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#3Momentos: Michael Cera

29/06/2010 às 17:49 em Aleatoriedades, Telinha & Telão

Há quem diga que bons atores são aqueles que conseguem interpretar qualquer tipo de personagem, se perdendo dentro deles até que seja impossível lembrar que o que é visto nas peças ou nos filmes se trata de pequenas mentiras. Meryl Streep é o maior exemplo disso: vê-la em papéis tão distintos quanto o da chefe Julia Child, em Julie & Julia; ou na pele da malvada Miranda, em O Diabo Veste Prada são ilustrações perfeitas para este ponto. Mas seria isso uma regra?

Não, com certeza não. Bons atores não precisam necessariamente ser versáteis. E Michael Cera é uma prova disso. O garoto, que na vida real tem 21 anos, interpreta nos filmes e na telinha o que parece ser sempre a mesma personagem: um jovem-nerd-indie-de-bom-coração. E por que ele é bom? Porque ele faz a coisa toda muito bem, convencendo que ele é realmente o que ele representa. E talvez seja.

Abaixo, o MIOLÃOTEAM separou 3 momentos interessantes da carreira dele:

#1. Como Paulie Bleeker, em Juno, de 2007.

O primeiro papel de grande expressão de Michael Cera foi como o melhor amigo de Juno, no filme homônimo, de Jason Reitman. No filme, Cera era um garoto franzino viciado em Tic-Tacs de laranja que amava Juno e que pelo acaso do destino a engravidara na única noite em que passaram juntos. A ingenuidade e o ar de menino bobo de Cera foi o contraponto perfeito para a imperativa personagem de Ellen Page: a combinação dos 2 formou um dos casais mais fofos vistos naquele ano. A cena da primeira vez deles é tão improvável e cômica que merece ser lembrada. Mas melhor do que isso é o final que, por motivos óbvios, não vou contar, mas quem já viu, tenho certeza que, sabe do que estou falando. Pra quem não viu, veja o clipe de Anyone Else But You, em que Michael canta com Ellen Page: VÍDEO.

#2. Como Evan, em Superbad, de 2007.

Lançado no mesmo ano em que Juno, Superbad foi um verdadeiro fenômeno. Enquanto Juno surpreendia por ser um sucesso de público e crítica, Superbad arrebentou nas bilheterias norte-americanas ao contar a história de 3 jovens que queriam perder a virgindade. Com um argumento bobo e superficial, Superbad pegou o público de jeito: as situações pra lá de hilárias e o excelente texto de Seth Rogen e Evan Goldberg produziram um filme adolescente com coração, fazendo-nos lembrar de John Hughes, um tal sujeito que dominou os anos 80 com produções do gênero… Mas o mérito do filme não está só no texto ou no ritmo; grande parte do sucesso deve ser creditado a Michael Cera, que interpretando o mesmo personagem de sempre segurou as pontas de ser o protagonista pela primeira vez. Cena inesquecível: quando Cera conta ao amigo que comprou lubrificante na farmácia e leva um esculacho! Impagável! Assista ao TRAILER.

#3. Como Nick, em Uma Noite de Amor e Música, de 2008.

Mais uma vez Michael reprisa o papel do nerd-indie-de-bom-coração que lhe rendeu fama. Na pele de Nick, guitarrista de uma banda de queercore, ele passa uma “noite muito louca” recheada de boas músicas e “muita confusão”. À primeira vista, parece mais uma comédia romântica boba. E quando se olha de novo, nota-se que o filme é exatamente isso: uma comédia romântica boba. Mas e daí? Um verdadeiro guilty pleasure com uma trilha matadora. Destaque especial para a cena em que Thom (Aaron Yoo) cita I Wanna Hold Your Hand, dos Beatles e também para esse diálogo entre o casal de protagonistas.

Há quem ache que estrelinhas assim, que sempre fazem o mesmo papel, serão logo esquecidas (não é mesmo, Molly Ringwald?), mas só o tempo dirá se Michael se firmará como um grande nome ou se cairá no ostracismo. Por enquanto, vale ver os filmes citados e também o ótimo Juventude Revoltada (ainda inédito nos cinemas, mas torrent existe pra isso, né?)… além de esperar Scott Pilgrim sair nos cinemas, né? Porque, com certeza, ele será um dos filmes do ano… mas isso é assunto para outro post. ;]

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#Top5: Personagens Femininas do Cinema

08/03/2010 às 23:21 em Telinha & Telão

O cinema não seria o mesmo se não fosse a força característica das mulheres. Ao longo de mais de um século, as mulheres ganharam cada vez mais importância na tela e alguns de seus personagens foram eternizados com grandes performances. Segue abaixo nosso #Top5 das melhores delas:

5º Holly Golightly, interpretada por Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, 1961.

Baseado na obra de Truman Capote, o filme de Blake Edwards eternizou para sempre a imagem delicada de Audrey Hepburn.
A musa, que combinava ingenuidade com outras características menos nobres, é fascinante por vários motivos: além de ser um ícone da moda, Holly conseguiu fugir do estereótipo de mocinha passiva e dependente e com muito charme, malícia e pureza deu vida a uma adorável prostituta de luxo que sempre que sentia-se triste passava na famosa joalheria Tiffany’s.
O bom uso de seus atributos físicos para sair de problemas, suas contradições encantadoras e sua importância histórica fazem de Holly Golightly nossa 5ª personagem feminina mais marcante da história do cinema.

4º Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep em O Diabo Veste Prada, 2006.

Poucas vezes um “vilão” teve tanto charme e admiradores quanto Miranda Priestly. Inspirada livremente em Anna Wintour, editora da Vogue Americana, Miranda encontrou em Meryl Streep sua interprete perfeita. Cada gesto com as mãos e cada olhar reprovador provou a força desta mulher que, mesmo em silêncio, colocava pânico em todos à sua volta. A arrogância inerente e seu poder avassalador construíram a imagem de uma verdadeira dama-de-ferro. No decorrer do filme, sob o olhar de Andy (a fofa da Anne Hathaway) quase acreditamos que a vida foi cruel demais com Miranda e que toda sua atitude pode ser justificada. Quase. Porque no final, você sabe, é tudo uma questão de escolha.

3º Scarlett O’Hara, interpretada por Vivien Leigh em … E O Vento Levou, 1939.

Negar a importância histórica d’…O Vento Levou é um verdadeiro crime. O filme, que faturou 10 Oscars, incluindo o de Melhor Atriz para Vivien Leigh, conta a história de Scarlett O’Hara: uma mocinha superficial e irritante que vive confortavelmente num mundo perfeito. Mas sua vida toma um rumo totalmente inesperado com a explosão da Guerra Civil Americana. Nesse cenário, Scarlett cresce como mulher e mostra uma força que nem sabia que existia. Por sofrer por horas e horas, despertar paixões, viver um amor intenso e se reerguer numa época machista, aparentemente sem ajuda de nenhum homem, Scarlett é um marco da figura feminina. Vai dizer que você nunca ouviu a frase “Nunca mais passarei fome!”?

2º Celie, interpretada por Whoopi Goldberg em A Cor Púrpura, 1985.

Nos Estados Unidos de 1909, Celie, ainda adolescente, já conhecia as piores coisas da vida. Estuprada pelo pai teve seu filho, fruto da relação incestuosa, tirado de si logo no nascimento. Humilhada e discriminada durante toda vida por ser quem é, ela é tratada como um lixo por todos -exceto sua irmã-. Marcada pela violência física e, principalmente, moral, A Cor Púrpura retrata a jornada de Celie através dos anos. O filme, que tinha tudo para cair no melodrama, acaba tornando-se uma película impressionantemente bela sobre como uma mulher, negra, “feia” e submissa assume as rédeas de sua vida. Numa performance sutil e arrebatadora, Whopi estreou no cinema com o pé direito e sua personagem, inspirada no livro de Alice Walker, ganhou uma das músicas temas mais interessantes de toda a história do cinema: “Miss Celie’s Blues“, cantada pela ótima Margareth Avery. Se achar que tudo isso não é motivo para colocá-la entre as personagens mais memoráveis de todas, reveja seus conceitos.

1º A Noiva, interpretada por Uma Thruman em Kill Bill Volume 1, 2003, e Kill Bill Volume 2, 2004.

Um clássico instantâneo. É assim que Kill Bill pode ser definido. Cheio de planos perfeitos e referências ao cinema, Kill Bill foi filmado magistralmente e antes mesmo de seu lançamento já era o filme mais cool do ano. A história de uma noiva que acordava dez anos depois de ter levado um tiro na cara e saía a caça de seus assassinos à primeira vista não era nada original. Mas a força da personagem de Uma, que se revela pouco a pouco, apresenta motivações verossímeis as suas ações e encontra no final a redenção que toda mulher procura. E ela chora.

Menções honrosas: Susan Sarandon como a mãe de Lorenzo, n’O Óleo de Lorenzo, desafiando a ciência por amor à seu filho; Sigourney Weaver pela durona Tenente Ripley, da quadrilogia Alien, provando que é mais macho que muito homem ao enfrentar sem medo os monstrengos alienígenas; Cate Blanchett interpretando a mulher mais poderosa do mundo em Elizabeth e reprisando o papel em Elizabeth – A Era de Ouro; a fofura de Audrey Tautou na pele de Amelie, n’O Fabuloso Destino de Amelie Poulain; Angelina Jolie quebrando tudo como Lara Croft em Tomb Raider, provando, mais uma vez, que o mulheres também sabem fazer filmes de ação; Nicole Kidman como Satine em Moulin Rouge, interpretando a prostituta que decide abrir mão de tudo por amor; a Erin Brockovich, de Julia Roberts, inspirada na história real da mulher que desafiou toda uma corporação; Rosane Mulholland encarnando com perfeição o retrato da contradição de uma garota suburbana e atrevida em Falsa Loura; toda intensidade, no sentido mais absoluto da palavra, retratada na Isabelle, de Eva Green, em Os Sonhadores; a volúpia adolescente de Lolita, de Dominique Swain, no sarcástico e, pra muitos, arrastado filme inspirado no clássico de Nobokov… a menção mais honrosa de todas:

Thelma e Louise, de Geena Davis e Susan Sarandon. A força das duas mulheres que saem foragidas pelas estradas dos EUA impressionante do início ao fim. Um verdadeiro manifesto feminista e um marco do cinema, o filme conta ainda com um dos melhores finais de todos os tempos.

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Julie & Julia

28/11/2009 às 18:13 em Telinha & Telão

Julie e Julia

Se tem uma coisa que pode estragar completamente a experiência de ver um filme, essa coisa chama “expectativa”. Mas tem como não criar expectativa quando você vai assistir ao novo filme de Meryl Streep, que é, sem dúvidas, uma das atrizes mais talentosas de todos os tempos?

Não, não tem. E toda ansiedade só aumenta quando a gente lembra que Nora Ephron, diretora responsável pelo projeto, tem em seu currículo uma das comédias românticas mais geniais feitas até hoje (ela escreveu Harry & Sally – Feitos Um Para o Outro) e que além de Meryl ainda há a encantadora Amy Adams (pegaram o trocadilho?! ela é a Princesa Giselle, de Encantada) no elenco.

Na noite de ontem fiquei realmente ansioso pelo que viria. E o que veio foi tão prazeroso de se assistir que quando acabou me senti até mais leve.

O filme começa mostrando a chegada de Julia Child (Meryl Streep) e seu esposo (Stanley Tucci, o Nigel, d’O Diabo Veste Prada) à Paris, em meados de 1940. A reconstrução de época e a brilhante trilha de Alexandre Desplat roubam um sorriso instantaneamente. Mas o maior prazer se dá quando vemos o casal num restaurante, saboreando um peixe. Essa emblemática cena é um momento chave para o ecantendimento de Julia. No alto de seus 1,88 de altura (?), a gigante se derrete de amor por seu marido, pela cidade e pelo prato, sendo levada quase as lágrimas ao prová-lo. Pronto. Agora já sabemos quem é Julia Child e somos enfeitiçados pela sua simpatia e carisma. Aliás, posso dizer sem medo que nada disso seria possível sem Meryl, que consegue desaparecer dentro da personagem e expressar os sentimentos mais sutis com pequenos gestos, paradas de respiração e olhares.

Num breve corte para o futuro, conhecemos Julie Powell (Amy Adams), uma mulher beirando os 30 que se muda para um apartamento horrível no Brookylin. Ao contrário de Julie, Julia parece infeliz com a mudança, mas aceita tudo por falta de uma opção melhor. Entendemos um pouquinho melhor sobre seu caráter quando a vemos num minúsculo cubículo atendendo ao telefone para falar com familiares das vítimas do 11 de setembro. Frustrada com a casa nova e com seu emprego, Julie encontra conforto nos braços do marido (interpretado por Chris Messina, o esposo de Vicky, em Vicky Cristina Barcelona) e na cozinha: ela sente prazer em cozinhar e chega a dizer que depois de um dia estressante cozinhar é seu único escape.

O plot do filme se desenrola quando Julie tem a idéia de criar um blog, ” The Julie/Julia Project”, e executar ao prazo de um ano as 564 receitas do livro da aclamada Child. A partir daí vemos Julie tentando encontrar seu caminho e ganhar confiança como escritora ao passo do sucesso do blog e, paralelo a isso, a luta de Julia para publicar seu livro.

Embora a trajetória de ambas nunca se encontre, percebemos uma ligação invisível nas histórias de ambas. E é esse equilíbrio e sensibilidade que fazem com que o filme consiga um resultado final tão satisfatório. Lá pelo meio do filme temos a sensação que ele demora mais para passar do que deveria, mas toda e qualquer má impressão desaparece completamente no final.

Julie e Julia, embora encantador em muitos aspectos, poderia ser um filme esquecível. Mas ele não é. Por mais que os ingredientes contribuam para uma boa receita, quem rouba a cena é Meryl. Possivelmente a atriz terá sua 16ª indicação ao Oscar por este filme. A construção de sua personagem é tão rica em detalhes que fica difícil não se deixar levar pela perfeição dela em cena. O sotaque, a habilidade corporal e a sutileza de seus traços são só alguns bons exemplos do porque ela é, como eu disse no começo, uma das melhores atrizes do mundo. O filme é dela e de mais ninguém. Portanto, amiguinhos, não esperem grandes coisas da(s) história(s). Mas esperem uma grande interpretação de uma grande atriz. Vale ser visto.

Ah! Já ia esquecendo. Uma coisa bem impressionante é que o filme é realmente inspirado em histórias reais. Quem quiser conferir a “verdadeira” Julia Child, é só clicar aqui e ver no Youtube um de seus vídeos. Quanto a Julie, sua história pode ser conferida no livro “Julie e Julia”, de sua autoria. Para saber mais, clique aqui. Ahhhh! E outra coisa BEM legal é a participação de Jane Lynch, a Sue Sylvester de Glee. Mas isso eu nem conto pra não estragar a surpresa. Mesmo com risco de me tornar repetitivo, digo de novo: assistam. Vale ser visto.

Julie & Julia, Nora Ephron, 2009.

Julie e Julia. Com Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Jane Lynch, Linda Emond, Helen Carey e  Mary Lynn Rajskub.

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