MIOLÃO • Karen O
 

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Music Monday: Maximum Balloon

Demorou milênios para que o CD do Maximum Balloon, projeto paralelo de Dave Sitek, guitarrista do TV On The Radio, finalmente chegasse as lojas. O álbum, que já está rodando pela net há algum tempo, será lançado oficialmente amanhã: se você ainda não conhece o som do cara em sua carreira alternativa, nós te apresentamos em nosso Music Monday de hoje.

Como fazia com os integrantes da TV on The Radio, Sitek também também flerta com diversos estilos sonoros em nova empreitada: a gente consegue encontrar um pouco de hip hop, electro, funk e outros ritmos envolventes nas dez faixas que compõem o lançamento: o resultado é uma sonoridade urbana e sensual, com músicas empolgantes o suficiente para animar festinhas (inclusive aquelas à dois…) e pra levantar seu astral enquanto você caminha com seus fones de ouvido pela rua.  :)

Dave conta com participações especiais aqui, como Karen O, dos Yeah Yeah Yeahs, Holly Miranda, David Byrne, Little Dragon e o rapper Aku, que comanda os vocais no primeiro single extraído do álbum, “Tiger”, que serviu de trilha sonora pra um ensaio sensual feito por Daisy Lowe para a revista gringa Esquire e ganhou um clipe divertido e mega colorido.

Na última semana, o produtor lançou o vídeo de “Groove Me”, em parceria com Theophilus London e anteriormente, já havia usado a faixa “If You Go” em um dos clipes de divulgação do seu novo álbum. Confira abaixo:

3 Momentos: Yeah Yeah Yeahs


De todas as bandas que vieram salvar o rock nos idos de 2000 o Yeah Yeah Yeahs talvez seja a que escolheu os caminhos mais interessantes. Fugindo do óbvio e sendo criativos como poucos, eles eram a aposta menos segura de uma legião de críticos que pareciam mais eleger heróis do que criticar de fato os músicos daquela época.

Mesmo que não carregassem o título de “salvadores” – e desde quando o rock precisou ser salvo? -, a banda chamava a atenção de todos por transpirar rock’n'roll e fazer bonito em qualquer área em que atacasse.

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Where The Wild Things Are

Onde Vivem Os Montros, o filme, é um dos projetos que mais tive vontade de ver na tela grande ano passado, ficando atrás apenas de Bastardos Inglórios e Foi Apenas Um Sonho. Quando soube que teria que esperar meses até ter a chance de assistir (o filme só estreou no Brasil na última sexta), fiquei meio desapontado, mas a vontade de ver não só continuou lá como foi crescendo com o tempo.

Há cerca de 20 dias passei pela Livraria Cultura e por curiosidade peguei o livro Onde Vivem Os Monstros, de Maurice Sendak, pra ler. Li a história em menos de 2 minutos e fiquei perplexo em como aquele material poderia ter virado filme. Na hora foi impossível conceber como um livro com apenas 9 frases daria um bom longa metragem. Se você não teve a chance de ler, eu explico. No clássico livro de 1963, um menino chamado Max é castigado depois de fazer malcriações e acaba ficando sem jantar. Do seu quarto, o garoto imagina um mundo selvagem, repleto de monstros, onde ele se torna rei.

O que eu não consegui imaginar na hora que li acabou se tornando real enquanto assistia: o livro, de 9 frases, tinha sim virado filme. E mais do que isso: um bom filme.

Nas mãos de Spike Jonze, cultuado diretor de Quero Ser John Malkovich e Adaptação, o argumento de Sendak ganhou contornos explosivos, sensíveis e enigmáticos. Assistir Onde Vivem Os Monstros é quase como entrar em uma Máquina do Tempo e regressar a uma época em que toda emoção era intensa e todo sentimento vivo.

Quando o garoto Max chega a terra dos Monstros e grita “Que comece a selvageria!” ele ordena o início não só da baderna mas também da liberação de seus sentimentos mais profundos. Nos monstros, ele percebe pouco a pouco vestígios de sua personalidade mimada, egocêntrica e instável. Ao mesmo tempo em que ele nota seus defeitos ele não se reconhece nas figuras. Um bom exemplo disso é o ciúme que Carol, o monstro, sente por KW;  obviamente uma reprodução de todo sentimento de Max por sua mãe, da mesma maneira que outras situações refletem exatamente o que ele passa.

Rasteiro e aterrador como só o universo infantil pode ser, Max se vê em situações limites, indo dos risos as lágrimas de uma cena pra outra. A grosso modo, o filme é o que Max vê e, principalmente, sente. Nós somos Max. A câmera trêmula de Jonze aliada à vitalidade do estreante Max Records são admiráveis, assim como a trilha sonora composta por Karen O and the Kids, que impulsiona o filme e impõe ritmo as cenas de ação (que não são poucas), criando uma atmosfera densa e doce durante todo o tempo.
Como se não bastasse, o elenco ainda conta com a sempre ótima Catherine Keener e Mark Ruffalo. No time dos monstros, a dublagem ficou a cargo de gente do mais alto nível, como por James Gandolfini, Forest Whitaker, Catherine O’Hara, Paul Dano, Chris Cooper e Lauren Abrose.

Outro ponto que merece destaque é a questão estética, que salta aos olhos desde a primeira cena. O visual do filme e os monstros são um show a parte: os bonecos que foram trabalhados em computação gráfica transmitem um realismo de emoções completamente crível, despertando antipatia e carinho na mesma medida. Um belo exemplo do uso da tecnologia a favor da arte.

Como o próprio Spike Jonze declarou, o filme é sobre compreender o mundo e as pessoas a nossa volta. Crescer. E essa mensagem fica clara no final, porque assim como Max, a gente cresce um pouquinho quando retorna ao mundo real. Belo filme.

Where The Wild Things Are, Spike Jonze, 2009.

Onde Vivem Os Monstros. Com: Max Records, Catherine Keener, Mark Ruffalo, James Gandolfini, Lauren Ambrose, Michael Berry Jr., Forest Whitaker, Catherine O’Hara, Chris Cooper e Paul Dano.

 

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