MIOLÃO • Mark Ronson - Part 2
 

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Cover: Since U Been Gone, Florence + The Machine

Não dá pra negar que Kelly Clarkson é um achado: fofa e com voz cheia de presença, a moça rompeu completamente o estigma de ex-participante de show de talentos e construiu uma carreira de respeito. “Since U Been Gone”, um dos singles extraídos de seu segundo disco, “Breakaway”, foi um grande sucesso: grudenta e cheia de uma fúria adolescente genérica, é daquelas músicas que não fazem feio nas FM’s. Ok, não é o suficiente pra se tornar marcante, mas isso é outra história…

O fato é que, em nosso Cover do Dia, Florence Welch, ou se preferir, Florence + The Machine dá uma nova cara para a faixa quase sem alterar sua forma: acompanhada de Mark Ronson (ele está em toda parte!?), a cantora apresenta sua releitura numa jam session entre amigos: sai a produção impecável de um hit redondinho e entra a crueza da ruiva, que grita, agita o ambiente e oferece a versão inusitada de uma música que agora já está convenhamos, mais do que saturada.

Vale pela despretensão e porque é sempre bom ver Florence se descabelar em suas ótimas performances. :)

Discos Essenciais: Back to Black, Amy Winehouse

É interessante ver como Amy Winehouse, em tão pouco tempo, se tornou inegavelmente – e merecidamente – um ícone da música contemporânea . Há alguns anos, Amy era somente mais uma cantora “promessa” que despontava na cena britânica, mas um título desses seria pouco para descrever essa personalidade, que deixou sua marca não apenas pelo reconhecido talento, mas pela sentimento que transmite em seus trabalho e por uma grande transparência. O Disco Essencial da vez no Miolão é “Back to Black”, o segundo álbum da carreira ainda curta, mas intensa, da moça que trouxe o bom gosto e a consistência da sonoridade de outrora para os holofotes outra vez.

É impossível analisar o trabalho de Amy sem deparar-se com aspectos de sua agitada vida pessoal. Tudo o que a cantora produz é intrínseco ao que vive e sente, e esse é um dos aspectos que tornam seus trabalhos tão admiráveis: seus pensamentos e reflexões são esmiuçados em desabafos honestíssimos, sem firulas, meias palavras ou auto-piedade.  Artistas que trazem esse desprendimento ao retratarem suas experiências são cada vez menos frequentes no mainstream e Amy provou que é possível injentar uma grande carga de realidade – e estilo próprio – às paradas de sucesso.

E também aos tablóides, claro. É um preço que se paga por ser um livro aberto: milimetricamente examinada pela mídia, nossa “heroína” aparece constantemente envolvida em embates públicos, situações fora do comum e escândalos relacionados a drogas e bebidas. A questão é que com Amy Winehouse, nada disso parece um simples artifício para permanecer sob o olhar do público e dos jornalistas – ela pouco está interessada nisso. A inglesa é verdadeiramente rock’n roll, fazendo tudo o que dá vontade e vivendo desesperadamente, como se fosse a última “selvagem” do showbuziness.

Sob  o olhar da maioria, tornou-se motivo de riso acima de qualquer outra coisa, injustamente. Esquecem que por trás de tantas excentricidades (nada forçadas) existe uma artista ávida por encontrar um escape e que somente opta pelas saídas mais prejudiciais a ela própria – mas que quando foca na sua própria arte, mostra que não tem pra ninguém.

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Music Monday: Candie Payne

Sabe quando você sempre esbarra com o nome de algum artista pela rede, mas nunca vai atrás de seu trabalho, mesmo quando desperta sua atenção? A coisa funcionou mais ou menos assim com a garota que eu apresento hoje no Music Monday: ela não é exatamente uma novidade – só no meu player mesmo :) – mas a apresento para quem não conhece, considerando que também não é exatamente muito popular e tem um trabalho lindo e bem feito.

Candie Payne é uma cantora inglesa que possui a essência dos anos 60 nas canções que grava: a mocinha, irmã de Sean Payne, baterista dos The Zutons e Howie Payne, da finada The Stands, lançou seu primeiro e único CD até o momento, “I Wish I Could Have Loved You More”, em 2007. O disco tem um clima quase cinematográfico: sabe aqueles filmes de investigação de antigamente, à la James Bond? Essa é a atmosfera que suas músicas evocam, como na imperdível faixa título (abaixo), em “In The Morning” e “By Tomorrow”. Tudo misterioso, sensual e bastante retrô.

Apesar desse tom predominante, a artista, com sua voz limpa e sem excessos, consegue trazer também uma boa dose de doçura para os que apreciam: “One More Chance”, um dos singles extraídos do álbum, é a prova perfeita disso. Produzida por Mark Ronson, ganhou um clipe que lembra antigos seriados policiais, com uma história de amor criminosa como pano de fundo. Veja:

Falando em Ronson, Payne acompanhou o produtor/DJ/cantor durante uma parte da turnê do disco “Version”, lançado pelo cara em 2007. Ela fazia os vocais de apoio em algumas faixas, incluindo “Oh My God”, que no disco de Mark foi interpretada por Lily Allen. Confira aqui uma performance de Candie em companhia do rapaz e também de Ricky Wilson, vocalista do Kaiser Chiefs (banda responsável pela versão original da canção) num especial de Natal de Jonathan Ross.

Não faça como eu, que demorei para escutar o seu som: ouça agora. Ponha uma de suas faixas pra tocar e seja envolvido pelo universo vintage de Candie Payne!

Cover: Just, Mark Ronson & Alex Greenwald

Presente no disco Version, de Mark Ronson, de 2007, Just é aquele tipo de música para ouvir e dançar sem culpa.

 Com vocais de Alex Greenwald, que em outros tempos já cantou e cantou “California, here we come/Right back where we started from… Californiaaaaa, here we come!” a frente do Phantom Planet, a música ganha tons incrivelmente pops e uma áurea cool graças a produção caprichada de Ronson. Imagem de Amostra do You Tube

Legal, né? Se você não lembra ou mesmo se nunca ouviu a original, vale dizer que essa pequena pérola é de autoria do Radiohead e faz parte do sensacional The Bends, de 1995.

MusicMonday: a profusão rítmica de Dan Black

Dan Black é outro cantor da safra de artistas britânicos talentosos e cheios de estilo que parece não parar de crescer. O cara, um dos integrantes da banda indie The Servant, que fez moderado sucesso na Europa há alguns anos e acabou em 2007, ganhou maior projeção em sua carreira solo arriscando uma sonoridade diferente daquela que seu antigo grupo possuía.

Black, que lançou seu debut, “UN”, no ano passado, se jogou numa mistura mais pop e abrangente: ele transita entre a música eletrônica, o r&b, o rap e o rock, criando um som urbano e charmoso, que possui pontos em comum com as fusões criativas de Mark Ronson ou Calvin Harris.

Em entrevista ao site de música The Couch Sessions, Dan explicou que essas junções sonoras são cada vez mais freqüentes e, pra ele, muito divertidas; seu trabalho simplesmente reflete essa tendência, de pegar o melhor das influências que absorve. Em suas experiências realizadas em estúdio, o cantor costumava mixar canções de artistas pouco similares, como The Smiths e Missy Elliott, para ver o resultado, quase sempre curioso.

Um dos singles do disco, “Symphonies”, serve como exemplo: construída tendo como base a música “Hypnotize”, do rapper Notorius Big e um trecho de “Umbrella”, sucesso da cantora Rihanna, a deliciosa balada de ar “espacial”, ganhou até uma nova versão posteriormente, com participação do rapper Kid Cudi. Seu ótimo clipe, que mostra Dan vivendo um amor cinematográfico, com diversas referências à Hollywood, pode ser visto abaixo:

Imagem de Amostra do You Tube

Ela é uma das melhores faixas de “UN”, que também conta com outros bons momentos, como “Yours”, a doce “Ecstasy”, “Let Go” e a simpática “Cocoon”. Dan conduz essa festa rítmica de forma vigorosa e empolgante, e nos convida a participar: não aceitar é quase impossível!

Mark Ronson lançará novo álbum em Maio

Segundo o NME.com, o produtor/DJ/cantor inglês Mark Ronson contará com as participações de Scissors Sisters, Santigold (ex-Santogold), Cathy Dennis, o rapper Pill e Miike Snow para seu próximo álbum, “The Business”, que tem previsão de lançamento para Maio/Junho de 2010.

O artista, que já produziu discos como o “Alright, Still” de Lily Allen e “Back To Black” de Amy Winehouse, disse que, diferente de seu último disco, “Versions”, inteiramente composto por covers de artistas como Coldplay, The Zutons e Britney Spears, seu terceiro trabalho trará apenas material inédito, composto por ele com a colaboração de alguns artistas que foram seus parceiros em lançamentos passados, como Nick Hodgson, da banda Kaiser Chiefs.

Ao longo de sua carreira, Mark também já trabalhou com a cantora Adele, Mos Def, Robbie Williams, Candy Payne, Maroon 5, Christina Aguilera, e muitos outros, tornando-se um dos produtores mais influentes da cena musical atual. Seu primeiro álbum, “Here Comes The Fuzz”, lançado em 2003, foi procedido pelo bem sucedido ”Version”, de onde saíram as conhecidas versões de “Valerie” dos The Zutons, com vocais de Amy Winehouse, “Oh My God” dos Kaiser Cheifs na voz de Lily Allen e “Stop Me”, cover de “Stop Me If You Think You’ve Heard This One Before”, dos The Smiths, cantada por Daniel Merriweather. A versão acústica dessa última você confere abaixo:

Corinne Bailey Rae lançará novo CD, “The Sea”, em Fevereiro!

Corinne Bailey Rae

Você provavelmente se lembra de Corinne Bailey Rae. A cantora inglesa estourou no mundo todo em 2006, com seus singles “Like a Star” e “Put Your Records On”, que por aqui foram até trilha sonora de novelas globais. O álbum homônimo, primeiro lançado pela cantora, vendeu quase quatro milhões de cópias e gerou outros dois singles. Quando sua turnê terminou, em meados de 2007, Corinne lançou-se no processo de produção do próximo álbum, compondo e criando canções que estariam no seu segundo disco.

Em Setembro de 2008, porém, o marido da cantora, Jason Rae, saxofonista que já havia tocado com Amy Winehouse, Mark Ronson e inclusive na banda que a acompanha em shows, faleceu devido à uma overdose acidental. Corinne disse recentemente, numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, que “viu a vida passar sem fazer nada por quase um ano” após a sua morte. Ela, sempre recatada, desapareceu da mídia e poucas novidades eram ouvidas a seu respeito.

Em Agosto de 2009, meses depois do ocorrido, Corinne, já mais estabelecida psicologicamente, retornou definitivamente ao processo de produção do álbum – e o seu título foi divulgado essa semana. “The Sea” (“O Mar”, em português) possuirá onze faixas nascidas antes e depois desse recesso, quando a artista sentia-se muito diferente de como estava antes.

Originalmente, esse seria apenas o título de uma das canções que, segundo Corinne, homenageava uma história de sua própria família, sobre seu avô que morreu num acidente de barco. Posteriormente, tornou-se o título do disco. Entre as outras canções, estarão “Are You Here?”, composta em homenagem a Jason, “I Would Like To Call It Beauty”, que fala sobre encontrar, de certa forma, beleza nas dificuldades e o primeiro single, “I’d Do It All Again” – música escrita depois de uma discussão que Corinne teve com o marido certa vez. Faixa que, depois de tanto tempo, torna-se ainda mais forte devido as circunstâncias.

Corinne apresentou-a recentemente em um programa de TV britânica. Confira a performance:

Imagem de Amostra do You Tube

O álbum será lançado no dia 01/02/2010 e já está em pré-venda na Amazon UK. Podemos esperar um disco com a mesma doçura de Corinne Bailey Rae, só que mais maduro e sombrio. Na entrevista, ela disse ainda: “O disco inteiro é sobre mágoa e perdas, mas também sobre esperança; sobre seguir adiante e encontrar essa beleza”. “The Sea” é o retorno merecido e esperado da artista.

 

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