MIOLÃO • Quentin Tarantino - Part 2
 

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Os 10 atores mais quentes do momento

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Se você frequenta o Miolão há um tempo, já deve estar careca de saber que adoramos uma boa lista.  Seja pra concordar, discordar, refletir ou indagar “véi, na boa?”, eu sempre fico curioso quando uma listinha surge. Quando o seu tema se refere a cinema, putz, aí eu piro mesmo.

Inspirado pelo Top 30 que a Total Film publicou com os nomes mais quentes do momento, listei abaixo minhas apostas daqueles que serão ou já estão sendo as novas sensações do cinema mundial. Tentei explicar os motivos da presença de cada ator na lista… Bora ver “os eleitos”?

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3 Momentos: Juliette Lewis

Carimbe seu ticket, entre no carrinho com cuidado, prenda as travas, solte seus braços e relaxe. A montanha russa chamada Juliette Lewis é o tema de nosso 3 Momentos de hoje. Esteja preparado para gritar.

Juliette L. Lewis, que também se aventura na música, completa 38 anos hoje, com uma história digna de filme: antes dos 20, ela deu o ar de sua graça em Anos Incríveis, como a namorada bonita do irmão do Wayne, foi presa (na vida real) por dirigir sem carteira, entrar em boates sendo menor de idade e ficou internada numa clínica de reabilitação muito antes da rehab entrar na moda.

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Em DVD: setembro

September, september! O mês do amor! Um sol lindo nascendo cada dia um pouquinho mais cedo no nosso horizonte, as flores desabrochando e as cidades ficando coloridas novamente. É, eu sei. Nauseante. Para diminuir um pouco essa glicose que toma conta da atmosfera em setembro, vão aí embaixo algumas dicas de bons filmes (ou nem tanto).

O Triste - Lembranças (Remember Me, 2010)

Com o ídolo das massas pré-adolescentes femininas, Sr. Robert Pattinson, Lembranças pretende ser cult, descolado e profundo. Obteve um sucesso bem razoável – bem provavelmente, por causa do seu elenco masculino e não pela qualidade da produção em si -, mas não consegue alcançar um lugar marcante em meio a todos esses dramas mais “moderninhos”. Tem seus momentos bons – ok, alguns realmente muito bons! Tem frases marcantes, um final (que poderia ter sido) muito, muito bom e personagens legais. Atenção especial para a personagem de Ruby Jerins, a caçula, que consegue ser objeto para um dos circos midiáticos atuais (o bullyng) e, ao mesmo tempo, ser cativante e doce. E tem também uma sequência de montagem – por que não? – fo-da, capaz de prender a atenção durante alguns minutos e provocar agonia mesmo em quem não se identificou tanto assim com os personagens. Os mais românticos talvez sintam uma empatia suprema com o casalzinho e aí, se esse for seu caso, Lembranças pode acabar sendo o filme da sua vida. Da sua, não da minha.

(ah, quase esqueço: e tem o Pierce Brosnan q-)

O Ruim – Armadilhas do Amor (Serious Moonlight, 2009)

Aqueles que não suportam comédias  românticas superficiais e efêmeras, não correm risco – o título já espanta qualquer possibilidade. Agora, aqueles que adoram um filme fútil, fácil e previsível, por favor, não se deixem enganar pelo título. Armadilhas do Amor é ruim, ruim, ruim! A trama é incrivelmente previsível, as piadas e as situações forçadas ao extremo não têm a menor graça, o casal é chato, Meg Ryan é chata, até a loirinha água com açúcar Kristen Bell (a Veronica Mars) consegue ficar chata no papel da amante – um dos estereótipos com mais potencial para diversão de toda a história do cinema, ficando atrás somente das prostituas (oi?). Ah, e como se não bastasse o filme inteiro ser morno e nojentinho e sem graça, o final, ainda por cima, é horroroso. Não vale nem os seus 84 preciosos minutos, quanto mais R$5,00.

O Romântico – NY, Eu Te Amo (NY, I Love You, 2009)

Para quem não está satisfeito com o clima primaverível de setembro e quer mais – seeeempre mais! –  NY, Eu Te Amo é um filme lindo. Ele é parte de uma coleção maior que começou com Paris, Te Amo e que pretende fazer esse panorama cinematográfico de várias cidades ao redor do mundo. Assim como seu antecessor, o longa é uma combinação de várias histórias menores, com vários diretores e vááárias estrelas. Entre os nomes mais popzinhos estão Orlando Bloom, Kevin Bacon, Ethan Hawke, Andy Garcia, Blake Lively, Rachel Bilson, Christina Ricci e a maravilhosa Natalie Portman – que além de estrelar também dirige (!) um dos curtas. Todas as histórias se passam em Nova York e, de um jeito ou de outro, falam sobre amor. Contudo, cada história é única, ligada a outra por um fio invisível da montagem e o resultado final é incrivelmente maravilhoso.

(a franquia se chama “Cities of Love” e já está programado para 2011 “Rio, Eu Te Amo”, né).

O Muito Foda – Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009)

Não é lançamento, não é novidade e não deveria estar aqui. Mas eu gosto. E se você ainda não viu, essa é a hora. É Quentin Tarantino numa mega-produção e não há jeito melhor de comemorar setembro do que com Brad Pitt arrancando o couro cabeludo de nazistas.

Observações de utilidade pública: para aqueles mais cults e que apreciam DVDs e bons clássicos – ou só bons filmes antigos que nem são tão clássicos assim – fiquem ligados na distribuidora maranhense Lume Filmes. Ela tem lançado no mercadão, com uma ótima qualidade, títulos inéditos no Brasil essenciais nas prateleiras dos cinéfilos de vanguarda e que, em sua maioria, são pu** difíceis de conseguir – mesmo pela internet. E ninguém nos pagou pra escrever isso. :)

Vem Aí: Machete, Black Swan e Never Let Me Go

Essa semana, do outro lado do Atlântico, acontece o 67º Festival de Cinema de Veneza, em Veneza (né). No meio de tantos filmes alternativos, orientais e italianos, dois títulos se sobressaem na minha profunda análise populista: “Machete” e “Black Swan”.

Imagem de Amostra do You Tube

Alguém aqui ainda lembra de “Planeta Terror”? De Robert Rodriguez, o filme fez o maior auê quando foi lançado em 2007 na “Grindhouse” com Quentin Tarantino e o seu “À Prova de Morte” – que só chegou no quintal Brasileiro mês passado, vaias pra PlayArte. “Planeta Terror” foi um filme lindo: uma moça sensual que no lugar da perna tinha uma metralhadora, muito sangue, muitos carros, muitas perseguições e muitos tiros. “Machete” aparenta seguir o mesmo estilo – só que dessa vez com mexicanos. O elenco chefiado por Robert De Niro – e Danny Trejo – estrela também Srta. Michelle Rodriguez, Srta. Jessica Alba e conta com a participação maisdoque especial da desfigurada mais queridinha da América, Lindsay Lohan! Não podemos perder.

Imagem de Amostra do You Tube

Nesse mesmo Festival (ainda Veneza), estreou “Black Swan” – já citado aqui no Miolão. O diretor com o nome muito difícil de pronunciar, Darren Aronofsky, dirige a linda Natalie Portman nesse thriller psicológico que, aparentemente, vai ser muito obscuro e alternativo. Ms. Portman vai dançar ballet, enfrentar assombrações especulares e beijar a super sexye Mila Kunis.

Imagem de Amostra do You Tube

Já no Canadá, no Festival de Toronto, será a premiere de “Never Let Me Go”. Com Keira Knightley, Carey Mulligan e Andrew Garfield (o novo Homem-Aranha), acho que esse vai ser meu mais novo filme preferido. O lançamento comercial, no Reino Unido, vai ser só em Janeiro de 2011. No Brasil… nem Deus sabe.

EROTICA – Madonna e sua extravagância sexual: a maioridade 18 anos depois

Na mitologia é frequente a descrição de passagens em que deuses e deusas em um determinado momento de sua existência se deparam com a necessidade de confrontar o seu oposto. Tais episódios, geralmente ambientados nas profundezas do mundo inferior, narram a travessia pela qual a entidade em questão deve se despir de qualquer proteção ou ligação com o seu mundo para então confrontar seus medos e sentimentos mais íntimos e sombrios e renascer mais sábio e mais forte.

[“If you’re afraid, well rise above. I only hurt the ones I love.”]

“Justify My Love”, lançada em 1990, seria o primeiro passo de Madonna para uma era em que a sexualidade seria seu tema de trabalho e quase obsessão refletida no álbum “Erotica”, no livro “SEX”, no filme “Corpo em Evidência” e finalmente em sua turnê mundial “The Girlie Show” que se estenderia pelo ano de 1993. Utilizando estrategicamente todas as mídias e formas de marketing disponíveis na época, o álbum “Erotica” foi o primeiro disco da cantora a ser lançado pelo seu próprio selo: a Maverick Records. Dessa forma, Madonna conquistou e gozou seu período de maior exposição, causando controvérsia e levantando questionamentos sobre sua relevância no mundo da música.

Curiosamente foi a qualidade da música que forneceu o suporte essencial para a continuidade e aceitação dos seus projetos paralelos. Na época, críticas positivas para o álbum foram publicadas por diversas revistas especializadas. Segundo a Billboard “Erotica” é um álbum ambicioso que contem algumas das melhores músicas de Madonna. Opinião compartilhada pela Rolling Stone pela qual o álbum foi considerado brilhante. Já para a Blender, o álbum conceitual recebeu quatro estrelas sendo classificado como chocante e inspirador.

Através de uma mistura inteligente do pop e house produzidos por Shep Pettibone com os elementos de jazz e hip-hop incorporados por André Betts, as letras das músicas falam sobre relacionamentos e perdas, e algumas transmitem um teor político muito expressivo. “Erotica” foi definido pela própria Madonna como um disco “áspero” e “cru” já que a idéia foi não produzir as músicas demais e deixá-las o mais próximo possível de suas “demos” originais gravadas nas primeiras sessões, sem os caprichos de muito polimento e pós-produção, o que mais tarde seria brilhantemente explorado nas performances ao vivo da turnê de divulgação do álbum.

Com seis singles lançados: “Erotica”, “Deeper and Deeper”, “Bad Girl”, “Fever”, “Rain” e “Bye Bye Baby”, seus vídeos promocionais tiveram que competir pela atenção do público com a polêmica criada em torno do livro “SEX” com fotografias de Steven Meisel que retratam todas as formas de relacionamentos e as fantasias sexuais que permeiam este universo.

[“This book is about Sex. Sex is not Love. Love is not Sex. But the best of both worlds is created when they come together.”]

Apesar de esclarecer em quase todas as entrevistas que o livro era apenas uma ilustração das fantasias que todo ser humano tem em relação ao sexo, foi complicado convencer o público mais conservador a recebê-lo como arte, o que gerou um verdadeiro movimento de repressão e boicote à cantora.

“ The most important thing is that I say the things I want to say. In my music or whatever expression that may be. Wether that’s writing a book or writing songs or acting or whatever… the important thing is that I feel fulfilled as an artist and ultimately what the world gets out of it and what they chose to see.” Madonna – MTV Europe, Nov. 1992.

[“Why can't we learn to challenge the system without living in pain?”]

Porém, não são muitos os artistas que conseguem incluir em sua obra um retrato tão fiel do contexto histórico no qual se encontra e ao mesmo tempo gerar um impacto tão relevante na cultura e sociedade. No inicio da década de 90 o mundo se encontrava em um confronto ideológico com a sexualidade e a epidemia da AIDS e, como a personificação de um adolescente, presenciava uma época de transição na sociedade em que o diálogo sobre a sexualidade se movia da total repressão para a liberdade de expressão e novas formas de explorar esse universo. Para entender o impacto de “Erotica” basta recorrer a outras mídias da mesma época, uma recomendação seria a sequência inicial de “Cães de Aluguel”, primeiro filme de Quentin Tarantino, em que um grupo de ladrões discute o significado e as mensagens implícitas nos grandes hits de Madonna da década de 80. No ano seguinte ao lançamento de “Erotica”, foi lançado o filme “Corpo em Evidência” estrelado por Madonna e Willem Dafoe. O filme foi extremamente criticado e certamente não recuperou nas bilheterias o investimento para a sua realização.

Neste mesmo ano, inspirada por um quadro de Edward Hopper, Madonna levou para a América, Europa, Ásia, e Oceania a turnê mundial “The Girlie Show”. Com referências ao Catolicismo, Fellini, Bob Fosse, Gene Kelly, Marlene Dietrich e a Berlim de Weimar, Cabaret, Carmen Miranda, Metropolis, Cirque De Soleil, entre outros, o show foi concebido e vendido como um “Circo do Sexo” em que os gêneros se confundiam e performances jamais antes vistas eram realizadas ao vivo no palco. Funcionou.

Com uma produção elegante e muito bem elaborada a turnê se tornou o espetáculo mais bem sucedido daquele ano, recebendo críticas positivas por onde passava.

[“Never before has a star of this magnitude trounced so many taboos and broached so many boundaries, seemingly obvious to the self-appointed arbritators of decency and decorum”]

Ainda que não tenha se recuperado totalmente do período de repressão e censura, Madonna foi capaz de demonstrar que suas habilidades como artista extrapolam o mundo da música, através de uma bricolagem única de referências ao teatro, à dança, ao circo e ao cinema. Dessa forma, Madonna voltou ao centro das atenções com a sua capacidade intrigante de se reinventar, reafirmando a sua postura e relevância como uma das maiores artistas da história.

“To me was like a growing process. She is growing up. And instead of growing at home with us… she is growing up with the world.” Silvio Cicccone

[“The deeper I go.”]

Assim como na mitologia, Madonna se despiu de qualquer preconceito e pré-julgamento e confrontou uma de suas (ou nossas) maiores obsessões: o sexo. E como deveria ser ela convidou o mundo para acompanhá-la nesse processo. Á frente de seu tempo foi difícil para o mundo seguir seus passos, já que nem todos estavam preparados. Porém, certamente todos estavam curiosos e como numa prática coletiva do voyeurismo o mundo se encontrou a espiar mesmo que à distância esse momento de descobertas e extravagância sexual proposto por Madonna.

[“The more that I know.”]

“This is not Madonna at her creative zenith. This is Madonna at her most important, at her most relevant.” Slant Magazine


O excelente texto acima que tenho a honra de publicar foi escrito a meu pedido por Thiago Soares Barbizan especialmente para ser postado aqui no MIOLÃO na semana do aniversário de 52 anos da Madonna.

Thiago é arquiteto e fã da Rainha do Pop há tempos. Infelizmente não possui conta no twitter. Mas se você gostou, discorda ou quer falar algo para ele, use os comentários. Tenho certeza que ele lerá.

Gake No Ue No Ponyo

Semana passada, falamos aqui neste espaço sobre À Prova de Morte, o penúltimo filme de Tarantino que demorou 3 anos para chegar aos cinemas. Coincidência ou não, a melhor estreia nas telonas dessa semana (e talvez da próxima, já que “oficialmente” o filme entra em cartaz no dia 30/07/2010) também chega as salas do país com um atraso considerável: Ponyo – Uma Amizade Que Veio do Mar, filme do mestre Hayao Miyazaki, foi lançado originalmente em 2008.

Assisti ao filme hoje. E a pergunta que fiz quando recuperei o prumo – porque o filme me deixou desnorteado – foi: por que pouparam as pessoas todo esse tempo de ver essa obra-prima?

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Death Proof

Enquanto alguns cineastas lutam contra os grandes estúdios para realizarem o filme de seus sonhos (alô, Oliver Stone!); outros pintam, bordam, tricotam e se divertem fazendo exatamente aquilo que querem fazer.

Esse é o caso de Quentin Tarantino. Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jack Brown, Kill Bill, Bastardos Inglórios e À Prova de Morte só comprovam isso.

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