MIOLÃO • Michael Cera
 

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Children’s Hospital

Vaidade. Quando não se vê além de si, fracassa em ver os outros e quando se fracassa nisso, fica o contrário de Bruce Willis em “O Sexto Sentido”. Você não vê pessoas vivas. A questão é: você é muito mais gata que o Bruce Willis.

O que você acaba de ler foi dito no início do quinto episódio da terceira temporada de Children’s Hospital.

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Scott Pilgrim Vs. The World

Não acompanhei a empolgação inicial ao redor de “Scott Pilgrim Contra o Mundo”; na verdade, o filme só me chamou a atenção quando o seu terceiro trailer oficial (e o primeiro que vi) foi disponibilizado na rede. Ao som de Invaders Must Die, do Prodigy, ele mostrava o nerd mor Michael Cera em meio a lutas mirabolantes, efeitos coloridíssimos que remetiam ao universo dos video-games 8bits e uma edição frenética: “épico”, como poderia ser definido no vocabulário de alguns personagens do filme. Foi difícil ficar imune.

Se o filme tivesse essa mesma energia, seria sensacional. Essa semana, eu pude conferir e ver se as duas horas do longa faziam jus aos dois minutos que me impressionaram tanto.

Assistir “Scott Pilgrim Contra o Mundo”, que estreou em nosso país depois de diversos adiamentos e, lamentavelmente, numa quantidade de salas limitadíssimas, é uma viagem que só pode ser encarada com desprendimento, para que a diversão seja maior. Esqueça as formalidades de alguns filmes de Hollywood, existentes tanto no conteúdo quanto na forma de contar uma história: a produção, baseada nos quadrinhos de Bryan Lee O’Malley, parece ter sido feita com toda a liberdade possível e inova nos recursos narrativos, unindo a linguagem cinematográfica, de quadrinhos e do mundo dos games de forma muito revigorante e original.

A trama (com ressalvas, bem semelhante a HQ) retrata os conflitos do personagem título, um jovem de vinte e dois anos, integrante de uma banda, que se vê às voltas com os problemas típicos de pessoas de sua idade: crises de auto-estima, a instabilidade do estilo de vida que leva e, claro, relacionamentos amorosos imprevisíveis, o aspecto que, no final das contas, motiva toda a trama. O rapaz se apaixona por Ramona Flowers, uma bela moça que muda a cor de seu cabelo toda semana e seus pensamentos num espaço de tempo ainda menor.

Antes de arriscar um relacionamento com Pilgrim, ela procurou o amor em outros lugares, e o passado corre atrás do casal de forma inusitada: para ficar com a garota, Scott terá que combater seus sete ex-namorados, dotados de personalidades e atributos diferentes, que transformarão a rotina do garoto numa disputa ferrenha pelo coração de sua musa juvenil.

“Scott Pilgrim” é um admirável trabalho de equipe. Tudo é tão bacana que não dá pra colocar os méritos só nas mãos do diretor Edgar Wright, um entusiasta da obra original, ou do roteirista Michael Bacall, que encheu a película de sacadas que nos fazem manter um sorrisinho no rosto o tempo todo:  a edição velocíssima (que pode confundir os mais desacostumado)s, os efeitos visuais e a trilha sonora original constante (essa, com faixas assinadas pelo cantor Beck) enchem os olhos e ouvidos, e tudo reunido cria uma pontinha de vontade de que todas aquelas cores, vozes em off e sons de chipmusic fossem realmente palpáveis em nosso cotidiano.

Se você alguma vez já gostou tanto de uma obra de ficção que desejou poder viver um pouco daquele mundo na realidade – tenha ele surgido de um livro, um game, um quadrinho, filme ou o que for – também irá adorar “Scott Pilgrim”. Essa vontade quase infantil é levada às últimas conseqüências na película, através da ótica do delicioso anti-herói, cujo maior encanto é o fato de parecer um garoto que poderia mora ao lado de nossa casa, ou daqueles com quem cruzamos todos os dias e nem sempre reparamos. Michael Cera foi a escolha perfeita para viver o desajeitado porém charmoso personagem, e todo o restante do elenco cativa, destacando a fofa Ellen Wong (Knives), Kieran Culkin (deliciosamente sarcástico na pele do Wallace, melhor amigo gay de Pilgrim) e Mary Elizabeth Winstead, que certamente virará musa de outros filmes depois de sua Ramona.  Vale citar ainda as participações menores, mas notáveis de nomes como Alison Pill, Jason Schartzman, Anna Kendrick e Chris Evans, que dão o brilho necessário aos seus personagens.

A fantasia de encarnar o protagonista de um jogo de ação pode soar um pouco infantil, mas a película em questão, longe de ser boba, agrada também o público mais velho por evocar uma dose de nostalgia: apesar de esperto e contemporâneo (como se não pudesse ter sido lançada há mais de 5 anos), “Scott Pilgrim” é permeado por um tom de diversão inocente, que em muito lembra as referências que o pessoal dos anos 80 e 90 absorvia culturalmente. A produção é cheia de homenagens à cultura pop e referências que tornam a tarefa de assisti-la ainda mais prazerosa.

O filme corresponde ao entusiasmo gerado ao seu redor, e é cedo demais para dizer se ela se tornará clássico ou referência em algum quesito para os anos seguintes. Fato é que pode não ser uma revolução, mas é sem dúvidas inovador e o mais importante, um dos filmes mais divertidos do ano. A vontade que dá quanto terminamos de vê-lo é poder ter um joystick na mão para apertar “continue”.

Scott Pilgrim Vs. The World. Edgar Wright, 2010.
Scott Pilgrim Contra o Mundo. Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Alison Pill, Ellen Wong, Chris Evans, Jason Schartzman, Anna Kendrick.

3 Momentos: Michael Cera

Há quem diga que bons atores são aqueles que conseguem interpretar qualquer tipo de personagem, se perdendo dentro deles até que seja impossível lembrar que o que é visto nas peças ou nos filmes se trata de pequenas mentiras. Meryl Streep é o maior exemplo disso: vê-la em papéis tão distintos quanto o da chefe Julia Child, em Julie & Julia; ou na pele da malvada Miranda, em O Diabo Veste Prada são ilustrações perfeitas para este ponto. Mas seria isso uma regra?

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As cenas e os temas (Parte 1)

É incrível como a música certa pode ressaltar a cena de um filme, e igualmente bom quando uma canção ganha um significado mais amplo ou novo quando inserida num contexto marcante. O Miolaoteam apresenta nesse post a primeira parte de uma lista de “uniões” perfeitas das telonas – imagens e músicas que envolvem, conhecidas ou não, que merecem ser conferidas. Veja só e opine: além das citadas, que outras cenas não poderiam ficar de fora?

ps. Gostariamos de ter colocado os links com os respectivos trechos para que você pudesse ver, mas nem todas as cenas foram encontradas disponíveis na Internet.

The Blower’s Daughter (Damien Rice) – Closer

Aqueles que foram assistir a “Closer – Perto Demais” no cinema se surpreenderam logo nos créditos iniciais. A cena de abertura, que mostra o encontro de Alice/Jane (Natalie Portman) e Daniel (Jude Law) permanece no imaginário de muitas pessoas devido à uma canção belíssima, de um cantor não muito conhecido até então: a inserção de “The Blower’s Daughter” na trilha sonora do filme apresentou Damien Rice ao público e caiu como uma luva em uma das tramas românticas (ou quase?) mais realistas dos últimos anos. A música fala sobre uma paixão avassaladora, angustiante até o final, quando, depois de alguns segundos em que a canção parece ter acabado, o cantor sussura: “…till I find somebody else…”. Comentário sarcástico, que de certa forma permeia toda a trama e os envolvimentos mostrados em “Closer”. Ouça.

Cat People (Putting Out Fire) – (David Bowie) – Bastárdos Inglórios

Sendo ou não fã de Bowie ou de Tarantino, é impossível não se arrepiar com essa cena, em que Shosanna, personagem de Melanie Laurent, veste-se para executar um plano definitivo em sua vida, que envolve seu cinema, vingança… e aquilo que sugere o nome da canção. Mais uma perfeita junção de música + imagens, freqüente nos trabalhos de Quentin: sua filmografia por si só geraria uma ótima lista de momentos antológicos. Ouça.

Hero (Regina Spektor) – (500) Dias Com Ela

(500) Dias com Ela é um filme sensacional, com uma trilha sonora à altura – foi torturante escolher apenas um momento e uma canção para ser representada nessa lista. Hero, da russa Regina Spektor torna ainda mais triste um dos diversos devaneios de Tom – o carismático Joseph Gordon-Levitt – que fantasia sobre como seria a realidade perfeita para o seu romance com Summer, vivida por Zooey Deschanel. É quase irônico ver os seus desejos indo por água abaixo enquanto Regina canta “I’m the hero of the story, don’t need to be saved”. Tom aprende que  “no one’s got it all”, como sugere a letra. O aperto no peito, pra quem está assistindo, é inevitável. Ouça.

Just Like Honey (The Jesus and Mary Chain) – Encontros e Desencontros

Sofia Coppola é outra diretora cuja música parece essencial no desenvolvimento de suas histórias. Depois de “As Virgens Suicidas”, ela lançou seu segundo filme, “Encontros e Desencontros”, sobre um ator de Hollywood decadente e a esposa de um fotógrafo que se encontram por acaso em Tóquio e percebem que algo novo está nascendo conforme vão se conhecendo melhor. A cena final do longa, embalada por uma das mais famosas canções de The Jesus and Mary Chain é tocante. A sensação é que você está lá, também envolvido por um abraço, pela saudade que os dois personagens já sentem um pelo outro… e pela beleza aterradora do Japão.  Ouça.

Both Sides Now (Joni Mitchell) – Simplesmente Amor

Essa música de Joni Mitchell, originalmente inserida no seu álbum “Clouds”, de 1969, aparece em nova roupagem na trilha sonora do filme “Simplesmente Amor”, embalando uma das melhores cenas que envolvem a personagem de Emma Thompson, uma mulher de meia-idade que descobre estar sendo traída pelo marido.  Na canção, Joni, fala sobre a importância de olhar para o lado bom e ruim das coisas, e é impossível não relacionar o discurso da cantora ao da dona de casa, que acaba de descobrir que seu relacionamento não é mais estável como parecia ser. Comparar a gravação original com essa versão, da própria Mitchell é um destaque por si só. Anos depois, a música parece ainda mais poderosa com os vocais carregados de experiência da americana. E viva Emma, que nos brinda com uma das cenas mais intensas do filme. Ouça.

Anyone Else But You (The Moldy Peaches) – Juno

Ellen Page, a atriz que interpreta Juno no filme escrito por Diablo Cody, foi quem sugeriu a inserção de canções do grupo The Moldy Peaches na história da adolescente espirituosa que engravida de seu namorado nerd. A própria canção tem um espírito jovem: é uma música simples – basicamente violão e voz – em que Kimya Dawson e Adam Green refletem sobre a relação torta e cheia de descobertas que estão vivendo. “We sure are cute for two ugly people. I don’t see what anyone can see in anyone else but you”, cantam. O dueto toca em alguns momentos importantes do filme, inclusive em uma cena que, quase no improviso, Ellen Page e Michael Cera interpretam a música que o Miolaoteam cita agora. Ouça.

Come Pick Me Up (Ryan Adams) – Elizabethtown

Na maleta de viagens de Claire Colburn, personagem de Kirsten Dunst em Elizabethtown, um dos discos do cantor Ryan Adams é presença constante, como aparece em algumas cenas do filme. Aqui, uma das músicas do cara serve como trilha para o começo do romance de Claire e Drew (Orlando Bloom), numa cena saborosíssima: é encantador ver os dois personagens, envolvidos por contextos tão diferentes, descobrindo as peculiaridades de suas personalidades aos poucos, conforme a agitação de um novo amor vai surgindo. “Come Pick Me Up” fala sobre sobre a empolgação típica do começo de um relacionamento e do desejo de escapar com alguém especial. Singelo. Ouça.

 

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