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Mayer Hawthorne – How Do You Do

Vez ou outra aparecem por aí artistas que, com uma proposta bastante inovadora, pegam gêneros não tão populares e os revitalizam com características típicas de sua época injetando ânimo e um “quê” de novidade. Quando acertam a mão, eles conseguem criar verdadeiras obras-primas. Só citar alguns exemplos, foi isso que aconteceu quando os Strokes resolveram resgatar a crueza do rock’n'roll de garagem em This Is It ou quando Amy Winehouse mergulhou na tradição do blues e do soul para compor Back to Black, um dos álbuns mais legais das últimas décadas.

Esse não é o caso de Mayer Hawthorne.

O multinstrumentista, cantor, compositor e DJ de 32 anos, apresenta em How Do You Do, seu segundo álbum que saiu na gringa mês passado, uma visível vontade de fazer um som tal qual o feito no finzinho dos anos 70. Sem querer acrescentar toques modernosos, o musicista desfila em 12 faixas todo o charme da soul music setentista tendo como principal personagem um homem que se vê apaixonado e dependente.

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Beyoncé – 4

Se me dissessem que 4, o quarto álbum de Beyoncé, lançado oficialmente no Brasil no último dia 28 de junho, era o trabalho de alguma cantora dos anos 90, eu iria cair fácinho, fácinho.

Indo na contramão do pop radiofônico que domina as paradas de hoje, Beyoncé lança um disco que não lembra em (quase) nada o estilo que a consagrou. Mais arriscado do que qualquer outro álbum de sua carreira, 4 foi pensado para ser um disco cujo tema principal fosse o amor. Sendo visivelmente influenciada por Jackson 5 (Love On Top), Mariah Carey (1+1) e boa parte da Motown em sua fase de ouro (I Care, Rather Die Young e I Miss You), Beyoncé costura em 12 faixas um universo passional e particular.

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Sample: Pack Up, Eliza Doolittle

É muito fácil gostar de Eliza Doolittle. Basta ouvir.

A inglesinha fã de Audrey Hepburn sempre esbanjou motivos para ser apreciada: cheia de carisma, estilo e uma queda pela música dos anos 50 e 60, Eliza conquista admiradores com sua música aparentemente simples e por investir numa onda mais… retrô.

E é exatamente por isso que a escolhemos hoje para protagonizar o primeiro post da nova sessão do Miolão: SAMPLE! Sabe aquela sensação que às vezes paira e você repete pra si mesmo “eu já ouvi isso em algum lugar!“? Provavelmente você já ouviu mesmo. Nem dá pra contar quantas músicas utilizam o recurso de samplear outras músicas para criarem melodias novas ou turbinarem suas gravações. De Black Eyed Peas a M.I.A., de Rihanna a Kanye West, muuuita gente já pegou “pedacinhos” de canções e transformou-os em outra coisa completamente diferente. E é isso que a gente quer com essa sessão: dissecar o que tem por trás dessas gravações.

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Cover: Valerie, Amy Winehouse

Sabe a Amy Winehouse? Não, não. Não tô falando daquela maluca que esquece as letras, cai no palco e cheira todas.

Tô falando da Amy Winehouse cantora. Aquela que lançou um dos discos mais incríveis da última década, que conquistou o respeito de toda classe artística e do público, que apaixonada disse que love is a losing game… Lembrou agora? Eu também.

E é essa Amy, a artista, que aparece em nosso cover de hoje. Interpretando Valerie, o grande hit dos semidesconhecidos Zutons, a cantora demonstra vivacidade ao iluminar a triste letra – que na versão funkeada de Amy de triste não tem nada – com sua potente voz. Winehouse canta como se a música fosse sua, como se a volta da mocinha do título dependensse de sua voz, como se não houvesse amanhã.

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Cover: My Girl, Pato Fu


A ideia que sustenta o Música de Brinquedo, último disco do Pato Fu, é simplesmente genial: gravar um álbum inteiro utilizando apenas instrumentos infantis ou que remetam ao universo lúdico das crianças.

O inusitado sempre aumenta as chances de erro, mas quando dá certo… Ah! Quando dá certo é tão tão tão bom que, imagino eu, deve dar um orgulho danado de executar e exibir esse tipo de trabalho.

Se você acha que eu tô exagerando, escute, por favor, My Girl (ou se você preferir a-música-do-filme-Meu-Primeiro-Amor) e tire suas próprias conclusões:

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Na canção original, lançada em 1964, na melhor fase da Motown pelo The Temptations, já havia meio que uma inocência natural, como se a música fosse um clássico instantâneo, como se ela já nascesse em sua versão definitiva, sem nenhuma brecha para que alguém fizesse algo diferente.

Até que o Pato Fu, usando um xilofone, um coro de crianças (no vídeo, elas foram substituídas por esses bonecos like Vila Sésamo) e outras bugigangas, captaram o mesmo espírito de inocência e conseguiram mesmo assim fazer algo bem diferente:

Diferente e genial.

Feliz dia das crianças, desmiolados!

Cover: I Want You, Madonna

Em comemoração ao aniversário de 52 anos da eterna Rainha do Pop, o cover de hoje é encabeçado pela própria.

I Want You
, que originalmente foi gravada em 1976 por Marvin Gaye nos áureos tempos da Motown, ganhou o toque de Madonna em 1995 numa versão atualizada e elegante produzida pelo Massive Attack para o disco Something to Remember – uma coletânea de baladas românticas. Vale destacar que os vocais de Madonna, antes cheio de maneirismos típicos dos anos 80, ganharam novas nuances e possibilidades por causa das aulas de canto que a cantora fez para o filme Evita.

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Relembrando: Motown

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, é importante relembrar o selo que mais impulsionou a música negra em toda sua trajetória até hoje. A Motown, criada em 1959, é um patrimônio da música mundial.

Motown_West Grand Boulevard

Tudo começou com um projeto modesto do empresário, músico e compositor Berry Gordy Jr, que queria apenas um pequeno espaço para criar sua própria gravadora.  Ao comprar a casa nº 2648 na West Grand Boulevard em Detroit, ele não esperava que seu plano iria atingir dimensões tão grandes. Mesmo batizando o lugar de Hitsville U.S.A. – ou “Vila de Hits dos Estados Unidos”, em tradução livre – era difícil acreditar, naquela época, que as coisas podiam dar tão certo.

A Motown Records, gravadora que ele estabeleceu no endereço, chamava-se, no início, “Tamla” e era administrada por Berry, seus pais, irmãos e esposa – mudando posteriormente seu nome para aquele que se tornaria tão conhecido por todos. O produtor lançou, com o passar dos anos e numa época onde a segregação era gigantesca, alguns dos artistas mais influentes na história essencial da música negra americana e a Motown estabeleceu-se também como um “selo” bastante forte: não apenas os cantores e bandas lançados por ele ganhavam prestígio e reconhecimento, mas seu nome era associado a uma nova identidade nas vertentes da black music, cheia de qualidade e bastante consistente.

Os artistas que faziam parte do selo criaram o padrão do “Som da Motown”, com sua música e estética. Depois que a primeira banda produzida pela gravadora foi lançada, a “The Miracles”, a gravadora foi responsável por lançar artistas que estouraram mundialmente, como Stevie Wonder, Marvin Gaye, James Brown, Diana Ross, The Temptations, The Supremes e o Jackson Five, com o ainda inexperiente – mas já talentoso – jovem Michael Jackson.

Confira algumas performances de artistas da Motown: nesses vídeos, está presente um pouco da essência que renovou a música mundial e está marcada na história.

http://www.youtube.com/watch?v=z6xkT7FMyTc – Barret Strong – Money (That’s What I Want)

http://www.youtube.com/watch?v=-nuEY6fQgzk  – The Marvelettes – Please Mr. Postman

http://www.youtube.com/watch?v=ltRwmgYEUr8  - The Temptations – “My Girl”

http://www.youtube.com/watch?v=uznukXk4eEc – The Supremes – “Where did our love go”

http://www.youtube.com/watch?v=MYx3BR2aJA4 – Jackson 5 – “ABC”

http://www.youtube.com/watch?v=jzPA-FrVu3I – Marvin Gaye – “What’s Going On”

O endereço na West Grand Boulevard, é, hoje em dia, um museu aberto para visitações, essencial para os apaixonados pelo rico legado da gravadora. Não é incomum ouvir comentários dizendo que o trabalho de alguns bons artistas da soul music, do blues, jazz e funk contemporâneo relembra os tempos áureos da Motown. É, inquestionávelmente, um selo que influenciou e forneceu a “cartilha” para que muitos artistas posteriores aquela época aprendessem com aqueles que foram visionários em sua arte.

Capa de coletânea lançada esse ano com os maiores sucessos da Motown. Na imagem, alguns dos artistas que foram lançados pelo selo, como Stevie Wonder e The Supremes.

Capa de coletânea lançada esse ano com os maiores sucessos da Motown. Na imagem, alguns dos artistas que foram lançados pelo selo, como Stevie Wonder e The Supremes.

 

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