Há alguns anos, para ser mais exato em 2006, me atrevi a escrever algumas linhas sobre Slow Motion Addict, o último disco de inéditas de Carina Round. Comecei o texto dizendo algo mais ou menos assim:
“Antes de mais nada, quem mané é Carina Round?”
Hoje, cinco anos depois, percebo que eu poderia começar esse texto da mesma maneira.
Embora Miss Round já tenha colaborado com gente grande (ela fez os vocais deCome Pick Me Up, do Ryan Adams, e abriu alguns shows da última turnê dos Smashing Pumpkins), ela nunca chegou a ser muito conhecida. E isso me causa um espanto – e até uma certa revolta -, pois Carina é tão boa que não consigo entender como ela não conseguiu fazer sucesso ainda.
Se você, meu amigo, ainda não a conhece, provavelmente vai achar que estou exagerando. Mas eu tenho certeza que quando você a ouvir cantar vai partilhar, nem que seja um pouquinho, desse sentimento.
Comparada frequentemente a PJ Harvey, o estilo visceral e confessional da moça soa tão sincero que comove, impressiona e diverte. As apresentações ao vivo nunca deixam a desejar. Intensa como poucas, a britânica domina cada centímetro do palco – e ela consegue isso até sussurrando.
O primeiro disco da cantora, First Blood Mystery, foi lançado há cerca de 10 anos. Maduro e um pouco sisudo, ele contava com faixas tão boas que parecia difícil ser superado. Mas ele foi. The Disconnection – a obra-prima de Carina – era um trabalho mais acessível, intenso e seguro. Redondinho, o cd expurgou de uma vez por todas qualquer desconfiança não deixando espaço para a tão falada “síndrome do segundo disco”.Into My Blood, Lacunae Paris, só para ficar em alguns exemplos, eram tão tão tão incríveis que fariam qualquer crítico cair de joelhos – e qualquer fã de boa música ficar boquiaberto.
Stolen Car, a primeira faixa de Slow Motion Addict, seu terceiro álbum, carrega em sua essência uma aura de “rendição”. É como se Carina desistisse de lutar contra suas vontades e se entregasse. Mais do que isso. Ela entrega logo no primeiro verso (treating my body like a stolen car) o que deseja. Metáfora sólida para vontades comuns.
Conseguindo equilibrar sutileza e agressividade em suas linhas de guitarra, Carina consegue criar melodias memoráveis que casam perfeitamente com suas letras coloridas com sarcasmo, sinceridade, entrega e beleza. O som, que em determinados momentos flerta com o trip-hop (como na belíssima The City eJanuary Hearts), assume nuances complexas e crescentes sem perder a sensibilidade pop. Livre, leve e solta, o repertório da cantora transita entre o folk, o rock e o punk sem nunca parecer refém de um único estilo.
Carina é dona de sua música. Carina é dona de si.
Agora me fala, com sinceridade, é ou não é revoltante ver gente como Carina não ter o reconhecimento merecido?
Émile Simon é uma artista de extremos. Nota-se em seus álbuns uma certa dualidade nas interpretações, como se houvesse duas cantoras diferentes dentro dela: uma cheia de vida que canta sob profusões de cores e efeitos e outra delicada, segura e, como o Édipo muito bem definiu, gélida.
Todas essas características ficam evidentes no cover abaixo. Nessa performance de I Wanna Be Your Dog, clássico absoluto dos Stooges, Émilie desfigura o arrombo da música original e empresta sua habitual (e estranha) doçura. Não obstante em impressionar e surpreender com essa suavidade, logo após a introdução, ela empunha sua guitarra e grita com vontade os versos que tornaram Iggy Pop uma lenda em 1969.
Émile gosta tanto da música (quem não gosta?) que regravou em seu primeiro disco, Émilie Simon, de 2003. Menos rock’n'roll que a versão apresentada acima, a música de produção caprichada, é mais eletrônica e mostra uma interprete sussurante e sexy. Confere aí:
Pessoalmente, prefiro a versão ao vivo. Mas confesso que a coisa é tão fina que é até difícil elegar a melhor…
Tem essa “banda” meio diferente, composta pela loirinha com voz doce e pelo garoto alternativo que compõem quase todas as músicas usando somente o seu laptop e um ou outro teclado. E tem essa outra banda, também composta por uma loirinha, que estourou em 1970 e é, até hoje, um ícone do punk rock. Estamos falando da dupla alternativa I Am The World Trade Center e da maravilhosa Debbie Harry, vocalista da banda Blondie.
Foi misturando uma batida completamente eletrônica com a voz melódica e um pouquinho estridente da mini-blond que a duplinha alternativa aí de cima regravou o clássico dos anos 80 “Call Me”. A música original que compõe a trilha sonora do filme “Gigolô Americano” teve suas guitarras ruidosas substituídas por teclados sintéticos, sua bateria ritmada por batidas eletrônicas e loopings mucho loucos, seu solo agudo e dançante substituído por chords de teclado eletrônico. Que essas mudanças deixaram a música beeem diferente é meio óbvio – o inesperado é que ficou bom, muito bom!
So, play it!
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De todas as bandas que vieram salvar o rock nos idos de 2000 o Yeah Yeah Yeahs talvez seja a que escolheu os caminhos mais interessantes. Fugindo do óbvio e sendo criativos como poucos, eles eram a aposta menos segura de uma legião de críticos que pareciam mais eleger heróis do que criticar de fato os músicos daquela época.
Mesmo que não carregassem o título de “salvadores” – e desde quando o rock precisou ser salvo? -, a banda chamava a atenção de todos por transpirar rock’n'roll e fazer bonito em qualquer área em que atacasse.
Se tem uma coisa que eu aprecio nessa história de covers, é quando um artista sai de sua zona de conforto e arrisca outros ritmos diferentes do que está acostumado.
Hoje a situação é exatamente o oposto: o que temos aqui é um exemplo mais que perfeito de quando o pop encontra o punk.
Kylie Minogue, estrelinha absoluta e diva por maioria dos votos, mostra todo seu potencial vocal ao cantar o clássico dos clássicos do Clash, Should I Stay Or Should I Go, numa versão divertida e, para uma cantora pop, bastante rock’n'roll:
Alguém discorda que ficou o máximo?
Também pudera a música, que em outros tempos já foi eleita uma das 500 melhores de todos os tempos pela Rolling Stone, tem força o suficiente para “sobreviver” a toda mudança.
E pensar que quando ela foi lançada no Combat Rock, de 1982, só chegou ao #45 na Billboard… Tsc, tsc.
Rock’n'Roll: mais do que um gênero musical, o rock é um verdadeiro estilo de vida.
No decorrer de quase 6 décadas, o rock conquistou ao redor do mundo milhares de adeptos e influenciou decisões políticas (alô Woodstock!), mexeu com os padrões da moda (alô Sex Pistols! alô Vivienne Westwood!), criou verdadeiros ícones adolescentes (alô Elvis Presley! alô Beatles! alô Mick Jagger!) e foi trilha sonora de verdadeiras revoluções comportamentais e revoltas juvenis.
Mas nem só bons frutos foram gerados: ao longo dos anos, milhares de pessoas quiseram TANTO ser rock’n'roll que acabaram pagando mico. E é isso que a gente vê agora nesse Top5 especial: Mamãe Quero Ser Rock’n'Roll!
5º Chimbinha: o guitar-hero brasileiro.
Quem?
Cledivan Almeida Farias, mais conhecido como Chimbinha, é guitarrista da banda Calypso e esposo de Joelma, a popstar do Pará. Com 14 discos lançados, Chimbinha já vendeu mais de 7 milhões de discos e sua ‘banda’ é uma das mais populares de todos os tempos do Brasil.
Visual Rock’n'Roll!
Ostentando com muito orgulho um topete multicolorido, Chimbinha veste frequentemente camisas estampadas e calças escuras. Muita gente questiona se a temática Hawaii combinada com o topete é o jeitinho que nosso querido Chimbuca encontrou para homenagear Elvis. Será?
Ele tenta…
Com seu visual descolado (sic), Chimbinha nunca se separa de sua guitarra e nos shows se arrisca até a solar, arrancando do público torrentes de excitação a cada riff tirado de seu instrumento.
Mas tudo que consegue é…
Fazer algo que, definitivamente, não é rock’n'roll.
O mais perto que chegou de ser um rock-star:
O vídeo acima é do projeto Estúdio Coca Cola Zero, em que junto com Joelma recriou clássicos do Calypso em parceria com Os Paralamas do Sucesso.
Falando sério agora, ficou ou não ficou bacana? 4º Avril Lavigne: a princesa do punk. Quem?
Avril Lavigne, canadense, 25 anos. Oriunda da MTV, a estrelinha Lavigne ficou famosa no início dos anos 2000 por se apresentar como um antídoto as popices que dominam as rádios naquela época. O que a grande maioria (de adolescentes) não notou foi que Avril era tão – ou mais – pop quanto “as outras”.
Visual Rock’n'Roll!
Enquanto Britney, Aguilera e N’Sync sensualizavam cada vez mais exibindo seus corpos semi-nus nos clipes, Avril parecia não ligar para sua imagem. Vestindo quase sempre babylooks combinadas com “calças de menino”, o visual despojado – ou punk de butique, se preferirem -, foi febre entre as adolescentes. Gravatas e munhequeras fizeram a cabeça da moçadinha…
Ela tenta…
Com um discurso afiado, Avril soltava farpas contra a superficialidade do mundinho pop e se apresentava como porta voz dos que estavam cansados de estrelinhas fabricadas. O curioso é que suas músicas pareciam não servir de trilha para a rebelião proposta: o som que ia do pop romântico (I’m With You) ao rap (My World) era quaaase igual a tudo que ela criticava. Estranho, né?
O mais perto que ela chegou de ser uma rock-star…
Foi gravar a canção Knockin’ on Heaven’s Door de Bob Dylan para um cd de caridade. A bela música ganhou contornos bonitinhos e quaaase nos convenceu que Avril Lavigne era, sei lá, um Neil Young da vida.
Há quem diga que quebrar uma guitarra no clipe de SK8er Boí foi um ato digno de vergonha. O clipe, assim como a música, é um verdadeiro guilty pleasure e retrata com maestria o que deveria ser a inconsequencia juvenil. Quebrar a guitarra no final do vídeo, que deveria ser um ato subverssivo como os praticados pelo The Who ou mesmo Nirvana, acabou sendo, como todos puderam observar no “Produzindo o Clipe“, da MTV, um tiro n’água: Avril não teve força o suficiente pra quebrar a guitarra. Tudo bem, a gente releva. Valeu a tentativa, Avril!
03º Britney Spears: a amante do Rock’n'Roll. Quem?
Britney Spears, ex-Clube do Mickey, ex-virgem, ex-careca-maluca, atual mãe de família e ícone do show business. A mocinha que desde o começo de sua carreira foi tida como a princesa do pop, sempre flertou com o rock’n'roll, tendo inclusive gravado o clássico (I Can’t Get No) Satisfaction, dos Rolling Stones…
Visual rock’n'roll!
Quando o quesito é roupa, Britney erra e erra feio. Em suas tentativas – quase sempre frustradas – de parecer mais rocker, Britney usou e abusou de couro, fivelas e adereços de aço. Ser sutil nunca foi o forte de Britney.
Ela tenta…
Como já disse ali em cima, Spears sempre teve uma queda pelo rock. No entanto, suas tentativas de chegar ao ritmo foram mesmo só tentativas. A versão de Satisfaction ficou tão descaracterizada que os Rolling Stones, se estivessem mortos (?), estariam se revirando no túmulo. Mas mico mesmo foi quando Britney regravou a canção I Love Rock’n'Rollem seu terceiro álbum. A música, imortalizada por Joan Jett, chegou a ser lançada como single em alguns países e rendeu um clipe super sensual. Mas cadê que Britney conseguiu convencer alguém que aquilo era rock?
Isso sem falar no medley deGimme More com Trouble, do Elvis Presley, durante a clássica apresentação no VMA 2007…
O mais perto que ela chegou de ser uma rock-star…
Foi quando despirocou geral, raspou a cabeça e agrediu um paparazzi com um guarda-chuva. A atitude insana faria inveja a Sid Vicious.
2º Sandy e Junior: os irmãos mais rebeldes do oeste! Quem?
Filhos de Xororó e Noely, Sandy e Junior construíram ao longo dos anos uma carreira sólida e bonita. Tudo começou quando gravaram o clássico Maria Chiquinha em 1991. Depois de inúmeros hits como Aniversário do Tatu, Power Rangers” e Imortal, Sandy e Junior resolveram que estava na hora de radicalizar…
O Visual Rock’n'Roll!
Começaram pelo visual. As roupas cheias de franja do início da carreira foram substituídas por peças modernas e bem produzidas. Os cabelos, verdadeiros monumentos de mullets, ganharam cortes modernos que viraram moda em todo o país. Mas aí você me pergunta: rock, cadê?
Eles tentam…
Revolução mesmo veio com o lançamento do clipe de Enrosca: Sandy usou uma peruca curtíssima preta, enquanto Junior, empunhando uma guitarra, mandava um som nervoso! Arghhhhh!
Com uma roupagem totalmente diferente da versão original (do grande pai do Fiuk, Fabio Jr), Enrosca virou um verdadeiro hino rock’n'roll e foi adotado como sinônimo de rebeldia por toda uma geração. – NOT.
O mais perto que ela chegou de serem rock-stars…
Foi quando Sandy disse um palavrão numa entrevista a um programa do Cazé. Detalhe: Sandy já era uma mulher adulta.
1°º Restart: o rock da nova geração. Quem?
Pe Lanza, Pe Lucas, Thomas e Toba, digo, Koba são adolescentes de São Paulo que formaram em 2008 a banda mais colorida do Brasil. Hã?
Inovando como poucos ousaram, o Restart trouxe o rock brasileiro aos holofotes e acabou com a idéia de que roqueiro se veste de presto e é infeliz. Aliás, eles inovaram tanto que criaram um gênero totalmente novo: o happy rock (que nada mais é que vocais adolescentes melosos cantando sobre draminhas felizes do cotidiano do jovem de classe média alienado).
A explosão de cores que o Restart trouxe à tona é tão vexativa que pessoalmente encaro como agressão. Dá pra imaginar como tem gente que acha que tá arrasando ao imitá-los? Francamente, poxa!
Eles tentam…
… E até que tentam bastante. Usam guitarras, baixo, bateria e tem um monte de fã. Mas e o rock, meus amigos, cadê?
O mais perto que eles chegaram em serem rock-stars…
AHHHH! PE LANZA!!! PE LANZA!!! ÉSSE DOIS! CORAÇÃOZINHO! ÓUN! AHHHH!!
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