MIOLÃO • Natalie Portman - Part 2
 

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Morreu na praia: quem deveria ter sido indicado ao Oscar 2011 e não foi

Há pouco mais de um mês, para ser preciso em 25 de janeiro desse ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou os indicados ao prêmio mais cobiçado do cinema. Engana-se quem pensa que a tal “corrida do Oscar” só começou neste dia. Muito antes disso, as distribuidoras começaram campanhas para que seus filmes e estrelas ganhassem uma indicação.

A gigante Warner Bros. lançou em dezembro do ano passado o site For Your Consideration que visava aumentar o buzz dos filmes em que eles acreditavam merecerem uma atenção especial. A prática do “for your consideration” é bastante comum na terra do Tio Sam. As revistas especializadas em cinema recebem dúzias de anúncios desse tipo – inclusive, nesse ano, houve uma polêmica das grossas quando Melissa Leo tirou do bolso uma grana para colocar em prática sua campanha (mas isso é outra história). O fato é que os reclames por consideração são uma prática comum, mas, outra vez, vale dizer que as campanhas em torno dos filmes são começadas bem antes. Muito antes.

As produções fazem seus nomes nos grandes festivais, com estreias luxuosas, tapetes vermelhos e muita expectativa. Se um filme for mal no circuito Berlim – Veneza – Cannes – Sundance ele dificilmente terá chance no Globo de Ouro ou no Oscar. Só que às vezes mesmo os filmes com melhor recepção e/ou grandes expectativas acabam ficando de fora da disputa. Querem exemplos? Lá vai!

Clint Eastwood, por Além da Vida.

Pode perguntar para qualquer cinéfilo que ele vai confirmar: em ano que Dirty Harry lança filme, ele é uma aposta certeira (e normalmente segura) para figurar entre os favoritos do Oscar. E, como era de se esperar, o burburinho em torno de Hereafter começou instantaneamente. Lidando com um tema obscuro e atual (vida após a morte) e contando com um elenco de peso (Matt Damon, cada vez mais respeitado e Bryce Dallas Howard, a eterna promessa que não se cumpriu) era meio óbvio que ele fosse apontado como um forte candidato ainda em sua pré-produção. Só que no fim das contas a crítica se dividiu e o tema espiritualizado foi completamente desprezado – aliás, quase que completamente: a única indicação do filme na cerimônia desse ano é a de Melhor Efeitos Visuais.

Christopher Nolan, A Origem.

Nolan é outro que bateu na trave. Mas na trave MESMO. O diretor que conseguiu a façanha de equilibrar num mesmo filme a adoração do público e da crítica foi esquecido (eu diria até desprezado) por aquele que muitos acreditam que é sua obra-prima. E a sua indicação era bem mais certa que a de Eastwood, uma vez que ele era não só um candidato em potencial, mas também um dos favoritos ao prêmio que sobreviveu a crítica. O curioso é que o filme em questão recebeu OITO indicações, incluindo Melhor Filme. Vai entender… acho que pensam que A Origem se dirigiu sozinho, sei lá.

Leonardo DiCaprio, A Origem/Ilha do Medo.

E o que dizer de Leonardo DiCaprio? Entregando duas das melhores interpretações do ano o ator não foi lembrado nem no Globo de Ouro (que normalmente o ama!). Mas tudo bem, a gente não pode nem reclamar… Afinal, os 5 indicados finais mandaram muito bem. Certo?

Robert Duvall, Get Low.

O veterano Robert Duvval é outro que tinha tudo para emplacar sua indicação: é adorado pelos colegas de profissão e colheu algumas das melhores críticas do ano por seu desempenho… Só que, vocês sabem, performance não é a única coisa a ser avaliada, né? O tipo de filme em que o ator está inserido também conta pontos. E como Get Low não tinha chance em nenhuma outra categoria, o cara ficou a ver navios…

Halle Berry, Frankie & Alice.

Foi mais ou menos o que aconteceu com Duvall que ocorreu com Halle Berry: a atriz foi prejudicada pelo filme. A produção de pequeno orçamento foi meio criticada por parecer um filme televisivo e Berry pareceu o único elemento a sair ileso dos comentários negativos. A moça, que via sua carreira decair cada vez mais depois de receber a estatueta dourada por A Última Ceia, enxergou nos papéis títulos de seu último filme a chance que precisava para voltar aos holofotes. Ela acreditava tanto na indicação que segurou a estreia do filme por mais de um ano só para ele poder concorrer ao Oscar de 2011. O erro de Halle foi lançar o filme em um dos anos mais competitivos dos últimos tempos. Pra não dizer que todo esforço foi pelo ralo, a mocinha conseguiu ao menos uma indicaçãozinha ao Globo de Ouro… Já é alguma coisa, certo?

Naomi Watts, Jogos de Poder.

Se o motivo da “desclassificação” de Halle é fácil de ser apontado, o mesmo não ocorre com Naomi. Fair Game tinha tudo para ir bem em todas as categorias: elenco famoso e competente, roteiro atual (bastidores da guerra do Oriente Médio) e uma boa recepção (no Meta Critic tá com 69 pontos). Dá até raiva ver Watts morrendo na praia de novo! Tão competente a atriz…

Hilary Swank, Conviction.

O boom em torno do nome de Hilary foi diminuindo cada vez mais a medida que o buzz das concorrentes crescia. Quando a atriz pareceu ser quase carta fora do baralho, eis que o jogo muda e ela volta a ter chances: a indicação ao prêmio de melhor atriz no Screen Guild Actors foi o suficiente para que voltassem as atenções ao trabalho da moça, mas não o suficiente para manter seu nome entre as 5 finalistas… Acho que, no fim das contas, cansaram do embate Swank x Benning. Hahaha!

Mila Kunis, Cisne Negro.

Saindo um pouco da categoria principal, vamos falar da ausência que deixou todo mundo chocado: Mila Kunis. A garota, que fez fama na TV e participou de produções duvidosas, compôs com maestria a antagonista de Natalie Portman em Cisne Negro. Sexy e vibrante, a performance de Mila preenchia cada cena em que aparecia e sua indicação era certeira – a ponto de fazer com que a veterana Barbara Hershey fosse ofuscada. Então por que nada de Mila no Oscar? Eu explico. Os acadêmicos, muito espertos, emplacaram a indicação de  Hailee Steinfeld, PROTAGONISTA de Bravura Indômita, como coadjuvante – porque só assim uma novata de 14 anos seria indicada em um ano tão competitivo. O resultado disso foi Mila perder a vaga. Ai, ai… duvido que ela tenha outra chance assim.

Andrew Garfield, A Rede Social.

Outra ausência que ninguém entendeu foi Andrew Garfield, quase perfeito na composição de sua personagem em A Rede Social. O ator que é a bola da vez em Hollywood era o favorito para VENCER o prêmio. O novo Homem-Aranha perdeu sua vaga. Culpem John Hawkes por sua indicação por Inverno na Alma.

Outras injustiças além dos citados foram Aaron Eckhart e Ryan Gosling ficarem de fora – respectivamente por Reencontrando a Felicidade e Namorados Para Sempre -: vamos admitir que o desempenho de Nicole Kidman e Michelle Williams não seriam os mesmos sem contrapontos masculinos tão talentosos. E, claro, Wagner Moura ser ignorado na categoria de ator principal não foi nenhuma surpresa… mas o sentimento de que alguma coisa esteve errado foi grande, visto que o ator esteve indefectível em Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro –mas nesse caso, nem vamos falar muito, ele não tinha a mínima chance porque ninguém lá de fora viu o filme…

Não Me Abandone Jamais não ser mencionado em NENHUMA categoria (nem mesmo a de trilha sonora e roteiro adaptado!) foi chocante.

Bom, depois de tanta bola fora antes mesmo da cerimônia acontecer, vamos ver logo mais à noite se eles vão ser, pelo menos, justos com os que foram indicados. ;]

Os Pôsteres Não Mentem

Quantas vezes você já não foi ludibriado por um pôster de cinema do caralho que propagava um filme meia boca? Às vezes a obra em questão nem é ruim, mas eles vendem uma outra ideia que não tem nada a ver com as histórias. É ou não é?
Pensando nisso, o site The Shiznit confeccionou cartazes bem divertidos sobre os 10 filmes indicados ao Oscar. Se liga só:

127 Horas (127 Hours)
“Você terá que esperar 85 minutos para a cena em que ele corta seu próprio braço.” Continue lendo →

Globo de Ouro 2011: Óbvio e Justo?

Uma prévia pro Oscar. Há anos o Globo de Ouro é vendido assim. Porém, nos últimos tempos, os resultados entre as duas premiações tem divergido tanto que a afirmação aí de cima tem ficado cada vez mais longe da realidade. Mas em 2011 a coisa muda de cenário. Ou regressa a ele. Tudo porque os possíveis indicados a maior premiação do cinema tem chances iguais de vencer o prêmio. Não há nenhuma – ou quase nenhuma – unanimidade. E se querem mesmo saber isso é ótimo.

A festa que rolou ontem na California fez com que toda e qualquer aposta fosse revista. A Rede Social, grande vencedor da noite, confirmou seu favoritismo com nada mais nada menos que 4 prêmios. Esquecendo por um momento toda essa história, vamos tentar responder a pergunta que realmente interessa: foi justo? Meu favorito venceu?

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Em DVD: setembro

September, september! O mês do amor! Um sol lindo nascendo cada dia um pouquinho mais cedo no nosso horizonte, as flores desabrochando e as cidades ficando coloridas novamente. É, eu sei. Nauseante. Para diminuir um pouco essa glicose que toma conta da atmosfera em setembro, vão aí embaixo algumas dicas de bons filmes (ou nem tanto).

O Triste - Lembranças (Remember Me, 2010)

Com o ídolo das massas pré-adolescentes femininas, Sr. Robert Pattinson, Lembranças pretende ser cult, descolado e profundo. Obteve um sucesso bem razoável – bem provavelmente, por causa do seu elenco masculino e não pela qualidade da produção em si -, mas não consegue alcançar um lugar marcante em meio a todos esses dramas mais “moderninhos”. Tem seus momentos bons – ok, alguns realmente muito bons! Tem frases marcantes, um final (que poderia ter sido) muito, muito bom e personagens legais. Atenção especial para a personagem de Ruby Jerins, a caçula, que consegue ser objeto para um dos circos midiáticos atuais (o bullyng) e, ao mesmo tempo, ser cativante e doce. E tem também uma sequência de montagem – por que não? – fo-da, capaz de prender a atenção durante alguns minutos e provocar agonia mesmo em quem não se identificou tanto assim com os personagens. Os mais românticos talvez sintam uma empatia suprema com o casalzinho e aí, se esse for seu caso, Lembranças pode acabar sendo o filme da sua vida. Da sua, não da minha.

(ah, quase esqueço: e tem o Pierce Brosnan q-)

O Ruim – Armadilhas do Amor (Serious Moonlight, 2009)

Aqueles que não suportam comédias  românticas superficiais e efêmeras, não correm risco – o título já espanta qualquer possibilidade. Agora, aqueles que adoram um filme fútil, fácil e previsível, por favor, não se deixem enganar pelo título. Armadilhas do Amor é ruim, ruim, ruim! A trama é incrivelmente previsível, as piadas e as situações forçadas ao extremo não têm a menor graça, o casal é chato, Meg Ryan é chata, até a loirinha água com açúcar Kristen Bell (a Veronica Mars) consegue ficar chata no papel da amante – um dos estereótipos com mais potencial para diversão de toda a história do cinema, ficando atrás somente das prostituas (oi?). Ah, e como se não bastasse o filme inteiro ser morno e nojentinho e sem graça, o final, ainda por cima, é horroroso. Não vale nem os seus 84 preciosos minutos, quanto mais R$5,00.

O Romântico – NY, Eu Te Amo (NY, I Love You, 2009)

Para quem não está satisfeito com o clima primaverível de setembro e quer mais – seeeempre mais! –  NY, Eu Te Amo é um filme lindo. Ele é parte de uma coleção maior que começou com Paris, Te Amo e que pretende fazer esse panorama cinematográfico de várias cidades ao redor do mundo. Assim como seu antecessor, o longa é uma combinação de várias histórias menores, com vários diretores e vááárias estrelas. Entre os nomes mais popzinhos estão Orlando Bloom, Kevin Bacon, Ethan Hawke, Andy Garcia, Blake Lively, Rachel Bilson, Christina Ricci e a maravilhosa Natalie Portman – que além de estrelar também dirige (!) um dos curtas. Todas as histórias se passam em Nova York e, de um jeito ou de outro, falam sobre amor. Contudo, cada história é única, ligada a outra por um fio invisível da montagem e o resultado final é incrivelmente maravilhoso.

(a franquia se chama “Cities of Love” e já está programado para 2011 “Rio, Eu Te Amo”, né).

O Muito Foda – Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009)

Não é lançamento, não é novidade e não deveria estar aqui. Mas eu gosto. E se você ainda não viu, essa é a hora. É Quentin Tarantino numa mega-produção e não há jeito melhor de comemorar setembro do que com Brad Pitt arrancando o couro cabeludo de nazistas.

Observações de utilidade pública: para aqueles mais cults e que apreciam DVDs e bons clássicos – ou só bons filmes antigos que nem são tão clássicos assim – fiquem ligados na distribuidora maranhense Lume Filmes. Ela tem lançado no mercadão, com uma ótima qualidade, títulos inéditos no Brasil essenciais nas prateleiras dos cinéfilos de vanguarda e que, em sua maioria, são pu** difíceis de conseguir – mesmo pela internet. E ninguém nos pagou pra escrever isso. :)

Vem Aí: Machete, Black Swan e Never Let Me Go

Essa semana, do outro lado do Atlântico, acontece o 67º Festival de Cinema de Veneza, em Veneza (né). No meio de tantos filmes alternativos, orientais e italianos, dois títulos se sobressaem na minha profunda análise populista: “Machete” e “Black Swan”.

Imagem de Amostra do You Tube

Alguém aqui ainda lembra de “Planeta Terror”? De Robert Rodriguez, o filme fez o maior auê quando foi lançado em 2007 na “Grindhouse” com Quentin Tarantino e o seu “À Prova de Morte” – que só chegou no quintal Brasileiro mês passado, vaias pra PlayArte. “Planeta Terror” foi um filme lindo: uma moça sensual que no lugar da perna tinha uma metralhadora, muito sangue, muitos carros, muitas perseguições e muitos tiros. “Machete” aparenta seguir o mesmo estilo – só que dessa vez com mexicanos. O elenco chefiado por Robert De Niro – e Danny Trejo – estrela também Srta. Michelle Rodriguez, Srta. Jessica Alba e conta com a participação maisdoque especial da desfigurada mais queridinha da América, Lindsay Lohan! Não podemos perder.

Imagem de Amostra do You Tube

Nesse mesmo Festival (ainda Veneza), estreou “Black Swan” – já citado aqui no Miolão. O diretor com o nome muito difícil de pronunciar, Darren Aronofsky, dirige a linda Natalie Portman nesse thriller psicológico que, aparentemente, vai ser muito obscuro e alternativo. Ms. Portman vai dançar ballet, enfrentar assombrações especulares e beijar a super sexye Mila Kunis.

Imagem de Amostra do You Tube

Já no Canadá, no Festival de Toronto, será a premiere de “Never Let Me Go”. Com Keira Knightley, Carey Mulligan e Andrew Garfield (o novo Homem-Aranha), acho que esse vai ser meu mais novo filme preferido. O lançamento comercial, no Reino Unido, vai ser só em Janeiro de 2011. No Brasil… nem Deus sabe.

Resumo da Semana: Meteoro da Paixão, Beijo lésbico, pão de queijo …

Essa semana teve Valesca Popozuda (1) equilibrando copo no popozão, casamento dos os astros de True Blood: Anna paquin e Stephen Moyer (2), Mariah Carey (3) no Brasil: com direito a churrasco, pão de queijo e show em Barretos vestida de princesa,  Dado  Dolabella(4) acusado novamente de agressão , Britney Spears (5) gravando participação em Glee, beijo lésbico da Natalie Portman ( 6) no trailer do filme Black Swan e o Meteoro da Paixão [a.k.a Luan Santana] (7) afirmando que “é homem demais”.

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As cenas e os temas (Parte 1)

É incrível como a música certa pode ressaltar a cena de um filme, e igualmente bom quando uma canção ganha um significado mais amplo ou novo quando inserida num contexto marcante. O Miolaoteam apresenta nesse post a primeira parte de uma lista de “uniões” perfeitas das telonas – imagens e músicas que envolvem, conhecidas ou não, que merecem ser conferidas. Veja só e opine: além das citadas, que outras cenas não poderiam ficar de fora?

ps. Gostariamos de ter colocado os links com os respectivos trechos para que você pudesse ver, mas nem todas as cenas foram encontradas disponíveis na Internet.

The Blower’s Daughter (Damien Rice) – Closer

Aqueles que foram assistir a “Closer – Perto Demais” no cinema se surpreenderam logo nos créditos iniciais. A cena de abertura, que mostra o encontro de Alice/Jane (Natalie Portman) e Daniel (Jude Law) permanece no imaginário de muitas pessoas devido à uma canção belíssima, de um cantor não muito conhecido até então: a inserção de “The Blower’s Daughter” na trilha sonora do filme apresentou Damien Rice ao público e caiu como uma luva em uma das tramas românticas (ou quase?) mais realistas dos últimos anos. A música fala sobre uma paixão avassaladora, angustiante até o final, quando, depois de alguns segundos em que a canção parece ter acabado, o cantor sussura: “…till I find somebody else…”. Comentário sarcástico, que de certa forma permeia toda a trama e os envolvimentos mostrados em “Closer”. Ouça.

Cat People (Putting Out Fire) – (David Bowie) – Bastárdos Inglórios

Sendo ou não fã de Bowie ou de Tarantino, é impossível não se arrepiar com essa cena, em que Shosanna, personagem de Melanie Laurent, veste-se para executar um plano definitivo em sua vida, que envolve seu cinema, vingança… e aquilo que sugere o nome da canção. Mais uma perfeita junção de música + imagens, freqüente nos trabalhos de Quentin: sua filmografia por si só geraria uma ótima lista de momentos antológicos. Ouça.

Hero (Regina Spektor) – (500) Dias Com Ela

(500) Dias com Ela é um filme sensacional, com uma trilha sonora à altura – foi torturante escolher apenas um momento e uma canção para ser representada nessa lista. Hero, da russa Regina Spektor torna ainda mais triste um dos diversos devaneios de Tom – o carismático Joseph Gordon-Levitt – que fantasia sobre como seria a realidade perfeita para o seu romance com Summer, vivida por Zooey Deschanel. É quase irônico ver os seus desejos indo por água abaixo enquanto Regina canta “I’m the hero of the story, don’t need to be saved”. Tom aprende que  “no one’s got it all”, como sugere a letra. O aperto no peito, pra quem está assistindo, é inevitável. Ouça.

Just Like Honey (The Jesus and Mary Chain) – Encontros e Desencontros

Sofia Coppola é outra diretora cuja música parece essencial no desenvolvimento de suas histórias. Depois de “As Virgens Suicidas”, ela lançou seu segundo filme, “Encontros e Desencontros”, sobre um ator de Hollywood decadente e a esposa de um fotógrafo que se encontram por acaso em Tóquio e percebem que algo novo está nascendo conforme vão se conhecendo melhor. A cena final do longa, embalada por uma das mais famosas canções de The Jesus and Mary Chain é tocante. A sensação é que você está lá, também envolvido por um abraço, pela saudade que os dois personagens já sentem um pelo outro… e pela beleza aterradora do Japão.  Ouça.

Both Sides Now (Joni Mitchell) – Simplesmente Amor

Essa música de Joni Mitchell, originalmente inserida no seu álbum “Clouds”, de 1969, aparece em nova roupagem na trilha sonora do filme “Simplesmente Amor”, embalando uma das melhores cenas que envolvem a personagem de Emma Thompson, uma mulher de meia-idade que descobre estar sendo traída pelo marido.  Na canção, Joni, fala sobre a importância de olhar para o lado bom e ruim das coisas, e é impossível não relacionar o discurso da cantora ao da dona de casa, que acaba de descobrir que seu relacionamento não é mais estável como parecia ser. Comparar a gravação original com essa versão, da própria Mitchell é um destaque por si só. Anos depois, a música parece ainda mais poderosa com os vocais carregados de experiência da americana. E viva Emma, que nos brinda com uma das cenas mais intensas do filme. Ouça.

Anyone Else But You (The Moldy Peaches) – Juno

Ellen Page, a atriz que interpreta Juno no filme escrito por Diablo Cody, foi quem sugeriu a inserção de canções do grupo The Moldy Peaches na história da adolescente espirituosa que engravida de seu namorado nerd. A própria canção tem um espírito jovem: é uma música simples – basicamente violão e voz – em que Kimya Dawson e Adam Green refletem sobre a relação torta e cheia de descobertas que estão vivendo. “We sure are cute for two ugly people. I don’t see what anyone can see in anyone else but you”, cantam. O dueto toca em alguns momentos importantes do filme, inclusive em uma cena que, quase no improviso, Ellen Page e Michael Cera interpretam a música que o Miolaoteam cita agora. Ouça.

Come Pick Me Up (Ryan Adams) – Elizabethtown

Na maleta de viagens de Claire Colburn, personagem de Kirsten Dunst em Elizabethtown, um dos discos do cantor Ryan Adams é presença constante, como aparece em algumas cenas do filme. Aqui, uma das músicas do cara serve como trilha para o começo do romance de Claire e Drew (Orlando Bloom), numa cena saborosíssima: é encantador ver os dois personagens, envolvidos por contextos tão diferentes, descobrindo as peculiaridades de suas personalidades aos poucos, conforme a agitação de um novo amor vai surgindo. “Come Pick Me Up” fala sobre sobre a empolgação típica do começo de um relacionamento e do desejo de escapar com alguém especial. Singelo. Ouça.

 

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