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Duelo: SOMETIMES, Britney Spears x Noisettes

O post de hoje é especial. Primeiro porque ele marca o retorno de uma seção bastante querida pelos leitores e depois porque ele registra minha estreia como redator no “Duelo”.

Para começar com o pé direito, escolhi duas músicas que não poderiam ser mais diferentes: do lado direito do ringue temos a inocente Sometimes da (não tão inocente assim) Britney Spears; e do lado esquerdo temos a interessantíssima Sometimes dos Noisettes.

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Sample: Crazy in Love, Beyoncé

Muito tem se falado sobre Run The World (Girls), o single novo da Beyoncé que tem sample de Pon The Floor, do Major Lazer (ou, se você preferir, da ‘banda do Diplo’). Toda trabalhada nas batidinhas aceleradas, nossa Honey Bee pinta e borda criando um hit pegajoso e selvagem pronto pra agitar qualquer pista. Mas isso, meus amigos, aposto que vocês já sabem. O que nem todo mundo sabe é que não é de hoje que Bey busca referências em outras canções para compor seu trabalho.

Lançada em 2003 para divulgar Dangerously in Love, seu disco de estreia, a bombástica Crazy In Love também contou com uma “ajudinha” de outra música… E é isso que a gente vê por aqui hoje.

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Cover: You’re The One That I Want, Angus e Julia Stone

Sabe uma coisa que eu já tentei gostar e nunca consegui? Grease.

Não curto nada relacionado ao filme, exceto talvez a caracterização dos personagens, que eu acho divertidíssima. Todos me massacram quando digo isso, mas é que simplesmente não desce. Opinião pessoal mesmo – e olha que adoro musicais.

Até as canções deste aqui me irritam. Sem falar que elas são sempre relembradas em festas e todo mundo começa a dançar na maior empolgação, enquanto eu fico com uma gigante cara de bunda. Ok, ok, isso já é outra história…

Uma delas é “You’re The One That I Want”. A faixa, cantada por John Travolta e Olivia Newton-John, é o single de maior sucesso da trilha do filme, atingiu o topo das paradas quando lançada, em 1978 e dispensa maiores apresentações. Até Sandy & Jr fez uma versão super melêzinha sua, que embalou a infância de muitos e foi hit de gincanas escolares.

Outra que eu nunca curti, por sinal. Precisou de um cover que tirasse aquele ritmo todo pululante da mesma para que eu finalmente a visse com outros olhos.

Os responsáveis por ele são Angus e Julia Stone, dois irmãos australianos que se uniram pra gravar lindas canções folk autorais há alguns anos e trabalham, atualmente, em seu terceiro disco, “Memories of na Old Friend”, que foi lançado no finalzinho do ano passado.

Numa jam promovida pela revista Rolling Stone, a dupla resolveu dar uma roupagem bem característica ao hit do filme, que perdeu o seu ar serelepe, e se transformou numa delicada canção de violão, voz e arranjos mínimos. Julia canta, com um jeito todo romântico, mas ainda assim impondo respeito ao dizer que quer o melhor de seu parceiro; Angus, junto a dois músicos de apoio, toca. O resultado é “You’re The One That I Want” delicada e fofa como nunca antes vista.

Ouça a gravação abaixo. E aqui termino meu post mais ranzinza já publicado no Miolão. Haha ;]

Sample: Call Me, Blondie

Lançada originalmente em 1980 para divulgar o filme Gigolô Americano, Call Me se tornou um dos maiores hits do Blondie.

Dominando o Hot 100 da Billboard por seis semanas consecutivas no primeiro lugar e atingindo o topo da parada do Reino Unido, a música foi anos mais tarde considerada uma das 500 melhores canções de todos os tempos pela revista Rolling Stone. Parte do sucesso da música deve ser creditada ao pegajoso riff combinado com a bateria frenética que juntos forneciam todo o suporte necessário para que a voz, ou melhor, o clamor de Debbie Harry soasse mais selvagem.

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3 Momentos: Gwen Stefani

O mundo pop anda muito chato ultimamente. Mas muito chato mesmo. Você consegue lembrar qual foi o último respiro levemente interessante desse universo que a gente tanto gosta? Talvez tenha sido quando a filhinha de um ator resolveu bater o cabelo pra frente e pra trás por aí. Levando em consideração esse fato (de que o pop já não é mais o mesmo), o que resta para aqueles que se cansaram de ver moças de cabelo vermelho, meninas sujas ou gente com gengivas avantajadas na tv, é relembrar um tempo em que o visual das estrelas era realmente interessante e a música, normalmente descartável nesse meio, era bastante boa. Convido vocês, senhores e senhoras, a rememorarem comigo um período curioso e, mais do que tudo, delicioso da música pop.

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3 Momentos: Cee-Lo Green

Cee-Lo Green é mais ou menos como aquela receita que você inventou num sábado à tarde usando tudo que encontrou ao alcance das mãos e que, inexplicavelmente, deu certo.

Mesclando hip-hop com blues, R&B, funk e soul – principalmente soul -, Cee-Lo conseguiu construir uma identidade única, descolada e super interessante.

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EROTICA – Madonna e sua extravagância sexual: a maioridade 18 anos depois

Na mitologia é frequente a descrição de passagens em que deuses e deusas em um determinado momento de sua existência se deparam com a necessidade de confrontar o seu oposto. Tais episódios, geralmente ambientados nas profundezas do mundo inferior, narram a travessia pela qual a entidade em questão deve se despir de qualquer proteção ou ligação com o seu mundo para então confrontar seus medos e sentimentos mais íntimos e sombrios e renascer mais sábio e mais forte.

[“If you’re afraid, well rise above. I only hurt the ones I love.”]

“Justify My Love”, lançada em 1990, seria o primeiro passo de Madonna para uma era em que a sexualidade seria seu tema de trabalho e quase obsessão refletida no álbum “Erotica”, no livro “SEX”, no filme “Corpo em Evidência” e finalmente em sua turnê mundial “The Girlie Show” que se estenderia pelo ano de 1993. Utilizando estrategicamente todas as mídias e formas de marketing disponíveis na época, o álbum “Erotica” foi o primeiro disco da cantora a ser lançado pelo seu próprio selo: a Maverick Records. Dessa forma, Madonna conquistou e gozou seu período de maior exposição, causando controvérsia e levantando questionamentos sobre sua relevância no mundo da música.

Curiosamente foi a qualidade da música que forneceu o suporte essencial para a continuidade e aceitação dos seus projetos paralelos. Na época, críticas positivas para o álbum foram publicadas por diversas revistas especializadas. Segundo a Billboard “Erotica” é um álbum ambicioso que contem algumas das melhores músicas de Madonna. Opinião compartilhada pela Rolling Stone pela qual o álbum foi considerado brilhante. Já para a Blender, o álbum conceitual recebeu quatro estrelas sendo classificado como chocante e inspirador.

Através de uma mistura inteligente do pop e house produzidos por Shep Pettibone com os elementos de jazz e hip-hop incorporados por André Betts, as letras das músicas falam sobre relacionamentos e perdas, e algumas transmitem um teor político muito expressivo. “Erotica” foi definido pela própria Madonna como um disco “áspero” e “cru” já que a idéia foi não produzir as músicas demais e deixá-las o mais próximo possível de suas “demos” originais gravadas nas primeiras sessões, sem os caprichos de muito polimento e pós-produção, o que mais tarde seria brilhantemente explorado nas performances ao vivo da turnê de divulgação do álbum.

Com seis singles lançados: “Erotica”, “Deeper and Deeper”, “Bad Girl”, “Fever”, “Rain” e “Bye Bye Baby”, seus vídeos promocionais tiveram que competir pela atenção do público com a polêmica criada em torno do livro “SEX” com fotografias de Steven Meisel que retratam todas as formas de relacionamentos e as fantasias sexuais que permeiam este universo.

[“This book is about Sex. Sex is not Love. Love is not Sex. But the best of both worlds is created when they come together.”]

Apesar de esclarecer em quase todas as entrevistas que o livro era apenas uma ilustração das fantasias que todo ser humano tem em relação ao sexo, foi complicado convencer o público mais conservador a recebê-lo como arte, o que gerou um verdadeiro movimento de repressão e boicote à cantora.

“ The most important thing is that I say the things I want to say. In my music or whatever expression that may be. Wether that’s writing a book or writing songs or acting or whatever… the important thing is that I feel fulfilled as an artist and ultimately what the world gets out of it and what they chose to see.” Madonna – MTV Europe, Nov. 1992.

[“Why can't we learn to challenge the system without living in pain?”]

Porém, não são muitos os artistas que conseguem incluir em sua obra um retrato tão fiel do contexto histórico no qual se encontra e ao mesmo tempo gerar um impacto tão relevante na cultura e sociedade. No inicio da década de 90 o mundo se encontrava em um confronto ideológico com a sexualidade e a epidemia da AIDS e, como a personificação de um adolescente, presenciava uma época de transição na sociedade em que o diálogo sobre a sexualidade se movia da total repressão para a liberdade de expressão e novas formas de explorar esse universo. Para entender o impacto de “Erotica” basta recorrer a outras mídias da mesma época, uma recomendação seria a sequência inicial de “Cães de Aluguel”, primeiro filme de Quentin Tarantino, em que um grupo de ladrões discute o significado e as mensagens implícitas nos grandes hits de Madonna da década de 80. No ano seguinte ao lançamento de “Erotica”, foi lançado o filme “Corpo em Evidência” estrelado por Madonna e Willem Dafoe. O filme foi extremamente criticado e certamente não recuperou nas bilheterias o investimento para a sua realização.

Neste mesmo ano, inspirada por um quadro de Edward Hopper, Madonna levou para a América, Europa, Ásia, e Oceania a turnê mundial “The Girlie Show”. Com referências ao Catolicismo, Fellini, Bob Fosse, Gene Kelly, Marlene Dietrich e a Berlim de Weimar, Cabaret, Carmen Miranda, Metropolis, Cirque De Soleil, entre outros, o show foi concebido e vendido como um “Circo do Sexo” em que os gêneros se confundiam e performances jamais antes vistas eram realizadas ao vivo no palco. Funcionou.

Com uma produção elegante e muito bem elaborada a turnê se tornou o espetáculo mais bem sucedido daquele ano, recebendo críticas positivas por onde passava.

[“Never before has a star of this magnitude trounced so many taboos and broached so many boundaries, seemingly obvious to the self-appointed arbritators of decency and decorum”]

Ainda que não tenha se recuperado totalmente do período de repressão e censura, Madonna foi capaz de demonstrar que suas habilidades como artista extrapolam o mundo da música, através de uma bricolagem única de referências ao teatro, à dança, ao circo e ao cinema. Dessa forma, Madonna voltou ao centro das atenções com a sua capacidade intrigante de se reinventar, reafirmando a sua postura e relevância como uma das maiores artistas da história.

“To me was like a growing process. She is growing up. And instead of growing at home with us… she is growing up with the world.” Silvio Cicccone

[“The deeper I go.”]

Assim como na mitologia, Madonna se despiu de qualquer preconceito e pré-julgamento e confrontou uma de suas (ou nossas) maiores obsessões: o sexo. E como deveria ser ela convidou o mundo para acompanhá-la nesse processo. Á frente de seu tempo foi difícil para o mundo seguir seus passos, já que nem todos estavam preparados. Porém, certamente todos estavam curiosos e como numa prática coletiva do voyeurismo o mundo se encontrou a espiar mesmo que à distância esse momento de descobertas e extravagância sexual proposto por Madonna.

[“The more that I know.”]

“This is not Madonna at her creative zenith. This is Madonna at her most important, at her most relevant.” Slant Magazine


O excelente texto acima que tenho a honra de publicar foi escrito a meu pedido por Thiago Soares Barbizan especialmente para ser postado aqui no MIOLÃO na semana do aniversário de 52 anos da Madonna.

Thiago é arquiteto e fã da Rainha do Pop há tempos. Infelizmente não possui conta no twitter. Mas se você gostou, discorda ou quer falar algo para ele, use os comentários. Tenho certeza que ele lerá.

 

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