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Os Discos Mais Esperados de 2012 – Parte 1

jejeje

Faltam exatamente 361 dias para 2012 terminar.

Ele, que pode ser considerado um neném, nasceu há apenas cinco dias e – pelo menos pra mim – ainda não mostrou muito a que veio. Mas há tempo para isso. E se depender da promessa de alguns artistas, 2012 vai ser maravilhoso. Aliás, eu diria que 2012 tem altas chances de ser lembrado como “o ano em que houve uma porrada de lançamentos legais de gente mais legal ainda”.

Acha exagero? Listamos abaixo alguns disquinhos que serão lançados nos próximos meses. Te desafio a dar uma olhada e dizer se a gente tem ou não tem bons motivos para crer que o ano será, musicalmente falando, maravilhoso.

Vai vendo!

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Cover: American Pie, Madonna

Não é segredo pra ninguém que nós, do Miolão, amamos a Madonna. E no aniversário de 53 anos da cantora preparamos alguns posts que fazem referência – e revêrencia – a eterna Rainha do Pop (é, haters, ainda não teve ninguém pra tirar esse título).

Para começar a série de homenagens, temos o cover de American Pie. A música, que em sua versão original era um folk rock de nove minutos, foi gravada em 1971 pelo cantor Don McLean, seguindo à risca a tradição dos compositores norte-americanos ao contar em forma de crônica uma história pra lá de bucólica e bonita. Em versos que evocavam um sentimento de nostalgia e que soavam ora tristes ora ingênuos (do you believe in rock’n'roll?), Don destilava suas ideas com orgulho e paixão. O sucesso comercial foi imediato: American Pie atingiu o topo do Hot 100 da Billboard e lá ficou por duas semanas.

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Cover: Papa Don’t Preach, Kelly Osbourne

Papa Don’t Preach, uma das músicas mais emblemáticas de Madonna, causou horrores quando foi lançada em 1986. Entender o cenário dos anos 80 é fundamental para entender os “estragos” que uma simples música pop fez.

Na época a gravidez na adolescência era um assunto pouco discutido e a Rainha do Pop já não era nenhuma adolescente – tinha 27 anos! -, mas encarnou com maestria a jovenzinha que enfrentava a fúria do pai quando decidiu que teria seu bebê a qualquer custo.

17 anos depois, eis que Kelly Osbourne, filha de Ozzy, decidiu transformar a musiquinha em seu single de estréia para divulgar Shut Up, seu debut, de 2002.

Com uma pose rebelde-de-botique, a mocinha chamou os caras do Incubus para tocar e acrescentou guitarras e toda parafernália que ela julgava ser rock’n'roll. O resultado foi um cover indefectivelmente pop que mesmo sendo bonitinho não conseguiu superar a música original. A ausência da polêmica, talvez pela época em que foi lançada, transformou a canção que outrora irritou até o Papa em algo mamãe-quero-ser-rock’n'roll totalmente vazio.

Mesmo assim, divertido. ;]

EROTICA – Madonna e sua extravagância sexual: a maioridade 18 anos depois

Na mitologia é frequente a descrição de passagens em que deuses e deusas em um determinado momento de sua existência se deparam com a necessidade de confrontar o seu oposto. Tais episódios, geralmente ambientados nas profundezas do mundo inferior, narram a travessia pela qual a entidade em questão deve se despir de qualquer proteção ou ligação com o seu mundo para então confrontar seus medos e sentimentos mais íntimos e sombrios e renascer mais sábio e mais forte.

[“If you’re afraid, well rise above. I only hurt the ones I love.”]

“Justify My Love”, lançada em 1990, seria o primeiro passo de Madonna para uma era em que a sexualidade seria seu tema de trabalho e quase obsessão refletida no álbum “Erotica”, no livro “SEX”, no filme “Corpo em Evidência” e finalmente em sua turnê mundial “The Girlie Show” que se estenderia pelo ano de 1993. Utilizando estrategicamente todas as mídias e formas de marketing disponíveis na época, o álbum “Erotica” foi o primeiro disco da cantora a ser lançado pelo seu próprio selo: a Maverick Records. Dessa forma, Madonna conquistou e gozou seu período de maior exposição, causando controvérsia e levantando questionamentos sobre sua relevância no mundo da música.

Curiosamente foi a qualidade da música que forneceu o suporte essencial para a continuidade e aceitação dos seus projetos paralelos. Na época, críticas positivas para o álbum foram publicadas por diversas revistas especializadas. Segundo a Billboard “Erotica” é um álbum ambicioso que contem algumas das melhores músicas de Madonna. Opinião compartilhada pela Rolling Stone pela qual o álbum foi considerado brilhante. Já para a Blender, o álbum conceitual recebeu quatro estrelas sendo classificado como chocante e inspirador.

Através de uma mistura inteligente do pop e house produzidos por Shep Pettibone com os elementos de jazz e hip-hop incorporados por André Betts, as letras das músicas falam sobre relacionamentos e perdas, e algumas transmitem um teor político muito expressivo. “Erotica” foi definido pela própria Madonna como um disco “áspero” e “cru” já que a idéia foi não produzir as músicas demais e deixá-las o mais próximo possível de suas “demos” originais gravadas nas primeiras sessões, sem os caprichos de muito polimento e pós-produção, o que mais tarde seria brilhantemente explorado nas performances ao vivo da turnê de divulgação do álbum.

Com seis singles lançados: “Erotica”, “Deeper and Deeper”, “Bad Girl”, “Fever”, “Rain” e “Bye Bye Baby”, seus vídeos promocionais tiveram que competir pela atenção do público com a polêmica criada em torno do livro “SEX” com fotografias de Steven Meisel que retratam todas as formas de relacionamentos e as fantasias sexuais que permeiam este universo.

[“This book is about Sex. Sex is not Love. Love is not Sex. But the best of both worlds is created when they come together.”]

Apesar de esclarecer em quase todas as entrevistas que o livro era apenas uma ilustração das fantasias que todo ser humano tem em relação ao sexo, foi complicado convencer o público mais conservador a recebê-lo como arte, o que gerou um verdadeiro movimento de repressão e boicote à cantora.

“ The most important thing is that I say the things I want to say. In my music or whatever expression that may be. Wether that’s writing a book or writing songs or acting or whatever… the important thing is that I feel fulfilled as an artist and ultimately what the world gets out of it and what they chose to see.” Madonna – MTV Europe, Nov. 1992.

[“Why can't we learn to challenge the system without living in pain?”]

Porém, não são muitos os artistas que conseguem incluir em sua obra um retrato tão fiel do contexto histórico no qual se encontra e ao mesmo tempo gerar um impacto tão relevante na cultura e sociedade. No inicio da década de 90 o mundo se encontrava em um confronto ideológico com a sexualidade e a epidemia da AIDS e, como a personificação de um adolescente, presenciava uma época de transição na sociedade em que o diálogo sobre a sexualidade se movia da total repressão para a liberdade de expressão e novas formas de explorar esse universo. Para entender o impacto de “Erotica” basta recorrer a outras mídias da mesma época, uma recomendação seria a sequência inicial de “Cães de Aluguel”, primeiro filme de Quentin Tarantino, em que um grupo de ladrões discute o significado e as mensagens implícitas nos grandes hits de Madonna da década de 80. No ano seguinte ao lançamento de “Erotica”, foi lançado o filme “Corpo em Evidência” estrelado por Madonna e Willem Dafoe. O filme foi extremamente criticado e certamente não recuperou nas bilheterias o investimento para a sua realização.

Neste mesmo ano, inspirada por um quadro de Edward Hopper, Madonna levou para a América, Europa, Ásia, e Oceania a turnê mundial “The Girlie Show”. Com referências ao Catolicismo, Fellini, Bob Fosse, Gene Kelly, Marlene Dietrich e a Berlim de Weimar, Cabaret, Carmen Miranda, Metropolis, Cirque De Soleil, entre outros, o show foi concebido e vendido como um “Circo do Sexo” em que os gêneros se confundiam e performances jamais antes vistas eram realizadas ao vivo no palco. Funcionou.

Com uma produção elegante e muito bem elaborada a turnê se tornou o espetáculo mais bem sucedido daquele ano, recebendo críticas positivas por onde passava.

[“Never before has a star of this magnitude trounced so many taboos and broached so many boundaries, seemingly obvious to the self-appointed arbritators of decency and decorum”]

Ainda que não tenha se recuperado totalmente do período de repressão e censura, Madonna foi capaz de demonstrar que suas habilidades como artista extrapolam o mundo da música, através de uma bricolagem única de referências ao teatro, à dança, ao circo e ao cinema. Dessa forma, Madonna voltou ao centro das atenções com a sua capacidade intrigante de se reinventar, reafirmando a sua postura e relevância como uma das maiores artistas da história.

“To me was like a growing process. She is growing up. And instead of growing at home with us… she is growing up with the world.” Silvio Cicccone

[“The deeper I go.”]

Assim como na mitologia, Madonna se despiu de qualquer preconceito e pré-julgamento e confrontou uma de suas (ou nossas) maiores obsessões: o sexo. E como deveria ser ela convidou o mundo para acompanhá-la nesse processo. Á frente de seu tempo foi difícil para o mundo seguir seus passos, já que nem todos estavam preparados. Porém, certamente todos estavam curiosos e como numa prática coletiva do voyeurismo o mundo se encontrou a espiar mesmo que à distância esse momento de descobertas e extravagância sexual proposto por Madonna.

[“The more that I know.”]

“This is not Madonna at her creative zenith. This is Madonna at her most important, at her most relevant.” Slant Magazine


O excelente texto acima que tenho a honra de publicar foi escrito a meu pedido por Thiago Soares Barbizan especialmente para ser postado aqui no MIOLÃO na semana do aniversário de 52 anos da Madonna.

Thiago é arquiteto e fã da Rainha do Pop há tempos. Infelizmente não possui conta no twitter. Mas se você gostou, discorda ou quer falar algo para ele, use os comentários. Tenho certeza que ele lerá.

Cover: I Want You, Madonna

Em comemoração ao aniversário de 52 anos da eterna Rainha do Pop, o cover de hoje é encabeçado pela própria.

I Want You
, que originalmente foi gravada em 1976 por Marvin Gaye nos áureos tempos da Motown, ganhou o toque de Madonna em 1995 numa versão atualizada e elegante produzida pelo Massive Attack para o disco Something to Remember – uma coletânea de baladas românticas. Vale destacar que os vocais de Madonna, antes cheio de maneirismos típicos dos anos 80, ganharam novas nuances e possibilidades por causa das aulas de canto que a cantora fez para o filme Evita.

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