Ele, que pode ser considerado um neném, nasceu há apenas cinco dias e – pelo menos pra mim – ainda não mostrou muito a que veio. Mas há tempo para isso. E se depender da promessa de alguns artistas, 2012 vai ser maravilhoso. Aliás, eu diria que 2012 tem altas chances de ser lembrado como “o ano em que houve uma porrada de lançamentos legais de gente mais legal ainda”.
Acha exagero? Listamos abaixo alguns disquinhos que serão lançados nos próximos meses. Te desafio a dar uma olhada e dizer se a gente tem ou não tem bons motivos para crer que o ano será, musicalmente falando, maravilhoso.
Semana passada, Liz Phair venceu por unanimidade nosso Duelo Musical. Se depender do séquito de fãs que cada um dos nomes de hoje possuem, o embate da vez será monstruoso. (rá!) Duas feras da música pop – que quase já caíram na estrada juntos, em turnê coletiva – apresentam suas faixas homônimas e você decide qual é a melhor delas.
Quem leva a melhor: mamma monster ou the motherfuckin’ monster?
Monster – Lady Gaga
Alguém ainda questiona a influência de Lady Gaga em nossa cultura pop atual? A moça, que surgiu aos olhos do grande público em 2008 como quem não quer nada – mesmo querendo tudo, como ela própria gosta de frisar – pode não ser unanimidade, mas tornou-se um ícone contemporâneo e é responsável por algumas das gravações pop mais deliciosas dos últimos tempos.
“Monster”, faixa de seu EP “The Fame Monster”, é uma gravação de tom “dark de butique”, grudenta até a medula e outra contribuição do produtor RedOne, responsável por “Just Dance” e “Poker Face”. Nessa, Gaga fala de um rapaz com um apetite voraz para o amor e o sexo, um lobo disfarçado. Na cabeça da moça, a impressão de tê-lo conhecido há muito tempo e a sensação de estar sendo tomada inteiramente por sua misteriosa presença.
O discurso não é tão profundo quanto parece: com letra simples, pero charmosa, a faixa é outro convite a pista de dança feito pela loira (loira?). E quando ela chama, a gente não resiste. “Monster” foi promo single em alguns países, mas não tocou nas rádios por aqui. Uma pena! Escute:
Monster – Kanye West
Bem como Gaga, Kanye West divide opiniões. Sua relevância, porém também é inegável: depois de ter protagonizado uma das gafes mais memoráveis dos atuais prêmios de música, o cara provou o gostinho do limbo, voltou ao topo e colore a cena hip-hop com uma bem vinda originalidade, que parece faltar às grandes estrelas do gênero. Graças às suas incontroláveis ambições artísticas e ao seu ego gigantesco, o cara consegue surpreender.
Ele acabou de lançar seu novo disco, o frenético “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, que como o título (e sua trajetória) sugerem, é uma viagem por situações conflitantes. Furioso, solene, dramático, tudo de uma vez só. Kanye apresenta sua “Monster” com a ajuda de vários parceiros especiais: Jay-Z, Rick Ross, Nicki Minaj e até o doce cantor folk Bon Iver.
Num rap épico, de quase 6 minutos, ele assume junto à esses nomes seu caráter megalomaníaco e diz, em tom orgulhoso, ser mesmo um “monstro”, mostrando não estar nem aí para os críticos e fofoqueiros – e que parece encontrar o alimento que mais gosta na energia que recebe dos fãs. Imaginamos que em troca, ele ofereça faixas vibrantes como essa – quase insana, como alguns frisaram sobre o recém lançado álbum. Justo. Destaque para a incrível participação de Minaj. Ouça:
Lançado oficialmente há pouco mais de um mês, Bionic, novo disco de Christina Aguilera, é (quase que) completamente diferente do que se poderia esperar de Christina Aguilera.
Partindo desse ponto, há duas maneiras de analisar o disco: a primeira é entender o processo criativo e as motivações de Aguilera para então apreciar o resultado. A segunda é, simplesmente, ouvir o álbum, sem maiores intenções de profundidade (afinal, por mais inusitado que seja, Bionic ainda é um disco pop).