MIOLÃO • Jorge Ben Jor
 

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Marisa Monte – O Que Você Quer Saber de Verdade

Amigo meu, quando me mostrou o disco novo de Marisa Monte, disse que o álbum era exatamente o que se podia esperar da cantora. E disse também que não sabia se isso era uma coisa boa. Minha primeira impressão ao dar play em O Que Você Quer Saber de Verdade foi a mesma que a dele: definitivamente aquilo ali era Marisa Monte. Eu, que sempre fui fã da cantora, fiquei surpreso, no entanto, ao partilhar da mesma dúvida: seria aquilo uma coisa boa?

A repetição de temas e arranjos soava enfadonha. Embora eu reconhecesse que havia ali algo bem lapidado e tecnicamente preciso, pareceu-me que o caminho escolhido por Marisa era óbvio demais, preguiçoso demais. Qual a razão de tentar reproduzir os efeitos de suas músicas? Qual o motivo de não tentar algo novo?

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Dia do Índio

Todo dia era dia de índio. Todo dia era dia de índio. Curumim, Cunhatã. Cunhatã, Curumim.

Antes que o homem aqui chegasse, as terras brasileiras eram habitadas e amadas por mais de 3 milhões de índios. Proprietários felizes, da Terra Brasilis. Pois todo dia era dia de índio. Todo dia era dia de índio. Mas agora eles só tem… O dia 19 de abril.”

Jorge Ben Jor.

Há cerca de quase 70 anos , para ser mais preciso, em 1943, o dia 19 de abril virou oficialmente o Dia do Índio.

A escolha da data foi baseada no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano: o primeiro grande evento voltado a entender e valorizar a cultura e contribuição indígena para a sociedade. O evento realizado no México em 1940 estava predestinado a ser um desastre. Nos primeiros dias do congresso nenhum índio apareceu. Quando questionados pelo motivo, os índios admitiram terem ficado temerosos e preocupados em relação ao evento. Não era para menos. Séculos e séculos de perseguições, agressões e dizimações não seriam simplesmente deixados para trás. Depois de recusas e recusas da parte dos índios, finalmente eles resolveram participar das reuniões de uma forma mais efetiva. E o dia de tão importante encontro foi em 19 de abril.

Hoje em dia pouco se ouve falar deles. O último caso de grande repercussão que envolveu um índio foi quando em 1997, cinco jovens de classe média queimaram vivo o pataxó Galdino Jesus dos Santos, enquanto ele dormia em um ponto de ônibus. Quatro anos depois do atentado, os rapazes foram condenados a 14 anos de reclusão em regime fechado. Pelo menos 3 deles, visto que um, na época, era menor de idade e ficaria de 1 a 3 anos preso. O que se viu foi que o tal garoto menor cumpriu apenas 3 meses de pena e saiu em liberdade naquele mesmo ano. Os outros, desde agosto de 2004, já estavam livres.

Isso é Brasil. Hoje é dia de índio. Amanhã também.

 

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