MIOLÃO • Pedro Almodóvar
 

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La Piel Que Habito

Dizem por aí que A Pele Que Habito (La Piel Que Habito), novo longa de Pedro Almodóvar, que estreia nos cinemas hoje, é um “filme de gênero”. A trama, que se desdobra em mistérios e segredos do passado, segura o espectador pelo colarinho e o mantém interessado e angustiado até o último minuto. O suspense é crescente. A tensão também.

No entanto, por mais que A Pele Que Habito passeie pelos melindres do gênero suspense, ele é, mais do que qualquer outra coisa, um filme de Almodóvar.

Contando a história de um médico (Banderas) que, traumatizado com a carbonização de sua esposa em um acidente de carro, se obstina em criar uma “pele” perfeita, o longa apresenta-nos Vera (Elena Anaya), uma mulher que, ao que tudo indica, serve de cobaia aos experimentos do triste cientista.

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Top 5: Clipes inspirados em filmes

Desde que Michael Jackson reinventou a estética do videoclipe com o histórico Thriller, uma homenagem aos filmes de terror, os vínculos da linguagem para com o cinema ficaram mais estreitos.

Os filmetes musicais de poucos minutos que tinham como maior objetivo divulgar os singles dos artistas, atingiram seu ápice nos anos 80 e nas décadas seguintes influenciaram e foram influenciados pelo cinema. E é desse mix de referências que a gente fala agora em nosso Top 5: Clipes inspirados em filmes.

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Top 5: Diretores e Seus Queridinhos

De vez em quando algumas parcerias entre diretores e atores dão tão certo que eles repetem a dose. E mais de vez em quando ainda o repeteco se estende por mais filmes e mais filmes, como se o diretor esquecesse que há outros atores no mundo.

Se você duvida, dá uma olhada em nosso Top 5:

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Los Abrazos Rotos

Los Abrazos Rotos

O novo filme de Pedro Almodóvar, que estreiou em circuito comercial na última sexta-feira, basea-se em Harry Caine (Lluís Homar, de Má Educação) um roteirista de cinema cego que vive sozinho, contando apenas com o auxílio de sua produtora/amiga Judit (Blanca Portillo, de Volver) e o filho dela (Tamar Novas).

Aos poucos a trama se revela em nuances suaves, mais complexas do que se poderia supor.

Harry Caine é, antes de tudo, um homem que se converteu em personagem. E o filme é, antes de qualquer coisa, uma declaração de amor.

Harry é o pseudônimo de Mateo Blanco, famoso diretor de filmes. Ele enterra seu verdadeiro nome, sua carreira e toda sua vida para se ver livre do passado. Mas tudo muda quando Ray-X (Rubén Ochandiano), um jovem inquieto, bate em sua porta propondo parceria para um filme. A entrada do rapaz reaviva lembranças que não cicatrizaram e a partir daí a película ganha contornos mais densos, indo e voltando no tempo com uma leveza absurda. A construção da personagem de Mateo/Harry é tão bem elaborada que ficamos fascinados por sua vida.

No entanto, todo fascínio é roubado quando Lena, interpretada magistralmente por Penélope Cruz, entra em cena. Lena é um ser quase fantástico; uma mulher com traços absurdamente reais e ao mesmo tempo idealizados. Os problemas que Lena enfrenta com sua família, seu desejo em ser atriz e os encalços de sua vida, resultam numa personagem única e apaixonante. Embora nosso protagonista seja Harry, Lena é, sem dúvida, a alma do filme. É o amor e a obsessão que ela desperta que acaba unindo todas as pequenas tramas, culminando num final surpreendente e totalmente satisfatório.

Se Abraços Partidos fosse um filme mudo ele seria simplesmente genial. É notável e digno de aplausos a maneira com que Almodóvar filma: os planos elegantes, a paixão por Penélope, as cores vivas, a falta de cores e os closes contribuem para que o espectador não apenas veja o filme, mas o sinta em todos os sentidos. Cenas como a de que Lena chora sobre os tomates ou aquela em que Lena “dubla” a sí mesma enquanto seu marido a assiste são de um apuro estético que transcendem qualquer barreira de linguagem.

Mas nem só de imagens se faz um filme. É divertido perceber como em dados momentos as histórias são colocadas em segundo plano para que a beleza das cenas se sobressaia. Assim como é incomodo notar que às vezes há sequências inteiras sem razão e nem por que. Talvez tenha sido esses pequenos luxos que Pedro se permitiu que fizeram que seu filme fosse esnobado em Cannes. Tanto faz. No fim das contas, a sensação que fica é de que todo deslize é pouco importante: Abraços Partidos é cinema em seu estado mais bruto.

Los Abrazos Rotos, Pedro Almodóvar, 2009.

Abraços Partidos. Com Lluís Homar, Penélope Cruz, Blanca Portillo, Tamar Novas, Rubén Ochandiano, José Luis Gómez, Lola Dueñas e Ángela Molina.

 

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