Existe entre os seres humanos: essa mania, essa vontade louca de categorizar tudo quanto é objeto que lhes cai nas mãos. Se um filme é diferente e não se encaixa em nenhum gênero, logo criamos uma gaveta nova aonde jogá-lo – ou simplesmente ignoramos sua existência. Se fôssemos obrigados a fazer isso com a exposição de Robert Wilson, diríamos que ela é uma “video-arte”. O erro, aqui, é que esse mesmo grupo de desinformados-arcaicos que insistem em nomear todas as obras, podem cometer o erro de perceber uma “video-arte” como algo enfadonho e estranho demais para ser compreendido. O que Wilson alcança com seu trabalho é exatamente o oposto.
Que Bob Wilson é um dos maiores diretores de teatro contemporâneo, não é surpresa pra ninguém. Ao longo das últimas décadas, construiu alguns dos espetáculos mais deslumbrantes e provocadores da cena teatral, consolidando sua reputação de artista de vanguarda, com linguagem própria e assinatura inconfundível. A surpresa da atual exposição é ver que o talento de Bob Wilson transcende, com folga e fôlego, os limites do palco. O atual trabalho revela um artista plástico, um performer igualmente inquieto, surpreendente e moderno” (Luciano Alarbase)
Em outras palavras: Wilson utilizou da mais moderna tecnologia para fotografar (fotografar?) artistas pops e famosos (entre outras coisas) e exibir essas imagens em telas eletrônicas, com cor e estética lindas. O mais impressionante é que, ao nos concentramos em cada um dos retratos, percebemos que eles não são apenas retratos: mas sim retratos em movimento com sons! Aí você se pergunta “ué, isso qualquer cinema tem”. A questão é que os video-portraits de Bob são… diferentes. Eles formam um movimento sutil, belo e gerador de ações surpreendentes. É inovador, tem força e coração, marca o espectador de tal forma que muitos filmes ótimos não o fazem.
Um rosto gigante sendo tomado pela frase “la solitude es una condition necessaire de la liberté”; Dita von Tesse semi-nua em um balanço; Isabella Rossellini vestida em cores infantis, num misto de marinheira e boneca. E, se tudo isso ainda não for suficiente para vos convencer do quão ótima a exposição é, fechamos com chave de ouro: Brad Pitt, na chuva, só de cueca, olhando diretamente para você.
Lindo não? A exposição vai ficar no Santander Cultural, em Porto Alegre, RS, até dia 5 de dezembro.




















