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Ilusões Pesadas, Sacha Sperling


Há um “gênero” bastante específico, tanto no cinema quanto na literatura, que visa contar histórias fantásticas de adolescentes que se desvirtuam em um mundo sedutor de sexo e drogas. Usando uma estrutura confessional onde se destaca pontos que beiram ao clichê para contornar os altos e baixos, esse tipo de romance, na maioria das vezes narrado em primeira pessoa, choca pelo contraste que buscam retratar e também por serem vendidos como “histórias reais”.

Podemos citar, só para ficar em alguns exemplos, obras como Hell Paris 75016, de Lolita Pille ou 100 Escovadas Antes de Ir Para Cama, de Melissa Panarello.

Ilusões Pesadas, de Sacha Sperling, à primeira vista parece só mais um livrinho desse tipo destinado a adolescentes que estão “descobrindo a vida”. No entanto, basta prestar atenção para notar que mesmo as intenções de Sacha sendo as mesmas das autoras citadas – publicar algo semi-biográfico para expurgar angústias e alertas os mais incautos -, o resultado final é bem diferente do alcançado por elas.

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O Estranho Caso do Cachorro Morto, Mark Haddon

Era uma vez um menino. E era uma vez um cachorro. Um dia o tal menino encontrou o tal cachorro. Morto. Com uma espécie de pá presa em seu corpo. A dona do animal, que era vizinha do menino, acha que foi o guri quem matou o bichinho e chama a polícia. O garoto, encurralado, bate num policial e vai preso. Na prisão ele decide investigar o estranho caso do cachorro morto.

A premissa é simples. Quase banal. Mas a complexidade que se esconde por entre os desdobramentos de O Estranho Caso do Cachorro Morto o torna raro.

Christopher Boone, o protagonista do livro, é um garoto de 15 anos que ama matemática, adora listas, detesta coisas de cor amarela e marrom, nunca mente, odeia ser tocado e carrega consigo traços da Síndrome de Asperger (uma forma de autismo).

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Queria Que Você Estivesse Aqui, Francesc Miralles

Quando esse meu amigo me contou sobre a história de Queria Que Você Estivesse Aqui eu fiquei bastante impressionado.

Ele me disse que o livro falava sobre um arquiteto que era deixado por sua noiva no dia de seu aniversário de trinta anos. Coincidentemente, no mesmo dia, ele tinha ganhado de uma amiga um disco chamado “Flores na Névoa”, de uma cantora desconhecida chamada Eva Winter. Foi só ele dar play no cd para ouvir suas memórias de infância e adolescência narradas pela voz da moça. À princípio ele se sentiu que suas lembranças, que pareciam tão particulares, eram banais e partilhadas por outras pessoas.  Só que conforme o disco avançava ele começou a achar que aquilo não era coincidência. Não podia ser. A última faixa, por exemplo, falava sobre um arquiteto que depois de ser chutado ia para Paris encontrar a cantora. Ele começou a achar que havia algo ali. E, num roupante quase que juvenil, largou tudo que tinha na cidade e foi à Paris.

Acho que comecei a gostar do livro nesse momento, antes mesmo de lê-lo. A história do arquiteto que tinha uma vida perfeita e largava tudo por causa de uma “coincidência” era, no mínimo, intrigante.  A premissa era tão fantástica e potencialmente promissora que eu, mesmo sem saber muito a respeito, comprei o livro na semana seguinte. E se querem saber, eu não me arrependi.

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Top 5: Músicas inspiradas em livros

Davidbowietop

A idéia de que uma obra de arte fechada não se mostre tão fechada assim quando desdobrada nas mãos de outro artista é, no mínimo, instigante.

Ao longo dos anos, vários músicos fizeram isso ao trazerem elementos da TV, do cinema, das artes plásticas e da literatura para suas composições. Seja discutindo temas e ideias, falando sobre personagens e passagens, e, às vezes, até imaginando continuações para histórias que não eram originalmente suas, eles criaram músicas interessantes e atemporais. E é isso que a gente vê em nosso Top 5: Músicas inspiradas em livros.

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A Mulher Que Não Queria Acreditar, Fernanda Takai

Nos últimos dias, Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, lançou por intermédio da editora Panda Books A Mulher Que Não Queria Acreditar, seu segundo livro. Assim como aconteceu em Nunca Subestime Uma Mulherzinha, sua primeira incursão no mundo editorial, A Mulher Que Não Queria Acreditar é uma compilação de contos e crônicas publicados no jornal O Estado de Minas.

Para quem desconhece seu trabalho enquanto escritora, o início do livro pode parecer bobo, talvez até sem graça. No entanto, essa impressão é dissipada conto a conto, linha a linha, palavra por palavra. Em historinhas que não duram mais do que 3 páginas, Takai narra cenas cotidianas que arrancam sorrisos, reflexões, risadas e, às vezes, lágrimas.

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Nunca Subestime Uma Mulherzinha, Fernanda Takai

Apesar de ter conhecimento de que Fernanda Takai possuía um livro em seu “currículo”, nunca havia procurado por ele, mesmo nutrindo um certo interesse. Ter um pouco mais de dinheiro no bolso e uma banquinha com itens do Pato Fu sendo vendidos em um dos shows da banda me motivaram a levá-lo para casa. Não esperava nada específico da obra que possui o bem-humorado nome de “Nunca subestime uma mulherzinha”, exceto, talvez, um pouco da doçura que a cantora imprime em suas performances ao vivo.

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O Escafandro e a Borboleta, Jean-Dominique Bauby

Quando você pegar “O Escafandro e a Borboleta” para ler, ignore as opiniões especializadas estampadas na orelha do livro, que classificam-no de uma forma que faz soar como se a obra fosse mais um desses títulos que tratam de superação e amor pela vida da forma mais piegas possível, fáceis de encontrar por aí. O conjunto de relatos do jornalista Jean-Dominique Bauby, porém, emociona de uma forma muito menos óbvia do que poderíamos esperar, mesmo tratando de um tema bastante delicado.

Lançado originalmente em 1997, na França, é a autobiografia do rapaz em questão, ex-editor chefe da revista Elle em seu país natal. O cara tinha o emprego dos sonhos, filhos que amava, a independência e liberdade que muitos almejam e nunca alcançam… seria apenas mais uma história de sucesso pessoal e profissional se não fosse a pedra no meio do caminho. Ela se materializou na forma de um ataque cardíaco quase fulminante que o prendeu no estado de locked-in syndrome, ou síndrome do encarceramento, quando o paciente tem pleno controle mental, mas não exerce nenhum domínio sobre seu corpo, e cuja recuperação total é praticamente impossível. Ele conta, nos mínimos detalhes, como passou a ser seu cotidiano a partir de então.

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