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Trilha de Cinema: Your Arms Around Me, Jens Lekman

Drew Barrymore mostrou no filme “Whip It”, sua estréia na direção, que sabe injetar “ar fresco” a uma história que não possui grandes novidades. Baseada no livro “Derby Girl”, de Shauna Cross, a produção soa tão despretensiosa que é difícil não se divertir demais ao assisti-la.

“Garota Fantástica” (tradução que o título ganhou por aqui, e que entraria fácil pra lista de “Piores títulos de filmes traduzidos nos últimos tempos”) acompanha Bliss Cavendar (a fofa Ellen Page), uma menina que mora no interior do Texas e se sente bastante desanimada quanto às perspectivas do local e os desejos que sua mãe possui para sua vida. Enquanto a mulher almeja que a filha seja campeã de concursos estaduais de miss, a protagonista deseja escapar daquele pequeno lugarejo e de sua realidade opressora. Ela encontra uma forma de reivindicar sua liberdade ao entrar para um time feminino de roller derby, esporte um tanto agressivo e praticado sobre patins.

O frenesi adolescente e a energia vibrante dessa fase de transição na vida de Bliss são muito bem conduzidos, alternando entre sequências ágeis de comédia e ação e outras mais ternas, onde a moça prova de seus dissabores e descobertas. Todas elas são embaladas por canções distintas, que parecem retratar a confusão de sentimentos vividos pela personagem principal: se no livro ela se declara fã de indie-rock, o filme explora outros gêneros e apresenta gravações de rock, folk, R&B e afins entre seus destaques. Essas faixas, que não fariam tanto sentido quando juntas em outro contexto, funcionam tão bem na telona que a gente corre pra procurar o disquinho após a exibição.

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Cover: Little Girl Blue, Janis Joplin

Caso Janis Joplin estivesse viva, completaria hoje 69 anos.

Se ela seria considerada a lenda que é hoje ou mesmo se ainda teria a mesma voz, são questões que não me preocupo em discutir ou mesmo em pensar. O que me interessa em Janis é o talento. A capacidade de transformar suas canções em algo inimitável. A voz áspera, densa, cheia de variações – que vai da mais absoluta tristeza a agressividade de um Jim Morrison em questão de segundos – e com uma facilidade que só confirma que, para ela, cantar era tão natural quanto o ato de respirar é para todos os seres humanos.

É isso o que eu gostaria de mostrar com o cover de hoje. Poderia ter escolhido Summertime, um clássico regravado milhões de vezes, mas optei por Little Girl Blue porque essa música é, até em seus menores detalhes, Janis Joplin.

Apesar de ter se popularizado na maravilhosa versão de Nina Simone, Little Girl Blue foi originalmente gravada por Gloria Grafton (infelizmente não encontrei nenhum vídeo no Youtube). Composta em 1935, por Richard Rodgers e Lorenz Hart, a faixa fala sobre infelicidade, tédio e desesperança. Sobre chegar a aquele ponto em que tudo o que se pode fazer é sentar e contar os pingos de chuva. E isso acontece de um modo tão simples e tão honesto que fez com que ela acabasse caindo no gosto de diversos cantores cujo estilo apontava, ainda que apenas em alguns momentos, para o confessional.

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3 Momentos: Garbage

Reza a lenda que o trio de produtores Butch Vig, Steve Marker e Duke Erikson, em 1994, estavam num estúdio remixando uma faixa do Nine Inch Nails. Um amigo dos caras adentrou ao recinto e disse: “that sounds like garbage”. A simples frase foi o bastante para que a sonoridade suja, marcada guitarras distorcidas e agudas, se transformasse num outro projeto, batizado como Garbage, em homenagem a frase que o inspirou. Tudo o que faltava era alguém que compartilhasse do mesmo gosto que os caras para assumir os vocais.

Nessa mesma época, uma certa escocesa de cabelos vermelhos estava para lá de infeliz na sua banda, o Angelfish. Ela achava que os demais membros não levavam aquilo à sério. Então, quando Butch e cia entraram em contato, convidando-a para fazer parte do Garbage, Shirley Manson não pensou duas vezes.

E assim teve início uma das maiores bandas dos anos 90. E das mais originais. Porque apesar de ter nascido da costela do Nine Inch Nails, o Garbage não se assemelha em nada a eles, tamanha a peculiaridade de suas letras e melodias. Ao ouvirmos uma música do quarteto, temos a certeza que ela só poderia ter sido escrita, produzida e cantada por eles. Ora soando ferozes, ora melancólicos e, no meio disso, encontrando uma maneira de se mostrar vulneráveis, eles fizeram o suficiente para, mesmo nunca entrando em estúdio para produzir algo novo, sempre serem lembrados, queridos e, acima de tudo, esperados.

E é por tudo isso que o 3 Momentos de hoje é dedicado a eles. Bora conferir?

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Music Monday: Alice Gold

Você conhece a Alice Gold?

Seven Rainbows, o disco de estreia da moça, foi produzido por Dan Carey – que já trabalhou com os caras do Franz Ferdinand e com a fofa da Lily Allen – e foi lançado em julho do ano passado.

… Mas eu só fiquei sabendo dele (e da existência da moça) no sábado. Coloquei pra tocar, assim, como quem não quer nada, e me surpreendi. Fiquei de cara com o potencial vocal de Alice, com a pegada rock das músicas e com o apelo pop dos refrões. E aí, meus amigos, não quis saber de outra coisa. Deixei o disquinho no repeat por horas. No domingo eu já cantarolava todas as melodias. E hoje eu não queria saber de ouvir outra coisa.

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Os Discos Mais Esperados de 2012 – Parte 1

jejeje

Faltam exatamente 361 dias para 2012 terminar.

Ele, que pode ser considerado um neném, nasceu há apenas cinco dias e – pelo menos pra mim – ainda não mostrou muito a que veio. Mas há tempo para isso. E se depender da promessa de alguns artistas, 2012 vai ser maravilhoso. Aliás, eu diria que 2012 tem altas chances de ser lembrado como “o ano em que houve uma porrada de lançamentos legais de gente mais legal ainda”.

Acha exagero? Listamos abaixo alguns disquinhos que serão lançados nos próximos meses. Te desafio a dar uma olhada e dizer se a gente tem ou não tem bons motivos para crer que o ano será, musicalmente falando, maravilhoso.

Vai vendo!

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Trilha de Cinema: Tiny Dancer, Elton John

Se me pedissem um Top 10 das músicas que mais marcaram cenas do cinema na minha cabeça, Tiny Dancer estaria pelo menos entre as cinco primeiras.

Quase Famosos (Almost Famous, 2000) é um daqueles filmes redondinhos, sabe? Aquele filme sem poréns. Roteiro, direção, atuações, um casamento perfeito. Mas nada se compara à afinação dos caras responsáveis pela escolha dessa trilha sonora. Simon & Garfunkel, David Bowie, The Who, Led Zeppelin… Elton John. Só gente de primeira embalando a história do garoto de 15 anos que banca o jornalista e acaba acompanhando sua banda favorita numa turnê. E quem não gostaria de fazer isso um dia?

Numa época meio apagada do cinema quando falamos em obras do gênero, o filme se destacou tanto que carrega um Oscar de Melhor Roteiro nas costas, além de mais três indicações, incluindo Melhor Atriz Coadjuvante para Kate Hudson. Eu, particularmente, tenho paixão por esse filme. É um dos primeiros na minha listinha de recomendações. Sempre.

A tal cena marcante, que nunca deixa de me arrepiar quando vejo, é bem simples.

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Cover: Venus in Furs, The Kills

Alison Mosshart e Jamie Hotel Hince sempre enfatizaram em entrevistas que o Velvet Underground foi a banda com maior peso e influência no som do The Kills.

Os reverenciando com bastante amor e devoção, a dupla se igualava a nós, fãs e mortais, ao expressar o quanto curtiam o conjunto de Lou Reed: sem poupar elogios, chegaram a dizer que gostariam de soar como eles.

E eles tentaram. Os riffs sujos e displicentes e a frequente alusão ao segundo disco do Velvet Underground permearam os primeiros trabalhos do The Kills. Com o tempo, o som da banda se distanciou mais e mais da música de seus ídolos e foi ganhando corpo e personalidade.

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