MIOLÃO • Natasha Khan
 

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Cover: Use Somebody, Bat for Lashes

Lançada no final de 2008, “Use Somebody”, faixa do quarto disco da banda “Kings of Leon” é uma balada rock que soa desesperadamente romântica sem ser nem de longe piegas. Os vocais rasgados de Caleb Followill acentuam o tom urgente da faixa, uma espécie de relato sobre a necessidade de “alimentar-se” de alguém para compreender melhor o mundo ao redor, que é desprezado pelo rapaz.

Natasha Khan, a talentosa Bat For Lashes, resolveu gravar sua versão da música para a BBC 1 Radio. A moça, que envolve suas canções próprias com um ar onírico faz o mesmo com o hit do grupo: ele aparece mais sereno, igualmente envolvente e com um tom quase místico. A voz super característica de Khan também é um destaque por si só.

Ouça e relembre essa ótima interpretação no Cover do Dia. ;)

#Miolão Especial: Quando elas cantam…

Para o Dia Internacional da Mulher, o Miolão indica algumas canções que se encaixam perfeitamente na temática e valem ser ouvidas pelo conteúdo, pelo talento de suas criadoras – ou intérpretes – e por serem, além de tudo, marcantes. Confira abaixo e diga: qual é sua favorita?

Woman Left Lonely – Janis Joplin

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=klhK_4evO5c
A voz de Janis Joplin, que influenciou uma geração, aparece vigorosa como sempre nessa gravação: a trajetória da “mulher solitária” do título ganhou diversas versões, incluindo uma ótima com Cat Power nos vocais, mas o Miolaoteam opta, no caso, pela gravação original. Nada mais justo: Janis é uma das mulheres que mais contribuíram para a história da música e merece um lugar na lista.

Bobagem – Céu

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=zkc_oIwYwas
“Minha beleza não é efêmera como o que eu vejo em bancas por aí”, canta a carioca Céu, num sambinha cru e simpático lançado em seu primeiro CD, homônimo, de 2007. Ela declara em letra própria que sua essência reside mais do que somente na aparência. A música possui menos de três minutos e consegue deixar o seu recado: “ser mulher a vida inteira”, pontua.

Me and a Gun – Tori Amos

 

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=uKzCxi2yf5s
Aterradora. “Me and a Gun” é o relato real de uma tentativa de estupro pela qual Tori passou quando tinha ainda vinte e um anos. A música, que faz parte de “Little Earthquakes”, o disco que fez a cantora tornar-se conhecida mundo afora, é cantada à capela e causa arrepios pela naturalidade com que ela fala sobre o ocorrido, relatando os pensamentos que passaram por sua cabeça enquanto estava encurralada pelo homem em questão. Poética e chocante.

What It Feels Like for a Girl – Madonna

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=qYwgG2oyUbA
Com introdução da francesa Charlotte Gainsbourg, essa canção de Madonna fala sobre opressão e critica o papel submisso ao qual a mulher é submetida em alguns momentos de sua vida. O clipe da mesma, dirigido pelo seu ex-marido Guy Ritchie, foi censurado pela MTV e alguns outros canais de música por mostrar a cantora interpretando uma vítima de agressões físicas, que em um momento de fúria e acompanhada de uma simpática senhorinha começa a brincar de GTA na rua (?), atropelando os homens que encontra pelo caminho.

Travelling Woman – Bat for Lashes

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=a4XXkz4iFUM
Natasha Khan dirige o discurso de sua canção à uma mulher viajante e obstinada, dizendo que ela deve continuar trilhando seu caminho e ignorando as tentações do amor, que podem fazer seus planos irem por água abaixo. “Never fall in love with potential/cause you can’t see with your own eyes”, diz Natasha. O tom resignado e endurecido da canção, aliado aos arranjos precisos e a voz quase onírica de Natasha emociona.

Isobel – Dido

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=lpG4Pci6el8
Existem diversas teorias de fãs sobre o que a situação retratada na enigmática canção da inglesa Dido. Na letra da mesma, que é uma das melhores músicas do seu disco de estréia, “No Angel”, ela parece consolar uma amiga que perdeu seu filho, num aborto que não podemos entender claramente se foi espontâneo ou provocado. Isobel se sente ressentida pelo que aconteceu, enquanto Dido levanta questões sobre como teria sido a criança no futuro, caso tivesse nascido e tenta acalmá-la: “don’t punish yourself, live it well alone”. A cantora estabelece um diálogo marcante com a personagem, numa canção envolvente e misteriosa.

Todas as Mulheres do Mundo – Rita Lee

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=T1_z9ZKneAM
Rita Lee evoca todas as Xuxas, Madonnas, Dianas, Leilas Diniz e Evitas do mundo para mostrar, numa divertida canção de seu repertório, que as mulheres do mundo querem mesmo é poder. Sem duplo sentido, ok?

(You Make Me Feel Like) A Natural Woman – Aretha Franklin

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=-DSYZAiM-20
A canção clássica de Aretha Franklin foi regravada por nomes como Carole King e Celine Dion, que mandaram bem, mas não conseguiram superar a versão original e a emoção evidente da diva da black music, que canta sobre uma mulher que se sente plena devido a um novo amor que tomou conta de sua vida. Daquelas músicas que merecem ser relembradas diversas vezes.

Resposta – Maysa

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=z-AIc7yTJi8
Escrita pela cantora como um revide às criticas feitas em relação a sua vida profissional e particular, essa canção sintetiza toda a angústia e raiva reprimida que Maysa sentia por ter sua vida esmiuçada pelo público/mídia na época. “Se alguém não quiser entender e falar, pois que fale”, desabafa. Maysa teve uma vida breve, mas intensa. Uma canção marcante, que continua atual e pertinente nos dias de hoje, criada por uma das artistas mais expressivas de nossa música.

Girls Just Wanna Have Fun – Cyndi Lauper

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=x0cJnVeiMrw
Porque mesmo depois de quase 30 anos, as garotas ainda querem se divertir.

I’m a Lady – Santigold

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=PpL8odTN2_c
Nessa simpática faixa de seu debut, Santigold (ex-Santogold), conta vantagem por ser uma “dama”: decidida, que quebra corações e que provavelmente será  martirizada um dia por essa postura. A música é levemente sarcástica e cativa - talvez não no início, mas certamente depois de algumas audições. Vale ouvir.

Mary Jane – Alanis Morissette

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=IxBAuIuFGCk
Misto de homenagem a uma amiga e canção autobiográfica, a saga de Mary Jane, “a última grande inocente”, segundo as palavras de Alanis, é narrada de forma dramática e lindíssima. Impossível não se arrepiar com a letra fantástica e os diversos tons da cantora. Mary é, no fim das contas, igual a muitas mulheres, homens e muitos de nosso cotidiano.

Zé – Vanessa da Mata

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=JD1jX-qidBQ
Um relato delicado sobre um romance cheio de elementos antigos: tudo é descrito com tantos detalhes que quase dá pra sentir os tais cheiros de “hortelã, alecrim e jasmim”. Vanessa da Mata captou a ternura do ponto de vista feminino com maestria.

Ramblin’ (Wo)Man – Cat Power

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=jD6HceVd5Y8
Nessa versão do blues das antigas de Hank Williams, Cat Power declara o amor que sente por um homem, mas também que sua paixão pela liberdade da vida é ainda maior: ela sabe que poderá machucá-lo por isso, mas é simplesmente o seu jeito e não pode evitar.

E você? Que outra canção colocaria na lista?

Bat For Lashes vem aí!

Que o Coldplay vem pro Brasil esse ano já não é segredo pra ninguém. Nem todos conhecem, porém, a atração de abertura dos shows da banda aqui no país. É sobre ela que o Miolão falará nesse post: Natasha Khan, ou, se preferir, “Bat for Lashes”, nome usado pela cantora britânica em sua carreira musical.

Seu primeiro CD, “Fur and Gold”, foi lançado em 2006 e trazia um apanhado de canções que, para alguns, colocavam a cantora no mesmo patamar de musas criativas como Bjork, Cat Power ou Kate Bush. O álbum, mesmo incensado pela crítica e indicado a prêmios, não fez o barulho que seu sucessor geraria tempos depois. Natasha se tornaria mais popular com seu segundo disco, “Two Suns”, um dos melhores lançamentos do ano passado. A inglesa é daquele tipo de artista que nós pensamos, quando ouvimos: “como não conheci o som dela/dele antes?”

"Fur and Gold" (à esq) e "Two Suns" (à dir).

A cantora esteve em contato com o universo das artes desde a juventude: formada em música e artes visuais pela Universidade de Brighton, trouxe muitas dessas experimentações performáticas e sonoras para sua carreira musical. Não espere canções de fácil “digestão” ou sonoridades clichês: a música de Bat for Lashes é envolvente, possui uma certa aura de mistério e é bastante consistente. Natasha compõe, é multi-instrumentista e consegue prender a respiração do ouvinte da primeira à última faixa de um disco. É uma montanha russa de sensações, vale dizer assim?

Bat for Lashes estará em solo nacional pela primeira vez nos dias 28/02 e 2/3, datas de quando a turnê “Viva La Vida” do Coldplay passa pelo país, respectivamente no Rio e em São Paulo. A verdade é que Natasha merecia uma apresentação que não fosse apenas um “aquecimento” pra alguma outra banda – momento que, inclusive, será dividido com os caras do Vanguart. A setlist será bastante limitada e fica no ar a vontade de que ela realize um show próprio no Brasil em breve.

Não conhece as canções da cantora? O Miolão finaliza o post com duas indicações. É claro que vale ir atrás da sua ainda curta – e esperamos que não breve – discografia completa.

Imagem de Amostra do You Tube (Daniel)

A viciante “Daniel”, homenagem ao personagem do filme Karatê Kid (?) presente no álbum “Two Suns”…

Imagem de Amostra do You Tube

 …e a sombria “What’s a Girl To Do”, do “Fur and Gold”.

 

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