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Framboesa de Ouro 2010: Os Piores do Cinema

Tradicionalmente realizado na véspera do Oscar -pasme, Simone, o Oscar é hoje!-, rolou ontem o Framboesa de Ouro.

O prêmio que elege os piores do ano do cinema é escancaradamente debochado, bem humorado… e também um pouquinho implicante. Um exemplo disso foi a indicação de Madonna para pior atriz da década. Quer dizer, em quantos filmes Madonna atuou nos últimos 10 anos? Fez uma pontinha em 007 – Um Novo Dia Para Morrer, o esquecível (e fofo!)  Sobrou Para Você e o super duvidoso Destino Insólito, há uns 8 anos. Obsessões à parte (pegaram essa? Mariah também foi indicada por sua aventura megalomaníaca em Glitter – O Brilho de Uma Estrela), o prêmio de pior da década foi para a devassa da Paris Hilton por seus papéis em A Gostosa e a Gosmenta, o ótimo A Casa de Cera e o musical Repo: The Genetic Opera.

Paris, não fique triste com isso! Se até Sandra Bullock, que neste ano venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz e tem chances de levar o Oscar, também ganhou o Framboesa, você ainda tem chances de mostrar seu valor. Hahaha!

Aliás, a vitória de Miss Bullock na categoria de Pior Atriz do Ano foi o melhor momento da noite. Por quê? Porque a Sandra foi tão sensacional e bem humorada que nem se importou com o paradoxo e foi BUSCAR o prêmio. Tudo isso porque ela tinha prometido, quando soube da indicação, que se vencesse faria questão de pegar o troféu. Saca só o discurso dela:

Acho este prêmio extraordinário! E não sabia que, em Hollywood, tudo o que teria de fazer para ganhar o prêmio é dizer que iria aparecer na cerimônia. Se eu soubesse disso, teria dito que apareceria no Oscar há muito tempo.

Tem como não amar, Brasil?

Além de faturar o Framboesa de Pior Atriz ela também dividiu o de pior dupla com Bradley Cooper, que está atualmente em cartaz com o fraquinho Idas e Vindas do Amor. Maluca Paixão, o filme que rendeu esses prêmios maravilhosos, foi lançado no Brasil direto em DVD e chegou as prateleiras de locação semana passada.  Se você ainda não viu, vale ver. Apesar de ruinzinho, Sandra está impagável e o filme rende boas risadas…

Voltando ao assunto Framboesa de Ouro, confira abaixo a lista dos outros vencedores:

Pior Filme
Transformers: A Vingança dos Derrotados

Pior Ator
Os irmãos Jonas, por Jonas Brothers 3D: O Show

Pior Atriz
Sandra Bullock  por Maluca Paixão

Pior Dupla
Sandra Bullock e Bradley Cooper por Maluca Paixão

Pior Atriz Coadjuvante
Sienna Miller por G. I. Joe: A Origem de Cobra

Pior Ator Coadjuvante
Billy Ray Cyrus por Hannah Montana: O Filme

Pior Refilmagem, Prequel ou Sequência
O Elo Perdido

Pior Diretor
Michael Bay por Transformers: A Vingança dos Derrotados

Pior Roteiro
Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman por Transformers: A Vingança dos Derrotados

Prêmio Especial 30 anos

Pior Filme da Década
A Reconquista (2000)

Pior Ator da Década
Eddie Murphy

Pior Atriz da Década
Paris Hilton

Bom, agora que o Framboesa de Ouro já foi e que Bullock é, oficialmente, a pior atriz do ano, o lance é esperar logo mais à noite e ver se Sandra também consegue levar o título de Melhor Atriz de 2010… Hahaha!

Cancelar apresentações do Oscar? Mas que idéia!


Tudo começou quando o site Deadline Hollywood levantou a péssima hipótese de que as performances de Melhor Canção Original do Oscar seriam canceladas. Segundo eles, Adam Shankman e Bill Mechanic, produtores executivos da Academia, não estariam satisfeitos com os altos custos dos mini-shows e nem com as críticas, quase sempre ferrenhas, as apresentações, que quase nunca atingiam resultados satisfatórios.

Para desgosto de muitos, inclusive deste que vos escreve, os boatos tornaram-se verdade quando o próprio Shankman, acompanhado por Mechanic e David Rockwell, alegou que este ano as canções não seriam interpretadas ao vivo. Ele disse que todas as músicas teriam “tratamento de gala” e que até as trilhas sonoras indicadas ganhariam homenagens. Mechanic, endossa a postura de Shankman e tenta contornar as críticas dizendo que:

“Nunca tivemos um Oscar tão apaixonado por música”.

Especula-se que o tal “tratamento de gala” se resuma em intercalações simplistas das canções com cenas dos filmes indicados.

Ah! E para não dizer que não falei das flores, uma boa notícia é que Shankman, que também é coreografo, promete investir bonito nos números de dança. Haverá ao todo 50 dançarinos, sendo 11 deles recrutados numa série de testes abertos que rolaram em Los Angeles, no programa So You Think You Can Dance, que Shankman é jurado.

Voltando ao lance das canções, mesmo com os manda-chuvas concordando em eliminar as apresentações, ainda há a remota possibilidade delas acontecerem. Resta esperar pelo dia 07 de março e torcer…

Afinal, imagine só que máximo seria ver Marion Cotillard cantando ao vivo Take It All, que é de longe a melhor performance  de Nine? Ela, que já foi injustiçada por não ser indicada á coadjuvante, será mais prejudicada ainda se não cantar.  Veja o vídeo e entenda o que estou dizendo:

Aproveite e leia nosso especial sobre o Oscar 2010 clicando aqui. :D

UP

Fazia tempo que um filme de animação não me tocava da forma como “Up” fez quando o assisti pela segunda vez, essa semana. Na primeira, a situação não contribuiu pra que eu prestasse a atenção apropriada ao filme, e, por esse motivo, decidi assisti-lo novamente, com o olhar que uma obra da Pixar – que parece não ter limites quando se trata de bons filmes – merece.

“Up!” conta a história de Carl Fredricksen, um vendedor de balões de 78 anos viúvo que, prestes a perder a casa onde mora para construtores e ir parar em um asilo, resolve partir para longe  daquele bairro… levando sua moradia junto. Sua esposa, que ele conhecera ainda na infância, tinha o sonho de morar ao lado da “Paradise Falls”, catarata existente na América do Sul, e esse é o destino pretendido pelo rabugento senhor, que mesmo após a morte de sua mulher, continua amando-a incondicionalmente e procura honrar sua memória e suas vontades. Devido à uma “falha” no plano, um obstinado escoteiro de oito anos de idade, obcecado pela idéia de “ajudar de qualquer forma” acaba embarcando na viagem junto com o protagonista da história.

Russel, o garotinho, também possui suas próprias ambições: ele procura, das formas mais desajeitadas possíveis ajudar Carl a cumprir seu objetivo, apenas para ganhar uma insígnia de “ajuda aos idosos”, a única que lhe falta. Ele possui a inocência condizente a uma criança, e a vontade de arriscar novas coisas que não condiz com a nostalgia e o jeito sistemático que seu acidental parceiro de viagem possui. Os aspectos mais evidentes de suas personalidades acabam colocando-os em situações impagáveis que fazem nossos rostos doerem de rir.

Nem precisamos dizer que esse embate irá gerar também situações desconfortáveis, mas oferecerá a eles a chance de abrir uma porta para a amizade genuína e talvez para, de certa forma, a “redenção”, caso seus desejos sejam alcançados. Só isso é o suficiente pra entender o mote da trama: as outras situações, personagens e afins vão surgindo e se desenrolando durante uma hora e meia, tempo que parece passar em 10 minutos.

Além da dupla de protagonistas, o filme também conta com coajuvantes de peso, como o cachorro (falante?) Dug, que entra fácil na mesma galeria de personagens animados adoráveis que roubam a cena em que se encontram (como por exemplo a Dory, de “Procurando Nemo”), e Kevin, a espalhafatosa ave que é objeto de cobiça dos vilões do filme.

Dizer que “Up” é mais um filme infantil seria uma injustiça tremenda. O desenho possui nuances que uma criança dificilmente compreenderia plenamente, e é nelas que reside um dos encantos do filme: como dito, ele te faz rir, e muito. Mas te emociona com a mesma força. Cada nova ação, cada nova cena te faz gargalhar, soltar lágrimas espontâneas com um gesto ou uma frase dita pelos personagens. Momentos como a apresentação da vida do casal Carl & Ellie, até a morte da personagem, logo nos primeiros dez minutos, e o momento em que a casa alada faz o seu primeiro vôo entram, fácil, fácil, entre as cenas mais memoráveis dos filmes de animação até hoje – e me arrepiam só de pensar nelas enquanto escrevo esse texto.

De essência bastante simples, “Up” é uma pequena celebração à coragem de mudar e de buscar o que falta em sua vida – mesmo que aos trancos e barrancos, no caso, literalmente!  -, cheia de metáforas delicadas e dona de uma alma autêntica. Tudo é absurdamente vivo e colorido no universo do filme, e não se espante nem um pouco se ele trouxer de volta à você alguma sensação antiga que não era sentida a muito tempo, ou acabar abrindo seus olhos para o brilho existente em coisas pequenas, que nós podemos provar sozinhos ou em companhia de outras pessoas. Você vai torcer por esses incríveis personagens como se eles fossem pessoas reais: de vez em quando, parece mesmo que são. Ao chegar no final da exibição, você pensa – mesmo que por alguns instantes – que as coisas podem funcionar de forma tão mágica quanto num desenho animado.

Up! concorre em cinco categorias no Oscar 2010: “Melhor Filme de Animação”, “Melhor Filme” – feito inusitado para uma película de animação, considerando que um representante da categoria só havia concorrido ao prêmio principal uma vez, em 1991, com “A Bela e a Fera” – “Melhor Edição de Som”, “Melhor Trilha Sonora Original” (incrível e certeira, por sinal) e “Melhor Roteiro Original”. O MIOLAOTEAM está na torcida!

Up, Pete Doctor e Bob Peterson, 2009.

Up – Altas Aventuras. Com vozes de: Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, Jerome Ranft, John Ratzeberger, David Kayer

 

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