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Lana Del Rey – Born To Die

Tempos atrás, quando falei de Lana Del Rey em uma antiga postagem do Miolão, disse que a aura enigmática da moça era um de seus maiores atrativos. Na ocasião, a cantora despontava como uma nova promessa e tudo parecia mesmo muito intrigante: sua persona (incluindo o caso Lizzy Grant x Lana Del Rey), suas canções, a ausência de lives e entrevistas que a aproximassem do público.

Agora, Lana já nem parece esse mistério todo. Os últimos meses comprovaram que por trás de toda aquela pose sedutora, existe uma menina bastante tímida, que não se sente tão à vontade em cantar ao vivo, se expressa de forma contida junto à mídia e nem faz mais questão de esconder seu passado como Lizzy, afirmando inclusive que o seu álbum sob essa alcunha será lançado em breve por uma grande gravadora.

Se a artista surge agora muito mais revelada, o que dizer de sua música? “Born To Die”, o seu primeiro disco oficial, chegou às lojas gringas semana passada. Ainda que bastante esperado, seu conteúdo já era, em grande parte, conhecido pelos fãs: das doze faixas que o compõem, mais da metade já havia vazado ou rodava pela web em versão demo. Embora não seja um disco temático, o álbum circunda o mesmo ponto em quase todas as suas canções: as lamentações de Lana sobre seu coração partido, amantes cruéis e sobre como se sente sem grande valor ou atrativos, tudo sob um verniz retrô, cinematográfico e por vezes, de uma seriedade pomposa. A intérprete veste com propriedade a fantasia de beauty queen fracassada e a sustenta até a última faixa, mas a questão é que é difícil não sentir-se enjoado de seu “mundinho” rápido demais. As gravações lançadas anteriormente, agora agrupadas, perdem muito de sua força, o que torna a audição do compacto repleta de altos e baixos.

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As Aventuras de Agamenon – O Repórter

Mesmo depois de produções como O Que É Isso Companheiro?, Central do Brasil, Cidade de Deus, Lisbela e O Prisioneiro, O Homem do Futuro e O Palhaço, ainda há quem diga que o cinema nacional não tem qualidade. Tenho pra mim que se essas pessoas vissem As Aventuras de Agamenon – O Repórter mudariam de ideia.

O filme, escrito por Hubert e Marcelo Madureira, conhecidos pelo humorístico televisivo Casseta e Planeta, é uma pequena pérola do nosso cinema. Bem escrito e coerente, o longa é dono de um humor inteligente e tiradas inspiradas que fazem o público ter síncopes de risos. Conseguindo a façanha de nos colocar em igual posição a grandes produções de Hollywood, como o esfuziante Norbit e o maravilhoso As Branquelas, As Aventuras de Agamenon – O Repórter é, além de um bom longa, um retrato político e social do nosso país.

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The Darkest Hour

Ao contrário do que o título do filme sugere, A Hora da Escuridão (The Darkest Hour, 2011) não é um filme de terror. O segundo longa de Chris Gorak, diretor do irregular O Procurado (até hoje não me conformo como um filme pode ter um início tão promissor e virar… aquilo!), A Hora da Escuridão se enquadra mais no gênero catástrofe-fim-do-mundo do que no suspense ou no horror propriamente dito.

Em econômicos 89 minutos, Gorak nos mostra Sean (Emile Hirsch) e Ben (Max Minghella), dois estadunidenses que viajam para Rússia a fim de vender uma espécie de “rede social”. As coisas não saem muito bem como o planejado e eles, frustrados, partem para curtir à noite da cidade e acabam encontrando duas turistas (Olivia Thirlby e Rachael Taylor). No entanto, o clima de flerte e azaração é cortado abruptamente quando todas as luzes do lugar se apagam. Assustados, os clientes da casa noturna saem e observam esferas de energia “caindo do céu”. Hipnotizados com a beleza das imagens eles logo voltam a realidade quando um policial, ao “encostar” em um desses núcleos de energia com um cassetete, tem seu corpo desintegrado diante de seus olhos. A partir daí a confusão, desordem e gritaria toma conta do ambiente e o caos se instaura.

Depois de uma sequência eletrizante, com o perdão do trocadilho, nossos quatro heróis e uma personagem que se assemelha a um vilão (Joel Kinnaman) ficam presos por uma semana dentro de um “cômodo secreto” da danceteria, numa espécie de bunker. Quando saem, puft, descobrem que, aparentemente, são os últimos sobreviventes. Perdidos e longe de casa, eles decidem ir a embaixada estadunidense para procurar ajuda. Todavia, como era de se esperar, a tarefa se mostra insólita e eles acabam enfrentando obstáculos inimagináveis…

A história não é das mais originais. A gente já viu isso outras vezes. No entanto, a execução é bastante… Interessante.

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Sherlock Holmes: A Game Of Shadows

É só um chute, mas tenho para mim que se você ficar na porta de um cinema após a exibição de Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game Of Shadows, 2011) e perguntar para as pessoas que estão saindo se elas gostaram do filme, aposto que 9 entre cada dez vão dizer que adoraram o que viram e que o longa é maravilhoso. Eu, pelo menos, diria isso.

Rasgaria elogios a essa sequência porque o produto que Guy Ritchie entrega é tão extasiante, vibrante e cheio de paixão que eu não teria forças para me render. Pelo menos não enquanto os créditos finais estivessem passando.

Isso aconteceria porque a quantidade de informações que o diretor de Snatch – Porcos e Diamantes joga na tela durante os 129 minutos de projeção é muito grande. Não há tempo para pensar, de fato, sobre o que se vê. O cuidado que Ritchie emprega para preencher cada segundo de seu filme com uma cena de ação, piada, efeito sonoro ou explicações ultra didáticas, é tamanho que não sobra espaço para que a gente “participe”. A única alternativa é assistir sem questionar. Somos espectadores no sentido mais amplo da palavra. E olha que o argumento apresentado pelos roteiristas Michele Mulroney e Kieran Mulroney não é nada “difícil”.

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A Banda Mais Bonita da Cidade – A Banda Mais Bonita da Cidade

O clipe de Oração, a primeira musiqueta dA Banda Mais Bonita da Cidade, hoje acumula quase nove milhões de views no YouTube. Embora esteja abaixo da maioria dos filhotes de labrador que aparecem em vídeos caseiros fazendo o que todo cachorro faz, os números são bastante impressionantes. A meia dúzia de versos encaixou de um jeito único com o vídeo, e o resultado foi apenas delicioso. O videoclipe de Oração, gravado em plano sequência com uma porção de gente sorridente, é o que todo comercial de margarina sempre sonhou ser.

Formada por Uyara Torrente, uma menina com uma delícia de voz e os rapazes Vinícius Nisi, Rodrigo Lemos, Diego Placa e Luís Bourscheidt, o grupo é bastante jovem. Através de crowndfunding, a banda conseguiu juntar alguns milhares de reais para a produção do primeiro disquinho. Muita gente ajudou e o álbum saiu ainda em 2011, carregando o mesmo nome da banda. E aí vieram as críticas.

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Tinker Tailor Sailor Spy

No cartaz de O Espião Que Sabia Demais (Tinker Tailor Sailor Spy, 2011) há uma frase bastante interessante: “O clássico que redefiniu o gênero”. Fiquei (mais) instigado. Não era muito exagero dizer que um filme, que mal chegou aos cinemas (oficialmente ele só estreará amanhã, dia 13/01/2011), já é um “clássico”? E de que diabos de gênero eles estavam falando? Filmes de espionagem? Depois percebi que a tal frase se referia ao livro de John Le Carré, que serviu como base para o roteiro da produção. E após ver o filme tive certeza de uma coisa: se o filme não for abraçado como sendo um clássico instantâneo, com o tempo ele será.

O roteiro escrito por Bridget O’Connor e Peter Straughan nos apresenta a história de alguns agentes da inteligência britânica. Logo na cena de abertura, vemos a personagem de um soberbo John Hurt (O Homem Elefante) pedindo a personagem de Mark Strong (que pela primeira vez em muito tempo encara um papel que não seja o do gangsta-árabe) que vá ao encontro de um informante e descubra quem é o espião que está infiltrado entre os seus. O encontro não sai bem como o esperado (contar o que acontece é matar parte da graça do filme) e, com o insucesso da missão, o “poder” absoluto de Hurt é contestado e ele é demitido. Juntamente, sai também um moço – nem tão moço assim – chamado George Smiley (Gay Oldman). Tudo ficaria por isso se o boato de que havia um traidor ali não tivesse se espalhado. Rapidamente o governo reintegra Smiley e lhe dá a missão de descobrir quem é o agente duplo. Ah! E sabe do mais bacana? Tudo isso acontece nos primeiros 5 ou 10 minutos.

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Tomboy

Tomboy, o segundo filme de Céline Sciamma, a maravilhosa diretora do igualmente maravilhoso Lírios D’Água (Naissance des Pieuvres, 2007), tem uma história bastante… Curiosa.

Tudo começa quando Laura, uma garota de 10 anos, se muda para o subúrbio de Paris e é confundida com um menino. Para se sentir aceita pelos novos vizinhos, ela sustenta o engano. Com o passar do tempo o sentimento de “fazer parte de um grupo” acaba sendo substituído por outro: Laura se sente muito mais à vontade quando finge ser Michael e, na pele de Michael, experimenta sensações e descobertas típicas da (pré) adolescência.

Com uma sensibilidade ímpar, Celine se esquiva dos clichês e filma com uma naturalidade impressionante. O interesse que ela nutre por sua personagem é tão sincero que a condição de confusão de gênero da protagonista acaba ficando em segundo plano para dar lugar a uma história de amadurecimento pessoal. Sem recorrer a subterfúgios furtivos ou firulas visuais a câmera se torna confidente de Laura e estabelece uma relação de cumplicidade. Em nenhum momento Celine se propõe a apresentar uma protagonista emblemática que pareça símbolo de uma causa. O que vemos, na verdade, é o desenvolvimento de uma criança.

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