é.
Isso tudo mais parece uma tentativa de reverter a má impressão causada no último Teen Choice Awards, onde após ter feito uma performance um pouquinho mais “picante” para o puritano público norte-americano a mocinha ficou queimada perante os pais de seu público-alvo, chegando a ser eleita a pior influência para os adolescentes e pré-adolescentes.
Com certeza os motivos que levaram a este resultado foram exagerados, porque não tem NADA demais nesse vídeo. Miley até que tá bem santinha quando comparamos com as fotos que ela faz seminua em frente a espelhos, ou mesmo quando paga um cat (Vanessão e Maíra Cardi BBB mandaram um beijo) num dos Jonas Brothers. Ok, ok. Tô pegando pesado. Nada contra sexo oral, acho ótimo. O que desaprovo é esse desespero em querer ser santa só para não perder público para Selena Gomez ou Demi Lovato.
Se eu pudesse dar um conselho para Miley seria o mesmo que ela passa todos os dias para as crianças enquanto encarna Hannah Montana: seja você mesma.