MIOLÃO • Radiohead - Part 2
 

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3 Momentos: Eliza Doolittle

Eliza Doolittle ainda é uma figura pouco conhecida na indústria fonográfica, mas se 2010 trouxe algumas revelações no meio, ela certamente é uma delas. Adotando o nome da personagem de Audrey Hepburn em “My Fair Lady”, a garota apresenta um repertório autoral, cheio de “feel good songs” levemente ácidas e sempre cativantes.

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Katy Perry – Teenage Dream

Existem discos que são lançados com um prazo de validade invisível estampado. Álbuns de fácil digestão, que emplacarão alguns hits nos meses que seguem seu lançamento, gravados por artistas algumas vezes realmente talentosos e outras vezes não. Depois de nos entreterem por um período de tempo, esses trabalhos são esquecidos, datados, limitados a uma única temporada – bem como seus donos, em certos casos.

Katy Perry, bem antes de estourar com o hit “I Kissed a Girl”, já percorria os caminhos da indústria fonográfica de forma discreta. Antes conhecida pela alcunha de Katy Hudson, a mocinha já havia gravado um disco de canções gospel e liberado uma ou outra musica aqui ou ali, como aquela que me fez conhecê-la, a adorável “Simple”, inserida na trilha sonora do subestimado “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante”. Um bom tempo depois, lançou “One of The Boys”, produzido por nomes diversos, como Dr. Luke (Britney Spears, Ke$ha) e Glen Ballard (Alanis Morissette, Lissie) virando rainha das FMs e até um MTV Unplugged.

Foi lançado essa semana (depois de ter vazado na net, por sinal)  “Teenage Dream”, o sucessor de seu “debut em larga escala”, que, como todo segundo disco de inéditas que se preze, prova algumas coisas na carreira de um artista. Katy encontra-se naquele nicho de artistas do primeiro parágrafo, cujo trabalho é consumido facilmente. Espirituosa e esperta, ela arrisca em certos momentos, criando, além de animados convites à festas e momentos de descontração, algumas pequenas canções confessionais e mais íntimas onde mostra estar acima de algumas concorrentes. O novo compacto prova que Katy equilibra bem seu lado comercial e o outro, mais livre, inclinado a criações mais pessoais. Mas ainda falta alguma coisa.

A primeira metade do álbum é cheia de sucessos em potencial – músicas com gigantesco potencial para tornarem-se singles e serem executadas à exaustão: os dois singles lançados até o momento, por exemplo, estão entre as seis faixas iniciais. “California Gurls”, parceria com Snoop Dogg, já está tocando na rádio há um bom tempo e batendo recordes nas paradas de diversos países. Tido por alguns como uma cópia de “Tik Tok”, da sua colega Ke$ha, é uma homenagem às garotas da Califórnia, terra natal da cantora. Com o mesmo espírito celebrativo da faixa com a qual é comparada, é outro grande hit do ano: Katy personifica as características das moças de sua terra transitando entre a malícia e a ingenuidade.

“Teenage Dream”, a segunda música de trabalho, já está mostrando presença: mais doce do que açúcar, tem tudo o que precisa para tornar-se a canção romântica (e saturada) da temporada. É realmente uma graça, mas que surge somente grudenta e não inovadora. Ganhou um clipe utópico, que reforça a idéia de amor perfeito que a letra passa. Katy aparece nos braços do modelo Josh Kloss na praia, na cama, na estrada e em todo lugar, divertindo-se como se não houvesse amanhã ao seu lado e junto de diversas outras pessoas, num ar de bagunça controlada. Todos lindos, afim de uma agitação e com cara de que não peidam. Veja abaixo:

“Last Friday Night” é daquelas músicas que tem o poder de te trazer sorrisos legítimos quando você escuta. O retrato de uma sexta-feira incerta que ficou marcada na memória da cantora é perfeito para ser ouvido antes de uma noite que promete, típica canção para esvaziar a cabeça e sentir com o corpo, de preferência em grupo e com liberdade pra dançar. É como uma “I Gotta Feeling”, não por semelhança, mas pelas sensações que te desperta. Destaque para instrumentos de sopro frenéticos que surgem de surpresa e os histéricos gritinhos de “T.G.I.F” – em inglês, “Thanks God It’s Friday!”. Irresistível.

“Firework” é apoteótica e esperançosa. Apesar de clichê – com direito a frases batidas como “After a hurricane comes a rainbow”, consegue soar sincera e eficaz em sua missão de elevar o astral do ouvinte. Já tá valendo. “Peacock” é uma faixa nada sutil sobre a vontade de Perry em ver o…er, “pavão” (!) do rapaz por quem está afim. É o momento debochado do álbum, que a gente também não vai levar muito à sério. Lembra muito a clássica “Mickey”, de Toni Basil, hino farofa e com ares “cheerleader” dos anos 80.

A partir daí, Katy arrisca reflexões sobre sua própria condição, experiências passadas e aspectos da vida amorosa de modo mais particular. “Circle The Drain” é ácida ao tratar de um relacionamento onde um dos parceiros tem tendências evidentes à auto-destruição: “I’m not sticking around to watch you go down”, canta, categorica. “The One That Got Away” remete à algum capítulo de sua adolescência, algum ponto onde não retribuiu os sentimentos de um rapaz – o seu Johnny Cash particular – e se arrependeu amargamente depois. Parece tão à vontade contando as peculiaridades da relação, permeada por canções do Radiohead que você se sente familiarizado com a história mesmo sem nunca ter ouvido antes. Cativante.

“E.T.” narra a paixão da moça por um homem que parece um alienígena (não fisicamente, tomara!) e faz com que ela sinta coisas que nunca havia vivenciado antes. O conflito presente na letra (could you be the devil/could you be an angel?) não apresenta nada novo, mas a música é envolvente e tem sua força.  A dramática “What Am I Living For?”,  que traz vocais rasgados e um questionamento intenso sobre pressões e cargas difíceis de serem suportadas.

“Pearl” e “Hummingbird Heartbeat” formam um interessante contraponto: numa, Katy repele um parceiro que a fez fechar-se em seu próprio mundo, enquanto na segunda, ela fala sobre um amante que expande sua percepção sobre si própria, energias do amor (?) e sobre a química existente entre os dois. Sobra para a simples e bela “Not Like The Movies” fechar a tracklist – uma música sobre a eterna busca por uma relação amorosa satisfatória, que parece nunca surgir. É uma das melhores faixas do disco e merece ser saboreada com atenção.

“Teenage Dream” fortalece ainda mais o nome de Katy Perry nos charts, mas não representa nenhuma nova tentativa em sua carreira. Apesar disso, ela consegue imprimir sua estampa ao que lança. Nada essencial ou com potencial pra durar muito mais tempo do que uma estação, porém. Não que seja um problema: o disco pode ser efêmero como um sonho adolescente ou derreter tão rápido quanto algodão doce na boca, mas quem disse que isso não é, de vez em quando bom?

Música de Comercial: Fake Plastic Trees, Radiohead

Gosto muito de comerciais. Muito mesmo. Houve épocas em que eu aguardava com mais ansiedade os intervalos da tv do que os próprios programas.

Televisão, hoje em dia, quase não assisto. Mas o impacto que alguns filmes publicitários causaram foi irreversível. Alguns deles, por exemplo, me remetem a boas lembranças até hoje. É o caso do “comercial do Carlinhos”.

Se você nasceu até o início dos anos 90 certamente partilha a mesma lembrança. Fake Plastic Trees, do então quase desconhecido – para os brasileiros – Radiohead, servia de fundo perfeito para imagens em preto e branco de 2 crianças, uma aparentemente saudável e outra portadora de Síndrome de Down, brincarem num carrossel.

Considerada um marco na publicidade brasileira, o filme, veiculado no fim da década de 90, foi produzido pela DM9 e venceu os principais prêmios da propaganda mundial.

E ainda tem gente que acha que publicidade se limita a venda de produtos… Tsc, tsc.


Música de Comercial é a nova sessão do Miolão. Toda semana resgataremos pérolas e publicaremos aqui. Porque afinal, publicidade também pode ser interessante.

Cover: Jóga, PS22

O cover de hoje é cantado não somente por um, mas por uma porção de jovens artistas que tem talento suficiente pra deixar todo mundo de queixo caído: são as crianças que compõem o PS22, um dos projetos mais bacanas que a Internet popularizou nos últimos anos.

Formado numa escola pública de Nova York em 2000, o coral, que entre muitos feitos participou de algumas faixas do disco “Manners”, da banda Passion Pit, já homenageou Beyoncé  e Lady Gaga numa premiação da Billboard e cantou ao lado de Tori Amos, foge do repertório previsível que outros grupos mirins escolhem, e prefere explorar canções de artistas como  Regina Spektor, Coldplay, Marina and the Diamonds, The Cure, Radiohead, entre outros.

Escolhemos então uma das mais belas gravações dos garotos: “Jóga”, a urgente e sensível música de Bjork – que já é tocante originalmente – tornou-se ainda mais emocionante na voz dos garotos. Ainda me deixa arrepiado quando ouço. Uma versão que possui luz própria e que…

Bom, falar mais sobre ela não é preciso. Confira abaixo e veja que dispensa palavras:

Cover: Just, Mark Ronson & Alex Greenwald

Presente no disco Version, de Mark Ronson, de 2007, Just é aquele tipo de música para ouvir e dançar sem culpa.

 Com vocais de Alex Greenwald, que em outros tempos já cantou e cantou “California, here we come/Right back where we started from… Californiaaaaa, here we come!” a frente do Phantom Planet, a música ganha tons incrivelmente pops e uma áurea cool graças a produção caprichada de Ronson. Imagem de Amostra do You Tube

Legal, né? Se você não lembra ou mesmo se nunca ouviu a original, vale dizer que essa pequena pérola é de autoria do Radiohead e faz parte do sensacional The Bends, de 1995.

Radiohead faz show beneficente pelo Haiti

Ontem à noite o Radiohead tocou em Los Angeles em prol das vítimas do terremoto haitiano.

Na platéia, além dos fãs, gente do porte de Charlize Theron, Maggie Gyllenhaal, Drew Barrymore e Justin Timberlake prestigiou o concerto.

O setlist foi escolhido a dedo e contou com alguns de seus maiores sucessos como Fake Plastic Trees, Karma Police e The Bends, além das ótimas Faust Arp, Weird Fishes/Arpeggi, Reckoner e Bodysnatchers, todas do In Rainbows, último álbum da banda lançado em 2007. Ao todo foram 24 músicas que fizeram a platéia ir ao delírio. Um dos pontos altos do show foi a inclusão de Lotus Flowers no repertório. Thom Yorke, vocalista, que até então só tinha cantado a música em suas apresentações solo, apresentou a canção pela primeira vez com o Radiohead:

A julgar pelos (poucos) vídeos que estão na rede, o show foi empolgante e intenso, como de praxe. Assista abaixo outros momentos da apresentação:

Além de terem realizado um trabalho incrível no palco, a banda pôde se dar por satisfeita uma vez que o evento foi um verdadeiro sucesso em seu propósito. Todos os ingressos foram leiloados via internet. No principio, o valor mínimo foi de U$100,00, mas devido à procura os lances subiram até U$475,00, de acordo com a página do leilão promovido pela Ticketmater.

E se você quer seguir o bom exemplo da banda e contribuir com doações para as vítimas do terremoto, vale lembrar que o site dos Médicos Sem Fronteiras aceita doações via cartão de crédito. ;D

 

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