“Metals (Metais) podem ser encontrados brutos e crus, derretidos no centro da Terra, mas também podem ser altamente refinados e transformados em pequenas jóias”
A frase acima foi dita pela própria Feist em uma entrevista que antecedeu o lançamento de seu novo álbum, Metals. E não consigo ver uma maneira melhor de descrever o novo trabalho da cantora. E tampouco para começar esse texto.
Num tempo em que Last Friday Night, da Katy Perry, extrapola os limites do sucesso e se torna quase um retrato da música pop produzida na atualidade, cujo foco parece ser retratar festas, relacionamentos efêmeros e outras coisas corriqueiras, encontrar uma artista que permaneça fiel a seu legado, mesmo quando poderia ter caído na tentação do sucesso fácil, é algo raro.
Porque sim, Feist poderia ter “se vendido”. Mushaboom, do álbum Let It Die (2004), por exemplo, foi veiculada num comercial da Lacoste e atingiu certo êxito. O mesmo aconteceu com 1234, integrante do ótimo The Reminder, canção essencialmente pop e bastante executada em seu ano de lançamento. Mas, ela escolheu outras direções. Direções mais interessantes, eu diria.
Não estou dizendo que Metals seja um disco obscuro, influenciado por estilos obscuros. Isso seria mentir. É um álbum que se matém fiel às influências dos seus anteriores, como o pop adulto produzido nos anos 80, mas, ao mesmo tempo, entre os trabalhos da cantora é o mais difícil de digerir, já que mesmo se mantendo fiel, ele se diferencia bastante de Let It Die e The Reminder. Principalmente por possuir unidade.
























