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Mayer Hawthorne – How Do You Do

Vez ou outra aparecem por aí artistas que, com uma proposta bastante inovadora, pegam gêneros não tão populares e os revitalizam com características típicas de sua época injetando ânimo e um “quê” de novidade. Quando acertam a mão, eles conseguem criar verdadeiras obras-primas. Só citar alguns exemplos, foi isso que aconteceu quando os Strokes resolveram resgatar a crueza do rock’n'roll de garagem em This Is It ou quando Amy Winehouse mergulhou na tradição do blues e do soul para compor Back to Black, um dos álbuns mais legais das últimas décadas.

Esse não é o caso de Mayer Hawthorne.

O multinstrumentista, cantor, compositor e DJ de 32 anos, apresenta em How Do You Do, seu segundo álbum que saiu na gringa mês passado, uma visível vontade de fazer um som tal qual o feito no finzinho dos anos 70. Sem querer acrescentar toques modernosos, o musicista desfila em 12 faixas todo o charme da soul music setentista tendo como principal personagem um homem que se vê apaixonado e dependente.

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Discos Essenciais: Back to Black, Amy Winehouse

É interessante ver como Amy Winehouse, em tão pouco tempo, se tornou inegavelmente – e merecidamente – um ícone da música contemporânea . Há alguns anos, Amy era somente mais uma cantora “promessa” que despontava na cena britânica, mas um título desses seria pouco para descrever essa personalidade, que deixou sua marca não apenas pelo reconhecido talento, mas pela sentimento que transmite em seus trabalho e por uma grande transparência. O Disco Essencial da vez no Miolão é “Back to Black”, o segundo álbum da carreira ainda curta, mas intensa, da moça que trouxe o bom gosto e a consistência da sonoridade de outrora para os holofotes outra vez.

É impossível analisar o trabalho de Amy sem deparar-se com aspectos de sua agitada vida pessoal. Tudo o que a cantora produz é intrínseco ao que vive e sente, e esse é um dos aspectos que tornam seus trabalhos tão admiráveis: seus pensamentos e reflexões são esmiuçados em desabafos honestíssimos, sem firulas, meias palavras ou auto-piedade.  Artistas que trazem esse desprendimento ao retratarem suas experiências são cada vez menos frequentes no mainstream e Amy provou que é possível injentar uma grande carga de realidade – e estilo próprio – às paradas de sucesso.

E também aos tablóides, claro. É um preço que se paga por ser um livro aberto: milimetricamente examinada pela mídia, nossa “heroína” aparece constantemente envolvida em embates públicos, situações fora do comum e escândalos relacionados a drogas e bebidas. A questão é que com Amy Winehouse, nada disso parece um simples artifício para permanecer sob o olhar do público e dos jornalistas – ela pouco está interessada nisso. A inglesa é verdadeiramente rock’n roll, fazendo tudo o que dá vontade e vivendo desesperadamente, como se fosse a última “selvagem” do showbuziness.

Sob  o olhar da maioria, tornou-se motivo de riso acima de qualquer outra coisa, injustamente. Esquecem que por trás de tantas excentricidades (nada forçadas) existe uma artista ávida por encontrar um escape e que somente opta pelas saídas mais prejudiciais a ela própria – mas que quando foca na sua própria arte, mostra que não tem pra ninguém.

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O Subestimado Jamie Lidell

Ele teve seu debut eleito um dos melhores discos da década pela Pitchfork. Ano passado seu segundo disco ganhou o 8th Annual Independent Music Awards como melhor álbum pop/rock. Seu nome é Jamie Lidell e se você ainda não o conhece, guarde bem seu nome porque o futuro desse garoto promete.

Nascido em 1973 na Inglaterra, Jamie é esquisito, parece que vive sempre chapado e canta soul com uma desenvoltura que muitos invejariam. As letras sinceras e cativantes combinadas as ótimas melodias, remetem Jamie a grandes nomes do passado como Marvin Gaye e Otis Redding, ao mesmo tempo em que colocam Jamie numa bolha no tempo: sua música consegue trazer à tona vestígios de um som retrô e ainda soar absurdamente atual. Mais ou menos como se ele pegasse todas as (boas) influências e desse seu toque pessoal, sem se preocupar em homenagear nenhum mestre ou parecer moderninho.

Talvez esse vácuo no tempo e espaço somados a essa despretensão foram os principais responsáveis por manter Lidell quase que no anonimato. Seu principal êxito junto ao público foi emplacar a música “Multiply“, que dá nome à seu primeiro cd, à trilha de Grey’s Anatomy. No entanto, o quadro parece que vai mudar em breve quando Jamie lançar seu terceiro álbum: Compass, em 17 de maio. O disco contará com a participação de músicos renomados como Feist, Beck, Pat Sansone do Wilco, Nikka Costa e Chris Taylor dos Grizzly Bear.

A julgar pelo time de colaboradores, coisa boa vem por aí. Nenhuma música foi divulgada ainda, mas sabe-se que Compass trará 10 canções, todas escritas por Jamie em menos de um mês e algumas contaram com a ajuda da fofíssima Feist.

O resultado a gente ainda vai demorar um pouquinho pra conferir, mas por enquanto temos uma prévia com a faixa-título, Compass:

Mais sombria e intensa que o habitual, Compass assusta na primeira audição e embora seja diferente do que Lidell costuma retratar, a música é uma boa prévia de seu espírito inquieto e vivo.

Pra aguçar ainda mais a vontade, deixo para vocês o vídeo gravado ao vivo da deliciosa Where D’You Go?, de seu segundo disco intitulado Jim:

E aqui tem a música original:

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Para saber mais, acesse o MySpace do cara: http://www.myspace.com/jamielidell.

Relembrando: Motown

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, é importante relembrar o selo que mais impulsionou a música negra em toda sua trajetória até hoje. A Motown, criada em 1959, é um patrimônio da música mundial.

Motown_West Grand Boulevard

Tudo começou com um projeto modesto do empresário, músico e compositor Berry Gordy Jr, que queria apenas um pequeno espaço para criar sua própria gravadora.  Ao comprar a casa nº 2648 na West Grand Boulevard em Detroit, ele não esperava que seu plano iria atingir dimensões tão grandes. Mesmo batizando o lugar de Hitsville U.S.A. – ou “Vila de Hits dos Estados Unidos”, em tradução livre – era difícil acreditar, naquela época, que as coisas podiam dar tão certo.

A Motown Records, gravadora que ele estabeleceu no endereço, chamava-se, no início, “Tamla” e era administrada por Berry, seus pais, irmãos e esposa – mudando posteriormente seu nome para aquele que se tornaria tão conhecido por todos. O produtor lançou, com o passar dos anos e numa época onde a segregação era gigantesca, alguns dos artistas mais influentes na história essencial da música negra americana e a Motown estabeleceu-se também como um “selo” bastante forte: não apenas os cantores e bandas lançados por ele ganhavam prestígio e reconhecimento, mas seu nome era associado a uma nova identidade nas vertentes da black music, cheia de qualidade e bastante consistente.

Os artistas que faziam parte do selo criaram o padrão do “Som da Motown”, com sua música e estética. Depois que a primeira banda produzida pela gravadora foi lançada, a “The Miracles”, a gravadora foi responsável por lançar artistas que estouraram mundialmente, como Stevie Wonder, Marvin Gaye, James Brown, Diana Ross, The Temptations, The Supremes e o Jackson Five, com o ainda inexperiente – mas já talentoso – jovem Michael Jackson.

Confira algumas performances de artistas da Motown: nesses vídeos, está presente um pouco da essência que renovou a música mundial e está marcada na história.

http://www.youtube.com/watch?v=z6xkT7FMyTc – Barret Strong – Money (That’s What I Want)

http://www.youtube.com/watch?v=-nuEY6fQgzk  – The Marvelettes – Please Mr. Postman

http://www.youtube.com/watch?v=ltRwmgYEUr8  - The Temptations – “My Girl”

http://www.youtube.com/watch?v=uznukXk4eEc – The Supremes – “Where did our love go”

http://www.youtube.com/watch?v=MYx3BR2aJA4 – Jackson 5 – “ABC”

http://www.youtube.com/watch?v=jzPA-FrVu3I – Marvin Gaye – “What’s Going On”

O endereço na West Grand Boulevard, é, hoje em dia, um museu aberto para visitações, essencial para os apaixonados pelo rico legado da gravadora. Não é incomum ouvir comentários dizendo que o trabalho de alguns bons artistas da soul music, do blues, jazz e funk contemporâneo relembra os tempos áureos da Motown. É, inquestionávelmente, um selo que influenciou e forneceu a “cartilha” para que muitos artistas posteriores aquela época aprendessem com aqueles que foram visionários em sua arte.

Capa de coletânea lançada esse ano com os maiores sucessos da Motown. Na imagem, alguns dos artistas que foram lançados pelo selo, como Stevie Wonder e The Supremes.

Capa de coletânea lançada esse ano com os maiores sucessos da Motown. Na imagem, alguns dos artistas que foram lançados pelo selo, como Stevie Wonder e The Supremes.

 

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