MIOLÃO • Joni Mitchell - Part 2
 

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3 Momentos: Corinne Bailey Rae

Em 2006, uma música hiper doce chamada “Put Your Records On” estourou nas rádios do mundo todo e, por causa dela, todos viriam a conhecer uma das vozes mais adoráveis da soul music moderna: Corinne Bailey Rae, uma garota sorridente e de voz frágil que conquistou as paradas com sua sutileza e um excelente debut.

Corinne consegue ser tudo em suas canções: parece uma menina brincalhona numa canção, torna-se envolvente e sensual em outra e descreve experiências pessoais com uma melancolia tão suave que você só pode sentar e ouvir as pequenas historietas que ela conta. Hoje, a artista, que possui publico cativo, não figura nas paradas com tanta frequência, mas seu talento nunca desaponta: o MIOLÃO elege grandes momentos de sua carreira no 3Momentos da semana!

Herbie Hancock & Corinne Bailey Rae – River

O pianista Herbie Hancock, um dos maiores nomes da história do jazz, lançou em 2007 um álbum tributo à obra de uma cantora igualmente influente no cenário musical: Joni Mitchell, a rainha da folk music. Hancock deu uma roupagem totalmente diferente para as composições da artista e amiga, convidando vários nomes à participarem do disco “River: The Joni Letters”: tem Norah Jones, Leonard Cohen, Tina Turner e claro, Corinne Bailey Rae, que na ocasião, ainda despontava como uma grande revelação do cenário britânico. Ela interpreta a faixa título, “River”, com muita delicadeza e entrega, num dueto gravado nos estúdios Abbey Road durante a promoção do álbum para uma emissora de TV gringa. Veja.

Corinne Bailey Rae & John Mayer & John Legend – Grammy 2007

Corinne foi indicada ao Grammy 2007, em quatro categorias distintas – incluindo Artista Revelação. Mesmo sem levar as estatuetas pra casa, não havia dúvidas de que seu trabalho estava sendo reconhecido mundialmente. A moça foi responsável por um dos melhores momentos da noite: uma apresentação em parceria com o músico John Legend e o arroz de festa dos Grammy Awards – e talentoso – John Mayer. Ela interpretou a faixa de abertura do seu primeiro disco, o hit “Like a Star”, que tocou em diversos filmes e por aqui até em trilha sonora de novela. Detalhe que o trio foi apresentado por Stevie Wonder: quer honra maior? Veja.

Closer – Videoclipe

Depois do sucesso do seu álbum homônimo, a inglesa, super low profile, continuou em turnê, e em seguida, iniciou o processo de preparação de seu segundo álbum. Afastada da mídia, seus fãs pouco souberam a seu respeito, até que notícias da cantora começaram a aparecer – e por um motivo não muito agradável: seu marido, o saxofonista Jason Rae, que fazia parte da banda de apoio da cantora Amy Winehouse, entre outros artistas, faleceu por causa de uma overdose acidental. O processo de criação de seu trabalho foi interrompido, até que resolvesse se reerguer, segundo a própria disse em entrevistas quando o disco estava quase finalizado. No começo desse ano, chegou as lojas “The Sea”, o resultado desse traumático processo. Ao contrário do que se pode pensar, ele não é um disco de luto, ou excessivamente triste: sim, os momentos “de cortar o coração” estão lá, mas em onze faixas, Rae parece buscar, através da música, o consolo para seguir em frente. Aparece suave (ah, vá!), elegante e “homenageando” não somente seu amado, mas também as coisas que nos trazem de volta aos eixos quando algo foge do planejado. Essa semana, caiu na rede sem grande repercussão, o seu delicioso novo clipe, “Closer”, terceiro single do disco. Veja.

Bônus: “I’d Do It All Again”, ao vivo

O Miolão já havia falado dessa performance anteriormente, mas vale relembrar: a música “I’d Do It All Again”, single de estréia do álbum e composta para Jason Rae, foi apresentada oficialmente ao público no programa Later Live With Jools Holland. Seu primeiro live, forte e emocionante, é uma das maiores performances públicas da carreira de Corinne. Ela parece completamente absorta em sentimentos enquanto canta como não guarda arrependimento algum da vida que passou junto ao marido. Tocante demais. Veja.

As cenas e os temas (Parte 1)

É incrível como a música certa pode ressaltar a cena de um filme, e igualmente bom quando uma canção ganha um significado mais amplo ou novo quando inserida num contexto marcante. O Miolaoteam apresenta nesse post a primeira parte de uma lista de “uniões” perfeitas das telonas – imagens e músicas que envolvem, conhecidas ou não, que merecem ser conferidas. Veja só e opine: além das citadas, que outras cenas não poderiam ficar de fora?

ps. Gostariamos de ter colocado os links com os respectivos trechos para que você pudesse ver, mas nem todas as cenas foram encontradas disponíveis na Internet.

The Blower’s Daughter (Damien Rice) – Closer

Aqueles que foram assistir a “Closer – Perto Demais” no cinema se surpreenderam logo nos créditos iniciais. A cena de abertura, que mostra o encontro de Alice/Jane (Natalie Portman) e Daniel (Jude Law) permanece no imaginário de muitas pessoas devido à uma canção belíssima, de um cantor não muito conhecido até então: a inserção de “The Blower’s Daughter” na trilha sonora do filme apresentou Damien Rice ao público e caiu como uma luva em uma das tramas românticas (ou quase?) mais realistas dos últimos anos. A música fala sobre uma paixão avassaladora, angustiante até o final, quando, depois de alguns segundos em que a canção parece ter acabado, o cantor sussura: “…till I find somebody else…”. Comentário sarcástico, que de certa forma permeia toda a trama e os envolvimentos mostrados em “Closer”. Ouça.

Cat People (Putting Out Fire) – (David Bowie) – Bastárdos Inglórios

Sendo ou não fã de Bowie ou de Tarantino, é impossível não se arrepiar com essa cena, em que Shosanna, personagem de Melanie Laurent, veste-se para executar um plano definitivo em sua vida, que envolve seu cinema, vingança… e aquilo que sugere o nome da canção. Mais uma perfeita junção de música + imagens, freqüente nos trabalhos de Quentin: sua filmografia por si só geraria uma ótima lista de momentos antológicos. Ouça.

Hero (Regina Spektor) – (500) Dias Com Ela

(500) Dias com Ela é um filme sensacional, com uma trilha sonora à altura – foi torturante escolher apenas um momento e uma canção para ser representada nessa lista. Hero, da russa Regina Spektor torna ainda mais triste um dos diversos devaneios de Tom – o carismático Joseph Gordon-Levitt – que fantasia sobre como seria a realidade perfeita para o seu romance com Summer, vivida por Zooey Deschanel. É quase irônico ver os seus desejos indo por água abaixo enquanto Regina canta “I’m the hero of the story, don’t need to be saved”. Tom aprende que  “no one’s got it all”, como sugere a letra. O aperto no peito, pra quem está assistindo, é inevitável. Ouça.

Just Like Honey (The Jesus and Mary Chain) – Encontros e Desencontros

Sofia Coppola é outra diretora cuja música parece essencial no desenvolvimento de suas histórias. Depois de “As Virgens Suicidas”, ela lançou seu segundo filme, “Encontros e Desencontros”, sobre um ator de Hollywood decadente e a esposa de um fotógrafo que se encontram por acaso em Tóquio e percebem que algo novo está nascendo conforme vão se conhecendo melhor. A cena final do longa, embalada por uma das mais famosas canções de The Jesus and Mary Chain é tocante. A sensação é que você está lá, também envolvido por um abraço, pela saudade que os dois personagens já sentem um pelo outro… e pela beleza aterradora do Japão.  Ouça.

Both Sides Now (Joni Mitchell) – Simplesmente Amor

Essa música de Joni Mitchell, originalmente inserida no seu álbum “Clouds”, de 1969, aparece em nova roupagem na trilha sonora do filme “Simplesmente Amor”, embalando uma das melhores cenas que envolvem a personagem de Emma Thompson, uma mulher de meia-idade que descobre estar sendo traída pelo marido.  Na canção, Joni, fala sobre a importância de olhar para o lado bom e ruim das coisas, e é impossível não relacionar o discurso da cantora ao da dona de casa, que acaba de descobrir que seu relacionamento não é mais estável como parecia ser. Comparar a gravação original com essa versão, da própria Mitchell é um destaque por si só. Anos depois, a música parece ainda mais poderosa com os vocais carregados de experiência da americana. E viva Emma, que nos brinda com uma das cenas mais intensas do filme. Ouça.

Anyone Else But You (The Moldy Peaches) – Juno

Ellen Page, a atriz que interpreta Juno no filme escrito por Diablo Cody, foi quem sugeriu a inserção de canções do grupo The Moldy Peaches na história da adolescente espirituosa que engravida de seu namorado nerd. A própria canção tem um espírito jovem: é uma música simples – basicamente violão e voz – em que Kimya Dawson e Adam Green refletem sobre a relação torta e cheia de descobertas que estão vivendo. “We sure are cute for two ugly people. I don’t see what anyone can see in anyone else but you”, cantam. O dueto toca em alguns momentos importantes do filme, inclusive em uma cena que, quase no improviso, Ellen Page e Michael Cera interpretam a música que o Miolaoteam cita agora. Ouça.

Come Pick Me Up (Ryan Adams) – Elizabethtown

Na maleta de viagens de Claire Colburn, personagem de Kirsten Dunst em Elizabethtown, um dos discos do cantor Ryan Adams é presença constante, como aparece em algumas cenas do filme. Aqui, uma das músicas do cara serve como trilha para o começo do romance de Claire e Drew (Orlando Bloom), numa cena saborosíssima: é encantador ver os dois personagens, envolvidos por contextos tão diferentes, descobrindo as peculiaridades de suas personalidades aos poucos, conforme a agitação de um novo amor vai surgindo. “Come Pick Me Up” fala sobre sobre a empolgação típica do começo de um relacionamento e do desejo de escapar com alguém especial. Singelo. Ouça.

Music Monday: Eliza Doolittle

Fazia tempo que não rolava um Music Monday por aqui, né? Depois de eras finalmente a sessão retorna e retorna em grande estilo!

Senhoras e senhores, apresento à vocês Eliza Doolittle! A garota que desperta simpatia logo de cara, tem o mesmo nome da personagem de Audrey Hepburn em “My Fair Lady“. Nascida em Londres, Inglaterra, a jovem Eliza ainda não lançou nenhum álbum oficialmente, somente um EP homônimo com 4 faixas. Mesmo com pouco material divulgado, dá pra notar que a garota é digna de atenção.

Tocando músicas extremamente fofas, seu som remete à primeira vista artistas como Kate Nash, Lily Allen e Marina and the Dimonds. As melodias são doces e fáceis e grudam na cabeça em pouco tempo, fazendo com a gente assovie sem perceber.

Em seu MySpace, Eliza declara que suas influências vão de Beatles à Destiny’s Child e de Joni Mitchell à Arctic Monkeys. Essa mistura toda é encarada com naturalidade pela cantora. Ela descreve sua música como uma equação culinária, onde os principais ingredientes são o soul, o pop old-school, um pouco de frutas, nozes, especiarias e muito açúcar. O resultado dessa receita pode ser visto abaixo na gostosa faixa Skinny Genes (que conta com um clipe tão fofo quanto a música):

Se você se interessou e quer saber mais, acesse sua página oficial no My Space clicando aqui. Lá, é possível ouvir seu primeiro EP na íntegra e ver alguns vídeos bacanas. De quebra, no site oficial da mocinha, é possível baixar grátis a faixa A Smokey Room. Tá esperando o quê?

#DiscosEssenciais: Alanis Morissette, Jagged Little Pill

Capa de Jagged Little Pill

Em meados dos anos 90 surgia uma artista que iria se tornar um dos maiores nomes da música de todos os tempos. Alanis Morissette ainda era, na ocasião, uma simples cantora de “dance-pop” – promissora, mas nada inovadora. Possuia dois álbuns lançados apenas no Canadá (“Alanis”, de 1991 e “Now Is The Time”, de 1992) que fizeram relativo sucesso por lá. Durante sua adolescência, a cantora e seus pais correram atrás de agentes que estivessem dispostos à dar uma chance a ela, que se apresentava em shows de talento, fazia pontas em séries de TV e utilizava o que ganhava para gravar demos e mostrar seu trabalho, que nem sempre era visto. Foi um mérito grande ter gravado os seus primeiros disquinhos, em parceria com profissionais que conhecera bem nova e que a conduziram por um certo tempo, gerando considerável impacto na jovem artista.

Alanis, por motivos como esses, aprendeu durante todos esses anos de “iniciação” na indústria fonográfica e no mundo artístico, um pouco sobre o universo em que estava entrando. Pôde sentir a intensa pressão dos empresários e o peso de ser uma artista subjugada, por exemplo, mas também a expectativa de poder mostrar seu trabalho para um público que a considerava uma futura revelação. Ao mesmo tempo, enfrentava os “demônios” pessoais típicos de alguém jovem, que ganhavam força devido a essas situações que aconteciam em sua vida.

Ninguém podia, porém, adivinhar o estrondo que seu nome iria gerar dali a poucos anos e que ela faria um dos álbuns femininos mais importantes da história.

Alanis e seu permanente assassino no começo da carreira e em foto da era "JLP".

Alanis e seu permanente assassino no começo da carreira e em foto da era "JLP".

Depois do término do contrato com a MCA Records, que havia lançado seus dois primeiros álbuns, Alanis iria se mudar para Los Angeles, buscando novas colaborações e formas de continuar trabalhando com música. Foi lá que conheceu o produtor Glen Ballard, figura essencial na história artística da cantora e que viria a produzir o disco citado nesse post.

A empatia entre ambos foi imediata: Glen, experiente produtor de discos que já havia trabalhado com artistas conceituados, como Michael Jackson, com o passar do tempo viria a explorar outras vertentes sonoras da cantora e, segundo a própria, iria incentivá-la a expor suas verdadeiras emoções e sentimentos. Ele, sentia-se fascinado pela energia crua e a sinceridade contidas naquela jovem moça. Juntos, comporiam os arranjos que conquistariam as paradas mundiais. Alanis escreveria hinos de libertação própria que fariam pessoas no mundo todo se identificarem com aquela garota astuta e cheia de coisas para dizer.

O processo de gravação foi realizado de forma bastante caseira: mais da metade do CD foi gravada em um estúdio na casa de Glen, e Alanis contou com suportes de peso na banda de apoio, como Flea e Dave Navarro do Red Hot Chilli Peppers. Em 1995, Alanis conseguiria um contrato com a gravadora Maverick, administrada por Madonna, e também com Guy Oseary, empresário da rainha do pop. E assim, ainda nesse ano, o seu “Jagged Little Pill” seria lançado. Com ele, o diário de Alanis estaria finalmente aberto para o mundo todo.

Ele se tornaria o maior êxito de sua carreira inteira. Seu sucesso começou de forma tímida, com a execução de suas faixas em alguns clubes de Los Angeles. Foi questão de tempo para que o primeiro single, “You Ougtha Know” estourasse nas rádios e nos canais de música. A agressividade expressa na letra, onde Alanis bota no devido lugar um ex-namorado que havia trocado-a por outra era uma bela amostra do trabalho confessional oferecido pela cantora ao longo das treze faixas do seu novo disco. O álbum traria ainda outros hits mundiais como “Ironic”, “You Learn”, “Head Over Feet” e “Hand in My Pocket”. Seu trabalho foi comparado ao de grandes cantoras que já eram famosas, como Joni Mitchell, Patti Smith e Carole King. Todas elas, famosas por oferecem canções consistentes e de conteúdo.

Alanis_Miolao

1. Alanis, em ensaio de divulgação de JLP. 2. Foto tirada em um dos shows de sua turnê "The Club Tour" e 3. Capa do JLP Acoustic

“JLP” vendeu 30 milhões de cópias mundialmente e tornou-se o CD mais vendido por uma artista estreante em todos os tempos, e o segundo mais vendido por uma cantora, atrás apenas de Shania Twain. Ela seria indicada à diversos Juno Awards, Grammy Awards e prêmios variados. Público e mídia estavam finalmente rendidos ao talento de Morissette.

Alanis, naquela década, foi uma das maiores representantes de um nicho de cantoras que se destacavam por não serem apenas um rostinho bonito e que gostariam de compartilhar, sem rodeios, seus pontos de vista quanto às relações humanas, o cotidiano atual e diversos temas polêmicos. Sua exposição na mídia impulsionou diversas outras cantoras que possuíam uma vertente semelhante a dela e que também chamariam a atenção – talvez não tanto quanto a própria Alanis, porém.

“Jagged Little Pill” é o retrato de uma jovem passando para a vida adulta. Suas canções são maduras e sagazes. Ouvi-lo é como entrar num turbilhão de emoções que se estende por pouco mais de 57 minutos. É raivoso, bem humorado e melancólico, incisivo e muito real. É o primeiro passo de Alanis para “exorcizar” seus demônios, citados no começo do texto – tarefa  que prossegue até os dias de hoje, a cada novo álbum. Em “JLP”, Alanis chama todos os seus fãs e ouvintes para conhecer as diversas caras que eles possuem, mas também para compartilhar o fascínio que tem pela sua própria posição.

A turnê do disco foi documentada no DVD “Jagged Little Pill Live”, que ganhou o Grammy de “Melhor Vídeo Musical – Longa Metragem” em 1997. Depois de terminada a turnê, Alanis entraria numa fase em que se encontraria enjoada da fama e da gigantesca exposição. Ela procuraria então, se “exilar” na Índia, onde entraria no processo de produção de seu quarto disco, “Supposed Former Infatuation Junkie”, que também seria um sucesso, mas menor do que o álbum anterior.

 “Jagged Little Pill” é ainda hoje cultuado e foi até mesmo relançado pela própria Alanis em versão acústica em 2005, dez anos depois. As novas roupagens, apesar de ótimas, não possuem o encanto e a essência daquelas gravadas há mais de uma década e que ainda hoje, encantam diversas pessoas que as conhecem pela primeira vez ou que sentem prazer em revisitá-las. Sem dúvida, essenciais.

 

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