MIOLÃO • Peter Sarsgaard
 

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An Education

Quando comecei a ler as críticas sobre o filme “Educação”, não me espantei com a quantidade de resenhas que classificaram o filme como sendo somente “morno”: nunca li nenhum romance de Nick Hornby, e, por isso, não tinha grandes expectativas em ver o resultado de seu primeiro roteiro criado para as telonas. Havia me atraído de certo modo, mas não me motivou a assisti-lo em tela grande.

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The Orphan

Ela deixaria o personagem de Macaulay Culkin em “O Anjo Malvado” com vergonha. Ela arrasou com a festinha de aniversário da Samara, deu uns tabefes na cara da Linda Blair, bateu na Maísa, quase atropelou a menina Rafaela de “Viver a Vida” e arruinou a rotina de uma família comum. Ok, só a última alternativa é verdade quando falamos de Esther, a protagonista do filme em questão, mas acreditem: ela teria feito tudo isso, e ainda pior.

Lançado no ano passado, “A Orfã” não é nenhuma revolução. Nada visto ali é muito inovador, desde os ângulos de câmera, a identidade dos personagens, as situações, cenários e até a própria trama em si. Mas não significa que não seja bastante  eficiente. E mais ainda, eletrizante. É o clichê que satisfaz. E no caso, te prende por duas horas (tensas!).

Um casal comum decide adotar uma criança, depois de um acidente que matou um de seus rebentos. Optam por uma menina, e visitam um orfanato católico para conhecerem as diversas garotas que lá residem. Todas parecem completamente comuns e sem grandes atrativos, exceto uma. Esther, a “órfã” do título, é uma garota russa de passado misterioso, que havia sido adotada por outra família anteriormente, morta num trágico incêndio onde a criança fora a única a escapar com vida. Carismática, cheia de dotes artísticos e encantadora, logo chama a atenção do casal, que não pensa duas vezes sobre qual será a garotinha que irá pra casa com eles. Essas primeiras impressões logo mudam conforme a convivência se torna mais íntima e a criança começa a interagir com as pessoas e ambientes ao seu redor. Por sinal, de forma não muito amável como todos previam…

“A Orfã” assume tons cada vez mais incômodos e sufocantes conforme vai se desenrolando - mais do que eu, particularmente, esperava. Quando você nota, já está completamente envolvido por aquele inferno familiar. Dirigido pelo espanhol  Jaume Collet-Serra (que já havia feito o “tosco” mas divertido “A Casa de Cera”) é claustrofóbico e consegue te fazer tremer de raiva, ou virar o rosto pra longe da tela apenas com a sugestão de uma futura ação que será cometida pela personagem título. Impossível não se sentir indignado com a série de acontecimentos desconfortáveis e grotescos apresentados.

A produção conta ainda com uma protagonista articulada, de personalidade própria e, provavelmente, um das vilãs mais detestáveis surgidas no cinema recente. A atriz mirim Isabele Fuhrman é uma grande revelação e consegue transitar por todas as características de seu papel com êxito, da doçura inicial até os momentos de sadismo e transgressão pelos quais Esther passa ao longo da história.

O resto do elenco também não fica atrás, com destaque para Vera Farmiga, ótima como uma mãe traumatizada pelas suas recentes experiências de vida e a pequena Aryana Engineer, deficiente auditiva também na vida real, que interpreta a filha mais nova, responsável por deixar nosso peito mais apertado em determinadas cenas.

Numa época em que muitos suspenses são um tiro n’água, “A Orfã” – um filme bastante simples sob determinado ponto de vista – mesmo utilizando diversos recursos que estamos cansados de ver, consegue surpreender com suas boas reviravoltas e surpresas (com ressalvas!) e prova que “monstros aterrorizantes”, na concepção de alguns, podem ser muito diferentes dos habituais serial killers de alguns títulos que assistimos.

Pobre Isabele Fuhrman. Se seus amiguinhos de escola assistiram o filme, deve estar passando os intervalos sozinha…

The Orphan, Jaume Collet-Serra, 2009.
A Orfã. Com Vera Farmiga, Isabele Fuhrman, Peter Sarsgaard, Aryana Engineer, Margo Martindale e CCH Pounder.

 

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