Ontem à tarde, antes de entrar na sessão de Contágio, li um tweet que dizia algo mais ou menos assim: “quando o filme acaba, a gente fica paranoico a ponto de não querer tocar em nada”. Quando os créditos subiram e saí do cinema, percebi que isso era verdade: Contágio mexe com a gente, faz com que sintamos medo. Um tipo de medo plausível, verdadeiro. E como bem diz a frase presente no pôster, “nada se espalha como o medo”.
Começando de uma maneira abrupta – repare que não há sequer a inserção de créditos na abertura -, a introdução de Contágio não perde tempo para nos explicar, de uma maneira bastante ilustrativa, a disseminação do desconhecido vírus que serve de mote para o filme: a câmera de Steven Soderbergh, o diretor, passeia livremente por onde as mãos da personagem de Gwyneth Paltrow tocam. Ela, visivelmente suada (mas sem se preocupar, pode ser só um jet-lag) está em um aeroporto voltando de Hong Kong. Ela come. Paga a comida com cartão de crédito. Toca em objetos e pessoas. É muito, muito, muito fácil sentir agonia vendo essas primeiras imagens. Mesmo mostrando algo intangível e invisível, Steven filma de um jeito objetivo. É fácil “ver” o vírus se espalhando.




















