MIOLÃO • Literatura - Part 2
 

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Nunca Subestime Uma Mulherzinha, Fernanda Takai

Apesar de ter conhecimento de que Fernanda Takai possuía um livro em seu “currículo”, nunca havia procurado por ele, mesmo nutrindo um certo interesse. Ter um pouco mais de dinheiro no bolso e uma banquinha com itens do Pato Fu sendo vendidos em um dos shows da banda me motivaram a levá-lo para casa. Não esperava nada específico da obra que possui o bem-humorado nome de “Nunca subestime uma mulherzinha”, exceto, talvez, um pouco da doçura que a cantora imprime em suas performances ao vivo.

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O Escafandro e a Borboleta, Jean-Dominique Bauby

Quando você pegar “O Escafandro e a Borboleta” para ler, ignore as opiniões especializadas estampadas na orelha do livro, que classificam-no de uma forma que faz soar como se a obra fosse mais um desses títulos que tratam de superação e amor pela vida da forma mais piegas possível, fáceis de encontrar por aí. O conjunto de relatos do jornalista Jean-Dominique Bauby, porém, emociona de uma forma muito menos óbvia do que poderíamos esperar, mesmo tratando de um tema bastante delicado.

Lançado originalmente em 1997, na França, é a autobiografia do rapaz em questão, ex-editor chefe da revista Elle em seu país natal. O cara tinha o emprego dos sonhos, filhos que amava, a independência e liberdade que muitos almejam e nunca alcançam… seria apenas mais uma história de sucesso pessoal e profissional se não fosse a pedra no meio do caminho. Ela se materializou na forma de um ataque cardíaco quase fulminante que o prendeu no estado de locked-in syndrome, ou síndrome do encarceramento, quando o paciente tem pleno controle mental, mas não exerce nenhum domínio sobre seu corpo, e cuja recuperação total é praticamente impossível. Ele conta, nos mínimos detalhes, como passou a ser seu cotidiano a partir de então.

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Miso Soup, Ryu Murakami

No final do mês passado e por indicação de amigos, me deparei com “Miso Soup”, esse livro de capa nebulosa, vermelho sangue, com a imagem de uma moça em trajes orientais caminhando em meio a pequenas casas que remetem a templos de oração. Fazia meses que eu não tinha tempo de parar e realmente LER um livro; e férias são um ótimo período do ano justamente porque te permite respirar e se dedicar a fazer algo que deseja – mesmo que seja “só” assistir a um filme ou buscar alguma obra literária bacana.

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O Apanhador no Campo de Centeio 2?

Não é só o cinema que vira e mexe recebe sequencias desnecessárias: no mundo editorial isso é mais comum do que a gente imagina.

A empreitada da vez cabe a Fredrik Colting e seu improvável desejo de dar continuidade ao mega clássico O Apanhador no Campo de Centeio (meu livro preferido!) originalmente escrito por J.D. Salinger.

O texto de Salinger que é tido até hoje como um dos principais romances adolescentes, foi publicado pela primeira vez em 1951 e de lá pra cá se tornou um dos livros mais sinceros, cruéis e interessantes sobre o tema “crescer”. Narrado em primeira pessoa por Holden Caufield, um adolescente que detesta quase tudo e quase todos, o romance fala, entre outras coisas, sobre retidão, inocência e também sobre… Ah! Leiam vocês, caso não tenham lido ainda.

Na continuação, que recebeu o nome de 60 Anos Depois: Do Outro Lado do Campo de Centeio, Fredrik transforma Salinger, o autor, em personagem e foca num Holden Caulfield já idoso que foge de um asilo para tentar se encontrar com seu passado.

Embora a premissa pareça deveras interessante, a obra causa desconfiança e soa até mesmo oportunista, visto que Salinger morreu em janeiro desse ano.

Pessoalmente duvido muuuuuito que o novo livro tenha, sei lá, um centésimo da genialidade e honestidade da história original… Mesmo assim, pra quem se interessou, vale dizer que ele estará disponível nas lojas a partir de terça, dia 16/11/2010, graças a Verus Editora.

Eu leio, tu lês, nós lemos

Em homenagem ao Dia do Livro nós, desmiolados, indicaremos nossas obras preferidas. Vem, gente!

Renato Alves, Kitchen.
O livro que indico para comemorar a data já ganhou um post no Miolão anteriormente, mas merece ser relembrado sempre: Kitchen, de Banana Yoshimoto é um achado, muito inspirador. Composta por dois contos:  “Kitchen” e “Moonlight Shadow”. Ambos trazem, como protagonistas, moças jovens que habitam a capital japonesa e enfrentam situações similares, devido a perda de entes queridos. As duas, cada uma à sua maneira, buscam aquelas coisas da vida que nos fazem criar novo ânimo depois de uma queda brusca. A proposta é bem simples, mas o livro não economiza na sensibilidade e entrega uma obra completa, que você não sabe apontar um único motivo pra justificar o quanto é boa. Ela simplesmente é, por várias e incríveis sutilezas.

Sanny Sassi, Lolita.
Foi o primeiro livro que ganhei da minha mãe. Eu tinha 13 anos na época e achei a estória envolvente, intrigante e peculiar. Confesso que invejei Lolita por tantas sensações diferentes às quais ela fora exposta, com tamanha intensidade, e desejei estar em seu lugar diversas vezes. Tive meu Humbert Humbert, não de forma doentia como no livro, mas com intensidade suficiente para torná-lo uma experiência inesquecível, como este livro é para mim.

Thiago Dantas, Cotoco.
Foi difícil escolher um único livro preferido. Não é que eu leia muito (leio menos do que eu gostaria e bem menos do que eu deveria), mas é que sempre que eu leio me apego demais aos personagens. Foi o que aconteceu com Cotoco, de John van de Ruit. A personagem título é um garoto de 13 anos que se muda para um internato só de meninos em meados de 1990 e sofre pra caralho na mão dos colegas. Tendo como pano de fundo a África do Sul antes do Mandela assumir a presidencia, o livro é narrado em primeira pessoa e tem um clima ensolarado e inocente, como se a turma do filme Os Batutinhas tivesse crescido e ancorado no mais antigo continente. O motivo que me levou a escolha, mais do que qualquer outro, foi o efeito que a historinha de Cotoco conseguiu: eu ri, gargalhei e me emocionei numa época um pouquinho complicada da minha vida. Recomendo demais. Boníssimo!

E você, o que indica pra gente?

Carta a D., André Gorz


“Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.”

Um aviso para quem leu o trecho acima e não sentiu nada: Carta a D. não foi feito para você. Se bem que este aviso serve para todos. Carta a D. não foi escrito para ninguém. Ou melhor, Carta a D. foi feito para uma única pessoa: Dorine Keir, esposa do autor.

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Eat Pray Love

Vou confessar: “Comer Rezar Amar” é um dos meus grandes guilty pleasures. Sabe quando você gosta de algo, nem sempre admite por causa de algum de seus aspectos, mas se entrega à suas delícias mesmo assim?

Pois é: peguei o livro pra ler há tempos e embora não tenha terminado porque dei prioridade à outros, adorei o pouco que li. É um tipo de literatura agradável, confessional e envolvente, embora repleta de clichês meio “auto ajuda” e passagens melosas.  Não demorou pra que tivessem a idéia de adaptar a obra, um sucesso gigantesco do mercado editorial recente, para os cinemas: aqui no Brasil, ele estreou na última sexta-feira, mais de um mês após seu lançamento no exterior.

Pra quem não conhece a trama, um resuminho: trata-se da história real de Elizabeth Gilbert, jornalista/escritora insatisfeita com seu casamento que decide terminar tudo e, após o cansativo processo de separação, viaja para diferentes locais em busca de novos sentidos e rumos para a vida. Em sua jornada, ela se entrega aos prazeres gastronômicos da Itália, busca restaurar a sua fé na Índia e procura respostas para o crescimento interior em Bali, onde ainda arranja tempo para uns pretendentes…

Ok, é o tipo de “jornada pessoal” com todos os elementos que Hollywood adora, mais manjados do que cantar “Olhos Coloridos” da Sandra de Sá em eliminatória do “Ídolos”. Fiquei com um pé atrás nos 10 primeiros minutos de exibição, com receio de que houvessem emprestado um tom ainda maior de “chororô” para a história na tela grande. Esse medo, porém, se dissipou dez minutos após o inicio da projeção: é o suficiente pra você perceber que nas próximas duas horas, assistirá um filme que transita de forma leve (e previsível) pelas passagens descritas na sinopse. Deixei a desconfiança pra lá e me entreguei (de novo!) ao guilty pleasure.

Dirigido por Ryan Murphy (o cara por trás de Glee), “Eat Pray Love” é uma “dramédia” romântica competente, com um ótimo ritmo (apesar de perder o fôlego próximo do final) e que apela para o emocional de forma menos descarada do que eu imaginei que faria. Consegue equilibrar doses de humor charmoso com aquelas cenas onde são apresentadas situações que nos fazem questionar o que faríamos no lugar de Liz. Pode ser que na vida real os acontecimentos na vida de Gilbert não tenham rolado, convenhamos, de forma tão empolgante quanto vista aqui, mas a gente abstrai e, assistindo o filme, torce para que as coisas finalmente se tornem mais claras na cabeça da moça.

É também um pouco moralista em certos aspectos, mas analisar as mensagens pregadas por ele se torna uma tarefa dificil, considerando que na vida, cada um deve procurar aquilo que lhe traz satisfação da forma que achar melhor. Vish, isso pareceu muito “auto ajuda”? Vou tentar explicar melhor: você pode concordar com o que é mostrado na tela ou não, mas é fato que nada contido no filme pode ser considerado como “a resposta definitiva para todos os problemas que existem”. “Comer Rezar Amar” pode ser tratado como sendo até “inspirador”, mas acreditar que ele irá mudar sua vida – como alguns fãs, inclusive ilustres, tem dito sobre a obra original – penso, é forçar demais.

Outros pontos que merecem destaque são as suas lindíssimas e vivas locações, a bela fotografia e o elenco, onde cada um cumpre bem seu papel. Tenho um certo “travamento” com a Julia Roberts: era super seu fã antigamente, até perceber que ela sempre me deixa querendo algo mais. Manda bem, mas por vezes parece distante, didática demais em cena, tipo “vou fazer direitinho, mas sem grande envolvimento”. Javier Bardem é uma presença agradável: carismático, rouba a cena como o affair brasileiro de Elizabeth. Outro que merece destaque é Richard Jenkins, interpretando o sarcástico Richard que cruza o caminho da personagem com um segredo pessoal sombrio e buscando redenção. A ótima Viola Davis não teve chance de mostrar o quanto é boa, presa num papel que não lhe oferecia muitas possibilidades.

Aproveite que é domingo, renda-se a um “guilty pleasure” de fim de semana e assista “Comer Rezar Amar”, sem grandes pretensões. Tenha em mente o que irá encontrar na telona e você terá, no mínimo, alguns bons momentos de diversão. :)

ps. Antes de assistí-lo, almoce/jante bem. Senão vai “sofrer” muito com as cenas da Itália. Ok, é tudo tão tentador que você pode sofrer mesmo bem alimentado.

ps2: Diretores, produtores, amigos… música brasileira não é só “Samba da Benção”, ok? E ninguém aqui considera super comum ficar beijando os pais na boca. (!)

Eat Pray Love, Ryan Murphy, 2010.
Comer Rezar Amar. Com Julia Roberts, Javier Bardem, Viola Davis, James Franco, Richard Jenkins.

 

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