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Trilha de Cinema: Your Arms Around Me, Jens Lekman

Drew Barrymore mostrou no filme “Whip It”, sua estréia na direção, que sabe injetar “ar fresco” a uma história que não possui grandes novidades. Baseada no livro “Derby Girl”, de Shauna Cross, a produção soa tão despretensiosa que é difícil não se divertir demais ao assisti-la.

“Garota Fantástica” (tradução que o título ganhou por aqui, e que entraria fácil pra lista de “Piores títulos de filmes traduzidos nos últimos tempos”) acompanha Bliss Cavendar (a fofa Ellen Page), uma menina que mora no interior do Texas e se sente bastante desanimada quanto às perspectivas do local e os desejos que sua mãe possui para sua vida. Enquanto a mulher almeja que a filha seja campeã de concursos estaduais de miss, a protagonista deseja escapar daquele pequeno lugarejo e de sua realidade opressora. Ela encontra uma forma de reivindicar sua liberdade ao entrar para um time feminino de roller derby, esporte um tanto agressivo e praticado sobre patins.

O frenesi adolescente e a energia vibrante dessa fase de transição na vida de Bliss são muito bem conduzidos, alternando entre sequências ágeis de comédia e ação e outras mais ternas, onde a moça prova de seus dissabores e descobertas. Todas elas são embaladas por canções distintas, que parecem retratar a confusão de sentimentos vividos pela personagem principal: se no livro ela se declara fã de indie-rock, o filme explora outros gêneros e apresenta gravações de rock, folk, R&B e afins entre seus destaques. Essas faixas, que não fariam tanto sentido quando juntas em outro contexto, funcionam tão bem na telona que a gente corre pra procurar o disquinho após a exibição.

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Top 5: Feelin’ Good

Essa é a primeira vez que o MiolãoTeam faz um Top 5 contando com versões da mesma canção.  Acho que a música em questão, por si só, serve como explicação para isso. Mas, caso não seja suficiente, lá vai: Feelin’ Good é tão boa que se eu cantar, não vou conseguir estragar. Todas as versões que já ouvi, de variados artistas, de vários gêneros musicais, são bonitas e têm algo de especial. Por isso, quando o tema foi sugerido pelo Hugo Avelar, não pensamos duas vezes antes de colocar a idéia do moço em prática.

Composta por Anthony Newley e Leslie Bricusse, Feelin’ Good foi escrita para o musical da Broadway The Roar Of The Greasepaint – The Smell Of The Crowd, onde era interpretada por Cy Grant. Porém, música se tornou conhecida na voz (e que voz!) de Nina Simone, sendo gravada pela cantora no mesmo ano que o musical foi levado aos palcos pela primeira vez.

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Cover: Party, Eliza Doolittle

Sabe uma coisa que eu gosto na Eliza Doolittle? É que ela é gente como a gente.

Quando ela gosta de alguma coisa, ela gosta. Ela banca a fã sem medo de ser ridícula. Tem muito artista por aí que quando canta algum cover o faz somente para chamar a atenção. Mas Eliza não. Quando ela canta, ela canta por gosta. E isso fica nítido quando a gente ouve – e vê, como no caso do cover de hoje.

Acompanhada por suas backing vocals e por uma base mínima de cordas e bateria, a cantora de Pack Up, que esteve no Brasil semana passada, canta, pinta e borda ao som de Party, a faixa mais R&B de 4, o último álbum de Beyoncé.

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Sample: Fallin’, Alicia Keys

Fallin‘, o single que apresentou Alicia Keys ao mundo em 2001 (sim, você está velho: a música já tem uma década!), é daquele tipo de canção emblemática, que te pega de jeito e fica contigo por dias a fio. Vencedora do Grammy em 3 categorias – Melhor Canção do Ano, Canção de R&B e Melhor Performance Feminina – Fallin‘ talvez seja a faixa mais conhecida de Keys até hoje.

Narrando um confuso relacionamento, a letra, escrita por ela, é um movimento circular que desenha no ar os altos e baixos de um sentimento que de tão intenso machuca e convida, de novo e de novo, a se apaixonar. Indo e voltando, acompanhada por seu piano  e por violinos, Alicia cria elipses sinceras e desesperadas sem rodeios.

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Beyoncé – 4

Se me dissessem que 4, o quarto álbum de Beyoncé, lançado oficialmente no Brasil no último dia 28 de junho, era o trabalho de alguma cantora dos anos 90, eu iria cair fácinho, fácinho.

Indo na contramão do pop radiofônico que domina as paradas de hoje, Beyoncé lança um disco que não lembra em (quase) nada o estilo que a consagrou. Mais arriscado do que qualquer outro álbum de sua carreira, 4 foi pensado para ser um disco cujo tema principal fosse o amor. Sendo visivelmente influenciada por Jackson 5 (Love On Top), Mariah Carey (1+1) e boa parte da Motown em sua fase de ouro (I Care, Rather Die Young e I Miss You), Beyoncé costura em 12 faixas um universo passional e particular.

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Sample: Crazy in Love, Beyoncé

Muito tem se falado sobre Run The World (Girls), o single novo da Beyoncé que tem sample de Pon The Floor, do Major Lazer (ou, se você preferir, da ‘banda do Diplo’). Toda trabalhada nas batidinhas aceleradas, nossa Honey Bee pinta e borda criando um hit pegajoso e selvagem pronto pra agitar qualquer pista. Mas isso, meus amigos, aposto que vocês já sabem. O que nem todo mundo sabe é que não é de hoje que Bey busca referências em outras canções para compor seu trabalho.

Lançada em 2003 para divulgar Dangerously in Love, seu disco de estreia, a bombástica Crazy In Love também contou com uma “ajudinha” de outra música… E é isso que a gente vê por aqui hoje.

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Cover: Respect, Aretha Franklin

“All I’m asking is for a little respect when you come home…”
(Tudo que eu peço é um pouco de respeito quando você voltar pra casa…)

Uma voz como a de Aretha Franklin clamando por R-E-S-P-E-I-T-O foi o cover escolhido para homenagear nossas leitoras no Dia Internacional da Mulher. Forte e incisiva, a música, que é um verdadeiro hino feminista, faz parte do álbum de estreia de Aretha, o maravilhoso I Never Loved a Man The Way I Love You, lançado em 1967. Com pouco mais de 2 minutos, Aretha se impõe para o homem que ama mostrando seu valor e que merece respeito.  E nós, do Miolão, acreditamos que é que todas as mulheres realmente merecem.

Eternizada no inconsciente coletivo, Respect foi reconhecida pela crítica como uma das melhores músicas já feitas pela Revista Rolling Stone, além de ter vencido dois prêmios Grammy em 1968 de Melhor Gravação de R&B e de Melhor Performance Vocal de R&B e Blues Solo Feminino.

Chega até ser irônico pensar que Respect, escrita e gravada originalmente por Otis Redding em 1965, tenha se tornado o que se tornou. Mais do que uma excelente gravação, Respect é um manifesto por diretos e também do que deveria ser direito. Parabéns, Aretha. Parabéns, mulheres por seu dia.

 

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